Expedição Yellow Submarine – Chichester e Guildford

Rolls-Royce. Certeza que é uma marca que você já ouviu falar…. Pois é. Quando eu era criança alguém comentou que o Rolls-Royce era fabricado com as mãos, um processo artesanal. Uh. Aquilo ficou na minha cabeça. Sabe-se, obviamente que é um carro bem caro, aliás o mais caro do mundo.  E quando eu estava na faculdade outro fato sobre o Rolls-Royce também me marcou. A marca, inglesa(fundada por volta dos 1900, havia sido adquirida por uma empresa estrangeira,  a BMW (a maior parte ficou com a BMW e apenas um modelo ficou com a VW. Esse fato marcou a época porque a lógica era que os ingleses supostamente é que deveriam comprar outras empresas, e ali era uma posição inversa, reflexo do início da inevitável globalização.

Então, sábado pela manhã, logo cedo, surgiu uma vontade de vermos de perto a história do Rolls-Royce. A fábrica que produz o modelo Phantom está localizada no sul da Inglaterra. Logo cedo, pegamos um trem para Chichester, mais ou menos duas horas e meia de viagem. Chichester é uma cidade localizada no sudeste da Inglaterra. A planta da cidade foi desenvolvida em forma de cruz, herança dos Romanos que estiveram por ali por muito tempo. A Catedral de Chichester foi construída no século XI e disputa o ranking das maiores da Inglaterra. Seu sino, curiosamente, está localizado numa torre separada da catedral. E, envolta da igreja, algo também curiosamente muito normal no Reino Unido, diversos túmulos espalhados pelo jardim. Logo depois que passamos pela Igreja, atravessamos a rua principal, a East Street, cruzando a Market Cross, o monumento que fica exatamente no meio das ruas que formam a cruz.

Eu tinha mais ou menos idéia de que a fábrica ficava numa estrada, próximo de algumas fazendas. Como não esbarramos com nenhum ônibus para aquela região, resolvemos seguir a pé. Não foi uma caminhada tranqüila. Os carros passando a mais de 120 por hora numa estrada estreita. Mas não tínhamos escolha. Seguimos caminhando, andarilhos pela beira da estrada. Algumas vezes os carros tinham que esperar nós passarmos por trechos mais estreitos. Aquela situação de fato não combinava com o lugar, nem mesmo com o percurso para uma fábrica de carros de luxo. Depois de mais ou menos 1 hora de caminhada, estávamos na frente da fábrica, no meio de uma estrada. Vendo todo o modelo de negócio da Rolls-Royce, ficou fácil entender que era impossível imaginar que alguém caminharia da estação de trem até a fábrica. Acho que essa foi a primeira vez que isso aconteceu. O modelo de negócio é bem simples. Exatamente em frente a fábrica existe um aeroporto, o aeroporto Goodwood. O interessado em comprar um veículo simplesmente pousa com seu jatinho, atravessa a rua(transportado por uma Rolls-Royce, claro), e é recepcionado numa belíssima e moderna fábrica(digo, arquitetura moderna). Quem olha para a fábrica, vê a recepção no centro, mas também consegue ver a produção através de imensos vidros. Na recepção, o interessado escolhe todos os detalhes do seu futuro carro: cor dos estofados, tipo de tecido, quais as letras que estarão escritas nos estofados, o cheiro, onde ficará o porta copos, etc…O comprador também pode acompanhar toda a produção. Mas dificilmente ficará ali todo o tempo para fazer isso. Normalmente, ele escolhe o carro e os detalhes, pega o avião de volta para sua casa (Miami, Nova York, Tóquio, ou qualquer lugar do mundo) e volta um ou dois mêses depois para ver a fase final de produção. Nesse momento, ele percorre a produção acompanhando o acabamento. Não é permitido tirar foto da produção. Noventa por cento da produção é manual. Dez por cento é mecanizada. A lataria do carro é esculpida. Sim, uma verdadeira escultura feita manualmente por um artesão. Depois de passar pela fábrica, fomos até o aeroporto. Trata-se de um aeroporto de pequeno porte, mas muito aconchegante.

O aeroporto fica dentro de um autódromo. Esse autódromo serve paracorridas tipo “Stock car” como também para testes de carros. Fiquei tentado por um serviço oferecido por ali: um vôo de trinta minutos, onde você pode pilotar o avião.

 Claro, é uma viagem com co-piloto e o preço: britânico. Eram 14 horas e tínhamos ainda outra cidade para visitar, o bilhete do trem já estava comprado. Para ganharmos tempo e voltarmos rapidamente para a estação do trem, aproveitamos que um taxi acabava de chegar ao aeroporto e voltaria vazio para a cidade e barganhamos metade do preço. Era uma taxista simpática. Dentro do taxi curtindo a paisagem de volta, a taxista perguntou de onde éramos. Quando dissemos “Brasil”, ela parou, ficou pensativa, e depois de uns dez segundo, emendou: “nossa, mas, vocês vieram de muito longe…o jato de vocês consegue fazer um vôo direto do Brasil até Chichester…?”…

Logo desfizemos o mal entendido… ”Não, veja, não chegamos no aeroporto de avião…estamos apenas passeando, vindo de Londres…”. Bem, pelo visto ela está acostumada a receber pessoas do mundo todo naquele aeroporto, chegando por avião particular.

A cidade que planejamos visitar era Guildford. Era uma dica do Stuart, um colega. De Chichester à Guildford não era uma linha direta. Era necessário trocar de trem em dois lugares. Mas “dois lugares”, viraram quatro, pois havia um trecho em manutenção. Corremos contra o tempo. A meta era chegar em Guildford antes do anoitecer. Tivemos que descer do trem em uma certa cidade, pegar um ônibus e seguir viagem por uma hora até outro trecho. Depois, mais três ou quatro estações até chegamos a Guildford e saímos praticamente correndo pelas ruas, subindo uma ladeira imensa para chegar até um monte onde pudemos ter uma vista maravilhosa da região, justamente a dica do Stuart. Guildford é uma cidade charmosa, onde abriga uma imensa catedral. É uma espécie de cidade-dormitório:  os habitantes trabalham em Londres, afinal está mais ou menos uns 40 minutos de trem. Tem um centro bem agradável, com um comércio requintado na Guildford High Street(onde está localizado o prédio ícone da cidade: o Guildhall) e bons restaurantes. Abriga um pequeno castelo construído por volta do ano 1000 (hoje é um museu) rodeado por um belo jardim. Não tivemos muito tempo para explorar ainda mais a cidade, mas ficamos com a imagem intrigante da belíssima vista do monte e o seu gramado impecável. O frio era intenso e a noite  nos chamava de volta para a Londres.


Um comentário em “Expedição Yellow Submarine – Chichester e Guildford

  1. …Du e July,
    Pensei que sairiam da fábrica, com um modelito Rolls Royce…rs
    Fotos maravilhosas… mas as noturnas, em especial, estão D.E.M.A.I.S!!!
    Bjão e saudades…

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