Expedição Yellow Submarine – Florença

Itália, o redescobrimento. Dessa vez nosso passeio seria diferente. Pela primeira vez teríamos companhia em uma de nossas expedições: Alessandra, prima da Juliana; e Sinara, amiga da Alessandra. Ambas vieram para Milão visitar a maior feira internacional de móveis&design&decoração do mundo, completando esse ano 50 anos. Nada como viajar com duas arquitetas pelas terras do renascimento….

Nosso tour pelo norte da Itália começou em Milão. Chegamos quinta- feira pela noite, e logo no aeroporto tivemos a “agradável” surpresa de perceber que havíamos esquecido a carteira de habilitação em Londres. Todo o roteiro que havíamos planejado de carro estava indo por água baixo. Já no taxi para o albergue em Milão, fomos maquinando um plano B, percursos por trem, parte em ônibus, etc. No dia seguinte, logo cedo, quando encontramos com nossas companheiras de viagem, tivemos a agradável notícia que a Sinara estava com sua a habilitação. Santa Sinara! Habbemus Habilitacion! Habemmus Carro! Corremos para a estação de trem, onde as nossas amigas arquitetas tiveram uma visita relâmpago e pegamos mais um companheiro de viagem: um Fiat 500, vermelho, novinho. Teto solar e novas tecnologias indecifráveis, com o fato de morrer a cada ponto morto…como forma de economizar gasolina. O vermelhinho foi muito útil. Depois do Trânsito “farolesco” de Milão, pegamos a estrada cruzando as fazendas de Emilia Romana, uma região de agricultura bastante desenvolvida.
Tenho um carinho especial pela região, sem mesmo ter pisado por ali antes. Emilia Romana serviu parcialmente de argumento para minha monografia na faculdade de economia. Essa região se tornou um bom exemplo de que se o lugar explora sua vocação de maneira organizada, o desenvolvimento econômico pode acontecer mais rapidamente e por longo prazo. A minha idéia era justamente nesse sentido: um plano econômico
para o Brasil de maneira que cada cidade ou região de fato se desenvolvesse a partir de sua vocação. No caso de Emília Romana, algo que se desenvolveu muito naquela época era a produção de batatas.  No caminho vimos as tais fazendas-cooperativas, com pequenos prédios rústicos como sede (todas curiosamente iguais), grandes cestos de palha, vistos repedidas vezes ao longo da auto-estrada, provavelmente esperando a próxima colheita.


A primeira parada foi Bologna. Deixei as meninas nas duas torres… e prometi voltar ali 10 minutos depois. O que seria uma volta no quarteirão, virou um passeio por becos medievais, por lugares parecidos com aqueles que
servem de cenário para perseguições em filmes de ação, quando o filme se passa na Itália. As lambretas sempre atravessando quem está perseguindo e sempre as barracas de frutas voam pelos ares. Bologna foi apenas um aperitivo.

A atmosfera renascentista tomou conta do passeio. Para cada um Florença tem um significado. Florença é uma daquelas cidades que compete com Jerusalém, com Roma, com Cairo. Não compete com Londres, Nova Iorque ou até mesmo Paris. Ali o negócio é outro. Claramente, a céu aberto vê-se um lugar que transformou o mundo. É dali para o mundo. E é fácil entender os seus efeitos. De forma muito resumida, Florença foi um lugar onde nobres patrocinaram o redescobrimento das obras dos povos antigos, tais como os gregos e romanos. No mesmo sentido, houve ali o florescimento da idéia de que o homem é o centro do universo, um ser belo, completo, criador. A cidade cresceu sobre a força do patrocínio artístico, atraindo talentos de todos os lugares. Estamos falando nada menos que Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Donatello, Rafael, e muitos outros. A própria igreja também patrocinou as mais belas artes, justamente buscando retratar em pinturas, esculturas, vitrais, as passagens bíblicas, santos e o culto ao homem, um ser belo, completo e criação de Deus.


Depois de batermos cabeça para encontrar um lugar para estacionar, deixamos o carro dentro da estação de trem e partimos para nossa primeira parada: na praça onde está localizada a Basílica Santa Maria Novella, a primeira grande igreja de Florença. Sua fachada é uma obra de arte, um mosaico finalizado em 1470.

Depois, seguindo uma dica da Alessandra, passamos a procurar uma perfumaria com o mesmo nome da igreja, não muito distante dali. Tratava-se de um lugar pitoresco. Era simplesmente a farmácia mais antiga da Europa, em funcionamento por “apenas” quatro séculos. A decoração ainda é renascentista e os materiais utilizados na fabricação ainda são à base de ervas e processo semi artesanal. Na sessão de vitaminas,

perguntei para a atendente se ela tinha algum calmante, remédio escolhido aleatoriamente. Ela abriu uma gaveta, pegou uns papéis em formato de pergaminho, apontou para um vidrinho meio fosco e com poucas pílulas e começou a ler os componentes. Sua descrição parecia aquelas fórmulas de bruxaria. Felizmente ela não chegou a dizer “duas cabeças de morcego, rabo de pavão Hindu”, etc. Não levei o calmante mas todo o ambiente interno da farmácia mais a tranquilidade do lugar ajudou a fornecer mais energia para a continuidade do passeio.

Logo depois estávamos cruzando a Igreja dos Medicis(familia importante em Florença que praticamente patrocinou o renascimento) e a igreja de São Lourenço. Mas a atração a céu aberto mais imponente é a Catedral de Maria Del Fiore, também conhecida como Duomo. Também é conhecida como “igreja do avesso”, e definitivamente isso é verdade. Todos os detalhes em mármore no lado externo refletem a loucura de construções monumentais difíceis de explicar tal como também é o caso das pirâmides do Egito, por exemplo.                           Os mais famosos artistas da renascença assinam os detalhes dessa igreja. Em seguida, tivemos a oportunidade de visitar a estátua de David, no Palácio Della Academia, obra de Michelangelo. Como era sexta-feira, e a entrada era gratuita, não houve a necessidade de passarmos pela bilheteira, o que daria certa ansiedade para ver a principal peça do museu. Mas como a entrada foi direta, rapidamente estávamos diante da estátua de David: algo
realmente imponente e a altura de sua fama. Foi a sensação inversa de quem vê pela primeira vez o quadro da Monalisa. Como se sabe, o quadro está no museu do Louvre, guardado a sete chaves, distante do público e que passa uma sensação de menor que as pessoas imaginavam. David foi uma agradável surpresa para mim. Saímos do museu e continuamos nosso percurso nas ruas medievais de Florença.  Entramos no palácio Veccio, e passamos por baixo das famosas passagens da via Ninna e Passagem Delli Uffizzi, ao lado do museu onde está armazenado o maior acervo do renascentismo da época. Desembocamos no rio Arno, onde tínhamos a melhor vista
para a Ponte Veccia, um dos cenários mais românticos do mundo, onde a tradição é colocar um cadeado na ponte, como forma de representar o amor eterno por uma pessoa. Dalí corremos para  a Praça Michelangelo, do outro lado do rio, na parte alta da cidade, onde pudemos ter uma vista maravilhosa da cidade com o por do sol ao fundo.

Florença foi como uma experiência intensa de arquitetura, história e arte. Com certeza uma semana talvez ainda fosse pouco para uma cidade tão rica e inspiradora.

Pela noite, exaustos, jantamos numa taverna medieval, com uma bandinha “tô começando agora” como música ambiente. Mais um tipo de brusqueta entrou para nossa lista. Simples mas convincente.  E partimos para nossa próxima parada, seguindo pela Toscana: Lucca.

2 comentários em “Expedição Yellow Submarine – Florença

  1. Que viagem perfeita! Fiquei encantada!!!
    Creio que um dia ainda irei conhecer o país que sou descendente.
    bjs queridos!

  2. Oie!!
    Adorei o post e principalmente estar com vcs nessa “pequena fração” da viagem…
    Ah! a foto das grandes portas em bronze, ficaram lindas!!!
    bjss e saudades…

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