Estava difícil combinar o horário de dormir e acordar. O efeito do Jet leg estava pegando forte. Mesmo indo dormir todos juntos tarde da noite (lá pela meia noite), um só conseguia dormir as 3 da manhã, o outro dormia mas acordava as 3 hs sem sono e o outro nem dormia… Por conta disso, a manhã toda fica confusa. O tempo estava ótimo em Sydney. Estávamos ansiosos para ver um dos ícones da Austrália, o canguru. Nem bem chegamos na estação de ferry, nossa menina dormiu. Ficamos numa situação complicada. Já era por volta do meio dia e temíamos que ela estivesse dormindo como se fosse de noite. Isso significaria horas de sono e comprometeria o passeio ao zoológico. Arriscamos. O ferry deixa no pé do morro onde fica o zoológico. A entrada é “salgada”. Bem, a Austrália é salgada. Sydney e Melbourne são consideradas umas das cidades mais caras do mundo. Mas vir para Austrália e não ver canguru não dá. Entramos no zoológico e já fomos logo para a área dos animais da Austrália. Os cangurus e coalas são os únicos animais soltos no zoológico. Você entra numa área especial e fica muito perto deles. A nossa menina estava dormindo. Não era só ela. Os cangurus também. Acho que eles haviam almoçado e estavam com o estômago pesado… O fato é que a cena decepcionou um pouco, queríamos ver os cangurus pulando… E a decepção aumentou quando disseram que a senha para ver os coalas também havia acabado. Resolvemos então seguir o passeio e almoçar. O tempo passava, e nada da nossa menina acordar. Quando faltava uma hora para fechar o zoológico, ela despertou. Estamos em frente aos elefantes asiáticos. Eu não sabia que haviam elefantes na Ásia. Eles parecem ser bem mais espertos, ativos e brincalhões que os africanos. Ficamos apaixonados por eles. Daí começou a corrida para voltarmos aos cangurus. Subimos o morro o mais rápido possível. Faltava pouco para fechar. Quase não havia mais ninguém. Por outro lado, parecia que estávamos num filme de ficção científica ou do avatar. Os cangurus se movimentavam muito rapidamente pela área, saltando de um lado para o outro, enfileirados. Havia um senhor voluntário do zoológico cuidando da área. Ele sugeriu que nós não nos movimentássemos muito para não assustar os cangurus, daí poderiamos até tocar neles. E assim o fizémos. Ficou praticamente um passeio privado, inesquecível. Quando saímos, passamos em frente a área dos coalas e lá estavam eles soltos. Nao pudemos tocá-los, mas pudemos vê-los muito perto. E corremos para ver o demônio da Tasmania, que não tem nada de demônio não, é bem engraçadinho.
Enfim, Sydney – Austrália
Depois de 14 horas de viagem e mais 8 horas de fuso horário, chegamos em Sydney. É nossa primeira vez na Oceania. Achamos o aeroporto meio apertado, levando em consideração o tamanho do País. Ele é o sexto maior do mundo, o Brasil o quinto. Pegamos um trem entre o aeroporto até a estação central de Sydney. Era horário de pico, 8:30 da manhã. Sobre a Austrália eu tinha duas coisas que ecoavam na minha cabeça há anos: A Austrália é um Brasil que deu “certo”; e a segunda é que tudo é meio parecido com a Inglaterra. Estou realmente tentando andar por aqui sem ser afetado por ambas as frases. É bem difícil. Quando chegamos na estação de trem central, percebemos que isso sim parece a Inglaterra. A estação parecia qualquer outra em Londres. Mas quando vimos que Sydney é bastante dependente de ônibus e com pouquíssimas linhas de metrô, isso nos fez lembrar do Brasil. Saímos andando da estação central pois não estávamos certos de qual ônibus pegar para o nosso destino. “Vamos andando”. Cortamos a China Town, subimos ladeiras e chegamos em frente ao Hotel , ponto de encontro. Até ali tudo parecia muito São Paulo. Depois de um SMS, tão logo, a Suzan veio nos encontrar. Não andamos nem 5 minutos já estávamos em seu apartamento, primeiro andar, em frente a um jardim com papagaios soltos, voando livremente. Suzan era jornalista da BBC quando morava em Londres. Ela havia decidido voltar para Austrália para ajudar uma irmã que havia tido um filho. Atualmente trabalha em casa, editando filmes e fotos, como free lancer para grandes midias. Estávamos exaustos. Era próximo da hora do almoço, mas resolvemos dormir um pouco. Na parte da tarde uma chuva “brasileira” que não víamos há tempo. Mesmo assim decidimos sair. Suzan havia me alertado várias vezes para ver os horários dos ônibus. Somente quando estávamos no ponto é que fomos entender que eles demoram para passar. Dois pontos de ônibus depois, já estávamos no centro da cidade. O primeiro prédio que visitamos era o da Rainha Vitoria, um dos mais antigos da cidade. E saímos andando até a orla, onde pudemos ver o Opera House. Sydney ficou muito famosa internacionalmente depois das Olimpíadas de 2000. O Opera House era imagem constante nas vinhetas das olimpíadas. Sua arquitetura é arrojada e sua localização que é bem na baia de Sydney, ao lado da imensa ponte, ajuda Sydney a tirar o seu ar pesado de cidade concreto, até digamos assim meio sem graça, apesar do pequeno aglomerado de prédios modernos. Tirando o Opera House e a baia, tudo é bem semelhante à São Paulo.
No dia seguinte, seguimos novamente para o centro da cidade para conhecermos o outro lado, o dos parques. Demos uma passada rápida pelo Hyde Park e depois nos perdemos no Jardim Botânico. De lá, você tem uma outra vista do Opera House. Almoçamos no pé do teatro com a vista para a Ponte. Nem era nossa intenção, mas fomos forçados quando vimos que nossa filha estava prestes a dormir. Depois do almoço, antes de pegar um ferry, ficamos assistindo aqueles shows de rua onde no final o cara passa a sacolinha. O processo de persuasão de recolher dinheiro está cada vez mais sofisticado. Antes do número final, o artista faz um belo discurso dizendo que aquele show custaria facilmente uns 15 dólares em um teatro e que o mínimo que ele espera de cada um alí é uns 10 dólares. “Se você quiser dar 5, ok. Dá para comprar um café”. “Agora, se quiser dar moedas, nem me dá”.
O ferry cortou a baia, dando uma vista privilegiada da moderna arquitetura do Opera House. Uns 20 minutos depois estávamos numa praia chamada de Manly. Nossa tarde foi na praia, o dia estava com cara de chuva, o sol ameno, perfeito para nossa pequena brincar bastante de castelo de areia. Enquanto isso a July fez amizade com uma senhora da Malásia. Ela é chefe de produção de uma fábrica de roupas. Trabalha 7 dias por semana e fala 5 línguas. “Se não souber falar tais línguas, não consigo falar com as funcionárias”. “Tirar férias é uma benção.’’ “Vim aqui para visitar minha filha, o trabalho é uma pressão constante”. “Ocorrem muitos acidentes; apesar do treinamento, o cansaço é tanto que as pessoas se distraem”.
Voltamos para a casa e em um bate papo com a Suzan, comentei o quanto estou chocado de como a Austrália é quase do tamanho do Brasil, mas tem uma população tão baixa, de 25 milhões de habitantes”. Como hobbie, ou como ela mesma prefere dizer, “como causa”, ela produz filmes independentes sobre a falta de representatividade na mídia das minorias australianas. Ela adorou minha pergunta e já foi logo dizendo que “inclusive existe uma meta de que ela não passe de 30 milhões, nunca.” “Tudo isso começou em 1900, no nascimento do País. La atrás a idéia era criar uma utopia, um País para poucos e brancos”. A Austrália chegou a colocar em lei que somente brancos, Europeus, poderiam viver aqui”. E isso determinou muitas coisas, a deportação de muita gente, a redução drástica dos locais – aborígenes – a exclusão social dos que já estavam aqui e que não eram brancos. Isso afetou inclusive a relação da Austrália com os países da Ásia, principalmente com o Japão. Diz-se até o Japão, ofendido com a lei da Austrália, e não retaliação das Nações Unidas, foi um dos causadores do Japão ter se militarizado e ido à segunda Guerra.
Dois Dias em Dubai
Partimos sexta-feira à noite de Amsterdam, destino Dubai. Foi uma viagem de 6 horas pela Emirates Airlines. Todo mundo fala tanto nessa empresa, comentam que ela trata muito bem as crianças, etc, que resolvermos experimentar. Viajando pela Emirate, você sempre terá a oportunidade de parar em Dubai. Ao invés de ficarmos viajando 24horas entre Amsterdam e Sydney, resolvemos ficar uns dois dias na Capital dos Emirados. Os Emirados Árabes Unidos tem muitas empresas próprias conhecidas internacionalmente. Bem, por enquanto eu só conheço a Emirates. Chegamos na manhã de sábado. Saímos impressionados com a ostentação do aeroporto, já denotando o que veríamos pela frente. Elevadores duplos enormes, cachoeiras para todos os lados e a sensação de estar numa Disneylândia do deserto, muitas pessoas com vestimentas locais (sim isso é original), mas com arquitetura, ultramoderna, meio “forçada” com sotaque árabe. E também logo vimos que todas as lojas, cafés, farmácias de Londres podiam ser encontradas por lá. Dalí seguimos o mais rápido possível para o hotel. Dormimos por uma horinha e saímos. E começamos nosso passeio pela parte moderna. Locomover-se por Dubai por transporte público não parece ser tarefa fácil. Tudo é muito distante e o metrô ainda é limitado, pelo menos essa era minha impressão olhando para o mapa. Dubai é uma cidade planejada. Deu a impressão de não haver transporte público em abundância, provavelmente tem a ver com o fato de o petróleo ser muito barato. Tem carros para todos os lados. Os Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo. E taxi é relativamente barato. No percurso até a área dos arranha céus, vendo novos imensos prédios sendo construído, perguntei ao taxista, um paquistanês, de onde vinha a mão de obra: “Índia, Paquistão e Bangladesh”. Mão-de-obra barata. Andando pela cidade, pelo menos pela parte moderna, que já é de longe a maior área, você não vai encontrar esses operários andando por ai. Eles trabalham 12 horas por dia e 6 dias por semana. Pelo contrário, Dubai é uma cidade para uma elite do mundo bastante seleta. Ela é cara e bem cara. Não, não, melhor dizendo ela é extremamente cara. Andando por aqui percebe-se facialmente que é uma espécie de cidade turística para milionários do mundo árabe. E também um lugar para as mulheres ter onde gastar. Lembrando que homem pode ter mais de uma mulher. Quanto à arquitetura, ela impressiona. Todos os arranha céus tem desenho futurista, servem de espetáculo dia e noite. Passear de carro parece ser a melhor opção pra entender o que é essa cidade, o que é esse “projeto” Dubai. Esse projeto é polêmico. Impossível circular por aqui e não parar para pensar que para uns isso é um sonho, um “feito” da humanidade, transformando deserto em alguma coisa, mas por outro, um pesadelo quando se entende que para que esse esforço está sendo realizado. O país é um imenso deserto, mas o petróleo é mais do que suficiente para permitir a construção ilógica, a meu ver, de uma mega cidade, bastante ocidentalizada, utilizando largo recurso da natureza e mão-de-obra, para criar uma falsa atmosfera de prosperidade para milionários e turistas. No entanto, isso tudo se torna legítimo porque ele é baseado no argumento de que se eles tem dinheiro para fazer, o que os impediriam? A história desse local não segue a história de cidade tradicional. Ela nasceu no meio do deserto porque é financiada por mega investidores, na maioria os próprios magnatas e shakes do petróleo dessa região, perpetuando o dinheiro quando o petróleo acabar. Os investidores do ocidente também tem o seu pedaço aqui. Depois de almoçarmos e percorrermos a grande avenida desses arranha-céus, resolvemos arriscar tomarmos um ônibus. Entramos pela porta do meio, o ônibus partiu. Ficamos num embaraço pois não havia cobrador e as mulheres deveriam ficar na parte da frente do ônibus. Havia uma barra separando os dois lados. Fizemos cara de desentendidos e descemos no ponto seguinte, no meio do nada, numa imensa avenida. Resolvemos seguir andando até a praia mais próxima. Atravessamos uma avenida onde carros passavam em alta velocidade. Nossa filha estava cansada e não queria mais ficar no carrinho. Andamos o quanto podíamos. Era incrível como apenas dobrar a esquina atrás de um arranha céu poderia te levar a grandes quarteirões feito de deserto. Bairros com casas antigas, misturando casas imponentes com casas muito simples, um espaço enorme entre uma e outra. E tudo isso com uma vista para a “modernidade”, parecendo um oásis. Exaustos, não havia escolha senão pegar outro taxi. E resolvemos seguir para o local, a meu ver, o ponto mais famoso de Dubai, o hotel Burj al-Arab. Esse é um hotel bem famoso. É comum ver imagens em revistas de gente jogando golfe ou tênis no heliporto no topo do prédio. Marketing é tudo e Dubai faz esse trabalho muito bem. Não estávamos sozinhos na façanha de tentar tirar uma foto boa. Olhando para aquele hotel isso foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Marketing. Mas estávamos alí para curtirmos a praia. A tarde foi caindo e seguimos para o Jumeira resort. Lá tem praia pequena com uma vista privilegiada para a baia e para o famoso hotel. A praia parecia ter sido desenhada para criança. Nossa pequena brincou bastante por alí. Achei a água meio fria, mas o calor permanente de Dubai, geralmente entre 27 e 35 durante este período do ano, faz você não se preocupar muito com isso. O vento ajuda a refrescar bastante. Bem, estivémos em outra oportunidade no Golfo Persa (bastante famoso nos anos 90 devido a guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait). Do outro lado para praia onde estávamos, encontra-se o Irã, área onde já estivémos em outra viagem.
Depois seguimos para o Shopping Mall para ver o espetáculo das fontes. É um turismo clichê. Como ele fica no pé do maior arranha céu do mundo, resolver ir até lá. É bonito ver a dança das águas, colorida, ao som de música árabe. O shopping deve ser também o maior do mundo. Para quem gosta, é o paraíso das compras. Tudo é muito sofisticado e também muito caro. Muito caro. Mesmo coisas simples como um café, estão no preço de uma refeição inteira em qualquer lugar do mundo. O cansaço do jet leg começou a picar a gente. Depois do jantar, voltamos o mais rápido possível para o hotel. Não fosse pela maneira insegura que os taxistas dirigem por aqui, seria uma volta com uma paisagem bem agradável.
Domingo. Resolvemos pegar metrô. Bem novinho. Depois de duas estações, nos sentimos no Japão na hora do rush. Ah, domingo eu havia me esquecido…a July me lembrou que Domingo é um dia especial no mundo árabe. Deixa eu descrever na minha maneira, como percebo: é um dia da semana qualquer, mas que parece que as pessoas trabalham muito mais e até mais tarde. O comércio ferve até altas horas. Parece uma segunda-feira misturada com sábado ao quadrado. Enfim, andar com criança nessa multidão não foi fácil. Mas pelo menos passamos a entender onde andam os operários da cidade. Esse País sem os migrantes da Índia, Bangladesh, Indonésia simplesmente não existiria. E nem funcionaria. Eles estão em todos os lugares. São eles que servem nos restaurantes, são faxineiros, são vendedores nas lojas. Para você encontrá-los, basta ver aqueles que não usam aquela roupa branca com o véu na cabeça.
A cidade antiga de Dubai é bem pequena, eu diria. Digo, comparada com o que já vimos no Irã. Visitamos dois mercados, os da especiarias e o de ouro, e depois seguimos para o lado moderno novamente. Nossa intenção era passar a tarde em alguma praia pública mas quando chegamos lá descobrimos que estavam todas fechadas para reforma. Visitamos então o Náutico Clube de Dubai, onde havia uma pequena faixa de areia, mas suficiente para nossa menina brincar bastante.
Leizpig, Alemanha
Logo após o almoço seguimos para Praga. Nesse momento a July ficou sabendo do destino final. Ali a longa distância ficou curta dado que ela queria ir para lá já havia muito tempo. Quando saímos da Alemanha logo vimos que a paisagem mudou. Na República Checa haviam morros cobertos de flores e caminhos mais tortuosos. Em Praga, que não era feriado, começamos nosso passeio já na praça principal Weceslau Square, em frente ao museu Nacional de Praga. Essa praça é a que já presenciou tudo quando é fato importante do País. Foi alí que os checos presenciaram os Nazistas tomando o poder durante a Segunda Guerra; foi ali que o País viu os soviéticos tomarem o poder e colocar um governo fantoche. E também foi ali que houveram os protestos pedindo o fim do período comunista. Caminhamos dalí até a cidade antiga. E a cidade antiga é o lugar mais agradável da cidade. A praça em frente a Catedral de San Vito, rodeada de belos cafés e restaurantes. Como o sol estava se pondo muito tarde da noite, pudemos curtir bastante a cidade.
Grécia na Semana Santa, praias do sul
Eram quase meia noite de sábado. Resolvi sair para dar uma volta numa vilazinha perto do hotel. As pessoas estavam caminhando em direção a igreja, muito bem vestidas como quem vai à missa de Natal. Algumas com velas nas mãos. Eu havia achado estranho quando o recepcionista do hotel havia comentado que era pouco provável ter um lugar no restaurante do hotel naquela noite. Quando foi meia noite, os fogos de artifício começaram. Estava parecendo a virada do ano novo. Da janela no nosso quarto era possível ter uma boa dimensão dos fogos por uma longa distância. Não era algo apenas na vila. Era a celebração da chegada da Páscoa em todo o país. Uns vinte minutos depois o saguão do hotel ficou tomado pelos hóspedes voltando da igreja e se encaminhando para a “ceia”. Para os Cristãos a Páscoa é o dia mais importante e isso parece ser realmente o fato na Grécia. Sábado foi um dia bastante interessante. Lembro muito bem na hora do café da manhã a July comentando que o sábado era um dia em que os católicos geralmente ficam mais compenetrados, pois é o dia que antecede o Domingo da Ressureição, assim sendo a celebração da Páscoa acontece no próprio sábado, em horário próximo à meia noite . Nunca percebi isso muito no Brasil, mas certamente isso acontece aqui na Grécia. Alugamos um carro e saímos para explorar as famosas praias paradisíacas da Grécia. O céu azul era convidativo, mas ainda havia um friozinho no ar. A primeira parada foi Glifada. Uma espécie de Guarujá para os paulistas. Depois seguimos para Vouliagmeni, entramos em praias onde era comum ver placas com “proibido tirar fotos”. Não por causa da paisagem, essa poderia tirar fotos. Mas era mais para preservar as pessoas. Afinal era muito comum misturar praia com dezenas de iates dos milionários. Essas pessoas sim não queriam ser fotografadas. O mar mediterrâneo nessa região é azulzinho, cristalino. Paramos para almoçar em Vouliagmeni, onde nossa bebê aprendeu a tornar o gato seu melhor amigo para sempre oferecendo-lhe carne, só isso já é o suficiente. Aqui na Grécia é muito comum encontrar gatos e cachorros sem donos espalhados pelas cidades. São muito bem cuidados. Todos parecem ter donos e domesticados. Depois paramos para curtir uma praia chamada Varquizia. Depois seguimos para o templo de Poseidon. Fizemos o caminho entre a costa oeste até o sul passando pelo parque Nacional Sounion, o que garante uma vista muito boa de toda a costa. E era curioso dirigir pelo parque nacional e ver de vez em quando, no meio de uma área tão deserta senhorzinhos do nada fazendo cooper. Poseidon era o Deus do Mar na mitologia grega. O templo fica no alto de um morro, bem no extremo sul da Grécia. Dalí é possível avistar diversas ilhas.
Depois de curtirmos o por do sol, seguimos para Kifisia, norte de Atenas. Para chegar até lá preferimos fazer o percurso de volta pelo lado leste da Grécia. O GPS me deu várias enganadas. Muitas das palavras em grego não estão muito bem traduzidas, o que faz com que um lugar se pareça com outro e o GPS acaba te levando para lugares no meio do nada. Algumas vezes se perder é um benefício. Outras não, tais como pagar o mesmo pedágio duas vezes num intervalo de 10 minutos apenas. O que mais me impressionou no passeio de hoje foi que não vimos pessoas curtindo as praias e poucas gente pelas ruas. Os restaurantes bem vazios. Eram os cristãos compenetrados…
Grécia na Semana Santa – Atenas
Eram 21 horas. Estávamos em frente a um barzinho com uma decoração bem moderna, com a frente toda de vidros enormes e vazados. Dentro havia um mapa enorme cobrindo toda a parede. Na frente havia uma moça arrumando as mesas e recolhendo as cadeiras. Estava meio escuro e era uma rua com uns prédios bem antigos, muitos mal cuidados, alguns até cheios de lixo ou entulho intercalados por inesperados comércios muito bem decorados. Um ventinho levemente frio,fiquei parado com a minha bebê na backpacker, bem rente a guia no encontro entre várias ruazinhas. O silêncio era apenas quebrado por badaladas fortes de um sino com distância de difícil identificação. A July estava lá dentro do bar, conversando com a simpática garçonete, tentando entender se o cardápio atendia suas exigências de mãe. Senti nesse momento um movimento atrás de mim que me gelou a espinha. Diversas pessoas caminhando em passos silenciosos, com velas nas mãos, seguindo um percurso disciplinado, sem chegar a subir nas calçadas. Daí fui entender: era uma procissão. E essa era a procissão da igreja cristã Grega. E ela seguiu pelas ruas escuras do centro antigo de Atenas. Enquanto ela passava, me fez lembrar uma missa que estivemos em Haia, na Holanda, semana passada. O padre comentou que se o Cristão tivesse apenas três dias para se dedicar a sua prática religiosa por ano, esses seriam os dias da Páscoa. O grego parece ser bastante religioso. Desde que chegamos aqui, ontem pela tarde, temos vistos as igrejas cheias por aqui assim como televisores transmitindo eventos ligados a igreja. A Grécia é um dos poucos países da Europa que tem a religião formalmente ligada ao Estado. E as pessoas parecem realmente serem devotas. Na sexta-feira santa, os adultos não bebem álcool e as crianças não bebem leite. Ficamos surpresos quando a mocinha da sorveteria disse que daria um potinho de sorvete para nossa bebê e que deveríamos ficar despreocupados porque não continha leite. A hospitalidade do grego te surpreende a cada interação. Eles adoram crianças e adoram estar em família. E tem uma padaria melhor que a outra em cada esquina.
Estávamos planejando tomar nosso café da manhã em uma delas, mas fomos surpreendidos pelo café da manhã servido em nosso hotel meia estrela. O café é servido no último andar e tem uma vista privilegiada para Acrópoles(essa mesma, a cidade de Atenas criada no século de Péricles, época dos grande filósofos). E lá foi nossa primeira parada. Felizmente estávamos usando a backpacker para carregar nossa menina. Subir a colina era uma verdadeira escalada sob um sol razoavelmente forte. Lá tivemos mais uma bela surpresa. O ingresso para toda a área da Acrópole era excepcionalmente gratuito hoje. O passeio ficou ainda mais legal. Outro benefício: pensávamos que o objetivo maior era apenas ver o berço da democracia, o Paternon, e o primeiro teatro da terra, mas na verdade o bacana mesmo foi ter a vista de toda a cidade, inclusive o mar mediterrâneo. É claro que para outras pessoas o mais importante pode ser as construções antigas já que elas influenciaram todo o mundo. Mas o fato é as pessoas em geral ficam mais tempo olhando a cidade do que propriamente as obras que influenciaram o mundo. Almoçamos no pé da colina, experimentando a comida grega com seus temperos regados de azeite. Outra vantagem. A comida é barata e convidativa. E eles não vivem só de mussaca. Dalí seguimos para Plaka, um bairro cheio de bares bem agradáveis e mesas nas calçadas e lojinhas de artesanatos e design fino. O percurso seguiu até o templo do Deus do Olímpio, lugar que havíamos visitado na noite anterior, e o Parlamento da Grécia e o estádio olímpico.



Toquio, Asakusa e Sumida

Sábado, nosso ultimo dia completo no Japão, partiremos domingo pela manhã, aeroporto Haneda. Até aqui eu havia acumulado dezenas de coisas que me chamaram a atenção andando por aqui. Entre tantas, algumas delas:
-Etiqueta. Os japoneses levam isso a sério. Comparado com qualquer outro lugar do mundo, se você não segue a etiqueta, você tende a se sentir mau entre eles. Eles são o cumulo da polidez e educação.
– O arroz sempre foi o prato principal do Japão, mas a geração mais nova tem preferido acompanhamentos como nuddles ou pasta.
-Eu estava na fila do banheiro unissex da Starbucks de Kyoto e quando chegou minha vez, uma mocinha que acabara de usar o banheiro me pediu para eu esperar porque ela iria providenciar papel higiênico, pois havia acabado. Ela foi até o balcão e pediu para a atendente. A atendente parou o que estava fazendo e veio como rapidamente providenciar o papel e certificar que tudo estava em ordem. Banheiro no Japão é coisa séria. Tem em todo quanto é lugar e é de graça. É extremamente limpo. E tem até trocador de bebê na área dos homens, assim como assento para colocar a criança enquanto você usa o banheiro.
-As pessoas andam bastante de bicicleta, mas aparentemente em menor número que em outros países famosos como China, Holanda e Dinamarca. Eu me apaixonei pelas bicicletas japonesas. Elas parecem ser mais resistentes. As bicicletas tem travas mas não estão amarradas a lugar nenhum. Não existe roubo de bicicleta assim como existe pouquíssimas faixas exclusivas. As pessoas andam nas calçadas, junto com os pedestres.
-Existe fila para tudo. Para entrar no metro, para sair do metro. Para cortar o cabelo. Para entrar nos restaurantes.
-Era comum ver um monte de adolescentes, um atras do outro, em fileiras, lendo mangás(gibis japoneses) de graça nas lojas de conveniência. O engraçado é que eles ficam lá em pé paradinho, nem se mexem, lendo e virando a pagina rapidinho.
-Todo mundo tem celular mas ninguém parece usar ele para falar. Raro ver alguém falando em celular em lugar público. No trem é proibido. No metrô, não é lei, mas existe a recomendação de não utilizá-lo e todo mundo respeita. Restaurante? Nem pensar. Em lugar publico eles utilizam apenas mensagem de textos. Mas claro eles estão sempre checando o celular…
– Nas estações de trem e metrô era comum ouvir músicas de relaxamento. Algumas vezes até eram sons de animais. As vezes era um passarinho, parecendo que ele realmente estava na estação. Por outro lado, essas musiquinhas eram abafadas pelas inúmeras comunicações. Repete-se muitas vezes o nome das estações o que provavelmente deixa todo mundo estressado, fora os problemas do dia a dia.
– O japonês não tem a mesma obsessão em ganhar na loteria que o brasileiro tem. Eles sabem que a probabilidade é extremamente baixa e jogam apenas por divertimento, sem realmente achar que podem ganhar. Se ganhar, eles utilizariam o dinheiro para extravagancias, tais como realizar a viagem dos sonhos, mas jamais pensar que isso será a solução dos problemas.
– O uso do Kimono tem iniciação diferente para homens e mulheres. Meninos comecam a usar a partir de 3 e meninas 5 anos. O Kimono é mais utilizado atualmente em ocasioes especiais, tais como casamento ou outra celebração. Em Kyoto, por exemplo, vimos diversas pessoas andando pela cidade de Kimono, mas muitas delas estavam realmente indo a algum evento especial.
– O fumo ainda é um problema por aqui. Existem lugares para fumantes e existe ainda restaurante e cafés que aceitam pessoas fumando. Contudo, fumar na calçada é bem restrito.
– O japonês escreve ou lê as frase dispostas na horizontal e vertical. A mais tradicional é na vertical, contudo a geração mais moderna tem preferido a horizontal.
– O tipo sangüíneo é uma informação muito importante na relação entre casais. Antes de se aprofundar o relacionamento, eles perguntam o tipo sangüíneo do outro, isso ajuda a saber as características do outro e se o relacionamento pode dar certo.
Passamos o sábado pela manha em Asakusa, um bairro em Tóquio. A july teve a idéia de comprar um kimono para nossa bebê e ela se divertiu bastante andando pelo templo budista Sensō-ji. Depois caminhamos pelo parque Sumida, nossa despedida da Cher. Dali pegamos um ônibus e fomos até o museu de Tóquio. Eu tinha grande expectativa com esse museu, principalmente sobre a cobertura do grande terremoto de 1923 e os bombardeios da Segunda Guerra. O museu foi um passeio bem agradável, mas achei bastante econômica a cobertura dos tais grandes eventos. Eu estava esperando um andar inteiro sobre a guerra, mas apenas dois painéis resumiam os acontecimentos. Ao lado do museu demos uma passadinha no ginásio de lutas de sumô e pegamos um trem de volta a Estação Tóquio. Era nossa despedida de Ginza. Era nossa despedida de Tóquio.
Na manhã do domingo, pegamos o avião de volta a Londres, de Londres a Amsterdam.
De volta a Tóquio
Na sexta feira pela manhã resolvemos voltar para Tóquio. Até chegamos a cogitar uma parada em Nagoya, mas o tempo chuvoso não era muito convidativo. Pegamos então mais um Shinkansen, o trem-bala japonês. Ah, o Shinkansen…isso é um sonho. Esse trem já é um evento em si. É um transporte fenomenal, mas não é nada barato, mesmo para os japoneses. Existem bons transportes alternativos tais como ônibus e os trens regulares. Levam mais tempo, mas são mais acessíveis. O fato é nem todo mundo anda no trem-bala. Nessa viagem fora de Tóquio também pudemos observar desigualdades sociais. Não são tão dispares como no Brasil, mas também não é desprezível. Essa história de todo mundo usando roupas de grife e esbanjando em consumo parecer ser algo localizado e não generalizado. A economia japonesa ainda esta tentando se recuperar e as pessoas tentando garantir trabalho e poupança para um futuro mais prospero. Recentemente o governo aumentou os impostos para cobrir gastos com tsunami o apertou ainda mais o bolso do japonês comum. O Japão tem um custo de vida muito alto. E com a recente dança das desvalorizações de moedas no mundo, o Iene, moeda do Japão, esta bem mais caro. Talvez esse tenha sido o motivo de não termos visto tantos turistas estrangeiros por aqui.
Em nosso percurso de volta a Tóquio não tivemos a mesma sorte que na ida e não conseguimos ver o Monte Fuji. Por outro lado, nossa menina estava mais calma e pôde ficar na janela curtindo a paisagem das casas japonesas, enquanto via mais um dos meninos japoneses vidrado num Nintendo SD.
Ficamos hospedados novamente em Ginza, novamente num quarto miniatura. Dessa vez a privada chamou a atenção por ser bem menor que a de um banheiro de avião. Aqui no Japão os assentos são cheios de parafernálias eletrônicas, com botão com água para lavar as nádegas ou liberar ar/ventinho. Tem botão para levantar e abaixar a tampa. Algumas delas tem regulador de jato e até musiquinha. Nesse assento do hotel era impossível não esbarrar num desses botões, o que tornava um ato simples extremamente complicado.
Na parte da tarde fomos ao topo da maior torre do mundo, o Skytree. A vista é impressionante, mas não é possível ver a baia de Tóquio como na Torre de Tóquio. Ficamos impressionados mesmo foi com variedade de comidas e produtos que nunca tínhamos visto sendo vendidos no shopping na base da torre. Entramos numa loja de brinquedos e nem sabíamos por onde começar a olhar. Para conhecer tudo é necessário vir com muito tempo. Ficamos tão estressados com tanta variedade de coisas que decidimos abandonar o local e curtir um bom cafe da tarde com panquecas japonesas. Havia um bom playground dentro da Torre, daqueles que se paga por hora; dos muitos que vi à céu aberto era raro ver uma criança. A taxa de natalidade do Japão está muito baixa. Quando nossa menina viu o playground, foi engraçado vê-la tirar o casaco e o tênis automaticamente como quem chega para trabalhar. Ela se divertiu muito, um alivio nessa viagem corrida.
Nara, Karate Kid e Linda Primavera
O dia seguinte foi todo dedicado a Nara. Harumi e Masa passaram a noite em Kyoto enquanto que tivemos que voltar para nossa base em Osaka. Combinados de nos encontrar na estação de trem de Nara as 9:30, o que significava sair cedo de nosso hotel para enfrentar o horário de pico de Osaka e o trem pinga-pinga de mais ou menos uma hora. “Masa esta la fora da estação nos esperando, nossa primeira parada será em Tōdai-ji templo, onde esta o grande Buda”. Nara é uma cidade menor que Kyoto, e também já foi capital do Japão. Não demorou muito e Masa nos deixou em frente ao parque do templo. Nossa filhinha adorou o que viu logo de cara. Vários veadinhos espalhados pelo parque. Eles são considerados sagrados, uma espécie de mensageiro do divino. Você pode alimentá-lo, o que causa uma perseguição em massa um pouco indesejável. Era comum ver crianças com biscoitos para os veadinhos na mão correndo desesperadas deles. Todo o percurso do templo é acompanhada pelos animais e mais a multidão de turistas, a maioria do próprio oriente, segundo comentou Harumi. Eu já havia decidido de antemão que deixaríamos a nossa pequena menia andar mais livremente pelo templo ao invés de ser carregada ou ficar no carrinho. Foi bem interessante vê-la andando pelos arredores. Em alguns pontos, principalmente nos portais , ela subia e descia as escadas como quem praticava para alguma competição. Me lembrou o Karate Kid seguindo a instrução do senhor Miyagi, o mestre japonês(se bem que ele é de Okinawa). E a cena ainda era ainda mais real porque o Masa estava sempre por perto e ele definitivamente lembra um Mestre Japonês. Atravessamos a rua e estávamos em outro parque. Foi uma caminhada generosa entre as arvores de óleo de palma. E certo ponto nossa menina caiu no sono e já se aproximava a hora do almoço.
Harumi havia feito uma pesquisa do dia anterior. O primeiro restaurante ja estava cheio e não aceitava mais cliente. Em todos os restaurante que vamos, sofremos um pouco encontrar uma mesa. Importante lembrar que o Japão é um dos países com alta densidade demográfica. Tem fila para tudo e quase tudo está sempre com muita gente. Mesmo assim tudo é muito organizado e flui. O terceiro da lista também estava cheio para deu um jeitinho para nos acomodar. Tivemos um almoço tradicional japonês com direito a explicação dos prato e aula de etiqueta. Harumi esta sempre disposta a explicar algo sobre seu pais e quando não sabe, vira para Masa e lhe pergunta em japonês. Ela elogia minha habilidade com os pauzinhos; eu comento que é porque eu havia aprendido a usar com um autentico japonês: pai da Cristina, minha cunhada. Dai a conversa passou sobre as comparações entre o modo de tratar o cliente no Brasil e no Japão. No Japão é comum dizer (e aplicar) o principio de que o “Cliente é Deus”. E isso você sente em tudo quanto é lugar. Na maneira de agradar e de não criar nenhum inconveniente. O serviço, sempre perfeito. A conversa foi andando e Masa fez uma pergunta sobre o Brasil de difícil resposta.” Por que os ônibus de viagem no Brasil colocam o ar condicional na mais baixa temperatura?”. Ele havia experimentado isso quando esteve no Brasil. Quaisquer que seja a resposta certamente ela não esta ligada a tratar o cliente como Deus.
Depois do almoço fomos visitar um templo mais afastado, pouco popular entre os turistas. Esse foi provavelmente o único lugar que conseguimos sentir a paz e calma, algo que se espera de um templo. Pudemos até curtir ruazinhas cheias de cherry blossom em volta do templo. Novamente nossa pequena pôde praticar Karate Kid sob as orientações do Masa. Ela adorava lavar as mãozinhas repetidas vezes nas canecas na entrada de cada templo. Após realizamos nossa visita, fomos pegos de surpresa pela Harumi com um chá da tarde caseiro preparado no estacionamento. Ali ela revelou que seu nome significa “Linda Primavera”, justamente a estação da cerejeiras em flor. O seu aniversário, inclusive, seria em dois dias e ela e Masa haviam decidido vir para Kyoto e Nara com a gente justamente para poder curtir Cherry Blossom nessa região, algo que eles nunca haviam feito juntos. Adoramos curtir o chazinho japonês e o calmo bate papo dos dois. Aquilo já era uma espécie de despedida. Dali fomos para a estação e até agora, quando mostramos para nossa menina a foto dos dois, ela acena com um tchauzinho, repetindo a cena na estação de trem. Voltamos para nossa base, Osaka. Somos imensamente agradecidos pela hospitalidade dos dois. E pela oportunidade oferecida pelo meu irmão Renato.

Kyoto, o Japão para sempre
Antes de vir para o Japão eu havia me aplicado para uma visita monitorada na fabrica da Toyota. O site da empresa apenas me oferecia o dia 2 como opção. Curioso é que a aplicação não aceitava nenhum email que fosse hospedado nos grandes portais tais como Yahoo, Hotmail e Google. Fiz a aplicação, recebi um email de retorno, havia até um mapinha de como chegara fabrica, etc. Nem li i conteúdo. Dei como tudo certo. Toyota é um empresa sinônimo de eficiência, dai o motivo da minha intenção em visitá-la. Felizmente não cheguei a ir até la, porque na verdade a minha aplicação estava numa tal lista de espera. O email que eu havia recebido era apenas minha aplicado de intenção. Fui salvo por Harumi. Eu já estava trocando emails com Harumi dias antes da minha chegada a Osaka. Estávamos combinando um lugar para nos encontramos quando mencionei minha visita. Pura coincidência, ela mora próximo a fabrica da Toyota e chegou a ligar para o escritório para entender qual o melhor lugar para pegar de carro. Esse foi o momento em que ela descobriu que eu estava numa longa lista de espera. Confesso que fiquei sem entender a questão do “dia disponível” no website e tampouco o email com as instruções. Fato é que la realmente mencionava que aquilo não era uma confirmação. A tal visita ficará para uma próxima. Por outro lado, ganhamos um dia completo para visitar Kyoto. Após outro Trem-bala de Osaka até Kyoto, encontramos Harumi e Masa do outro lado da estação de trem. Eles são grandes amigos do meu irmão Renato e ja haviam até visitado ele no Brasil anos atrás. Os dois estavam de carro, e haviam viajado por umas duas horas e meia só para ficar com a gente por uns dois dias. Nos sentimos honrados com com a presença deles em nosso passeio já que enriqueceria sobremaneira dois lugares extremamente importantes para a história do Japão. Por outro lado eu estava bastante tenso temendo quebrar alguma etiqueta durante nosso encontro. No Japão tenho me sentido num labirinto de etiquetas. Eles realmente levam elas a sério isso e quando se esta com criança e fazendo uma viagem corrida, o risco de quebrar etiquetas é muito alto. Não existe penalidade por quebrar etiqueta, mas é como se você não respeitasse o outro; é como se você fosse um penetra na festa. Em Kyoto estávamos entrando em outro Japão, oposto a ultra modernidade: o antigo, o mais compenetrado, mais conservador e religioso. Kyoto já foi capital do Japão por mil anos. Quase tudo é patrimônio histórico e tem uma ímã difícil de explicar. É antiga, tem uma certa sabedoria e mistério no ar. É zen, é filosófica.
Harumi explicou que a primeira parada do dia seria o templo budista Kiyomizu-dera, construido em 700 e tanto, no pé de uma montanha. “Se deixarmos para mais tarde, será impossível chegarmos lá de carro”. E realmente fazia sentido. Pudemos curtir o comercio local entre o estacionamento e o templo. Ela foi parando com a gente pelo caminho até o templo foi apresenta as iguarias locais, muitas delas apenas encontradas em Kyoto. Certamente, se estivéssemos ali sem ela, passaríamos direto sem tal aproveitamento. Era possível caminhar mas ja estava bastante movimentado. O templo é também bastante popular entre os jovens que buscam encontrar sua cara metade e daqueles que querem agradecer por terem encontrado uma.
Depois do templo, pedimos uma parada para o café da manha. Havíamos saído de Osaka sem nada no estômago. Havíamos priorizado o café da manha de nossa menina, e essas coisas só entende quem tem filhos. Masa, que já havia morado em Kyoto por um ano, recomendou que deixássemos o carro no local da próxima visita. Dali poderíamos encontrar uma cafeteira. Não demorou muito e encontramos uma Starbucks. Starbucks também tem em tudo quanto é lugar no Japão. Kyoto não ficaria de fora. Dali seguimos então para o Yasaka Shrine, um santuário Shintoista, religião japonesa mais antiga que o budismo. Tivemos uma breve Cherry Blossom no parque do santuário. “Esse parque é o lugar onde as pessoas vem na noite de ano novo”. “Elas se despedem do ano anterior e fazem desejos para o ano seguinte..”. Vocês querem rezar como os japoneses?”, perguntou Harumi. A July, com nossa menina no colo, entrou na fila e seguiu o ritual, copiando a Harumi. Fiquei bastante curioso para saber afinal pelo que as pessoas rezam, mas guardei comigo a pergunta. Faria ela em outra hora.
Masa acompanhava a distancia. O nosso passeio avançava e nossa menina ficava cada vez mais inquieta. Harumi havia nos oferecido pela manha duas difíceis opções: conhecer poucos lugares com mais tempo, ou vários lugares rapidinho. Escolhi o segundo, e nossa menininha foi ficando injuriada, quase nem colocando os pés no chão, somente andando na backpaker; alguns momentos foi bem difícil administrar seu temperamento. Foi ótimo isso ter acontecido aqui porque fica evidente o que precisamos fazer como pais para deixa-la mais calma, afinal as crianças daqui não apresentam os mesmas teimosias, pelo menos não em publico. O almoço em um assertivo restaurante familiar escolhido pela Harumi ajudou a acalmar os ânimos. E foi durante o almoço que, respondendo a minha pergunta sobre como os Japoneses aprendem sobre o budismo quando criança, ela disse que no caso dela isso foi uma espécie de livrinho sobre a vida do Buda apresentado por sua avó. Parece que no caso do Japão, não existe uma espécie de aula de budismo para crianças como existe o catecismo para os católicos. A minha curiosidade quando lancei a pergunta era mais para saber o quanto do budismo está na forma de agir do japonês. Eles aparentam ser calmos, falam baixo e passam a impressão ter estarem sempre centrados. O que ela deixou escapar, que foi muito interessante, é de um ensinamento comum quando se é criança, que tem grande de fonte inspiradora o budismo: nunca se deve sobressair-se. Aja como os outros, não tente ser sobressaltar. Ela até tentou usar alguma expressão para descrever isso, mas lhe faltou palavras. A juventude até tem tentado mudar um pouco isso, valorizar o individualismo, mas isso ainda é incipiente.
Na parte da tarde visitamos visitamos o Shimogamo Shrine com uma caminhada entre as árvores até o Kamigamo Shrine, ambos também Shintoistas. E a última parada foi o belíssimo templo budista Kinkaku-ji, o cartão postal da cidade, todo banhado a ouro. A ultima vez que Masa esteve ali fazia uns 30 anos e segundo ele a paisagem era mesma, mas o templo estava mais reluzente agora, provavelmente porque passou por alguma reforma. Atravessamos toda a cidade nomfinsl da tarde e Masave Harumi nos deixaram na estação de trem, de volta a Osaka.


















































































