Hiroshima, segunda Cherry Blossom

HiroshimaApós dormir com o sambinha das rodas do trem se aproximando da estação do Shin-osaka a cada 20 minutos em nossa cabeça, na terça feira pela manhã pegamos outro trem-bala até Hiroshima. Esse trem era ainda mais confortável que o primeiro que havíamos pego entre Tóquio e Osaka. O motivo da visita a Hiroshima era óbvio: ver alguma coisa relacionada a primeira bomba atômica utilizada em guerra. Esse é o tipo de evento que quando você lê sobre o assunto ou assiste a um filme, ainda assim é muito difícil imaginar o fato em si. “Mais um brasileiro, por que vem tantos brasileiros por aqui?”, perguntou a garota do balcão de informações da estação de trem de Hiroshima, antes de responder minha pergunta sobre como eu fazia para chegar ao museu da paz, local onde é possível entender um pouco mais sobre o evento da bomba. Não respondi a pergunta dela, entendendo que era mais um comentário do que uma pergunta. Mas fui andando ate o tram(uma espécie de bonde do tamanho de um vagão de trem) pensando numa resposta. Será que é porque gostamos de ver desgraça? Será que é porque é um evento famoso o que aconteceu em Hiroshima então incrementa ainda mais uma viagem ao Japão? Ou será que é porque nós não temos a mínima noção do que aconteceu lá, e somos os mais ingênuos viajando até achando que vai ver algo leve? Bem, pode ser um pouco de tudo. O fato é que só é possível entender o impacto do que aconteceu indo até lá. Após uns 20 minutos de trajeto, o motorista do tram me avisa que esta na hora de descermos. Quando atravessamos a rua, deparamos com o mais chocante. Um prédio todo destruído, mas com paredes suficientes para entender seu formato enquanto estava intacto. Esse foi o exato lugar onde a bomba caiu, segundo a placa em frente a grade. Mas esse não foi o lugar onde a bomba explodiu, ela explodiu 600 metros acima desse prédio e destruiu toda a cidade, jogando tudo para cima, matando algo em torno de 140 mil pessoas, a maioria civis. Aimagequele prédio em ruína é uma paisagem chocante. Logo adiante, alguns sobreviventes, que estavam dentro da barriga da mãe, realizam pequenas palestras apresentando fotos horríveis de como as pessoas ficaram com os efeitos da bomba. Como toda região em volta virou pó, anos depois da guerra, resolveram construir um parque envolta do epicentro, alguns memoriais e um museu. Nesse museu esta exposto a historia da bomba do ponto de vista dos japoneses e muitas fotos de antes e depois da bomba. O principal objetivo do museu é promover o não uso de bomba nuclear e que o Japão se propõe a liderar qualquer agenda em relação a isso. O Japão já esperava um ataque aéreo em Hiroshima um ano antes da bomba atômica uma vez que a cidade era uma região militar importante e local de empresas de armamentos. A cidade já meio que se preparava para eventuais incêndios causados pelos bombardeios. O que não se sabia era que os Estados Unidos estavam criando tal bomba e muito menos de que o Japão fosse o alvo principal, ao invés da Alemanha. O teste da bomba ocorreu em julho, a bomba em Hiroshima foi lançada em agosto. Assistimos vários vídeos com os relatos dos sobreviventes, a maioria crianças naquela época. O que chamou a atenção foi o relato de um senhor que na época estava na escola, e que assim que escutaram a bomba, uns 3 quilômetros dali, as crianças se juntaram no pateo e começaram a cantar. Era uma forma de se manterem juntas e de chamar atenção para eventuais resgates. imageOutra parte da exposição é sobre as pessoas que tiveram que trabalhar para cuidar dos sobreviventes e realizar a limpeza da cidade. Saímos do museu e andamos pela cidade, um ambiente bem agradável. Foi em Hiroshima, no parque da paz que tivemos a segunda Cherry Blossom, o que reforçava ainda mais a atmosfera de uma nova cidade, tentando restringir os fatos apenas no museu. Almoçamos num restaurante japonês que, de tão gostoso e pratos tão bem apresentados que chegamos a comentar que gostaríamos de voltar ali algum outro dia.
No fim da tarde voltamos para Osaka, nossa base. Queríamos aproveitar a noite para visitar o Castelo de Osaka. Havia uma espécie de festival Cherry Blossom iluminado, o que tornava a paisagem do castelo ainda mais completa a noite. Nossa pequena curtiu muito o show de um macaquinho de circo fazendo piruetas e saltos a distancia. Até os adultos ficaram impressionados com a peripécias do animal.image image image image

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