Expedição ao Oriente Médio-Teerã II

Salam,

Pessoal, desculpem- nos pela demora de um novo relato e por algumas palavras sem acento(temos brigado com o teclado invertido daqui). O fato é que tem sido muito dificil encontrar internet. Encontramos agora, por exemplo, ainda discada…

Nosso segundo dia começou com um passeio pelo “Bazar Teerã”, um passeio estilo mercado municipal de São Paulo. Mas esse mercado é bem diferente: além de ser milenar, está arquitetado como um formigueiro(não só porque tem muita gente), mas porque existem diversos corredores longos e entrelaçados com curvas irregulares, subidas e descidas, tamanhos de lojas altas e baixas e curtas e largas, setorizado por especialidades de produtos, tais como cereais(os Iranianos adoram todos os tipos), especiarias, cobre, ouro, frutas, legumes e, é claro, os famosos tapetes persas. E que tapetes! Um mais bonito que o outro. Quando andávamos pelo corredor, fomos abordados por um vendedor dessas maravilhas que nos convidou para uma aula de tapetes em sua loja. Existe uma variedade imensa de formas de fabricação e tintura. A maior parte dos tapetes leva mais de seis meses para ficarem prontos. Continuando nosso passeio pelo mercado, passamos pela Mesquita do Líder Khomeini, que também fica dentro do mercado. Foi uma excelente oportunidade para ver o islamismo em ação. Simplesmente sentamos e ficamos observando por um bom tempo.

Ficamos a manhã e início da tarde dentro do mercado, um calor terrivel(a temperatura tem oscilado entre 7 graus durante a noite e uns 23 durante o dia. A July vem sofrendo triplamente com sua fantasia de Iraniana). O mercado é uma verdadeira cidade: apesar dos corredores mais estreitos que uma rua, diversas motos passeiam por lá (a revolução dos moto-boys, lembra?). Assim, tivemos de andar como se estivéssemos na rua, desviando dos carregadores de produtos(nas costas e nos carretos – uns senhorzinhos de dar pena) e dos transeuntes. O mais espetacular desse mercado: ninguém te oferece nada, ninguem te trata como turista.

Teerã, apesar de caótica por seu trânsito (é uma das cidades mais poluídas do mundo) e pela imensa quantidade de camelôs e comidas de rua, tenderia a ser uma cidade mal cheirosa. Por incrível que pareça, é uma cidade muito cheirosa. Acho que as pessoas levemente perfumadas e o cheiro de comida das casas levam para a cidade um neutralizador de cheiro. A simpatia do povo local é contagiante. Já comentei um pouco aqui, mas estamos muito impressionados. Nem vou falar aqui do Mr Mustavi, o recepcionista do hotel, uma pessoa de alma pura, prestativo, educado e extremamente atencioso, dá vontade de chorar…Mas as pessoas nas ruas – não encontramos nenhum turista estrangeiro até agora – nos tratam com muita hospitalidade. De fato, os persas têm isso no seu sangue, essa vontade de agradar quem é de fora, de mostrar que também sabe receber, etc. Quando paramos para perguntar uma rua ou lugar, a pessoa se desdobra: telefona, chama correndo um amigo, leva a gente até o local, oferece comida para gente experimentar (e sempre vem a palavra mágica de Aladim; “Brasil” e a festa começa…). Teve um senhor de moto (na calçada) que percebeu que nós não achávamos um lugar no mapa, parou, aproveitou para se orgulhar de seu inglês, e nos mostrou a direção; andamos mais ou menos uns 20 minutos, mas não é que aparece o senhor novamente de moto (pela calçada) e diz, “olha, não é na sexta à direita não, é na sétima”. Não podíamos deixar de tirar uma foto dele.

Apesar de sermos confundidos como iranianos (fico feliz, essa justamente era nossa idéia. Teve até um policial que me parou para perguntar pra gente onde ficava uma rua), quando abrimos a boca todo mundo logo fica maravilhado, temos aproveitado para tirar fotos por ai. Maquina fotográfica aqui é sonho de consumo. Raramente vemos alguém tirando foto e frequentemente me perguntam quanto paguei na minha. Quando acabei de tirar uma foto num parque, passa um rapaz de uns 20 anos e começa a me sabatinar: “What´s your name?”; Eu:”My name is Eduardo”; Ele, puxando a memória:”What´s your… surname?”; Eu: “Guimarães”; Ele:”Guimaroens..uh…and Where are you from?”; Eu: “Brasil”. Ele: “Iti siti?”; Eu: “Sorry?”Iti siti? Eu: “Sorry…” Ele: “After ´Where are you from´ is ´Wuiti siti” Ah! De qual cidade eu venho, ele queria saber…ele estava fazendo o que professora de inglês havia ensinado…todas as perguntinhas, na seqüência. Que bonzinho.

Quando estamos num ponto turístico e me ofereço para tirar uma “foto do casal” (eles ficam muito surpreso com isso),  pude perceber as maquinas fotográficas ainda mecânicas(com filme). O mercado de consumo da maioria da população, que é pobre, está no estágio da pirataria chinesa. Devido ao problema político que o Irã vem enfrentando com os EUA e que afeta indiretamente outras nações(Inglaterra, por exemplo), somando a centralização do governo islâmico, o boato de que o Irã está produzindo a bomba-atômica, o país tem promovido a substituição de importações, ou seja, estimulando que indústria local produza os bens de primeira necessidade, em substituição aos importados. Carros? Importados e uma frota antiga, com manutenção constante. Eletrodomésticos? Vimos pelas ruas uma ou duas propagadas, mas a maioria da população não tem dinheiro para comprar. Numa loja da Sony, a única da cidade, as pessoas ficam boquiabertas assistindo televisão. A cidade, economicamente falando, parece um filme do Mad Max, a única diferença é que a gasolina é abundante, coisa que no filme não era.

Por outro lado, tudo é subsidiado pelo petróleo e, segundo o depoimento de um professor que conhecemos na Universidade local – que se demonstrou bastante “mente aberta”- o ensino público é bem forte, violência e roubo não existe (o fato é que eles procuram praticar os mandamentos; veja bem, procuram…não posso afirmar). Perigo aparente aqui só de bala perdida…que poderia vir do Brasil (desculpe-me, é só indignação). Esse professor está otimista de que o governo vai começar a promover a instalação de empresas multinacionais (não existe aqui). Mc Donalds? Não existe fast food. O interessante aqui é que pirataria e vendido como se fosse original. Um exemplo são as lojas de tênis. A World Tênis (loja famosa em São Paulo) daqui é igual a do Brasil quanto ao seu layout e atendimento, só que tudo é pirata, com estoque de numeraçao e tudo.

O dia terminou no portal da cidade, depois de uma longa caminhada pela cidade, passando por ruas de bairros, metrô e uma universidade. O portal da cidade é famoso por ser uma espécie arquitetônica “arco do triunfo” estilo islâmico, chamada de Torre Azade, no meio de uma imensa e bela praça. No topo do arco situa-se um museu da cidade, com uma vista panoramica. Durante a noite o arco vai mudando de cor, na seqüência das cores da bandeira do Irã. Ele é o principal cartão postal da cidade. Na volta do portal, a caminho do hotel, atravessamos a periferia e pudemos ver a os garotos jogando futebol, constatar a importancia das padarias(o mesmo tipo que encontramos na mesquita do Khomeini) e dos bares dedicados a “fumar”(ou pitar?) narguile(ou narguile), tradicao local. No Ira bebida alcolica e proibida. No dia seguinte, nosso passeio sera no imenso monte Alborz ( que limita o norte da cidade, uma especie de cordilheira dos Andes).

Salam Aleikom (cumprimento local que significa a paz esteja com voce!)

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