Hiroshima, segunda Cherry Blossom

HiroshimaApós dormir com o sambinha das rodas do trem se aproximando da estação do Shin-osaka a cada 20 minutos em nossa cabeça, na terça feira pela manhã pegamos outro trem-bala até Hiroshima. Esse trem era ainda mais confortável que o primeiro que havíamos pego entre Tóquio e Osaka. O motivo da visita a Hiroshima era óbvio: ver alguma coisa relacionada a primeira bomba atômica utilizada em guerra. Esse é o tipo de evento que quando você lê sobre o assunto ou assiste a um filme, ainda assim é muito difícil imaginar o fato em si. “Mais um brasileiro, por que vem tantos brasileiros por aqui?”, perguntou a garota do balcão de informações da estação de trem de Hiroshima, antes de responder minha pergunta sobre como eu fazia para chegar ao museu da paz, local onde é possível entender um pouco mais sobre o evento da bomba. Não respondi a pergunta dela, entendendo que era mais um comentário do que uma pergunta. Mas fui andando ate o tram(uma espécie de bonde do tamanho de um vagão de trem) pensando numa resposta. Será que é porque gostamos de ver desgraça? Será que é porque é um evento famoso o que aconteceu em Hiroshima então incrementa ainda mais uma viagem ao Japão? Ou será que é porque nós não temos a mínima noção do que aconteceu lá, e somos os mais ingênuos viajando até achando que vai ver algo leve? Bem, pode ser um pouco de tudo. O fato é que só é possível entender o impacto do que aconteceu indo até lá. Após uns 20 minutos de trajeto, o motorista do tram me avisa que esta na hora de descermos. Quando atravessamos a rua, deparamos com o mais chocante. Um prédio todo destruído, mas com paredes suficientes para entender seu formato enquanto estava intacto. Esse foi o exato lugar onde a bomba caiu, segundo a placa em frente a grade. Mas esse não foi o lugar onde a bomba explodiu, ela explodiu 600 metros acima desse prédio e destruiu toda a cidade, jogando tudo para cima, matando algo em torno de 140 mil pessoas, a maioria civis. Aimagequele prédio em ruína é uma paisagem chocante. Logo adiante, alguns sobreviventes, que estavam dentro da barriga da mãe, realizam pequenas palestras apresentando fotos horríveis de como as pessoas ficaram com os efeitos da bomba. Como toda região em volta virou pó, anos depois da guerra, resolveram construir um parque envolta do epicentro, alguns memoriais e um museu. Nesse museu esta exposto a historia da bomba do ponto de vista dos japoneses e muitas fotos de antes e depois da bomba. O principal objetivo do museu é promover o não uso de bomba nuclear e que o Japão se propõe a liderar qualquer agenda em relação a isso. O Japão já esperava um ataque aéreo em Hiroshima um ano antes da bomba atômica uma vez que a cidade era uma região militar importante e local de empresas de armamentos. A cidade já meio que se preparava para eventuais incêndios causados pelos bombardeios. O que não se sabia era que os Estados Unidos estavam criando tal bomba e muito menos de que o Japão fosse o alvo principal, ao invés da Alemanha. O teste da bomba ocorreu em julho, a bomba em Hiroshima foi lançada em agosto. Assistimos vários vídeos com os relatos dos sobreviventes, a maioria crianças naquela época. O que chamou a atenção foi o relato de um senhor que na época estava na escola, e que assim que escutaram a bomba, uns 3 quilômetros dali, as crianças se juntaram no pateo e começaram a cantar. Era uma forma de se manterem juntas e de chamar atenção para eventuais resgates. imageOutra parte da exposição é sobre as pessoas que tiveram que trabalhar para cuidar dos sobreviventes e realizar a limpeza da cidade. Saímos do museu e andamos pela cidade, um ambiente bem agradável. Foi em Hiroshima, no parque da paz que tivemos a segunda Cherry Blossom, o que reforçava ainda mais a atmosfera de uma nova cidade, tentando restringir os fatos apenas no museu. Almoçamos num restaurante japonês que, de tão gostoso e pratos tão bem apresentados que chegamos a comentar que gostaríamos de voltar ali algum outro dia.
No fim da tarde voltamos para Osaka, nossa base. Queríamos aproveitar a noite para visitar o Castelo de Osaka. Havia uma espécie de festival Cherry Blossom iluminado, o que tornava a paisagem do castelo ainda mais completa a noite. Nossa pequena curtiu muito o show de um macaquinho de circo fazendo piruetas e saltos a distancia. Até os adultos ficaram impressionados com a peripécias do animal.image image image image

Tóquio para Osaka, Trem Bala e Monte Fuji.

imageNa segunda feira de manha, sabendo que o tempo estaria bom, resolvemos sair um pouco de Toquio e conhecer um pouco outras cidades. Compramos o bilhete do Trem Bala(oficialmente chamado aqui de Shinkansen) para Osaka. O tempo bom é condição necessária para poder ver o Monte Fuji, um vulcão inativo, que fica no meio do percurso. Até o momento de nosso embarque só havíamos visto trem bala quando ele estava se movimentando pela cidade, chegando ou saindo. A primeira viagem a gente nunca esquece. A estação de trem de Tóquio, onde começa a viagem é mais imponente por fora do que por dentro. O local de embarque é bem modesto tendo em vista a magnitude do trem. Gostaria de ter uma definição mais original, mas acho que não a encontrei: o trem bala japonês é um avião sobre os trilhos. Pelo formato do trem,e pela porta de entrada. É um servico fenomenal. Altíssima velocidade, conforto e uma cobertura geográfica consideravel. Logo que saímos da estação de Tóquio, ainda na cidade pudemos avistar o Monte Fuji. O trem chega a passar em frente ao Monte o que lhe garante um passeio inesquecível. Você fica fascinado com a paisagem. Tivemos muita sorte de pegar toda a paisagem limpa. image imageNossa menina adorou andar pelo trem e desbravar áreas que se nao estivéssemos com ela provavelmente nem saberíamos que existia. Quando ela estava um pouco cansada da viagem e as vezes não queria se entregar ao sono e começava a entrar em crise de choro, era comum vir uma pessoa para lhe trazer um origami. Alias, ela sempre ganha origami, em tudo quanto é lugar. Especialmente no trem ela ganhou uns origamis complexos, difíceis de fazer. Até agora não vi nenhuma criança barulhenta ou dando esses chiliques como ela por aqui. Obviamente tem algo diferente na educação japonesa que espero aprender por aqui. Uma é que como pai devo fazer as coisas ainda mais com calma, e com a voz ainda mais baixa. Isso seguramente ajuda a ter uma criança mais calma. Em outro momento de inquietude, uma senhora de idade bem avançada segurando um colar com uma pedra bem pequenininha veio até nós começou a falar japonês com minha filha; conforme a pedrinha balançava a criança caia no sono. Quase cai no sono também. Duas horas e meia depois estávamos em nosso destino e em novo hotel, muito próximo da estação Shin-Osaka. Nossa nova estadia é um hotel, mas os quartos são em formato de casa japonesa. Tatame e mesinha de chá. Nossa filha adorou porque parecia casa de boneca. Ela foi tão espontânea já entrando na casinha arrumando as coisas, preparando o chazinho de mentirinha, arrumando as vasilhas que ficamos um bom tempo na porta observando ela, nós ainda segurando as malas. Mais tarde partimos para o centro de Osaka para conhecer o prédio da prefeitura. Trata-se um predio futurista(não é grande novidade já muita coisa aqui é futurista). É possível subir até o tipo e curtir vista. Entao curtimos o por do sol e a noite iluminada da cidade. Osaka não parece ser uma cidade inspiradora, mas também é agitada como Tóquio. image image image image

Tóquio, dia chuvoso é Kamakura.

KamakuraFomos dormir no sábado a noite com a sensação de que estavamos perderdo tempo. A cidade de Toquio é tão efervecente e eletrizante durante a noite que parece que dormir cedo é algo errado. Para quem viaja com criança não se tem muita escolha.
Nosso domingo seria um dia desafiador. Ja sabíamos disso dias antes. Previsao:chuva o dia todo. Domingo? Saimos na rua e parecia segunda feira, tudo funcionando muita gente na rua, todos usando roupas como se estivesse num dia de semana. Chegamos até e checar o calendário. Era domingo. Resolvemos encarar a chuva e ir até Kamakura, uma hora de trem de Toquio. É necessario pegar um trem pinga pinga, que dá a sensação de tres horas de viajem. Mas esse percurso foi ótimo para ter uma melhor noção de um dos maiores regiões metropolitanas do mundo, a Grande Toquio. Kamakura é um lugar bem agradavel, onde esta licalizado uma enorme estatua do buda, construida mais 700 anos atras e diversos templos. Tem um bom comercio de artesanato e todo o tipo de guloseima, em embalagens de papel nobre o que dá vontade de experimentar tudo. E é cada um mais gostoso que o outro. Tem um bolinho de banana que é delicioso. Parece que esse bolinho virou mania nacional, tem sempre alguém carregando uma sacola no metro com uma caixa dentro. KamakuraA chuva limitou drasticamente nosso passeio. Eu sempre havia ouvido falar de uma historia de que o guarda chuva era algo sem dono aqui no Japão. Isso pode ser até verdade em algum canto do pais mas certamente não é em nenhum lugar que passamos. As pessoas cuidam muito bem do que é deles. Contudo, achamos um quando estávamos indo para Kamakura e esse nos ajudou bastante a vencer parte da guerra contra a chuva. No final da tarde, depois de nos inspirarmos no Buda, voltamos à Tóquio diretamente ao bairro Shibuya. Pensávamos que Ginza era a Time Square de Tóquio, mas estávamos enganados. O cruzamento de Shibuya é que na verdade é a Time Square e é também onde geralmente mostra nos filmes aquela multidão atravessando as ruas, inclusive na diagonal. Até nossa menininha entrou na brincadeira, cruzando a avenida rumo a uma loja de cães e gatos exóticos no meio daquela loucura de néon, comercio e movimento intenso de pessoas. Realmente não dava para acreditar que era um domingo e mais de 6 horas da tarde. Quando voltamos para o nosso hotel, ainda mais tarde, em todo o longo percurso até a estacao Toquio, o movimento era o mesmo: lojas abertas, muita gente pelas ruas e trem lotado. E os homens, sempre de terno, como se fosse qualquer dia da semana.image imageimage image

Toquio, a primeira Cherry Blossom

imageDescobrimos que em Tóquio também tem padaria; e das boas. Temíamos que uma simples fatia de pão puder conter algo inesperado como recheio com massa de feijão ou pasta de peixe. Gosto muito de comida japonesa, mas ela tem sido um grande desafio. O fato é que há muito o que ser desbravado nessa área e muito o que ser internacionalizado para facilitar a apreciação. Por outro lado, não se vê coisas tão exóticas quanto a comida chinesa, e a apresentação dos pratos são um espetáculo em si mesmo, resultado de muito trabalho de elaboração e finalização. Essa padaria já era bem ocidentalizada. Nada de truques dentro do pãozinho.
imageimageNosso sabado começou com a visita clássica ao Palácio Imperial. Digo, ao escondido, discreto e distante palácio Imperial. Me pareceu muito mais interessante ver os japoneses tirando foto do palacio e ouvir diversas vezes um policial impaciente apitar para as pessoas nao subirem um degrau para melhorar o angulo da foto do que proprianente ver o palácio. Esse foi por enquanto o unico momento que vimos um policial atuando. Tendo realmente a acreditar que a palavra roubo nao existe por aqui. É muito comum deixarem tudo vulnerável :bolsas, objetos sobre a mesa e bicicletas sem cadeado. Dada toda a quantidade de valores que uma pessoa carrega (todo o tipo de eletronicos, dinheiro, etc), esse é sem duvida o lugar que nos sentidos mais seguro no mundo dentre os paises de primeiro mundo. Voce se sente literalmente no primeiro mundo. Os arredores do palacio vale muito o passeio, pricipalmente pelo contraste do antigo e da ultra modernidade da região da estacao de Tóquio. Estamos apaixonados por aquela região: Pela efervescência, contraste e pelos serviços de qualidade.
O passeio seguinte foi de tirar o fôlego: uma linha de metro especial percorre uma região conhecida como ilhas artificiais, o que é possível ver com um privilegio a baia de Toquio. Eu tenho um carinho especial pela baia de Tóquio desde criancinha. Esse é provavelmente o lugar que eu tinha mais interesse em conhecer. A baia de Tóquio era o lugar de onde surgiam os monstros da serie de TV japonesa conhecida como Expectroman (programa que veio para concorrer com o Ultraman). Era um sucesso no imageimageimageSBT anos 80. Esse programa me intrigava porque me lembro perfeitamente do mote da história do super herói, que eu gostava muito, mas lembro que isso nunca havia sido motivo de maiores explicações aqui no Brasil. Veja só que interessante o que descobri sobre ele. Ele foi criado no inicio dos anos 70 para ensinar ecologia as crianças. Os monstros nada mais eram do que resultado do lixo da Baia de Tóquio vindo para atacar os seres humanos causadores da poluição. O Expectroman era inclusive funcionário publico do serviço antipoluicao de Tóquio. Esse foi provavelmente o primeiro programa no Brasil a ensinar ecologia as crianças. Ele era tosco, mau feito, algo também reconhecido por aqui, mas a mensagem era simples e relevante e foi um sucesso. O passeio pela baia foi de longe a melhor, por enquanto. O trem percorre as ilhas depois de atravessar uma ponte que lembra um pouco a ponte de Sao Francisco. Logo após o almoço, uma paradinha em Shinbashi para cortar o cabelo. “Vai no estilo japonês?”, pergunta o cabeleireiro, brincando. Quando eu havia chegado ali, entrei numa salinha de espera onde as cadeiras eram numeradas. E havia uma maquina para realizar o auto-serviço de pagamento e escolher o serviço. “E por que muitas pessoas usam mascaras por aqui?”, perguntei ao cabeleireiro. “Por que elas te, alergia aos pólens. O uso das mascaras se intensificam com a chegada da primavera.
E finalmente, na parte da tarde, atravessamos a cidade para participar do festival da primavera no mais famoso parque da cidade, o Ueno. A quantidade de gente entrando no parque em clima de festa parecia que todo mundo tinha saído para as ruas comemorar o titulo da copa do mundo. Era na verdade a celebração da chegada da Cherry Blossom, ou a Cerejeiras em Flor. Dentro do parque parecia Woodstock. Milhares de picnics espalhados e uma multidão caminhando sob as arvores de cerejeira. Apesar da multidão e das paradas para fotografias, o fluxo se movimentava bem e não havia um mísero papelzinho no chão. Fiquei emocionado, tenho que confessar, por que se tratava de pessoas vindo para o parque simplesmente assistir um espetáculo da natureza, em família, nada mais. Isso diz muito sobre a cultura japonesa. Também assistimos apresentações de danças que nunca havíamos visto antes. Ate deu vontade de se juntar a turma. A visita ao parque Ueno foi nosso primeiro contato com a Cherry Blossom.
A ultima parada do dia foi alucinante. Um passeio no ultra estressante bairro Akihabara. Ja era noite de sábado e tudo estava aberto. O capitalismo japonês é do estilo ultra agressivo. Tudo aberto até tarde, muita propaganda, néon e alto consumo. Nenhum comercio tem cara de que vai fechar em um mês por falta de cliente.

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Toquio, jogando Shinjuko

Torre de ToquioAcordamos com um “Bom Dia” especial. Justamente na terra do Sol Nascente nossa pequenina solta pela primeira vez um inesperado “Bomdiia” logo quando acorda. Dai ficamos brincando de Bom dia até o café da manha. Nossa caminhada exploratória começou pelo imenso e confuso mercado de peixes de Tóquio. Tratando-se de um elemento tão importante da cozinha japonesa, imaginei encontrar algo mais organizado e menos com cara de improvisado. Mas são aquelas coisas que você só passa a observar quando esta passeando com uma criança. Caso contrario você se sentiria apenas inebriado por estar no maior mercado de peixe do mundo. Mas gostei muito de conhecer peixes que nunca tinha visto antes, enormes e de grande variedade. De tudo quanto é jeito. Na entrada do mercado são vendidas iguarias e comidas típicas japonesas. Muitas filas, lotadas de japoneses “turistas”. Os japoneses são certamente o maior numero de turistas que estamos encontrando em Tóquio. Tem sido raro depararmos com estrangeiros.
image image image imageArrisquei experimentar algumas coisas. Uma delas eu gostei bastante. Era a mais barata e havia um senhor preparando com tanto carisma que valia muito a pena encarar a fila. Essas sao as melhores horas, ja que a coisa mais legal por aqui, sem duvida, é admirar as pessoas pelas ruas. Todos se vestem muito bem, se comportam muito bem e com estilo. Todos gostam de agradar nossa bebe, puxar conversa mesmo em japonês. As mais jovens, quando passam por ela, cutucam umas as outras, e abrem uma gargalhada sem contenção. Elas se divertem com crianca de fora. Do mercado fomos ate a Torre de Toquio. É o que todo mundo diz e parece ser verdade. É uma copia da Torre Eifel. Ela oferece uma vista privilegiada da cidade e da baia de Toquio. Essa foi a primeira vista panoramica. Depois de almoçar num restaurante especialista em prato com curry, recomendação de uma amiga minha, e aprender que curry é uma mistura de varias especiarias e tem uma função de energizar e estimular a mente( era o prato principal do exercito japones), caminhamos pelo bairro Rapponge em direção ao distrito dos arranha ceus. Fomos ao topo de uma das torres do tira-folego predio da Prefeitura Metropolitana de Tokyo. Essa é uma regiao bem agradavel, cheia de predios com design futuristas e arborizados. Depois dali andamos alucinados pela região da estação Shinjuko, a maior estação de trem do mundo, rodeada de comercio de todo tipo, dos mais luxuosos aos populares. Um ambiente alucinante de variedades e movimento ultra intenso de pessoas. Depois de um bom tempo perdidos dentro da imensa estação resolvi pedir ajuda: “E como eu faço para ver os trens?” Perguntei para moça da central de informações da estação? E ela respondeu: ” o senhor atravessa essa rua, vira a direita, e você vai ver uma ponte. Em cima da ponte voce poderá ver os trens passando…” Saímos dando risada. A resposta foi ótima. Mas eu queria mesmo era ver os trens todos juntos dentro da estação, o que daria a tão impressão de maior do mundo. Resolvemos então voltar ate Ginza de trem até a estação Tóquio. Isso já era horário de pico. Todos dizem para não ir a Shinjuko nesse horário. Mas acho que deve ser o contrario. Deve- se ir nesse horário para ver a quantidade de gente se movimentando o que estimula você a também entrar no jogo, ou seja, a tentar pegar um trem. Foi uma experiência. Um guarda nos viu de longe quando estávamos atras de um pilar tentando entender para onde ir e veio me oferecer ajuda, tal como alguém vem te resgatar você do meio de uma enchente. Ele anotou em japonês o trem que deveríamos pegar e a estação que eu deveria descer. Dai o jogo ficou ainda mais divertido tentando encontrar as tais letras códigos com as placas. Nada batia com nada. Mais um tempinho depois, outro salva vidas veio, leu a anotação e japonês e colocou um numero 8 na frente ” ah, deve ser a plataforma”. Menos de 10 minutos depois estávamos na estação Tóquio.
image image image image image image image image imageA estação de Tóquio e arredores foi uma surpresa bem agradável. Ja era tarde e tudo ainda estava efervescendo como se fosse o meio do dia. Nos apaixonamos pelos prédios modernos e inspirados tal como o do Forum Internacional de Tóquio. Em frente ao fórum há um local para shows e o publico esperava a abertura dos portões. Ficamos muito curioso para saber quem estava prestes a se apresentar. O publico era formado de 100% de mulheres em havia uma quantidade enorme de mulheres sozinhas, bem curioso. Geralmente você vai sozinho apenas para aprova da Fuvest, caso contrario você vai com uma amiga ate o evento. Ali não era o caso. Ainda estamos buscando alguém para traduzir o nome do show e desvendar esse mistério.

Japão, primeiro dia.

GinzaEstamos nos sentindo em casa no Japão. As primeiras impressões sao ótimas. Depois de 12 horas de voo entre Londres e Tóquio( com sensação de 4 vezes mais quando se esta viajando com criança). Mas nossa pequena se comportou muito bem para alguém com um ano e sete meses. Dormiu por umas 4 horas seguidas, depois se entreteve com brinquedinhos e pelo tour pelo avião. O desafio mesmo são as 8 horas de diferença com A Holanda. Nosso avião pousou no aeroporto Narita, o segundo maior aeroporto de Tóquio. Impressiona mais o tamanho externo e bem menos sua sua estrutura de passageiros. Mas ali foi o lugar que já tivemos o primeiro contato com a cordialidade japonesa. Eles são extremamente cordiais, formais e com um extra incrível para agradar o estrangeiro. Gostei muito de ter uma experiência diferente no processo de compra. Existe toda uma etiqueta para comprar que não estamos acostumado. Dar o dinheiro com as duas mãos é uma delas. A atendente lhe devolve com as duas mãos e tudo soa como uma mistura de informal( afinal é uma relação consumidor e empresa), mas ao mesmo tempo formal, pois ela trás um certo respeito adicional a relação quando se curva para dizer obrigado e lhe entrega o dinheiro com as duas mãos. Eu me senti um grosseiro nas primeiras experiências. Bastante incomodado em não saber seguir tais etiquetas. Estamos aprendendo. Pegamos um trem expresso entre o Narita até Toquio. Foi um pouco difícil se reter a paisagem já que nossa pequena estava bastante agitada e o ambiente de bordo é o oposto da Europa. Um silencio geral. Cada um na sua cadeira, sentadinho. Em certo momento um rapaz empurrando o serviço de bordo, pára na entrada do vagão e fala bem baixinho algo como uma introdução ao seu serviço e se curva no final. Logo após ele se curvar, me vê em pé e se demonstra bastante surpreso. Dava para entender. Era possível ver todos os vagões enfileirados e nada, nem um pezinho para fora, impedindo o seu caminho. Somente eu. Ele larga o carrinho na entrada e se encaminha em minha direção. Logo ele abre um sorriso quando entende que estou cedendo o lugar para a minha filha. O trem parou na estação Tóquio e descemos correndo com nossas coisas…o trem parece que não fica muito pouco tempo na plataforma. Isso muda muito para a gente. Temos que ficar ainda mais atento com nossa menina. Depois de se enrolar bem com o mapa quando saímos do metro, andando na chuva em direções opostas ao que deveria ser, encontramos o hotel. “Vocês deixaram já preparado o berço dentro quarto ou vocês montarão mais tarde”?. Todas as atendentes pararam, se olharam bastante surpresas e gaguejaram no inglês: “Senhor Guimaraes, lamentamos mas nosso hotel não tem berço”. Quando subimos para nosso quarto e abrimos a porta nos fez lembrar nossa bebe quando estava brincando dentro do avião. Um dos brinquedos era um conjunto de mesa e cadeira do tamanho de um playmobil. Observamos que ela tentava sentar na cadeirinha, como se isso fosse para ela, sem ainda entender o tamanho das coisas. Esse era o nosso quarto. Apesar de ser para casal, é impossível dois andarem dentro dele. Não coube nossas malas o que dirá um berço. Mas confesso que adorei lembrar quando eu era bebe, tomando banho na minúscula banheira.

Nossa bebe num backpaker especial.
Nossa bebe num backpaker especial.

Largamos tudo no hotel e corremos para conhecer Ginza, o bairro que estamos hospedado. É um bairro bem charmoso. O seu centro é algo parecido com a Time Square e a Picadily Circus rodeado de lojas de grifes famosas. A loja de Apple não é tão revolucionária mas o ambiente de nerds nos lembra que estamos no Japão. Se perder pelo bairro foi uma delicia. A july ficou decepcionada quando se interessou em comprar um doce com uma aspecto deliciosos mas com recheio de feijao. Queremos experimentar, mas era demais para o primeiro dia. Visitamos o prédio da Sony e pudemos checar novidades ainda não lançadas fora do Japão tais como uma filmadora que mesmo alguem chacoalhe muito ela, a imagem mantem-se estável.

O nosso jantar foi a cereja no bolo em nosso dia. Escolhemos um restaurante porque havia um aquário na porta. Quando pedimos uma mesa, o maitre frisou que eles só servia aquele peixe esquisito no aquário. Aceitamos. Um ambiente bem tradicional, e algumas fotos no cardápio. Teve um prato específico que me chamou a atenção. A atendente extremamente simpática, mas sem falar inglês( e nem eu o Japonês) da a entender que só é possível comer aquele prato conjugado com outro. Aceitamos. Minutos depois a revolução começa. Ela trás um prato cheio de coisas cruas e muito bem apresentadas, uma panela e liga o fogão. Nossa mesa era um fogão. E em três minutos começa uma fumaceira danada, um aspecto ate bonito e com cheiro agradável. Mas o problema era administrar nossa pequena nesse ambiente de alto risco. Cercamos tudo de perigoso contra ela mas foi um desafio e tanto. Quando pensamos que ja haviam servido tudo e podíamos sair, o maitre disse que agora ele ia servir o tal prato que havíamos escolhido. E dessa vez ele mesmo preparou em nossa frente. Era um tal de Poridge de arroz com ovos. Simples, mas delicioso. Na saida do restaurante o maitre esclareceu que todos os hoteis de Ginza sao realmete apertados. Serviu de consolo.imageimageGinza

Holanda: Vlodrop e Amsterdam

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Acabamos, por fim, tendo uma boa noite de sono em Vlodrop. Mas acordamos atrasados e não podíamos perder o ônibus. Quando já estávamos colocando o pé dentro do ônibus percebemos que havíamos esquecido de deixar a chave( e é claro… o rapaz havia desaparecido e não havia ninguém na recepção).  Sem mais tempo, resolvemos então deixar a chave na recepção, escondidinha. Seguimos paraVlodrop, num lugar no meio da floresta. Está localizada exatamente entre a fronteira da Holanda e Alemanha. Quando o nosso traslado estacionou dentro do MERU, tive duas sensações: a primeira era de que eu estava no filme “A Vila”, no meio da floresta, numa civilizacao isolada. Depois que eu estava no seriado Lost, realmente perdido, e dentro de uma organizacao Dharma. Os funcionários, também bastante confusos com nossa presença, seguiram para o refeitório. Como ficamos meio sem saber o que fazer, já que não havia uma recepção, entramos no refeitório e ficamos por ali rodeando os movimentos, sem compromisso. Aproveitei para dar uma olhadinha no que estava servindo. A única coisa que reconheci foi uma banana. O resto parecia comida do filme Matrix, algo com cara de arroz doce, com cheiro salgado. Quando eu pensei em experimentar apareceu um rapaz dizendo “eu estava esperando por voces…”. Ele disse que eu havia conversado com ele dias antes e que eu havia meio que demonstrado interesse em algumas massagens relaxantes. É verdade, eu realmente havia perguntado mesmo. Não me lembrava mais disso. O meu interesse na verdade era em conhecer o campus de Vlodrop e como não havia visita regular, um tour propriamente dito, perguntei se não havia algum outro serviço, dai ter surgido as tais massagens. “Ah, é verdade, eu queria saber um pouco mais sobre as massagens…”. Nem bem terminei a frase aparece um homem de roupa branca, bastante confiante, se apresentando como o presidente do campus. O rapaz da massagem cochicha algo no seu ouvido, o presidente nos cumprimenta e sai conversando com alguns funcionários. O rapaz da massagem se empolga e começa a explicar todos os tipos de massagens disponíveis. No meio da conversa, com o salão ainda cheio, entra o rapaz que nos recepcionou lá na hospedaria. Tive um susto em vê-lo por ali. “Você deixou a chave no quarto como eu havia pedido?”. “Na verdade eu a deixei na recepção, escondida..”. O rapaz ficou furioso, saiu batendo a porta. O refeitório ficou em silêncio. Nisso passou um faxineiro e disse. Não se preocupe, ele vai ficar bem. Ficamos meio intrigado com tal reação, afinal o local deveria ensinar todos a serem calmos. Depois de ouvir uma série de opções de massagens resolvi escolher uma, a mais barata do cardápio. Como queríamos propositalmente passar o dia inteiro por ali, combinamos que a tal massagem seria as 15horas, duas horas antes da kombi sair do campus. O rapaz saiu contente achando ótimo ser mais tarde pois ele precisava realizar toda uma preparação com antecedência. Aproveitamos então para andar pelo campus, sem guia, sem nada. Saímos como se tivéssemos passe livre para ir onde quiséssemos, mas o fato é que fomos barrados em vários lugares. Dentro do campos tem umas mansões enormes, suntuosos palácios. Também chegamos muito perto de um templo onde são gravados os vídeos que são transmitidos ao vivo diariamente. Chegamos a assistir uma das gravações. O campus é um lugar muito calmo, alguns prédios abandonados, uma floresta fechada em volta e um clima de vila Dharma do Lost. Mas era um lugar jus a própria causa: calmo, místico, rodeado de natureza.

Durante o almoço no refeitório, o Presidente da instituição veio sentar em nossa mesa. Puxou conversa, assuntos sem compromissos. A conversa foi se estendendo, estendendo, quando vimos estávamos somente nós no refeitório. Ai o presidente parecendo ter incorporado outra pessoa, disse: “pronto, estou aqui a disposição para qualquer pergunta de vocês”. Eu e a July olhamos um para o outro, sem entender inicialmente. Dai percebemos que ele poderia responder qualquer pergunta sobre a instituição. “Um…vejamos…bem…(tentando puxar uma pergunta na cabeça)…vocês cobram para ensinar as pessoas meditarem…para onde vai o dinheiro?. O presidente parecia ter uma resposta pronta e bem convincente. Depois fizemos outra pergunta sobre se havia algum projeto deles no Brasil…ele novamente respondeu como se estivesse numa entrevista coletiva, bem diplomaticamente. Ficamos nesse ping-pong mais ou menos meia hora, até que um funcionário o chamou para tratrar de assuntos internos. Tivemos um tempinho a mais par curtir a calmaria do local até chegar a hora da tal massagem. Quando cheguei no corredor onde ficava a sala da massagem, segui as instruções,  fiquei parado do lado de fora sem bater na porta. O rapaz apareceu e demonstrou estar surpreso em me ver. Estava me esperando mas tive a impressão que achou que eu não iria. Abriu um sorriso e me pediu para entrar. O local parecia um laboratório de química de escola com uma cama alta, de massagem, no meio. Dai comecei a lembrar que ele realmente havia comentado que era uma massagem complexa, com óleos diversos preparados quimicamente em laboratório, horas antes da massagem. Pediu para que eu trocasse de roupa e vestisse uma roupa especial. Quando eu estava no banheiro é que percebi a roupa especial na verdade era uma tanguinha fio dental minúscula. Tente não rir, tal como não se deve rir quando as calças de um senhor bem idoso cai sem que ele perceba. Deve-se respeitar. Entrei só de tanguinha  na sala e senti por duas horas os benefícios relaxantes dos tais óleos. Para ser bem honesto eu meio que dormi de olhos abertos. Quando a massagem terminou e meu corpo estava lotado de óleo, passei a sentir um stress danado por que percebi que a kombi estava prestes a sair. Tive que tomar banho e colocar a roupa ao mesmo tempo. Sai em disparada elogiando ao máximo a tal massagem. O rapaz se sentia extasiado. Tive a impressão que eu era um raro cliente. Infelizmente os efeitos relaxantes haviam ficado para trás e sai correndo para pegar a kombi. Na entrada, a July : “O que aconteceu? Tanto tempo lá nessa massagem…já não podia segurar mais a kombi”. Ali mesmo tiramos nossa única foto do local.

A kombi nos deixou novamente na vila do “Show de Truman” e conseguimos nos desvencilhar do grupo. Procurarmos um ponto de ônibus qualquer e pegamos o primeiro ônibus que passou. Voltamos para a estação de trem e seguimos para Naardem, uma cidade à beira de um imenso canal, pouco depois de Amsterdam. Passamos a noite por ali,  e saímos pela manhã para conhecer a grande atração do local: trata-se uma ilha enorme em forma de forte de cinco pontas. Lamentavelmente só é possível ver o tal formato por uma visão aérea. Mas um passeio pela ilha é um passeio extremamente agradável, cercado de igrejinhas, casas holandesas e comidinhas especiais. Passeamos pela estrela ilha pela manhã e pagamos um trem até Amsterdam.

Como já conhecíamos Amsterdam de viagens anteriores, dessa vez fizemos um passeio mais relax. Tentamos curtir a cidade mais calmamente, andando mais devagar (obviamente pois a July estava grávida) e passeando por lugares que não havíamos conhecido ainda. Visitamos a Biblioteca de Amsterdan, que tem uma vista bem agradável para toda a cidade(e um almoço barato e variado) e curtimos os cafés sem pressa. Um dia e meio em Amsterdam, seguimos viagem para Bruxelas. Revisitamos A Grand Place e tomamos o Eurostar de volta à Londres. Essa foi a segunda grande viagem de nossa filha.

Holanda – Amsterdam

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Bélgica: Bruges e Antuérpia

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Saímos de férias, July grávida de 6 meses. Nosso destino não poderia ser muito longe de Londres. E tinha que ser de trem. Dessa vez resolvemos pegar o Eurostar e explorar a sua segunda rota: Países Baixos. Em 3 horas, saindo no final da tarde, partindo de Londres, chegamos em Bruxelas. Com o próprio passe da Eurostar, sem nenhum acréscimo, entramos no trem às 21 horas de Bruxelas para Bruges. Havíamos planejado alugar um carro na cidade e movimentar-se entre as outras cidades, mas como percebemos que toda a Região dos Países Baixos é bem servida de trens, desistimos da nossa reserva. Passamos um dia em Bruges. Nossa única referência era de que tratava-se de uma “Veneza” Belga. Realizando nossa pesquisa sobre a cidade, muitas pessoas alegavam que ela era ainda mais bonita que Veneza. Apesar da July ter que andar mais devagar, consideramos que exploramos bem os quarto cantos da cidade. É…é uma Veneza… mas bem, mas bem compacta. Acho até que essa comparação é bem injusta com Bruges. Até mesmo desnecessária. Bruges tem um ar de “Florença”, medieval, com românticos canais e, mais interessante mesmo, com charmosos moinhos de vento cercando a cidade. Mas, o mais surpreendente mesmo foi o que descobrimos na Basílica do Sangue Sagrado. Segundo a história, ali é guardado uma relíquia do cristianismo, um recipiente de vidro que guarda o sangue de Cristo. Por coincidência, chegamos na igreja no momento em que estava começando um ritual anual de celebração à relíquia. Basicamente representantes da comunidade e da igreja, realizam uma espécie de missa, onde expõe-se o  recipiente muito próximo aos fiéis.

Ficamos num albergue bem no meio da cidade antiga. O que me chamou a atenção no Albergue é que havia aparelhos de televisão que não permitiam o acesso aos canais. Serviam apenas para assistir vídeos. E na recepção havia uma coletânea gratuita interessante. Resolvemos então passar a madrugada assistindo “Casablanca”. Como se sabe, ele é um clássico do cinema, sendo recomendado em qualquer época. De Bruges, capital de Flandres, tomamos um trem até Antuérpia. Também tínhamos previamente poucas informações sobre o que veríamos na nova parada. Quando chega-se em Antuérpia, você é recebido com pompa:  a estação de trem é uma das belezas arquitetônicas mais impressionantes que já vimos. Só depois fomos descobrir ser uma das 4 mais belas do mundo. Só pela estação, portanto, já valia a pena dar meia volta e sair da cidade. Felizmente tínhamos ainda muito o que explorar. E na mesma tarde preferimos conhecer a parte mais moderna da cidade, onde se encontram a região das lojas de roupas fashion, de última moda, e as região das lojas de diamantes. Isso mesmo, Antuérpia é conhecida como a capital mundial do diamante. No dia seguinte, seguindo para o centro antigo, nosso roteiro começou no agradável Stadpark, o maior parque da cidade. Depois seguimos para Grote Markt, uma espécie de praça central. Nossa primeira parada mesmo foi na Catedral de Nossa Senhora, praticamente um museus de obras de Peter Paul Rubens, o principal artista da Antuérpia. Depois seguimos pelo centro.

Nosso tour pelos países Baixos também incluía a visita ao MERU, Maharishi European Research University. Maharishi, para quem não sabe, foi guru dos Beatles, aquele que havia ensinado os Beatles a Meditar. Nos anos 70, com a expansão do estudo dos efeitos da meditação na mente, ele conseguiu apoio para construir centros de pesquisas. Dentre eles, um grande centro foi criado na Holanda, local onde ele trabalhou até morrer, em 2009.  Interessados no assunto, tínhamos a intenção de visitar a tal universidade. Mas pesquisando sobre eles percebemos que não era uma tarefa simples, bastando chegar lá sem aviso. Teríamos que criar algum motivo já que não pretendíamos fazer nenhum curso. Desde a Antuérpia eu vinha me comunicando por telefone com um funcionário do Meru, tentando convencê-lo em nos receber. Depois de várias idas e vindas…. eu disse que eu já tinha uma passagem de trem comprada para Vlodrop, então ele mudou de posição. “Ok, venha então para a estação de trem Roemond e me ligue de lá.”

Como Vlodrop fica bem no canto da Holanda, foi uma saga chegar até lá. Tomamos um trem até Bruxelas, de Bruxelas outro até Liege. De Liege até Maastrish(a cidade do famoso tratado) já na Holanda e, um último trem, até uma cidadezinha chamada Roemond. Quando chegamos em Roemond entrei em contato com o rapaz. O telefone não atendeu. Esperamos por uma hora, tentamos novamente e como não houve resposta decidimos ir diretamente até Vlodrop. Pensávamos que Vlodrop era uma cidade universitária. Na verdade, tratava-se de uma cidadezinha dormitório no meio do nada, estilo Cidade do Show de Truman. As casas bem característica da região no interior da Holanda. Mas o prédio que o taxista nos deixou, bem no centro era bem diferente. Parecia mais um prédio comunista russo. Não havia ninguém na recepção do prédio. Apenas um telefone, mas nenhum número ou mensagem. “E agora, quem devemos procurar?”. Meia hora depois chega uma kombi estilo “ilha de Lost” com alguns indianos com suas vestimentas típicas e apenas um ocidental. Quando o ocidental está esperando no elevador, nos vê e acha estranho estarmos alí sem mais nem menos. “Com quem vocês querem falar?”. E eu: “eu não sei”. “Vocês vieram fazer algum curso?”. “Não”. Tentando nos ajudar ele dá alguns telefonemas e uns quinze minutos depois aparece um rapazinho com várias chaves na mão e pede para seguí-lo. “Eu estava aguardando vocês”. O elevador era terrivelmente demorado. O rapaz nos conduz até nosso quarto e nisso já fomos observando que parecia que vários indianos moram por alí, notando isso pela vestimenta, mobiliário e o cheiro de incenso. Dentro do quarto o rapaz pede desculpas por não ter atendido o celular quando ligamos da estação pois ele havia esquecido ele no sofá. Além disso nos passa algumas instruções: “aqui tem água quente, não tem televisão, a kombi sai as 8 horas da manhã e aqui tem também uma cozinha coletiva. Antes de sair pela manhã deixe a chave dentro do quarto, em cima da mesa”. Queria saber onde era a tal cozinha. Me arrependi. Depois de levar até o local dentro daquele labirinto, o rapaz me largou lá e eu não achava de jeito nenhum o caminho de volta. Acordei quase todos os indianos, pensando ser alí o meu quarto.

Bélgica – Bruges

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Bélgica – Antuérpia

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Sally Gap, Irlanda

No Caminho de volta para Dublin havíamos programado em passar em dois lugares. O primeiro foi o castelo “Rock of Cashel”, ou “Fortaleza de Pedra”. Trata-se de um espetacular sitio arqueológico, no topo de um montanha com uma vista maravilhosa para a cidade. Em torno da Fortaleza foram encontrados vestígios que datam do século IV, sempre relacionados de alguma maneira com guerras e disputas territoriais. O segundo passeio não era bem uma parada, mas um tour. O percurso começa em Naas. Só pode ser feito de carro. Preferencialmente quando o tempo está bom, em qualquer estação, exceto no inverno (quando realmente neva). Trata-se de um passeio de 1 hora e meia a duas horas, um percurso de tirar o fôlego, tem tantas paisagens diversificadas criadas pela natureza. Em alguns momentos você vai se sentir no paraíso. Em outro momento, de tão silencioso e inóspito que passa-se a pensar que está em outro planeta. São lagos, vales de cores avermelhadas, pequenos córregos percorridos por ruas estreitas. Essa região engloba os percursos conhecidos como Sally Gap e Military road. No trecho conhecido como Military Road, na metade do nosso percurso, depara-se com uma cachoeira de uns 50 metros de altura, fortalecendo ainda mais a sensação de que está no paraíso. Dalí para frente o percurso fica colorido de flores, cruzando o indescritível Rock Valey até chegar a estrada que liga Riverside até a praia de Killiney, mais precisamente, na casa do Roqueiro Bono Vox. Isso mesmo. A mansão do músico, no alto de um pequeno morro em frente a praia é o final do percurso.  O percurso todo acabou sendo um algo do acaso. Não havíamos planejado todo ele. Os trechos foram se rearranjando harmonicamente tendo Dublin como direção de volta. Terminar na casa do Bono, por exemplo, foi realmente uma coincidência. Poucas vezes faço uma recomendação por aqui. Mas essa quero deixar realmente registrada para ser justo como os Irlandeses. Batizamos esse percurso de Caminho da Lori. Isso é geografia nos pés. Para facilitar – que o trecho seja seguido – estou colocando um mapinha aqui do lado. Mas só vale a pena mesmo fazê-lo com esse começo, meio e fim. E garanto que só esse passeio vale toda a viagem à Irlanda. Quer fazer de bicicleta? Bem, certeza que eu farei um dia.

Essa é a rota que recomendo. Ela começa em Knockbounce(40 minutos de Dublin), passando por Laragh, Sally Gap, uma imensa cachoeira, Rocky Valley e termina na praia de Killiney, em frente a casa do Bono Vox. Vale a viagem à Irlanda, com certeza. Trata-se do Caminho da Lori.

• Rocky Valey

• Palácio em Connemmara

Limerick e Cork, Irlanda

No dia seguinte seguimos viagem pela costa, descendo até Cliffs of Moher. Trata-se de uma costa de pedra fantástica, beirando o oceano Atlântico. As melhores fotos são tiradas em uma área proibida. A pessoa pode andar na beira no penhasco. Supõe-se que deveria ser proibido, mas as pessoas pulam as cordas em busca dos melhores ângulos.

Continuamos descendo até Limerick. Estava tudo muito calmo. A cidade estava concentrada em um jogo de Rúgbi, provavelmente um clássico da região. Era um domingo a tarde, o tempo estava começando a fechar. Demos uma volta pela região central, uma visita rápida ao museu Hunt, que tem  uma inimaginável coleção particular, depois jantamos na Pizza Express em frente ao rio Shannon. No começo da noite, circulamos pela silenciosa e agradável Universidade de Limerick onde um amigo nosso da família havia estudado, e seguimos viagem para Cork. Mais três horas de viagem, na outro lado da Irlanda. Encontramos um hotel no centro com um jardim interno muito agradável. Como o hotel ficava encostado no morro, havia uma cachoeira natural transformada em um chafariz enorme,  onde provavelmente é possível tomar banho no verão. Cork é uma cidade portuária, sendo inclusive um dos lugares que o Titanic passou antes de afundar no Atlântico. Além do porto um passeio interessante foi pela catedral da cidade,St Fin Barre’s,  e o Castelo Blackrock, bem na foz entre o grande canal e o rio principal da cidade.

Cork