O passeio da sexta feira era meio fora do centro da cidade. Teríamos que pegar um trem. Chegamos a estação recomendada, mas lá descobrimos que a linha estava em manutenção e teríamos que pegar uma transferência para outra. Longo tempo num ônibus para chegar a tal estação. O percurso de trem levou quase uma hora. O sol muito forte. Chegamos em Batu Caves, um templo Hindu construído em uma imensa caverna. Uma estátua imensa em frente à caverna da um tom “Ilha de Lost” ao lugar. São 300 degraus para chegar ao topo. No caminho, macacos te acompanham na viagem. Antes de começar a subida, alguns baldes de areia estão no chão aguardando voluntário que querem subir com eles. Muitos se voluntariam. Uma moça nos ofereceu um pacote de amendoim para darmos para macacos. Metade foi para o macaco, metade ficou pra gente. Voltamos para a cidade. Almoçamos muito tarde, e seguimos para o elegante Museu Islâmico. Logo na entrada havia uma exposição sobre os lugares islâmicos que estão atualmente em guerra. Mostramos para nossa filha Alepo. Havia uma foto da Mesquita central antes e depois da Guerra. Tínhamos conhecido tal Mesquita e ainda estava viva na memória. Já não é um lugar tão acessível como antigamente. Seguimos nossa caminhada entre os parques das aves e das borboletas.
Kuala Lumpur, Malásia
Quarta feira. Como nosso hotel não servia café da manhã, aproveitamos então mar tomar café em frente ao mar. Era a praia onde está o Marina Cove, um agradável playground onde nossa filha pode gastar bastante energia. Na hora do almoço, atravessamos a cidade e fomos fazer uma visita ao prédio da Unilever Ásia, onde apreciamos um delicioso Ben & Jerrys. Como não era muito longe dali, passamos a tarde toda nos refrescando na ilha Sentosa. Tem um monotrilho gratuito que ajuda acessar a ilha. Uma praia muito limpa, cheia de entretenimento para crianças. Nossa filha se divertiu tomando banho numa espécie de chafariz. Final do dia precisamos voltar para o hotel, pegar nossas malas e partir. Tentando fugir do trânsito da região central, pegamos um metrô com o intuito de descer próximo o hotel. Não estávamos longe. Mas carregando criança no colo as coisas ficam mais difícil. Encaramos a caminhada e levamos uma hora a mais para chegar. Pegamos as malas e seguimos para a rodoviária. Estava um caos. Todo mundo havia decido viajar naquela noite por conta do feriado prolongado relacionado ao ano novo lunar. Estava tudo muito tumultuado, uma quantidade grande ônibus extras. Partimos as 11 da noite para Kuala Lumpur, Malásia. Uma das viagens mais cansativas que tivemos até hoje. Duas horas de viagem, tivemos que sair do ônibus, ficar numa fila imensa para dar saída de Singapura. Levamos um bom tempo para encontrar nosso ônibus para dar sequência na viagem. Depois tivemos que parar novamente na fronteira da Malásia. Mais umas duas horas de fila. Chegamos em Kuala Lumpur na quinta feira de manhã. Nossa filha ainda estava dormindo e tivemos que esperar num café para darmos entrada no Hotel.
O hotel ficava no Time Square. Quando cheguei na suposta recepção é que fui informado que não era exatamente um hotel. Era um condomínio e a pessoa havia juntado alguns quartos e passou a alugar como tal. Me senti meio clandestino em tal condômino. O benefício era o tamanho do quarto e a vista. A localização também. Já na parte da tarde fomos visitar o Petronas, um arranha céu de duas torres. A cidade parece ser bem servida de transporte público, mas as conexões entre eles são confusas e não muito lineares. Tivemos que sair de algumas estações de Metrô, atravessar a rua para pegar outro transporte, tal como um monotrilho. Mas tudo funciona bem e te da a oportunidade de ver essa cidade em franco crescimento. Tem muitas obras espalhadas pela cidade e algumas delas, novos arranha céus. O fim da noite assistimos ao show da dança das águas, que acontece no parque atrás do Petronas.
Singapura
Saímos bem cedo do hotel em Ho Chi Minh, Vietnã. Eram 6 da manhã e a rua em frente ao hotel estava bem movimentada. O nosso motorista se enrolou um pouco e foi parar no fim da rua. Tive que correr lá para buscá-lo. Nessa correria estava havendo uma espécie de desfile ou procissão. Pensei que era algo relacionado ao ano novo chinês. Só depois fui saber que era um velório. Estava bem animado. Isso atrasou nossa saída e chegamos já em cima da hora no aeroporto. Já havia ouvido falar que a companhia área sempre atrasava, então ficamos um pouco mais tranquilos. Nosso voo durou umas duas horas. Resolvemos pegar ônibus para chegar em nosso hotel. Estava muito calor. Singapura estava uns 35 graus. Quando saímos do ônibus é que foi ver a loucura cometida. Ainda estávamos distantes do hotel, estávamos cheios de malas e ainda com nossa filha muito cansada de andar. Não era possível nem apelar para táxi, pois táxi só para em pontos específicos. Encaramos a longa e árdua caminhada. Sol forte. Apesar de chegarmos exaustos no hotel, deixamos as malas e saímos. Pegamos um ônibus que demorou muito para chegar em Chinatown. Mesmo com muito sol e bastante movimentado por conta do Ano Novo Chinês que se aproximava, andamos desde Chinatown até o Gardens By the Bay, onde imensas esculturas em forma de árvore faziam da paisagem algo ultra futurista. Sentamos no gramado e curtimos o por do sol. Somente aquele momento já valia a viagem: estávamos frente à torre Marina Bay, um prédio que parece ter um barco imenso no topo. Caminhamos até o prédio e ficamos apreciando os arranha céus. Já era noite e estava tudo iluminado. Singapura parece ser uma cidade que não dorme. Ela tem um ar de estresse Nova Yorkino e ao mesmo tempo belezas naturais de uma cidade praiana. Considerado um tigre asiático, o país vem crescendo, mas não mais a passos largos. Ele seguramente tem um porto bem movimentado, visível a qualquer canto da cidade, assim como a quantidade enorme de navios parados em frentes as praias, mas vem sofrendo com uma certa queda do comércio mundial e crescimento mais baixo da China. É um país bastante organizado, limpo, todos falam inglês e parece bem seguro. Mas tudo isso tem um preço muito. É um dos maiores custo de vida do mundo. Da para sentir isso tomado um simples café.
Túneis da Gerra, Vietnã
Acordamos bem cedo na segunda feira. O desafio era chegar no oeste do Vietnam usando o transporte público, sem ser tão afetado pelo trânsito intenso de Ho Chi Minh. Tivemos sorte por não chegamos a tempo de pegar o ônibus no ponto final, mas ele abriu a porta pra gente no meio da cidade. Uma hora e meia depois, num cansativo percurso de buzinas e motos, estamos em Cu Chi. De lá pegamos mais um ônibus e descemos no meio da estrada. Estamos então na região dos famosos túneis que foram decisivos na vitória do Vietnam na guerra. Era túneis bem longos onde as bombas americanas não alcançavam. Andamos pelos túneis, vimos as armadilhas artesanais, e podemos entender como a criatividade dos vietnamitas foram decisivas para expulsar os americanos nessa luta no meio da selva. O fim do passeio no meio da floresta é numa mesa redonda com uma tigela de mandioca cozida. Não sei sé porque estávamos com tanta fome, que foi uma das melhores que comemos até hoje. Na hora de voltar para Saigon, um valor bem forte, tivemos a sorte de pegar carona com uma família de dinamarqueses que estavam voltando para Cu Chi. Isso encurtou um pouco a viagem. De volta à Saigon, depois de almoçar no Xx, fomos para o topo do Saigon Skydeck. Vimos o por do sol e o imenso Rio Saigon. Tivemos a sorte de vir nessa época do ano. A cidade toda enfeitada, shows musicais locais, e a agradável convivência com os vietnamitas com suas famílias também passeando pela cidade. No jantar, comida local. Nossa filha sofreu um pouco com o nuddle apimentado, mas foi corajosa até o fim para comê-lo todinho.


Ho Chi Minh, Vietnã
Chegamos no Vietnam no sábado à noite. Havíamos feito uma escala na Tailândia. Depois de uma longa espera pelo visto, nossa menina já dormindo em nossos braços, saímos do aeroporto meia noite. Sair do aeroporto parecia sair do Maracanã lotado. Milhares de pessoas lá fora esperando pelos parentes. Foi quase um milagre encontrarmos nosso Uber no meio dessa multidão. Nosso hotel era bem no centro da cidade. A cidade não parece dormir. Motos e mais motos se movimentando para todos os lados. Elas trafegam nas calçadas, todo mundo buzina o tempo todo e andar da contramão parece ok. Apesar do caos não existe um a clima tenso entre as pessoas. Pelo contrário, tudo é harmônico, sem briga, sem acidente. Atravessar a rua é um desafio permanente. Mesmo com o semáforo verde para o pedestre não significa que os veículos vão parar.
Acordamos cedo no domingo para aproveitar Saigon, Ho Chi Minh. Sairmos andando pelas ruas cheias de barracas vendendo todo tipo de frutas, flores e até mesmo carne. Tivemos diversas vezes empacados para atravessas as movimentadas ruas de motos. Entramos no mercado central, aprendemos um pouco sobre a gora de variedade de cafés, afinal Vietnam é o segundo maior produtor mundial. Depois visitamos a Ópera House, a prefeitura e o palácio da independência. E não deixemos e tirar uma foto com as estátuas Ho Chi Minh, o líder da revolução e independência. Tal como a China, Vietnam é um país comunista. Com a abertura econômica e a modernização, o país vem crescendo economicamente muito rapidamente. Ironicamente, Shoppings bem requintados, de Prada a Chanel, podem se vistos ao lado do líder comunista. A cidade está bem movimentada. Como o ano novo lunar está se aproximando, muitas pessoas do interior estão aproveitando o feriado para visitar a cidade. Assim como a cidade, todos estão enfeitados, tirando fotos em família com roupas tradicionais.
Infelizmente não dá para desvincular o Vietnam da famosa Guerra dos anos 60 e 70, então estava em nossa mente visitar o museu da guerra. Logo na entrada, tanques de guerra, aviões e helicópteros, todos deixados para trás pelos americanos. O museu é bem pesado. Muitas fotos das pessoas atingidas pelas armas químicas. A conclusão é que, dado o poderio Americano, a vitória do Vietnam do Norte foi praticamente um milagre.
Passamos o por do sol no parque central da cidade. Devido a celebração do ano novo, ele estava todo decorado com Bansai de médio porte, peixes exóticos em aquários, flores, pedras preciosas e parque de diversão. Esse foi o lugar preferido de nossa filha.
Mandalay, Myanmar, segundo dia
Sábado. Acordamos cedo. Dia de partir de Myanmar. Aproveitamos que teríamos que pagar um transfer até o aeroporto e pedimos ao motorista parar em dois lugares no caminho. Não poderíamos deixar Mandalay sem passar pela U bridge e pelo monastério. Chegamos tarde para ver o nascer do sol, mas a vista ainda era inspiradora. A ponte é feita de madeira, cobre um lago e um campo de produção de milho e arroz. Os monges trafegam muito por ali, quando querem ir do mosteiro para a cidade. O mosteiro estava todo aberto e caminhamos pelos quatro cantos. Parece uma universidade, mas muito mais simples, rústica e até certo ponto, insalubre. Os banheiros são rudimentares, não tem acento sanitário e cada estudante tem uma bacia com seus pertences básico sobre os muros do banheiro. É um lugar bem silencioso. Achei que nossa presença pudesse chamar atenção e distrai-los. Pelo contrário, nos sentimos transparentes. Alguns estudantes andavam de um lado para o outro lendo algo em voz alta. Encontramos a escola primária de budismo. As salas de aulas eram fechadas em três paredes. Uma parede aberta dava a impressão que aquilo era um cenário de programa de televisão. Você, ali, parece literalmente um telespectador assistindo o que acontece na sala. Algumas vezes um longe mais velho entrega no meio da aula e dizia alguma coisa. Em uma dessas intervenções, ele pegou minha filha no colo e levou até a sala de aula. E conversou com ela, com as crianças. A língua era local, não pude entender. Nesse momento pude observar algumas placas espalhadas pelo pátio, umas escritas “Honestidade”, outra “oportunidades iguais”. Era o que todas aqueles minis monges, todos vestidos de vermelho vinho, estavam aprendendo. Essa foi uma experiência e tanto. Me senti num ambiente onde todos ali estavam, a meu ver, justamente vivendo uma vida oposta da minha. Sem nenhum apego material, sem qualquer preocupação na cabeça. Foi quando me lembrei da conversa com o monge em São Paulo. O monastério com seu clima inspirador de aprendizagem foi um ápice nessa viagem.
Voltei mais leve para o carro e seguimos para o aeroporto. Era hora de partirmos. Nossa próxima parada era Vietnam.
Mandalay, Myanmar
Acordamos cedo. O Hotel ficava bem no centro da cidade. Um lugar bastante movimentado, sujo e caótico. Depois do café, bastante simples, subimos para a laje. Intenção era ter uma vista. O que vimos foi uma área suja e nada inspiradora. Correria para sair do hotel, pegar um transporte qualquer para chegar no pequeno porto e pegar uma balsa para Bingun. Nossa menina teve vontade de ir ao banheiro. Ficamos impressionados com a escassez de banheiros. Onde batíamos, comércio ou casa, pedindo para usar o banheiro, a resposta era sempre “no clean”. Foi somente num mercadinho, com uma foto da dona na parede e um monte de moças trabalhando que a acolhida foi diferente. Do mercado voltamos ao Porto. O percurso era o mercado de arroz. Haviam mesinhas com pequenas porções, onde o comprador pode fazer rapidamente sua escolha. Myanmar já foi um grande exportador de arroz. A colonização inglesa trouxe até estrada de ferro para Mandalay, que aliás funciona até hoje, para facilitar a escoação.

O percurso do Porto até Mingun durou uma hora. A chegada é recepcionada por pedintes e ambulantes. Os vendedores são bastante simpáticos, mas atrapalham quem quer curtir as primeiras impressões de um lugar tão exótico. Nos sentimos chegando na ilha de Lost. Um imenso templo de pedra, todo rachado pelo tempo e terremotos. Dá a impressão de que as paredes estão prestes a cair. Entramos no templo e visitamos a imagem do Buda. Pelo tamanho daquele lugar por fora pensávamos que dentro seria um passeio mais longo. Pelo contrário, trata-se de um espaço relativamente pequeno. O passeio então é por fora e por cima, numa escalada que dá agonia pelos tijolos soltos e amontoados. O calor era forte. Uma vendedora local resolveu seguir a July por todo o percurso. Seguimos dali para outro templo. Seria fascinante se não houvesse tanto comércio turístico por ali. O outro templo é branco, parece neve, arquitetura propositalmente parece um labirinto. Muitas das mocinhas visitando pediam para tirar fotos com nossa filha. Ela aproveitava para dar umas estrelinhas acrobáticas entre uma porta e outra. Muito peculiar tal templo, tão elegante, no meio daquele lugar rústico. O sol estava muito forte e precisávamos voltar para o barco. Fizemos a volta com carro de boi. O dono do carro de boi estava me seguindo desde o momento que chegamos no Porto. Ele me via e me acenava. Uma simpatia de gente. Meu coração ia partir se não déssemos tal volta no carro de boi dele. Nossa filha adorou o jeito “Ratotui” dele conduzir as vacas: segurando no rabo delas. Não era nada ecológico isso, mas estávamos nessa situação meio difícil de sair. Voltamos para Mandalay, novamente uma hora de barco. Saímos andando do Porto em direção ao centro da cidade. No caminho entramos aleatoriamente num “ônibus” local: a caçamba de um caminhãozinho, todo mundo espremido, até mesmo os monges. O motorista do ônibus, mesmo sem saber onde íamos, pediu para que descemos em certo ponto. Estávamos no meio do mercado central de Mandalay. Vendiam de tudo. Muitas motos, muita gente e muita comida exótica. Carnes e carnes expostas. Galinhas inteiras enfileiradas, tudo ali a céu aberto. Cinco minutos andando por ali foi suficiente para a July dizer que não estava aguentando tanta mistura de cheiros. Eu não me importo, mas tenho que admitir que é difícil. Não foi fácil sair dali. No fim, andamos e chegamos em nosso hotel. Eu precisava encontrar um lugar para trocar dinheiro. O rapaz do hotel me indicou um lugar. Era uma rua insuspeita. Pequena. No final dela um homem, em frente à casa qualquer, pergunta o que eu estava procurado. Logo abriu o portão, foi entrando. Pensei ser uma casa qualquer, mas no fundo havia uma casa de câmbio, no meio do quintal. Na volta para o hotel parei numa livraria cheia de monges folheando os livros. Estamos na língua local. Fiquei muito curioso para ver o que liam. Vendo aquela imagem, a maneira que apreciavam os livros, passei a admirar o alfabeto local. A escrita é completamente diferente do que já vi. As letras parecem simples e foram um desenho bonito no seu conjunto.
Na parte da tarde fomos para o Grande Palace, onde ficava a casa do último rei de Myanmar. Ela fica dentro de uma imensa fortificação. Alguns estudantes, recém formados, usando becas tirado fotos na entrada. Vimos o por do sol e assistimos a vida de Mandalay. Monges geralmente saem essa hora dos monastérios para fazer suas caminhadas. Interessante vê-los sentados na beira do rio observando os peixes. Eles apontavam, discutiam. E depois seguiam a caminhada. Quando caiu à noite procuramos o teatro de fantoches, algo bem tradicional por aqui. Nos perdemos. Andamos muito e não encontramos. Foi somente quando perguntamos num estabelecimento comercial que uma das atendentes resolve chamar um rapaz que supostamente falava inglês. Ele se enrolou todo para explicar. Não satisfeito com a sua habilidade de se comunicar, pediu para seguíssemos ele. Entramos em seu carro e nos levou até lá. Esse é o tipo de hospitalidade que encontramos por aqui.
Mont Papa, Myanmar
Mais uma noite em Bagan. Acordamos cedo e dessa vez, quando abrimos a porta do quarto o céu já estava coberto de balões. Ao lado do nosso café da manhã, as 7horas, estava acontecendo uma cerimonia de casamento. Os convidados passam pela gente e nos olham sorridentes. O povo é sorridente sempre diz “Hulamagai” que quer dizer olá. As 9 horas pegamos um shared taxi para o Mont Papa. Um santuário budista no alto do morro. Uma hora de viagem, novamente em estrada estreita, com diversas motos, chegamos no pé do morro. No meio do caminho, a estrada está sendo estendida. Pessoas parecia construir a estrada artesanalmente. Não havia maquinário e até mesmo o asfalto estava sendo aquecido em panelas. Para chegar ao topo, uns 800 degraus. E subimos. Nossa menina foi firme e forte. O grande problema é muitos macacos te acompanham no percurso, você precisa subir descalço e desviando de cacas de macacos. A vista vale muito a pena. Mas os macacos realmente atrapalham. Eles estão em todos os lugares, invadem comércios e restaurantes e presenciamos eles subindo na cabeça das pessoas. Interessante ver a paciência das pessoas com esses macacos extremamente irritantes e invasivos. Muitos andam com estilingues nas mãos para afugentá-los. A paisagem pitoresca dos templos e as vilas em volta do morro valem a visita. Mas eu esperava um passeio mais calmo e espiritual e esse não foi realmente o caso.


Bagan, Myanmar
Quarta feira. Dia de acordar bem cedo. Meu relógio misteriosamente despertou as 5:30, sendo que eu havia planejado as 5:30. Só depois fui entender que ele estava ainda no fuso da Tailândia, misteriosamente com meia hora de diferença. Enfim, acordamos cedo e saímos sem tomar café para ver o nascer do sol. Sair com criança não é um negócio rápido. Esse dia não foi diferente e saímos o mais rápido pilotando nossa moto. Minha filha foi comigo. Estava bem escuro, tudo muito sombrio transitando naqueles templos. Não dá para descrever. Lembro que dias antes eu havia dito a July que eu indo para Myanmar eu esperava estar indo para a Lua; ou seja, um lugar completamente diferente, um outro planeta. E era assim que estava me sentido. Em outro planeta. Paramos nossas motos novamente na beira do morro e logo fomos abordados por um home dizendo ser do governo e pedindo por um ticket. Não sabíamos nada de um tal de ticket. Ele queria então que pagássemos. Como não tinha ouvido falar nada disso, de ticket, resolvi sair dali e ir para ver o nascer do sol em algum templo. A July estava preocupada se daria tempo, pois o sol estava para nascer. Mesmo assim, insisti e seguimos pela estrada. Estaca escuro e um pouco mais acelerado. Numa curva a July derrapou na areia e caiu. Machucou a mão e o pé. Nada grave, mas precisou de uns band aid na mão. Mesmo assim tentamos subir num templo, mas fomos impedidos. E não tivemos escolha em pagar o tal ticket. Deixamos isso para trás e curtimos o nascer do sol e a quantidade imensa de balões cheias de turistas cobrindo o céu de Bagan. A nossa menininha ficou deslumbrada, sim. Adorou também a correria. Mas não deixou de pedir “podemos agora tomar café?”. Voltamos então para o hotel e tomamos café. O pessoal do hotel é um caso à parte. Nos faz se sentir em casa. Mas não é um sentir em casa estilo serviço “americano” ou artificial. Eles parecem família. Brincavam com nossa filha como se eles fossem primos. Mas a melhor invenção aqui de Myanmar são esses motos para circular pelos templos. Ficamos o dia todo circulando por onde queríamos, explorando todos os cantos, todos os principais templos, vilas, ruelas e lugares normalmente inacessíveis. Entrar numa pagoda, ou templo, tinha sempre o ritual de tirar os sapatos, mas era uma oportunidade de ver os locais interagindo com o budismo, as lojas de souvenir que, segundo a July, a maioria das coisas ela nunca tinha visto em nenhum lugar. E também era um momento para sermos celebridades, pessoas estrangeiras diferentes para eles. Principalmente para nossa menina. Muitos paravam ela para tirar uma foto. Até os monges, quem diria, com seus celulares, também pediam uma “fotinha” com ela.
Rumo à Miammar

Terça feira. Dia da partida de Bangkok. Pegamos um Uber até o aeroporto, logo cedo. O percurso, por si só, foi um tour pela cidade em seu transito caótico, colorido e de arquitetura moderna com a antiga. Pegamos um avião para Mandalay, Mianmar. Chegamos por volta das 13 horas. O motorista já nos aguardava. Não havia muita opção do que comer por ali, pegamos algumas cosas industrializadas e partimos para uma viagem de 3 horas até Bagan, antiga capital do Império da Birmânia. Foi uma viagem tensa. O carro era bom mas estava com o volante do lado direito, enquanto a rua era estreita e cheia de motos e com mão de direção igual a do Brasil. O motorista fazia diversas ultrapassagens arriscadas. Era uma ultrapassagem mais emocionante que a outra. O curioso era o pagamento do pedágio. Ele segurava uma nota do dinheiro local, abria a janela, e entregava-a para o cobrador de pedágio, sem mesmo parar o carro. Isso é que é “Sem Parar”.
Chegamos em Bagan no finzinho da tarde. Novamente apenas jogamos a malas no quarto, alugamos duas motos e saímos para ver o por do sol. A recepcionista do hotel, muito simpática, havia apontado um local ideal no mapa. O local era no meio de um conjunto de templos budistas construídos entre o século 8 e 11. Na época, Bagan era uma cidade efervescente, capital do império, com mais de 10mil templos budistas. Restam agora nessa região uns 2mil. A melhor maneira de circular entre eles é de moto ou bicicleta. Tivemos que acelerar para chegar a tempo. Era um morro bem alto, em frente aos templos. Chegamos em cima da hora mas deu para curtir o por do sol. A paisagem é pitoresca, apesar de os templos estarem meio destruídos pelo tempo e pelas dezenas de terremotos. Não nos contentamos apenas com o por do sol. Estava começando a esfriar. Não estávamos preparados para isso. Seguimos o passeio pelo parque dos templo, cortando imensas pagodas. Encontramos muitos monges pelo caminho.