Expedição \”O capital\”

Caros, I am here.
 
Estou adorando isso aqui.  E’ uma cidade sensacional. Quando voce vai para o Rio de Janeiro voce se sente numa novela. Quando voce esta aqui voce se sente ou na Guerra ou em um filme europeu.
Alias tudo aqui lembra os filmes de guerra. Eu mesmo estou hospedado num quarto que fica abaixo da rua, como se estivesse me escondendo. E’ um quarto pequeno, com chuveiro dentro e o resto compartilhado com alguns filipinos. Os carros sao bem interessantes, sao todos muito caros e alguns muito pequenos; andar de onibus e uma das coisas mais legais: os onibus sao de 2 andares, o preco e’ por semana e voce
pode andar a vontade.
A comida e’ o maior problema, nao porque e’ exotica(porque eu gosto de coisas diferentes) mas porque sao caras. Tudo aqui [e caro. Usar mail por exemplo e caro, entao eu tive que acionar o departamento de coisas de graca. Agora, por exemplo, estou usando um computador de uma bilibioteca. Eu pedi para usasr de graca uns dez minutos. A grana precisa ser milimetricamente administrada e isso e bem dificil porque tudo aqui esta em volta da comida, dos bares, dos restaurantes.
Eu ja fui para um monte de museu, mas confesso que nao fiquei tao entusiasmado quanto andar pela cidade e ver as pessoas, o rio tamisa, o comportamento, etc. Aqui tem bastante estrangeiro de tudo quanto e lugar do mundo. Nao da para saber quem e ingles, quem esta indo trabalhar, quem esta de passagem…
No domingo, logo quando cheguei, fui ate a esquina do discurso: la qualquer pessoa pode fazer um discurso defendendo  o que ela quiser. As pessoas podem intervir, criticar, e tudo ao ar livre. Eu achei sensacional. Estou me preparando para na semana que vem apresnetar alguma coisa la’…preciso praticar, e muito, meu ingles.
Bem, tenho muitas coisas interessantes para contar desses dias.
Hoje eu fui na biblioteca em que Karl Marx escreveu o capital, mas nao pode entrar…E’ um negocio mais elaborado entrar l’a. Como tem livros raros e tem muita gente querendo ler, voce precisa mostrar porque voce quer entrar. Tinha gente chorando porque nao havia sido aceito. Tinha gente se ajoelhando no chao. Os ingleses ignoravam. Eu inventei que estava fazendo uma pesquisa sobre a economia brasileira e precisava encontrar exemplos de paises pareceidos com o Brasil que solucionaram seus problemas.  O atendente ficou sensibilizado e me perguntou pela lista de livros que eu ia consultar. Eu disse que nao tinha porque nao tive tempo de procurar. Ele me pediu para procurar e fiz uma lista de 20 livros. Ok, passei dessa fase, ele leu a lista e achou que tinha tudo a ver. Precisava apenas provar meu endereco de Sao Paulo mas nao tinha nada com meu endereco. Pois e, ele virou para o lado e disse: proximo!!
Talvez eu tente novamente,
 
Eduardo

Expedição \”O capital\”

Caros,

Amanhã estarei indo para Londres em mais uma expedição. “Expedição” não pela aventura para chegar, mas para me manter vivo com pouquissimo dinheiro em um mês.
Contratei uma nutricionista aqui no Brasil para me orientar com um cardápio a base de biscoito água e sal. Por enquanto me alimento de um ideal: estudar na mesma biblioteca que Karl Marx escreveu “O capital”. I am going to study
English there too!!! I hope! Além disso, passarei por uma prova de fogo:
conhecer a matriz da Unilever e não falhar no Inglês. Tenho que aproveitar a
oportunidade.

Só para ter uma noção do custo de vida por la, preço do ônibus: 10 libras.
Cada libra vale 6 reais…

por ai vai…Abraços,

Eduardo

Porto Velho, Manaus, Boa Vista e Guianas

A viagem começou em São Paulo. Como meu irmão, fui de carona até Campo Grande. De Campo Grande fui de ônibus até Porto Velho, em Rondonia. Em Porto Velho comprei passagem num barco que cruzou todo o rio Madeira até ele encontrar o Rio Amazonas. Foram 3 dias de viagem, dormindo em rede, visitando aldeias indigenas no meio do caminho e fotografando jacaré. Inesquecivel. De Manaus, fui para Boa Vista, também por ônibus. De Boa Vista fui até a fronteira com a Venezuela. Voltei para a Boa Vista e ali foi o ponto de partida para a dificil empreitada para a travessia da fronteira entre o Brasil e a Guiana Inglesa, a primeira parada. Da fronteira da Guiana até Georgetown, a capital, o percurso foi feito por caminhão., mais ou menos 8 horas de viagem no meio da selva, sem asfalto.

Encontro das águas - Amazonas e Rio Madeira
Viagem de 3 dias dentro de um barco entre Porto Velho e Manaus. Esse emaranhado de rede é muito comum nos barcos "ônibus" dessa região. Se por um lado realmente esse viagem foi perigosa, por outro proporcionou belissimas imagens da floresta amazônica.
Chegada em Manaus. Porto de Manaus.
Manaus_praia_RioAmazonas
Parada para averiguação, entre Manaus e Boa vista
Fiquei impressionado com a quantidade de migrantes provenientes do Maranhão. Um pai de familia comentou que na cidade dele, no Maranhão, havia um outdoor dizendo "Veja para Roraima". Depois fui descobrir que havia um deputado patrocinando essa transferência de gente, com o propósito de formar "curral eleitoral" em Roraima.
Assembleia Legislativa de Roraima
Chegada Guiana Inglesa. Atravessei o fronteira por barco. Do lado de lá, a Guiana Inglesa, um carro me esperava no meio de uma densa floresta.

Chile, Argentina e Uruguai

 

 

Entusiasmado com a neve na atravessia da Cordilheira dos Andes

  

Essa viagem não teve relato em seu devido tempo.  Ainda não estávamos na “Era da Internet” e “Câmera Digital”. Mas foi uma viagem cheia de histórias. A primeira fase dela, começou no terminal rodoviário do Tietê, em São Paulo, e levou 60 horas de viagem até Santiago no Chile. O onibus atravessou a Cordilheira dos Andes coberta de neve. Depois de Santigo, dei uma passadinha no deserto do Atacama, mais 14 horas de viagem, também de ônibus. Voltei para Santiago e peguei um vôo para Buenos Aires. De Buenos Aires, outro ônibus até Montevideu. Dali para Porto Alegre, de Porto Alegre para São Paulo, também de ônibus. 25 dias de viagem.  

Começo da travessia das Cordilheira dos Andes. Do lado de cá, Argentina, do outro lado, Chile.

  

No topo da Cordilheira.

  

Descida da Cordilheira

  

Serro_Santa_Luzia_Santiago_Chile

  

Pablo Neruda tinha duas casas. Essa ai é era a casa em Santiago do Chile. A casa de veraneio tive a oportunidade de visitar anos depois.

  

O meu primeiro encontro com o oceano Pacífico, em Viña Del Mar Chile, cidade portuária e a capital legislativa do Chile.

  

Valle de La Luna, no deserto do Atacama, norte do Chile. Realmente parece uma paisagem lunar...

  

Corrida "sem destino" pelo deserto. Valle de La Luna, no deserto do Atacama, norte do Chile.

  

Vale_La_Luna_Atacama_Chile
Geysers del Tatio, na cidade de San Pedro de Atacama. Em cima de um vulcão...5 horas da manhã.

 

  

Loja_Fechando_Buenos_Aires. Tempos de crise na Argentina.
"Índio" brasileiro cantando Raul Seixas para levantar uma grana em Buenos Aires. Muito engraçado.
Palacio do Governo do Uruguai em Montevidéu
Monumento próximo ao palácio do governo em Montevidéu

 

 Estádio Centenário do Uruguai. Aqui já sediou uma copa do mundo. 

Praia de Montevidéu, na “esquina mais fria do mundo”, segundo defendem os uruguaios.
Palacio do Governo do Rio Grande Do Sul

Bolivia, expulso do Trem da Morte

Estação_Trem_da_morte
Travessia Pantanal - Campo Grande para Corumbá

Essa viagem não teve relato no seu tempo. Ainda não estavamos na “Era da Internet”, tampouco na “Era da Câmera Digital”. Poucas fotos com qualidade, mas muitas aventuras.

Essa viagem começou em Campo Grande. Eu estava hospedado na casa dos meus tios e resolvi dar uma “esticadinha” de ônibus até Corumbá. A idéia origial era ir até Corumbá de ônibus e voltar de trem até Campo Grande. Naquela época ainda havia trem regular entre as duas cidades.  Mas acabei fazer algo diferente. Atravessei para o lado da Bolivia, a cidade de Porto Suarez e entrei no Trem da Morte com destino a Santa Cruz de La Sierra.  Só havia um detalhe: eu estava sem nenhum documento. Isso mesmo, sem nenhum documento! Isso porque eu havia deixado em São Paulo todos os documentos com minha mães para que ela pudesse fazer a matricula do primeiro ano da minha faculdade. Logo, dentro do trem, no momento de conferir o bilhete, o bilheteiro me pediu o passaporte e o visto(isso mesmo, naquela época a Bolivia exigia visto dos brasileiros) e eu não tinha nada para mostrar.  Resultado:  expulso do trem! Não havia problema se não fosse a expulsão no meio do nada, mais ou menos uns 30 minutos de viagem. Desci num lugar que não me lembro exatamente o nome, talvez Quinito, Chiquito ou sei lá. Eu estava no meio do nada. Tive que pagar um rapaz para me levar de canoa para encontrar a primeira cidade (na verdade era uma rua) através de pedaço de rio, no sentido de Porto Soares. A sorte é que no final do trecho de rio, havia um carro parado esperando um brasileiro que estava comprando terras em território boliviano. O motorista me ofereceu levar de volta por uma pechincha. Eu não tinha escolha e voltei para Corumbá. Um milagre.

Expulso do Trem da Morte - Bolivia. A mochila, na verdade uma pequena bolsa de academia, cabia apenas uma calça.
Fronteira_Brasil_Bolivia