Expedição \”O capital\”
Caros,
Amanhã estarei indo para Londres em mais uma expedição. “Expedição” não pela aventura para chegar, mas para me manter vivo com pouquissimo dinheiro em um mês.
Contratei uma nutricionista aqui no Brasil para me orientar com um cardápio a base de biscoito água e sal. Por enquanto me alimento de um ideal: estudar na mesma biblioteca que Karl Marx escreveu “O capital”. I am going to study
English there too!!! I hope! Além disso, passarei por uma prova de fogo:
conhecer a matriz da Unilever e não falhar no Inglês. Tenho que aproveitar a
oportunidade.
Só para ter uma noção do custo de vida por la, preço do ônibus: 10 libras.
Cada libra vale 6 reais…
por ai vai…Abraços,
Eduardo
Porto Velho, Manaus, Boa Vista e Guianas
A viagem começou em São Paulo. Como meu irmão, fui de carona até Campo Grande. De Campo Grande fui de ônibus até Porto Velho, em Rondonia. Em Porto Velho comprei passagem num barco que cruzou todo o rio Madeira até ele encontrar o Rio Amazonas. Foram 3 dias de viagem, dormindo em rede, visitando aldeias indigenas no meio do caminho e fotografando jacaré. Inesquecivel. De Manaus, fui para Boa Vista, também por ônibus. De Boa Vista fui até a fronteira com a Venezuela. Voltei para a Boa Vista e ali foi o ponto de partida para a dificil empreitada para a travessia da fronteira entre o Brasil e a Guiana Inglesa, a primeira parada. Da fronteira da Guiana até Georgetown, a capital, o percurso foi feito por caminhão., mais ou menos 8 horas de viagem no meio da selva, sem asfalto.








Chile, Argentina e Uruguai

Essa viagem não teve relato em seu devido tempo. Ainda não estávamos na “Era da Internet” e “Câmera Digital”. Mas foi uma viagem cheia de histórias. A primeira fase dela, começou no terminal rodoviário do Tietê, em São Paulo, e levou 60 horas de viagem até Santiago no Chile. O onibus atravessou a Cordilheira dos Andes coberta de neve. Depois de Santigo, dei uma passadinha no deserto do Atacama, mais 14 horas de viagem, também de ônibus. Voltei para Santiago e peguei um vôo para Buenos Aires. De Buenos Aires, outro ônibus até Montevideu. Dali para Porto Alegre, de Porto Alegre para São Paulo, também de ônibus. 25 dias de viagem.













Monumento próximo ao palácio do governo em Montevidéu
Estádio Centenário do Uruguai. Aqui já sediou uma copa do mundo.
Praia de Montevidéu, na “esquina mais fria do mundo”, segundo defendem os uruguaios.
Palacio do Governo do Rio Grande Do SulBolivia, expulso do Trem da Morte


Essa viagem não teve relato no seu tempo. Ainda não estavamos na “Era da Internet”, tampouco na “Era da Câmera Digital”. Poucas fotos com qualidade, mas muitas aventuras.
Essa viagem começou em Campo Grande. Eu estava hospedado na casa dos meus tios e resolvi dar uma “esticadinha” de ônibus até Corumbá. A idéia origial era ir até Corumbá de ônibus e voltar de trem até Campo Grande. Naquela época ainda havia trem regular entre as duas cidades. Mas acabei fazer algo diferente. Atravessei para o lado da Bolivia, a cidade de Porto Suarez e entrei no Trem da Morte com destino a Santa Cruz de La Sierra. Só havia um detalhe: eu estava sem nenhum documento. Isso mesmo, sem nenhum documento! Isso porque eu havia deixado em São Paulo todos os documentos com minha mães para que ela pudesse fazer a matricula do primeiro ano da minha faculdade. Logo, dentro do trem, no momento de conferir o bilhete, o bilheteiro me pediu o passaporte e o visto(isso mesmo, naquela época a Bolivia exigia visto dos brasileiros) e eu não tinha nada para mostrar. Resultado: expulso do trem! Não havia problema se não fosse a expulsão no meio do nada, mais ou menos uns 30 minutos de viagem. Desci num lugar que não me lembro exatamente o nome, talvez Quinito, Chiquito ou sei lá. Eu estava no meio do nada. Tive que pagar um rapaz para me levar de canoa para encontrar a primeira cidade (na verdade era uma rua) através de pedaço de rio, no sentido de Porto Soares. A sorte é que no final do trecho de rio, havia um carro parado esperando um brasileiro que estava comprando terras em território boliviano. O motorista me ofereceu levar de volta por uma pechincha. Eu não tinha escolha e voltei para Corumbá. Um milagre.

