Antes de vir para o Japão eu havia me aplicado para uma visita monitorada na fabrica da Toyota. O site da empresa apenas me oferecia o dia 2 como opção. Curioso é que a aplicação não aceitava nenhum email que fosse hospedado nos grandes portais tais como Yahoo, Hotmail e Google. Fiz a aplicação, recebi um email de retorno, havia até um mapinha de como chegara fabrica, etc. Nem li i conteúdo. Dei como tudo certo. Toyota é um empresa sinônimo de eficiência, dai o motivo da minha intenção em visitá-la. Felizmente não cheguei a ir até la, porque na verdade a minha aplicação estava numa tal lista de espera. O email que eu havia recebido era apenas minha aplicado de intenção. Fui salvo por Harumi. Eu já estava trocando emails com Harumi dias antes da minha chegada a Osaka. Estávamos combinando um lugar para nos encontramos quando mencionei minha visita. Pura coincidência, ela mora próximo a fabrica da Toyota e chegou a ligar para o escritório para entender qual o melhor lugar para pegar de carro. Esse foi o momento em que ela descobriu que eu estava numa longa lista de espera. Confesso que fiquei sem entender a questão do “dia disponível” no website e tampouco o email com as instruções. Fato é que la realmente mencionava que aquilo não era uma confirmação. A tal visita ficará para uma próxima. Por outro lado, ganhamos um dia completo para visitar Kyoto. Após outro Trem-bala de Osaka até Kyoto, encontramos Harumi e Masa do outro lado da estação de trem. Eles são grandes amigos do meu irmão Renato e ja haviam até visitado ele no Brasil anos atrás. Os dois estavam de carro, e haviam viajado por umas duas horas e meia só para ficar com a gente por uns dois dias. Nos sentimos honrados com com a presença deles em nosso passeio já que enriqueceria sobremaneira dois lugares extremamente importantes para a história do Japão. Por outro lado eu estava bastante tenso temendo quebrar alguma etiqueta durante nosso encontro. No Japão tenho me sentido num labirinto de etiquetas. Eles realmente levam elas a sério isso e quando se esta com criança e fazendo uma viagem corrida, o risco de quebrar etiquetas é muito alto. Não existe penalidade por quebrar etiqueta, mas é como se você não respeitasse o outro; é como se você fosse um penetra na festa. Em Kyoto estávamos entrando em outro Japão, oposto a ultra modernidade: o antigo, o mais compenetrado, mais conservador e religioso. Kyoto já foi capital do Japão por mil anos. Quase tudo é patrimônio histórico e tem uma ímã difícil de explicar. É antiga, tem uma certa sabedoria e mistério no ar. É zen, é filosófica.
Harumi explicou que a primeira parada do dia seria o templo budista Kiyomizu-dera, construido em 700 e tanto, no pé de uma montanha. “Se deixarmos para mais tarde, será impossível chegarmos lá de carro”. E realmente fazia sentido. Pudemos curtir o comercio local entre o estacionamento e o templo. Ela foi parando com a gente pelo caminho até o templo foi apresenta as iguarias locais, muitas delas apenas encontradas em Kyoto. Certamente, se estivéssemos ali sem ela, passaríamos direto sem tal aproveitamento. Era possível caminhar mas ja estava bastante movimentado. O templo é também bastante popular entre os jovens que buscam encontrar sua cara metade e daqueles que querem agradecer por terem encontrado uma.
Depois do templo, pedimos uma parada para o café da manha. Havíamos saído de Osaka sem nada no estômago. Havíamos priorizado o café da manha de nossa menina, e essas coisas só entende quem tem filhos. Masa, que já havia morado em Kyoto por um ano, recomendou que deixássemos o carro no local da próxima visita. Dali poderíamos encontrar uma cafeteira. Não demorou muito e encontramos uma Starbucks. Starbucks também tem em tudo quanto é lugar no Japão. Kyoto não ficaria de fora. Dali seguimos então para o Yasaka Shrine, um santuário Shintoista, religião japonesa mais antiga que o budismo. Tivemos uma breve Cherry Blossom no parque do santuário. “Esse parque é o lugar onde as pessoas vem na noite de ano novo”. “Elas se despedem do ano anterior e fazem desejos para o ano seguinte..”. Vocês querem rezar como os japoneses?”, perguntou Harumi. A July, com nossa menina no colo, entrou na fila e seguiu o ritual, copiando a Harumi. Fiquei bastante curioso para saber afinal pelo que as pessoas rezam, mas guardei comigo a pergunta. Faria ela em outra hora.
Masa acompanhava a distancia. O nosso passeio avançava e nossa menina ficava cada vez mais inquieta. Harumi havia nos oferecido pela manha duas difíceis opções: conhecer poucos lugares com mais tempo, ou vários lugares rapidinho. Escolhi o segundo, e nossa menininha foi ficando injuriada, quase nem colocando os pés no chão, somente andando na backpaker; alguns momentos foi bem difícil administrar seu temperamento. Foi ótimo isso ter acontecido aqui porque fica evidente o que precisamos fazer como pais para deixa-la mais calma, afinal as crianças daqui não apresentam os mesmas teimosias, pelo menos não em publico. O almoço em um assertivo restaurante familiar escolhido pela Harumi ajudou a acalmar os ânimos. E foi durante o almoço que, respondendo a minha pergunta sobre como os Japoneses aprendem sobre o budismo quando criança, ela disse que no caso dela isso foi uma espécie de livrinho sobre a vida do Buda apresentado por sua avó. Parece que no caso do Japão, não existe uma espécie de aula de budismo para crianças como existe o catecismo para os católicos. A minha curiosidade quando lancei a pergunta era mais para saber o quanto do budismo está na forma de agir do japonês. Eles aparentam ser calmos, falam baixo e passam a impressão ter estarem sempre centrados. O que ela deixou escapar, que foi muito interessante, é de um ensinamento comum quando se é criança, que tem grande de fonte inspiradora o budismo: nunca se deve sobressair-se. Aja como os outros, não tente ser sobressaltar. Ela até tentou usar alguma expressão para descrever isso, mas lhe faltou palavras. A juventude até tem tentado mudar um pouco isso, valorizar o individualismo, mas isso ainda é incipiente.
Na parte da tarde visitamos visitamos o Shimogamo Shrine com uma caminhada entre as árvores até o Kamigamo Shrine, ambos também Shintoistas. E a última parada foi o belíssimo templo budista Kinkaku-ji, o cartão postal da cidade, todo banhado a ouro. A ultima vez que Masa esteve ali fazia uns 30 anos e segundo ele a paisagem era mesma, mas o templo estava mais reluzente agora, provavelmente porque passou por alguma reforma. Atravessamos toda a cidade nomfinsl da tarde e Masave Harumi nos deixaram na estação de trem, de volta a Osaka.