Expedição Yellow Submarine – Escócia

Escócia. Escócia. Escrevo duas vezes “Escócia” e leio calmamente para tentar resgatar o que havia em minha memória antes ter visitado a “Eeeeee-ssss-cóo-ciiiiiiiiiiiiiiiiii-a. Vem em minha mente as mais óbvias imagens: um lugar onde vivem os milionários, pessoas realmente muito nobres, o “whisky” escocês (algo que nunca provei, mas sei que existe), cenas do filme “Coração Valente”, a palavra “castelo”(sem uma imagem clara), e homens de saia, claro. Estou fazendo questão de tentar trazer essas lembras justamente para praticar o exercício da quebra de imagens pré-definidas que temos de um lugar, muitas vezes criada pela televisão ou por “pacotes turísticos”. A Escócia foi uma experiência fantástica, muito além do que realmente imaginávamos…

Saímos de Londres na sexta feira, vôo direto do Heathrow até Edimburgo, capital da Escócia. Para entender bem a geografia política, a Escócia, assim como a Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte fazem parte do Reino Unido. A capital do Reino Unido é Londres. Mas cada “país”, se podemos assim dizer, tem a sua capital. Mas todos pertencem a mesma administração geral do Reino Unido, preservando suas nacionalidades. Geralmente as pessoas confundem o Reino Unido, chamando-o de Inglaterra e vice e versa. O fato é que não parece que os Escoceses gostam de serem chamados de Inglês, definitivamente. E ficou bem claro em nossa visita que os Escoceses fazem um esforço enorme para manterem sua cultura e sua história bastante distinta da Inglaterra. O vôo até Edimburgo levou aproximadamente uma hora. Como só tínhamos o fim de semana de carnaval (apenas dois dias, já que não tem carnaval no Reino Unido, rs), então resolvemos alugar um carro, tendo em vista que o transporte de trem ficaria muito mais caro. Seguindo a indicação de uma amiga da July ficamos hospedados num hotel simples e aconchegante próximo ao centro da cidade. A multi-tarefeira dona do Hotel, dona Tereza, nos recepcionou como se nos conhecêssemos há anos, explicando calmamente todos os procedimentos do hotel, horários, etc…sempre finalizando as frases com o “oukey?”(na verdade, querendo dizer “ok”). Sentimos um tratamento diferenciado, um calor humano tentando ser extravasado, algo diferente do que sentimos normalmente dos  ingleses em Londres. Deixamos as coisas no hotel e já saímos para conhecer a cidade e encontrar um lugar para jantar. Ali já começávamos a ter nossas primeiras impressões de Edimburgo, andando pela cidade naquela noite de sexta feira. O clima estava frio (máximo de 7 graus de dia, provavelmente calor para os escoceses) e zero a noite.

Por volta das 20 horas, era um silencio de feriado.  Edimburgo é uma cidade medieval, atualmente capital da Escócia, um centro financeiro muito importante.  Afinal a Escócia é um grande produtor de petróleo, proveniente do Mar do Norte. Aqui viveu Adam Smith, o pai da economia.

Pelas ruas esbarra-se por muitas estátuas de figuras ilustres da história..No centro está localizado o Castelo de Edimburgo, o ponto turístico definitivamente mais importante. Do castelo é possível ter uma vista privilegiada da cidade. Não é uma cidade grande, mas há muito para se explorar. Mas é necessário caminhar em toda a sua volta, tendo o castelo como o centro para encontrar os seus encantos. O ponto que mais gostei foi a vista do Princess Street Garden. É possível ver um maravilhoso jardim, a linha férrea e o Castelo no alto, com um frio bucólico. O castelo está situado sobre uma imensa pedra vulcânica(algo que os escoceses gostam de ressaltar!). Essa combinação nos remonta para fora da realidade. Percorrer esse jardim em toda sua extensão é de tirar o fôlego. Vale todo o passeio. 

Edimburgo é uma cidade medieval. Mas podemos dividi-la em duas partes. Um antiga, medieval, e uma mais nova(não tão nova, algo como desenvolvido próximo de 1800). A parte medieval, o seu centro é o castelo e a High Street. Percorremos a high street tanto a noite quanto de dia justamente para capturarmos as duas impressões. Durante a noite é mais festiva, muitos jovens pela rua, vida noturna. Partindo do Castelo, passamos pelo Hub, uma igreja antiga que foi transformada em lugar para eventos  – aliás, transformar igrejas antigas em lugares diferentes é algo comum no Reino Unido. Esse foi o único lugar que ouvimos a tradicional musica da escócia, tocada com Gaita de foles e homens vestidos de saia), até chegarmos no palácio Holyrood House, casa da Família Real quando eles estão hospedados em Edimburgo. Em frente ao Palácio, encontra-se o parlamento Escocês. Um prédio modernista que parece estar no lugar errado, não combinando com sua localização, já que ao fundo encontram-se a arquitetura antiga.

Um lugar que me surpreendeu bastante foi o museu da cidade. Muito bem organizado e estruturado. Nesse museu ficou bem claro uma outra preocupação nacional:  diminuição da população, algo que já vem de longa data e por variados motivos.

O dia seguinte foi todo dedicado a conhecer as famosas Highlanders Escocesas. Esperamos o cronometrado café da manhã da dona Tereza (não sai da nossa cabeça “o café será servido exatamente das 8 as 9 horas, nem antes, nem depois, “oukey”?). Afinal estávamos ansiosos em conhecer o café da manhã escocês. Valeu a pena. Partimos reforçados para nossa expedição ao norte. Nossa primeira parada começou com uma visita à estátua do Robert de Bruce, localizado na cidade chamada Stirling. Robert de Bruce teve um papel
fundamental na história da Escócia, na luta pela independência por volta de 1300.  Alguns dizem que sem a insistência de Robert talvez a Escócia não existisse hoje. Depois, sob o céu encoberto, mas um dia claro, corremos para o  monumento de Willian Wallace, mais ou menos uns 10 minutos do monumento de Robert. William Wallace foi justamente o papel que o Mel Gibson desempenhou no filme Coração Valente. Trata-se de um herói para os escoceses, pelo fato de ele ter lutado contra os ingleses e ter praticamente criado a Escócia. E todo mundo passa por esse lugar só para tirar uma foto da estátua que è a cara do Mel Gibson. Não foi o nosso caso, chegamos lá e o parque que abriga a estátua ainda estava fechado e como o dia era longo, não podíamos esperar. Como havíamos ganhado um certo tempo, preferimos então investir numa vista privilegiada do castelo de Stirling. O primeiro daquele passeio pelas higlinders.

Retomamos à estrada e definitivamente o passeio começou a tomar outra cara. Pensávamos que encontraríamos apenas lugares antigos, castelos e mais castelos, mas o que nos chamou a atenção mesmo foi a natureza. Ficamos impressionados com as paisagens belíssimas que se sucederam. Tínhamos o privilégio de passear por um lugar que muitas vezes está tomado de neve. Muitas placas no caminho advertiam sobre, “em caso de neve, esse trecho será bloqueado.” Além disso cruzamos diversos lagos, uma mais maravilhoso que o outro, verdadeiros oásis, até chegarmos a pequena vila de Glencoe, onde ocorreu um terrível massacre em 1692. O massacre ficou muito famoso na Escócia, mas confesso que não consigo explicar 100% o que de fato aconteceu e o que causou o massacre. Mas sei que a vilazinha foi uma passeio silencioso bem agradável. Tivemos a oportunidade de conhecer um café, com vista para belíssimas montanhas, e almoçar com a companhia sempre amigável dos Escoceses. Depois partimos continuamos nosso percurso pelo norte, visitando a base do “Ben Nevis”, o pico mais alto do Reino Unido, no coração das Highlanders. E finalmente, chegamos ao Lago Ness… para fazer nossa parte na história, e procurar o famosos “Monstro do Lago Ness”. Apesar de  o governo da Escócia ter decretado que o monstro não existe, andar por volta do lago com essa fama, não é uma atividade muito tranqüila, até porque a vida bucólica em volta do lago ajuda bastante a estimular a criatividade. Daí, fizemos o caminho de volta a Edimburgo, mas não o mesmo caminho que viemos. Novamente belíssimas paisagens não nos deixavam seguir caminho. Parávamos a todo momento para curtirmos maravilhosas e imensas pinturas panorâmicas.

Regressando a Edimburgo, aproveitamos para jantar no café que J.K.Rowling escreveu o primeiro livro do Harry Potter. Pelo que se sabe ela era pobre(mas tinha casa)  e andava pelas ruas tentando fazer a filha dormir no carrinho, daí entrava no Café para escrever o livro numa máquina de escrever. Um ambiente acolhedor o clima da Escócia (imagina a neve caindo na janela no inverno) e o silêncio medieval parecem ser uma combinação perfeita  para ter inspirado tantos intelectuais por essa área do mundo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 comentários em “Expedição Yellow Submarine – Escócia

  1. Juliana e Eduardo

    Fantástica viagem! Lindas fotos, principalmente das Highlanders. Me fez lembrar os filmes sobre a Escócia.

    grande abraço

    Cris

  2. Adorei o post!!! Sou amiga da Laura e ela indicou no facebook o seu blog!!! Parabéns pela belíssima descrição da estadia na Escócia 😉
    Lindas fotos,
    um beijo
    Renata

  3. Meus queridos!!!
    Mais uma vez muito obrigada por encher nossos olhos com ótimas fotos e texto fantástico ilustrando esse lugar encantador!!!
    Gente! amei a foto da rua com comércio colorido apenas no piso inferior! …e as paisagens? de tirar o fôlego!
    Parabéns e saudades…

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