Arredores de Baku, Azerbaijão

Véspera de ano novo. Dia de explorar os arredores de Baku. Longo percurso de ônibus após ônibus, chegamos ao Templo do Fogo. Azerbaijão tem uma relação com fogo de longa data. É um símbolo do país e está em quase tudo. O templo do Fogo é Atashgah Zoroastrian; É longe, rende pouca história mas rendeu um passeio para ver a paisagem entre os percursos. E também a diferença entre a Baku “Fórmula 1” e Baku periferia.

Já que estávamos fora da região central, aproveitamos para conhecer outro lugar também conhecido por aqui: o fogo que não apaga, local chamado de Yanar Dag. Depois de cruzar n vilarejos e paisagem desértica dessa região, fomos informados na entrada que o local estava fechado. Nem precisamos entrar. Demos uma volta por trás do local e pudemos ver o tal fogo queimando na montanha. Esse fogo está lá acesso há muitos anos. Azerbaijão é um país que vive de gás…e esse gás está ali queimando há anos.

Pegamos o ônibus de volta para a capital. Era hora de se preparar para o ano novo, e isso iríamos acompanhar de nossa janela. 

Baku, Azerbaijão

Ficamos hospedados em frente ao Mar Cáspio. Depois fomos descobrir que o circuito de Fórmula 1 passa em frente ao Hotel.  Baku tem avenidas bem largas, e prioriza para que os carros não tenham que parar em semáforos. Pedestre sofre um pouco para encontrar onde atravessar, algumas vezes túneis exercem esse papel. Mas não tem em todos os lugares. Por outro lado, pedestres tem espaços grande para andar como a própria orla, que é uma praça imensa, muito inspirador e convidativa, e os parques espalhados pela cidade. Em quase todos os lugares da parte central, da para ver as Flame Tower. Durante a noite os prédios iluminam, jogos de luzes que te deixam boquiabertos. 

Nosso primeiro passeio foi pela cidade antiga. Ela é cercada por uma imensa muralha. Se perder por ali é a parte mais interessante da caminhada. Fora isso, uma passagem obrigatória pela Maiden Tower e Palace of The Shirvanshahs. Seguimos pela orla, pelo Museu do Tapete, Baku Eye(a London Eye de Baku), o de fizemos um passeio obrigatório com nossa filha, e seguimos à pé até Flame Tower, onde pudemos descansar em um de seus lobbies cheio de arte e design.

Apesar de ser ante véspera de ano novo, o clima ainda era de Natal (O Natal é comemorado na noite de ano novo), voltamos numa caminha muito agradável pela Nizami Street, passando pelo mercado de Natal e prédios iluminados que pediam uma foto a cada quarteirão.

Shaki, Azerbaijão

Chegamos bem cedo na tal rodoviária de Tbilisi na intenção de encontrar um ônibus para Baku. A ideia original era ir de trem, mas a viagem é noturna, não se vê nada pelo caminho. Descobrimos que um ônibus regular para Baku sai apenas à noite e que teríamos que pegar uma mini van se quiséssemos ir mais cedo. Teríamos que ir até Qax, já atravessando a fronteira, e de lá um ônibus até Sheki, ambos no Azerbaijão.

Conseguimos três lugares em uma mini van, mas o motorista olhou torto quando viu nossas três malas imensas. Deu-se um jeito depois, mas eu e minha pequena fomos sentados num banco de madeira, por quase 5 horas, numa van bem lotada. Atravessamos a fronteira carregando nossas malas e enfrentamos a sabatina do Militar do Azerbaijão checando as cidades que havíamos visitado na Armênia. Chegamos em Sheki para ficar num tal recomendado Karvansaray. Era escuro, quarto realmente bem ao estilo medieval, limpeza duvidosa. Mas valeu pela experiência. Muito silencioso e serviu para fotos bem especiais. Era sábado à noite, saímos ainda para uma caminhada pela cidade em busca de um tal mercado de Natal. Encontramos, mas era muito pequeno e já esvaziado. ]

Pela manhã saímos para uma caminhada pelo Palácio Shaki Khans e palácio de Inverno. A vilazinha era simpática, de quando em quando esbarrávamos com os locais a pé pelas vielas; mas os locais que trabalhavam nas atrações “turísticas” locais eram bem insistentes e inconvenientes. Mas tudo era compensado pela fotogenia de uma vila de parada na época da Rota da Seda, proveniente da China até a Europa.

No final da tarde partimos para a rodoviária local e pegamos mais uma desconfortante mini van até Baku. Enquanto esperávamos na rodoviária, foi uma grande experiência ficar vendo a preparação de doces locais.

Gori, Georgia

Depois de enfrentar o incompreensível trânsito caótico de Tbilisi, chegamos no ponto de shared táxi bem cedo. Conseguimos nossos lugares no carro uma viagem até Gori. Andar de carro por aqui é sempre uma aventura. Eles insistem em trocar de faixa sem dar seta e     falar no celular quando bem entendem.

 O táxi nos deixou em frente ao Museu do Stálin. Eu estava bem surpreso de que tal museu realmente existisse. Pensei em algo pequeno. Stálin nasceu ali ao lado, a casa ainda está lá. O museu conta toda história do líder soviético, com bastante material e fotos, e com a boa ajuda de uma guia traduzindo para o inglês. A minha surpresa era a cultivação dele. Loja de suvenir e tudo mais. Isso porque Stálin foi ganhado da segunda guerra mundial e isso é bastante celebrado nessa região. Principalmente na Rússia. E pensar que mesmo na era moderna, a Rússia invadiu a Geórgia e chegou a conquistar Gori.

Provavelmente algo inspirou Stálin. Um grande citadel próximo da sua casa. Um passeio fantástico. Não havia praticamente ninguém. Em qualquer lugar do mundo haveria uma bilheteira e muita complicação para entrar por ali. A gente apenas foi subindo e chegou nas ruínas do citadel e tivemos uma vista fantástica do topo. 

Tbilisi, Georgia

Chegamos em Tbilisi no começo da noite. O carro atravessou toda cidade e já dava para ver que estamos prestes a conhecer um lugar fascinante que não tínhamos nenhuma referência.

Uma missa de Natal ia acontecer as 20hs. Foi o tempo de correios até lá. Teremos sorte. A missa era em inglês. Estava b abarrotada de expatriados e imigrantes, e tivemos a honra de encontrar e bater um bom papo com o embaixador do Brasil na Geórgia. 

Nosso jantar de Natal, em família, foi num restaurante de comida tradicional da Geórgia. 

Dia seguinte, dia de Natal, começamos o dia com um tour a partir da estação de metrô Rustaveli. Passamos pelo teatro de Ópera e Ballet, museu da Geórgia, Museu de arte e desemboca na praça da Liberdade. 

Uma parada para um sorvete delicioso.

E seguimos pela Old Town. Atravessamos a ponte da Paz e pegamos o teleférico até o alto do morro. Uma vista que já vale toda a viagem. Curtimos o tempo por ali, ouvindo música local e as ruínas de uma construção medieval. Nossa pequena estava pronta para uma descida de rapel, mas a mãe não deixou…

Descemos a pé, e saímos entre os Baths. Por trás, uma surpresa incrível. Uma cachoeira, no meio da cidade. Pode nadar. Estamos no inverno, mas no verão, por que não?

De Yerevan a Tbilisi, Georgia

Véspera de Natal. Vida normal para as pessoas daqui. Durante o período socialista, os soviéticos aboliram as festividades religiosas. Dias normais então, os dias 24 e 25, e troca de presentes, acontecem no dia 31. Para os cristãos, a celebração do nascimento de Jesus acontece no dia 6 de janeiro, devido ao calendário antigo. 

Saímos as 10hs da manhã rumo Tbilisi. Queríamos chegar a tempo de encontrar uma igreja católica e assistir uma missa de Natal. 

No percurso, nosso motorista tentou nos agradar de todo jeito. Isso era meio perigoso. Ele insistia em conectar me celular no sistema do carro dele, de maneira que eu pudesse tocar minhas músicas. Ele fazia tudo com o carro em movimento. Cinto de segurança? Pra que?  Falar no celular era constante. Ele queira mostrar imagem dos filhos, e conversava, e lamentavelmente isso causava algumas situações de risco seria.

Por outro lado, foi generoso com a paisagem e com os desvios de percurso para vermos alguns mosteiros.

Primeira parada, lago Sevan. Incrível. Uma subida rápida até o mosteiro, uma vista fanática para o lago e ainda fomos presenteados com um sol de inverno brilhando no meio do lago. Nossa pequena se divertiu muito com os pássaros.

Chegamos em Tbilisi no começo da noite. O carro atravessou toda s cidade e já dava para ver que estamos prestes a conhecer um lugar fascinante que não tínhamos nenhuma referência.

Yerevan, segundo dia

Pegamos novamente o transporte publico perto do hotel. Dessa vez pude lembrar algo que fazia quando criança. Andar sentado no motor de ônibus. Até adulto pode sentar-se. Impagável! E teve alguns momentos que trabalhei como cobrador, ajudando o motorista. Que honra. Paramos novamente no Parque do Amor e caminhamos até o bairro mais antigo de cidade, o Konde. Depois de errarmos n vezes a entrada, valeu a pena se perder pelas ruas do morro e tirar algumas fotos inusitadas. É um bairro bem central, mas muito pobre. Não chega a ser favela, mas as casas são de pedras e parecem quem foram destruídas numa guerra. Mesmo assim, parece ser um lugar desejado, por ser “cool” de alguma maneira.

Dali seguimos para a fábrica de Wiski Ararat. É uma bebida tradicional da Armênia, quase um ícone. A empresa tem um generoso museu, muito agradável, e que se aprende como a bebida é feita.

Nossa caminhada segue então até o morro onde está memorial dos que 1.5 milhões de pessoas que morreram no genocídio (ou matança em massa) pelos turcos em 1915.  

Etchmiadzin e Saghmosavan, Armênia

Nosso domingo começa na Central Bus. Era um ônibus pequeno, amarelo, que andava em baixa velocidade. O percurso já ajudava a ter uma noção de que Yerevan era uma área muito desenvolvida comparada com o interior do país. No caminho, casas inacabadas, até um pouco de sujeira.

Nossa primeira parada foi a Primeira Catedral do Mundo, a “Mother See of Holy Etchmiadzin”. Estava muito frio. Andamos por todo o complexo procurando a tal igreja, assistimos até uma missa na Saint Gayane Church. Só depois fomos entender que a igreja “Mãe”estava cercada por tapumes. Dava para ver metade para cima. O Local é a sede da igreja da Armênia, uma espécie de “Vaticano” da Igreja da Armênia. 

Dali pegamos um táxi para Saghmosavan. O percurso foi surpreende. Nada de agricultura ou pecuária. Mas Imensas áreas de pedras espalhadas. Dava a impressão que era um resultado de anos de anos de terremotos espalhando todas elas. Além disso, já podíamos ver alguns canyons pelo caminho. O taxista, que não falava uma palavra em inglês, fumava e falava no celular ao mesmo tempo, orgulhoso de sua terra, parou algumas vezes, sem eu pedir, para tirar algumas fotos. Certamente esse percurso do “Vaticano” até Saghmosavan não era muito comum, mas rendeu paisagens bem intrigantes.

Aproximando da vila de Sanisaban, estava claro que o taxista não conhecia muito bem por ali. Ele se perdeu um pouco e meu Google maps ajudou bastante. 

O carro nos deixou num pequeno estacionamento, depois de sair da estrada e atravessar um vilarejo de casas muitos simples. Havia uns dois ou três carros por ali. Dispensei o táxi e ficamos ali no meio do nada. Descendo mais um pouco, um mosteiro, bem ao pé de um penhasco. Na verdade a formação de um canyon. Dava para ver o outro lado, um rebanho de ovelhas sendo guiadas por um pastor. Do nosso lado a terra parecia arrasada e envelhecida. Do outro, dava para ver até um gramado mais verdinho. Estava frio, o vento dava uma trégua de tempos em tempos e estava difícil parar de encontrar ângulos fascinantes para uma foto. Não bastasse toda essa paisagem, uma turma estava chegando de carro, um pequeno comboio. Era um casamento. Os convidados se aproximando da igreja. Sem dúvida um lugar inesquecível para o casamento. Assistimos a cerimônia de fora, a igreja era muito pequena. Brincamos com alguns cachorros do lado de fora. Comprei um doce, Armenian Sharots, de alguma barraca lá fora, e praticamente dei ele em pedacinhos para cachorros famintos dali da área. Foi bem divertido. Experimentamos e gostamos muito. Voltamos para o estacionamento para encontrar um jeito de voltar para Yerevan. Estávamos longe da capital. Um local me disse que o único jeito era chamar um taxi. Um motorista que estava numa imensa SUV, ouviu a conversa e me chamou e disse: “Já sei, você providenciou transporte até aqui, mas não sabe como vai fazer voltar para Yerevan… Olha tenho três lugares, no porta-malas, para vocês lá na parte de trás. Vocês podem vir de carona. Mas é bem apertado. Ah, temos que esperar os convidados saírem da cerimônia”. 

E assim que votamos para Yerevan. De carona, ouvido música local. E ainda houve tempo para curtir o clima de Natal na cidade e comermos num restaurante de comida moderna da Armênia.

Yerevan, Armênia

Memorial do Primeiro Genocídio do Século XX

Encontramos o João Carlos em um café em São Paulo, no bairro Alto de Pinheiros. Ele é um grande exemplo de descendente de armênio que vive no Brasil mas mantém, com muito orgulho, um laço com a cultura e com o desenvolvimento do país. Ele faz parte de uma organização internacionalmente conectada, que coleta dinheiro de doadores, e que envia ajuda ao Armênia, tanto em momentos emergenciais quanto obras pontuais, como a construção de um hospital. Me senti inspirado com sua conversa e bastante entusiasmado com a viagem. Nosso vôo de Doha para Yerevan chegou as duas horas da manhã. Houve um atraso de uma hora. Havia chegado finalmente o momento para desvendar esse país misterioso, que por muitos anos, por falta de puro conhecimento, se limitava a “Dona Armênia”, personagem da novela; e a estação “Armênia” do metrô. Pouco sabíamos sobre a geografia, sobre o que nos esperaria por lá.

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Doha, Catar

Eram 15 horas de voo. Assistir filme é sempre a maneira mais prática de passar o tempo. Assisti uns dois mas gastei mais tempo com as séries. Geralmente aproveito para conhecer novas séries. Mas também aproveitei o tempo de outras maneira. O passageiro da frente era um flamenguista indo para Dora assistir a final do mundial de clubes. Eu estava curioso para entender quem era ele. Ele escrevia inversamente num MacBook. Mesmo atrás eu consegui ver algumas coisas escritas. Partes eram como “escrever ajuda a gente a pensar.” Mas quem escreveria isso? Pensei. Que frase mais amadora. Mas lendo ainda mais embaixo tive a impressão que era um frase dita por um personagem. Então será que ele é escritor? Deixei para encontrar um momento oportuno para perguntar.

Enquanto isso assisti o “Planeta dos Macacos”. Ficção científica. Mal feito! Mas história é boa e faz pensar. No planeta dos macacos, os homens são escravisados. Faz refletir sobre a relação de força versus inteligência. 

Passeando por Doha, no Qatar, nos deparamos com dois Museus: Um acabou sendo uma coincidência interessante. Era sobre a escravidão. Qatar teve um período sombrio desse abominável sistema de exploração do ser humano. Doha, por muitos anos, teve a exploração de pérolas como negócio principal e quem realiza a busca no mar eram o escravos, vindo de diversas áreas da África e Oriente Médio. Isso até a grande depressão de 1929, quando tudo ruiu. O Museu xx, que deparamos no centro reformado de Doha, conta uma boa história desse período, na tentativa de gerar conhecimento e evitar que escravidão aconteça. 

Não dá para andar pelo Qatar e não lembrar de Dubai. Tanto Qatar quanto Emirados Árabes Unidos estão tentando se firmar como destinos turísticos que nos sejam apenas paradas de troca de avisões. Também estão tentando perpetuar a renda, uma vez que dependência do petróleo pode ser um problema quando isso acabar. Também não dá para deixar de esquecer que  ambas estão no meo do deserto e que toda essa construção, tudo muito luxuoso e feito para durar, parece um pouco contra a sustentabilidade. Assim também como tudo parece ser um clube para pessoas com dinheiro. 

Mas essa bizarrice arquitetônica tem o seu valor. Da para entender como será quando Marte for povoada.