Expedição ao Oriente Médio – Jordânia e Israel – Aman e Jerusalém

Salam,

Nosso segundo dia na Jordânia foi dedicado a Aman, sua capital e onde vive o rei. Os monumentos arquitetônicos mais relevantes estão relacionados aos praticamente intactos legados da invasão romana: o teatro romano e a citadel (forte ou fortaleza). O citadel, em cima de um morro (muito parecida com a de Aleppo, na Síria) preserva as colunas romanas e a igreja bizantina. Uma vista panorâmica para toda a cidade, suas casas cor de areia e quadradinhas preenchendo os morros, e uma caminhada pelas ruínas, são brindes de um passeio histórico de grande riqueza. O teatro romano, na parte baixa, praticamente intacta, se mistura com a paisagem atual como se tivesse sido construído há muito pouco tempo. Além desse passeio, os bazares de Aman são regados a peças de ouro, especiarias e antiguidades e as maravilhosas mesquitas que brilham como ouro.

Logo depois do almoço, pegamos as malas e partimos para a estação de ônibus, atravessando a cidade, buscando um ônibus para Israel. Novamente fomos vítimas das informações ruins: por conta do Shabat (prática judia de não trabalhar após o por do sol da sexta até o por do sol do sábado) a fronteira estava fechada e só abriria no dia seguinte pela manhã. Ganhamos uma tarde em Aman. Aproveitamos então para conhecer a parte moderna da cidade. Como as informações são desencontradas, resolvemos pegar qualquer ônibus que passasse por nossa frente e cumprir seu itinerário até o final e voltar. Passamos por lugares surpreendentes, jamais descritos em qualquer guia turístico. Descobrimos uma ponte nova na cidade, maravilhosa, similar a ponte construída sobre a Marginal Pinheiros em São Paulo. Atravessamos a pé, por baixo da ponte umas duas vezes só para garantir boas imagens de uma arquitetura que vai ficar para a história.

Dia seguinte, bem cedo começamos o processo de travessia de fronteira da Jordânia para Israel. Sabíamos que não seria rápido e muito fácil, principalmente para nós, que havíamos passado por países “inimigos” mortais de Israel. Novamente atravessamos a cidade de Aman, pegamos um micro-ônibus até a fronteira, passamos pela saída da Jordânia. Para atravessar a zona fronteiriça era necessário pegar um ônibus de viagem. Pela modernidade do ônibus parecia que a viagem duraria mais de um dia, mas era no máximo, 10 minutos (com preço de um dia!). O ônibus atravessa o rio Jordão sobre uma ponte novinha, a Rei Hussen, e logo está na porta de entrada de Israel, mais precisamente, Cisjordânia. Só para lembrar, Israel invadiu em 1949, logo após criação, a Cisjordânia, “teoricamente” um território onde deveriam viver os palestinos. Israel ocupa essa região até hoje, o que é motivo para uma série de ataques terroristas que vemos diariamente no noticiário (carros bombas, etc). Parte de Jerusalém e algumas cidades santas como Jericó e Belém fazem parte da Cisjordânia. Yasser Arafat (lembra?) era o líder dos palestinos. Isso aconteceu em meio a um guerra entre os países que se opuseram (e ainda se opõem) a criação de Israel, justamente os países que visitamos até aqui. Logo que chegamos ao território de Israel (ou Cisjordania) deu para perceber que o negócio realmente é perigoso. Vários soldados realizando revistas, portas e mais portas de detector de metais, vários soldados espalhados, portas de chumbo muito altas e largas. Quando a soldado (isso mesmo, uma mulher) leu que passamos por Irã (ela quase teve um surto), “Turquia? Síria? O quê, vocês foram ao Líbano?”. Depois disso, a novela começou. Ela não sabia o que fazer. Inicialmente ela até tinha ficado feliz que éramos brasileiros, mas com aquelas manchas nos passaportes, ela não sabia o que dizer. Outra funcionária aconselhou ela ligar para um superior. Logo nos pediu para preencher um formulário especial e aguardamos por uma hora. Um soldado nos chamou e começou uma sabatina: Por que você foi para o Irã? Por que você foi para Turquia? Você conheceu alguém nesses paises? Você tem algum outro passaporte? Perguntas e mais perguntas…Tivemos que descrever toda a viagem, detalhe por detalhe, provas e mais provas….Esperamos mais uma hora, sem saber o que ia acontecer…havia um senhor canadense que já havia passado pelo controle e pretendia dividir um táxi com a gente, mas foi embora com a expressão “ih acho que vocês estão meio encrencados…bye”. Vinte minutos depois da perda da chance de ratear o táxi aparece um homem com nossos passaportes na mão, concedendo a liberação. Enfim tínhamos o passaporte da alegria…Em 15 minutos já estávamos num ônibus passando ao lado de Jericó, cruzando o deserto da Judéia. Ali começava uma saga ao mundo antigo e religioso que mexe muito com a cabeça e o espírito. Difícil explicar, porque dali para frente todos os nomes são bíblicos e é como se toda a imaginação que você teve até ali sobre o seu aprendizado religioso fosse colocado em evidência com a realidade. Para citar um exemplo, eu mesmo imaginava o deserto da Judéia de um jeito e na verdade é outro.

Logo depois de passarmos por Jericó, chegamos ao tão esperado lugar. Difícil explicar, realmente foi emocionante e muito diferente do que imaginávamos: Jerusalém é única, não existe igual. O ônibus nos deixou fora da muralha de Jerusalém. Entramos na cidade antiga e nos hospedamos numa tradicional casa de hospedagem cristã, bem em frente ao Citadel (fortaleza) onde Poncio Pilatos lavou as mãos. Essa hospedaria é tão silenciosa que nos proporcionou verdadeiros momentos de sono profundo e aconchegante.

Nosso primeiro passeio pela cidade não podia ser diferente: a via sacra. Fizemos todo o percurso, parando e refletindo em cada uma das quatorze estações. A primeira e a última, sem dúvida, as mais emocionantes, guardando o devido respeito com as demais. Apesar de ser um lugar de muitos peregrinos, tivermos a sorte de ficar praticamente a sós na primeira estação e refletir por um bom tempo sem sermos interrompidos. Infelizmente, os mercadores e guias trafegam pela via, atrapalhando a concentração e o entendimento das demais estações. Ficamos impressionados com a igreja que abriga o local da crucificação, morte e local em que Jesus ficou após a sua morte e antes da ressurreição. Essa igreja é um momento de profunda reflexão, de difícil despedida. As mesmas pedras tocadas por Jesus podem ser tocadas por todos os pelegrinos, num silencio muito respeitoso, o que sinceramente me espantou. Imaginávamos encontrar pelegrinos exaltados; muito pelo contrário, muito silencio, piedade, respeito e nada de tumulto.

Depois que saímos da igreja seguimos nossa caminhada para continuarmos conhecendo as outras áreas de Jerusalém. A velha Jerusalém é um lugar de alta complexidade histórica e religiosa. Ela é dividida em 4 partes: o bairro dos Cristãos, justamente onde está a via sacra e a Citadel (Fortaleza); o bairro Armênio; o bairro Mulçumano, onde está a maravilhosa e a mais bonita mesquita que já vimos até aqui, conhecida como “cúpula de pedra”, e as ruas e mercados idênticos aos que já descrevi aqui sobre os paises árabes que passamos; e o bairro judeu, onde está o muro das lamentações. Para entrar no bairro judeu tem que passar por diversas revistas e detectores de metal. A maior parte dos ataques acontece nesse bairro. O muro das lamentações é alvo fácil, pois os judeus se reúnem para fazer pedidos especiais no único muro que restou de um antigo templo. Ficamos um bom tempo entre eles, junto ao muro, tentando entender o significado daquela reza, daqueles movimentos para frente e para trás várias vezes, do terno e chapéu preto, mas foi difícil. Existe uma área que em frente ao muro é coberta e reserva uma pequena biblioteca. Tentando entender 1% dessa cultura, abri um livro numa página aleatória e dizia o seguinte: “Se existe alguém com uma grande enfermidade ou que ela esteja em situação de muito perigo, o Rabino aconselha que essa pessoa troque totalmente de nome”. E logo abaixo, constava o mesmo conselho em hebreu, a língua oficial de Israel. Faça sua interpretação pessoal.

Nosso primeiro dia terminou no exigente e rigoroso silêncio da pousada que fecha suas portas impreterivelmente as 23 horas.

Salam

Expedição ao Oriente Médio – Jordania – Monte Nebo e Rio Jordão

Salam,

 Quando chegamos ao terminal de saída de táxi em Beirute no horário combinado, meia noite, descobrimos que o táxi que eu havia negociado de manhã, imaginando ser exclusivo, na verdade, teria mais duas pessoas. “O que? Essa viagem já vai ser um martírio de passagens por duas fronteiras (entra novamente na Síria, cruzar todo o país pelo leste, depois entrar na Jordãnia) e quatro checagens de entrada e saída, levando lá umas 5 horas e ainda vamos viajar apertado?!”. Tive um bate-boca com o gerente da frota(eu mesmo me estranhei). Ele disse que o preço negociado teria que ter mais gente no táxi. O bate-boca foi meio desnecessário porque só chegou mais um passageiro, um senhor que foi sentado na frente rezando a todo momento porque estava com problemas intestinais. Estávamos planejando dormir, mas era impossível com a velocidade que o motorista chegava com um Mercedes semi-novo e ultra-macio.

Na Jordânia vai começar nossa fase “Terra Santa” dessa viagem. Até este momento temos visto apenas mesquitas e práticas mulçumanas. A Jordânia ou, o nome oficial, “Reino da Jordânia”(isso mesmo, tem um rei) é um país que se tornou independente em 1946, a maior parte de seu território é deserto, é um dos poucos países árabes que reconhece Israel como país(faz fronteira com ele), e que reserva alguns dos tesouros sagrados dos Cristãos, inclusive do velho testamento. Como todos sabem, o oriente médio é uma região de conflitos complexos tais como religiosos (mulçumanos, católicos e judeus), econômicos(principalmente devido ao petróleo), cultural(Curdos, Turcos, Xiitas, Armênios, Persas, Palestinos, ou seja, tudo quanto é tipo de língua e cultura), territorial(tem mais deserto que terra fértil) e de interesse internacional(os Estados Unidos ocupou o Iraque, por exemplo). Para agravar, nenhum dos países árabes que visitamos até agora (Irã, Turquia, Síria, Líbano) reconhece a existência de Israel; para eles, o território de Israel se chama Palestina. Para chegar a Jerusalém, que está em Israel, tivemos que dar uma volta enorme, já que não podemos entrar em Israel pelo Líbano.

Chegamos ao “meia estrela” em Aman, capital da Jordânia, às 5 horas da manhã. Dormimos até umas 8 horas da manhã para recarregarmos as baterias e já saímos em busca de um ônibus que nos levasse ao Monte Nebo, lugar em que Moises, segundo o Velho Testamento, avistou a Terra Prometida. Neste mesmo local ele morreu pouco depois, antes entregando a continuação da sua missão a Josué. Um ônibus de rua quase desmontando e outro ônibus de viagem quase parando nos levou até a cidade Madaba, cerca de 10 kilometros do monte, uma cidade conhecida pelos mosaicos construídos em igrejas nos idos dos século XVI, já no período em que os mulçumanos impuseram sua religião nessa região.  Em 20 minutos estávamos a 50 metros do pico, um vale com uma vista generosa, para não dizer “espetacular”, que é possível avistar Jerusalém, o Mar Morto, o Rio Jordão, mesmo há 100 kilometros de distância. Uma vista parecida com a que temos quando descemos a serra de Santos pela Rodovia Anchieta. No pico tem uma igreja muito pequena mas muito simpática e colorida internamente, um memorial á Moises e um santuário que foi construído 4 d.C.. A famosa cruz com uma cobra de cobre enrolada pousa na ponta mais extrema.

 

O Papa João Paulo II esteve ali em 2000 e declarou o lugar oficial para peregrinação para todos os católicos. A natureza parece intacta, somente modificada pelos beduínos que tocam suas ovelhas pelos campos. Logo após subirmos o monte, descemos a pequena serra até uma região próxima ao Rio Jordão, cruzando com diversos acampamentos de beduínos (beduíno significa “jogadores do deserto”, que vivem  como nômades, criando ovelhas, camelos e fabricando artesanato). O percurso a pé até o rio dura uns 45 minutos onde visitamos o lugar onde Jesus foi batizado por São João Batista. O rio Jordão divide a Jordânia e Israel e Jesus foi batizado do lado da Jordânia. Como se trata de uma região fronteiriça bastante delicada, o passeio é todo monitorado por vários militares, justamente para que ninguém atravesse para o outro lado nadando. Seria muito fácil essa travessia, uns 10 metros separam um rio de cor de caldo de cana (verde). O local que Jesus foi batizado é delimitado e ao lado existem ruínas da igreja de São João Batista, onde ele realizava os batismos. Em outra parte mais reservada tem uma pia batismal que sugere que o peregrino faça uma reflexão sobre as promessas do batismo. É importante lembrar que estamos na Jordânia, onde a maioria é mulçumana. Nosso taxista, um nativo, chegou a dizer que talvez esse passeio não fosse interessante, que deveríamos ganhar tempo e ir tomar banho no mar morto. Essa declaração dele retrata a sensação de que nessa região os habitantes não fazem idéia da importância do que está no território deles. Um lugar santo para nós! Na volta do rio, uma passadinha para visitar o Mar Morto, o lugar onde a sua planície em volta é o lugar seco mais baixo da terra. A “Aman Beach”, assim que eles a chamam, estava cheia. As famílias se reúnem para se banhar e fazer churrasco. Não entramos na água (o frio estava de rachar), mas colocando a mão já foi possível perceber a alta salinidade da água. Infelizmente, encontramos muita sujeira andando pelas pedras, o pessoal da Jordânia é muito simples e faz farofa mesmo, estão matando o Mar Morto. A volta para a Aman foi bastante cansativa. O nosso taxista falava muito, nossa cabeça até doía. Nesse momento já não estávamos mais com paciência de ouvir perguntas sobre Ronaldinho, Kaká, Flamengo e São Paulo, queríamos apenas curtir a paisagem, mas as pessoas daqui ficam ansiosas em agradar, em oferecer um passeio, etc. O Jordaniano é um povo bastante simpático e muito interessado em ajudar, mas quase sempre ajudam de forma errada: não sabem onde pegar um ônibus para ir ao mar morto, algo que deveria ser corriqueiro; informam a rua para um lado, mas é para o outro; o taxista não encontrou o hotel, indicado por um guia de viagem, e como ele não encontrou, tivemos que nos hospedar em outro; nos metemos em enroscadas por conta de informações erradas.

Salam

Expedição ao Oriente Médio – Líbano – Beirute

Salam,

Saímos do nosso hotel em Damasco rumo à Beirute no final da tarde. Em Damasco, ficamos estranhamente hospedados num hotel “mais estrelas” e bem tradicional em Damasco.  Aoportunidade se deu da seguinte maneira: logo que havíamos chegado na cidade, fomos direto para o endereço de algumas casas que hospedam estrangeiros. A referência para chegar nessas casas era justamente o tradicional hotel “Al-Majed”, um hotel com arquitetura típica, bem no centro da cidade, na rua de trás do gabinete do presidente, mas um bairro residencial. Quando chegamos na frente do hotel, um homem com “jeito” de taxista nos perguntou o que estávamos procurando. Mostramos um papel com o nome escrito em árabe. Pegou o telefone e ligou para não sei quem. Quando terminou a ligação, disse que já estava tudo combinado e que esperássemos atrás do hotel que um homem chamado Jilhad ia nos encontrar lá.  Logo consenti, para na verdade me livrar dele. “Que história é essa de encontrar com alguém atrás do hotel…”, pensamos. Então mudamos a estratégia. Só para facilitar a busca, entramos no hotel Majed, perguntando o preço (caríssimo, nem vou falar o preço, por que “caro” é relativo para cada um). Como já sabíamos que não íamos nos hospedar lá, por ser um lugar seguro a July ficou na recepção enquanto eu saí pelas ruas procurando um outro lugar. Mais ou menos uma meia hora depois, voltei com o a certeza de ter encontrado um lugar de acordo com o que pretendíamos, um outro “meia estrela”, ocupado pelos tradicionais mochileiros internacionais (nessa região não existem os tradicionais albergues). Quando nos preparávamos para sair do saguão do hotel, eis que um senhor, muito parecido com o John Malkovich (para não dizer idêntico, cheguei a pensar que era ele) me perguntou se eu estava à procura dele. Eu disse que não. Ele disse que ele era o homem que haviam ligado para ele 1 hora atrás sobre o quarto que procurávamos. Como eu não sabia o que poderia ser aquilo, despistei dizendo que eu já tinha outro hotel. Ele perguntou qual e fingi não saber o nome. Achei muito estranho toda aquela negociação no saguão do hotel, afinal o Malkovichi era um intermediário de quartos na região. Mas não é que o nosso grande ator entra na recepção do hotel e fala não sei o que e volta me dizendo que seu estava interessado em pagar algo que era muito mais barato que a espelunca que ficaríamos. Aceitamos com pé atrás, estava estranha aquela história. O fato é que o John era o gerente do Majed e logo ordenou que nossas coisas fossem levadas para o bem decorado quarto pela quantia modesta que me propôs. Paguei adiantado para não ter dúvida. Mas ficamos com a pulga atrás da orelha e imaginando histórias: “será que pensam que somos espiões?”; “Será alguma armação?”; “Será que estão perdendo clientes para os quartos da região?” Não entendemos e o fato é que o John era um distinto cavalheiro e falava igual ao ator americano, fazendo nos sentir no filme “O céu que nos protege”, filme este que me inspira a viajar pelo mundo até hoje.

O ônibus-de-rua-de-viajem saiu às 14 horas do terminal norte de Damasco. O objetivo era atravessar a fronteira e chegar em Beirute, Líbano, 4 horas previstas, mas levou duas horas a mais. Mais uma vez os rituais de saída e entrada de paises. Na saída da Síria, uma surpresa: todos tem que pagar uma tal taxa de negócio. Antes de chegar à inspeção de saída, todos os demais passageiros pagaram a taxa e ficou a dúvida se estávamos incluídos ou não. Quando fomos informados que devíamos pagar, já não tínhamos mais moeda local e foi uma correria para conseguir trocar dólares e agüentar a cara feia dos demais passageiros quando nós fomos os últimos a chegar ao ônibus. Não bastasse isso, não tínhamos visto de entrada para o Líbano, novamente uma canseira, filas e mais filas e mais cara feia do pessoal do ônibus. “Desculpa aí, galera”. Todo o stress foi compensado pela parada de ônibus logo após a fronteira, já no Líbano, vendendo tudo quanto é delícias originais da comida árabe, a preços módicos. A paisagem até Beirute era o que esperávamos: uma vista composta por um vale, os famosos Montes do Líbano, formado por colinas cobertas de neve e uma vegetação escassa e seca. A paisagem é decorada por mansões e palacetes e a produção de vinhos. O Líbano é um país com um território pequeno, talvez um pouco menor que o Rio de Janeiro, como referência. Já foi invadido pela Síria e por Israel. Tal como os demais paises árabes (excluindo Jordânia e Egito), não reconhecem a existência de Israel. Apesar de fazer fronteira com Israel, internamente o Libanês diz que faz fronteira com a Palestina. Mesmo sendo um país pequeno, o povo libanês se orgulha de ter em seu território uma variedade grande de opções de lazer e cenários geográficos: montanhas onde praticam o ski, maravilhosas praias, maravilhosos campos para caminhadas e lugares históricos (antes de Cristo) para visitar. Contudo, o que mais surpreendeu foi a sensação de estarem em permanente guerra, um clima tenso: ficamos impressionados com quantidade de tanques de guerra espalhados por Beirute(muito comum andarem em comboio pela cidade, se misturando com as luxuosas Mercedez), pelos soldados armados com metralhadoras e demais equipamentos nas esquinas e, o mais interessante e antagônico, os bankers montados nas esquinas (isso mesmo, bankers, ou seja, esconderijos de sacos de areia onde o soldado fica atrás com a metralhadora na mão). Era paradoxal e constrangedor passearmos pelas modernas ruas da cidade, entre gente muito bonita e elegante, andar pelas lojas de marcas caríssimas e ter que passar na frente de um tanque de guerra (com soldado em cima em posição de ação) ou uma trincheira. Eu e a July éramos permanente suspeitos, sem saber. Não é comum encontrarmos turistas pela cidade (a não ser os árabes de outros paises), então olhavam pra gente com cara de certa suspeita. O agravante é que usávamos mochilas e de quando em quando pediam para revistar. Qual o motivo de todo esse armamento? Bem, os ataques terroristas já são conhecidos de todos (homens bombas, carros que explodem, etc). O Herzerbola, grupo terrorista palestino, é uma ameaça permanente para o governo e, além disso, Beirute é a capital financeira do mundo árabe e uma espécie de Europa na Arábia, o que exige uma segurança reforçada tal como existe para proteger os cofres da suíça. Os árabes endinheirados não sentem um tratamento “árabe” quando estão na Europa, então investem para ter o mesmo luxo mais perto deles. Logo, a cidade é extremamente luxuosa e charmosa, com ruas parecidas com a Champs Elise de Paris, uma orla para o mar mediterrâneo tão romântica quanto a de Barcelona e carros pelas ruas tão luxuosos quanto Zurich na Suíça, mas carrega essa sensação fantasmagórica de guerra(apesar de um  reforma geral nos prédios, ainda é possível ver alguns bombardeados durante a guerra civil). Infelizmente não dá para andar pela cidade e esquecer que a qualquer momento qualquer coisa pode explodir. O clima de filme de 007 fica permanentemente no ar, com espiões em cima do prédio e tudo. Eu confesso que mais nos chamou atenção foi isso do que na parte histórica da cidade.

Como nosso shared táxi só partiria para Aman, capital da Jordânia à meia noite, tivemos dois fins de noites para curtir em Beirute. A primeira noite em restaurante típico e a segunda regada a Starbuks, porque já estávamos com saudade do ocidente.

Salam

Expedição ao Oriente Médio-Damasco e Malula, Siria

Salam,

 A Síria é um país classificado pelos EUA como “Estado patrocinador do Terrorismo”. A alegação é que a Síria  patrocina e acolhe o Hizbollah, o Hamas e a Jihad Islâmica(aposto que voce ja ouviu falar). Em tudo quanto é lugar (frente das casas, comércios, prédios e até mesmo no vidro traseiro dos carros) vemos os retratos da família Al-Assad , que controla o país há quase 40 anos. A Síria não esconde seu ódio a Israel, país que eles não reconhecem mas já perderam parte do território. Apesar dessa “ditadura”, vemos bem menos militares pelas ruas do que imaginávamos. Segundo consta, existem vários espiões espalhados pelas ruas…

Saímos de Alepo meia noite. A malha ferroviária da Síria cobre os quatro cantos do país, pelo menos a principais cidades. A maior parte do país é dominado por vegetação desértica e o seu tamanho equivale ao estado do Ceará. O trem é bem antigo, sujo, e a primeira classe, nosso bilhete, dava direito a uma poltrona larga, dura e que escorregávamos facilmente durante o primeiro minuto de sono. Não conseguimos ver as demais classes, se é que havia algo pior. Nossos companheiros de viagem eram pessoas de todo o tipo, a maioria muito simples, uma mini-representação da desigualdade do país. Felizmente esse tipo de viagem, 7 horas com bastante sacrifício, é compensado pela paisagem matinal: o nascer do sol numa moldura desértica de planícies e morros.

Nem bem chegamos em Damasco (foi o tempo apenas de encontrar um abrigo), partimos para conhecer Malula, uma cidade cerca de 60 kilometros dali. Malula é praticamente um povoado, um dos raros lugares no mundo que ainda fala o aramaico, língua falada na época de Jesus Cristo. É uma volta total ao passado, ainda intacto. Dada sua localização difícil, entre colinas enormes. É surpreendente ver as casas, uma sobre a outra, cobrindo um morro e as imensas colinas rodeando o povoado (as casas utilizam as colinas como parede ao fundo, ou seja, são coladas na colina) afinal a cidade tem um motivo religioso especial: ali aconteceu o milagre da Santa Tecla. Tecla era discípula de São Paulo, e a história relata que ela vivia na Turquia e fugiu para a Síria por causa de seu cristianismo, e quando estava em Malula, entre as colinas, já sem saída, Tecla rezou e Deus abriu uma fenda no meio do colosso de pedra para que ela passasse. A fenda é hoje um cannon de 30 metros de altura no fundo do convento. Atravessá-la dura cerca de uns 20 min, um verdadeiro banho de pureza espiritual, regado ao barulhinho das águas de um córrego quase secando. O corpo da Santa está sepultado numa gruta e também integrado ao convento. Fizemos uma longo caminhada em torno da cidade, conhecendo seus encantos. Fácil entender porque os primitivos resolveram escolher esse lugar para viver: é visível algumas casas feitas na pedra, como minis-cavernas. Voltamos para Damasco.

 

Uma de nossas paradas foi visitar o recém inaugurado instituto que visa preservar o aramaico. Conversamos um bom tempo com a diretora, que falou várias mensagens na língua antiga, a nosso pedido, já que não conseguíamos decifrar o que falam pelas ruas. A cidade toda tem como primeira língua o aramaico, mas a escola local ensina o árabe, língua oficial da Síria.

Damasco é a capital, com uma vasta riqueza arquitetônica, merecendo um dia em cada bairro. O mais impressionante bairro é a velha Damasco, representando em alguns quarteirões irregulares os ícones do oriente: bazares (como já havia comentado, bazar aqui é como um mercado municipal estilo São Paulo, mas de rua e becos), praças, fontes, becos, casas de café e uma imensa mesquita, a Umayyad: trata-se de uma mesquita construída em 700 d.C. no lugar de uma igreja bizantina e que já foi lugar onde já ficou sepultado por algum tempo o São João Batista e agora sepulta o Saladino, guerreiro curdo que tomou Jerusalém nos anos 1100. Ao redor da mesquita encontramos de tudo, desde colares de ouro até bares de narguilé.

Damasco já foi dominada por tudo quanto é povo: já passaram por aqui os babilônios, persas, gregos, romanos, otomanos e mais recentemente, os franceses.

Depois de um longo passeio pela cidade, se deliciando com os cheiros de narguilé, pelas belas paisagens e os quitutes sírios, nos preparamos para pegar um ônibus para Beirute, Líbano. A viagem vai levar umas 4 horas, mas o onibus tem aspecto de transporte urbano, de duas portas e as malas ficam amontadas nos ultimos bancos.

Salam

Expedição ao Oriente Médio-Turquia & Alepo, Siria

Salam Aleikom,

Logo após atravessarmos a fronteira para a Turquia, depois de percorremos uns 30 quilômetros, estávamos em Doğubayazit, uma cidade ao leste da Turquia habitada por curdos. Não se sabe ao certo qual a origem do povo curdo, mas se sabe que surgiram antes de Cristo no atual país Curdistão, mas ainda é possível encontrar alguns deles vivendo no Irã, Iraque, Síria e Turquia. Ficamos a manhã toda em Doğubayazit esperando a saída do ônibus para o sul. Estava um frio próximo à zero, uma chuva que aumentava a sensação térmica para abaixo de zero mas com uma paisagem de tirar o fôlego. A cidade é pequena, pobre, mas com um cheiro de pão por todo o canto e uma amabilidade especial das pessoas. Entramos numa escola primária para conhecer e logo o diretor foi procurar o professor de inglês para nos recepcionar. As crianças festejaram nossa chegada, atrapalhamos a aula. Interessante foi observar o contraste das roupas simples das crianças e os ternos impecáveis do corpo docente. È um povo bastante simpático, hospitaleiro e bastante trabalhador.

A cidade é muito simples, mantendo o estilo Mesquita, rua de comercio, banco, escola e policia, mas com cartão postal ao fundo estonteante: o monte Ararat (5137m), um dos maiores do mundo, o maior da Turquia, margeia majestosamente o horizonte, branco e imponente. Quanto à vestimenta, a Turquia não obriga que as mulheres usem o scarf, pelo contrário, a Turquia já é considerada bastante liberal.

O Monte Arat foi só o começo de uma série de paisagens turcas que nos mantiveram acesos e aquecidos apesar da neve. Felizmente partimos às 12 horas, ainda dia, para uma viagem de 16 horas, cortando todo o leste e seguindo para o sudoeste. Durante o percurso era possível ver pela janela uma paisagem de montanhas dos dois lados, coberta por neves e alguma vegetação relutante e alguns trechos com vilarejos,  mesquitas e palácios. O ápice da viagem foi o percurso em 20 km/h(a neve não permitia maior velocidade) em volta do lago Van (pronuncia-se Yan). Esse percurso foi uma agradável surpresa, pois se somavam as colinas um maravilhoso e imenso lago.

Curioso é à noite o ônibus parar em frente uma mesquita para que todos rezassem. Nosso tour cortando metade da Turquia terminou em Guziantep O ônibus nos deixou num terminal as 4:30h da manhã, num frio que congelava os ossos e seguiu viagem para o Mediterrâneo. Não havia tempo para conhecer a cidade. Uma hora depois pegamos uma shared Van para a fronteira, outra cidade, Killes, 1 hora de viagem. A paisagem de morros verdes, árvores capengas e forte vento gelado. A despedida da Turquia foi triste. Queríamos ter tempo para conhecer Istambul, mas não estava mesmo no roteiro e ficará para uma próxima.

Cada fronteira é de um jeito. Passamos pelo controle de passaporte da Turquia e um soldado disse que deveríamos seguir em frente, percorrer um quilometro e meio sem sair de jeito nenhum da estrada e logo encontraríamos a entrada da Síria. Durante esse percurso, carregando nossas malas em águas barrentas, pudemos ver nos campos em volta da estrada as placas “Campo minado”. Foi um percurso demorado, frio e calafrio nas pernas. Não tivemos nenhum problema no controle do lado da Síria, mas a chuva castigava. O barro dava nojo. Logo que a chuva passou, andamos por uns metros e um soldado, bateu num vidro dentro da sua sala e nos chamou. “Que estranho”. Entramos em sua sala e dissemos que era do Brasil. O soldado, que parecia ser o responsável pela fronteira pediu para trazer chá, me ofereceu cigarros (neguei e ele disse, “mas você não é do Brasil?”, como se no Brasil todo mundo fumasse) e ficamos ali conversando por uns 20 minutos sobre futebol, “Riou di Janeirou” e Palmira, a cidade natal do soldado. Quando estávamos partindo, ordenou aos soldados que parassem algum carro que estivesse atravessando a fronteira para nos dar uma carona até a cidade mais próxima. Um rapaz que havia sido parado, nos levou até Aazaz sem entender nada. O percurso de shared van até Alepo, a cidade do nosso amigo da 25 de março, o Fadi, era de mais uma hora. Ali já começava uma paisagem de agricultura de “beira de estrada” com um deserto infinito, a base de cor de areia mas feito de pedregulhos.

A chuva não parava. Nosso primeiro encontro com Alepo estava se tornando crítico pela somatória de intempéries: muito frio e chuva. Ficamos receosos de não conhecer uma das primeiras cidades do mundo por completo. Depois de uma manhã brigando com chuva e ruas mau sinalizadas, conseguimos um espaço em frente ao hotel Baron, no centro da cidade. O hotel Baron, um centenário hotel, já hospedou Agatha Cristie e Laurece das Arábias e sua arquitetura, não muito restaurada, torna uma fotografia colorida em “preto e branco”, tal como há 40 ou 50 anos atrás. Ficou faltando apenas os camelos estacionados na porta.

Alepo é uma cidade de difícil classificação histórica. É atualmente a segunda maior cidade da Síria, na era medieval era uma cidade que mediava os negócios da região dos rios Tigres e Eufrates, produtos que vinham das Índias ou de Damasco e seguiam a caminho de Constantinopla (atualmente Istambul). Quando as rotas das Índias começaram a seguir pelo Mar Vermelho ou pelo sul da África, a cidade se enfraqueceu, mas guarda riquezas culturais e arquitetônicas que coloca no chinelo o Coliseo de Roma. Atualmente a cidade é centro comercial da Síria para produtos relacionados a cereais especiais tais como castanhas, pistaches, azeitonas, damascos, figos secos. É muito comum encontrar pelas ruas todo o tipo de cereais, os mesmos que encontramos no mercado municipal de São Paulo. Aqui eles comem isso como quem come pipoca.

70% da população da cidade é Mulçumana, principalmente árabe, mas também são curdos. É muito comum por aqui ver mulheres com os rostos totalmente cobertos, usando chador e scarf cobrindo até os olhos (como se sabe que não é um homem?). Por outro lado, também vemos mulheres bem “modernozas”, já usando jeans e suas belíssimas e fortes maquiagens e homen vestindo na cabeça o lenço tradicional lenço “keffiyeh”, quadriculado branco com vermelho, igual o Yasser Arafat. De vez em quando vemos também com a bata e jeitão de Sheik.

Os demais 30% da população se dividem entre Armênios, bósnios e turcos (os judeus foram expulsos após a construção de Israel, mas interessante é que suas casas continuam desabitadas e preservadas pelo governo). Alepo também abriga uma grande comunidade Cristã, sendo possível ver igrejas pela cidade. Apesar da língua oficial da Síria ser o Árabe, os cristãos de Alepo falam o Armênio. As religiões são espalhadas entre os bairros. O bairro Jdeiha, nosso passeio do primeiro dia pela noite, acolhe a comunidade cristã, regado por igrejas e casas antigas dividas por becos, pelas  maravilhosas e criativas lojas de jóias(a Síria é um pais onde se negocia as jóias de ouro e prata entre as mais baratas do mundo) e deliciosas e originais opções “Habbi´s” pelas ruas. O interessante é que aqui eles usam um espécie de forno de pizza para esquentar as esfihas, mini-pizzas, etc e manipulam tudo(literalmente tudo com as mãos, sem luvas).

O ponto turístico mais famoso da cidade é o “Citadel”, uma imensa fortaleza no alto de um morro( cercada por um fosso, tal qual nos desenhos animados), construída no século XVIII e que não fosse por um terremoto em 1822 poderia ainda estar totalmente intacta. No alto do Citadel é possível ver toda a cidade, com seus prédios baixos cor de areia e morros desérticos em volta, uma paisagem tão panorâmica quanto a que pode ser observada pela Torre Eifel em Paris. Os demais passeios ficaram ofuscados pela magnitude do Citadel. Apesar disso, passeamos, como usual na região árabe, pelo principal Mesquita da cidade, erguida em 700 d.c  e pelos medievais hotéis boutique do centro da cidade. No segundo dia meia noite, pegamos um trem para Damasco, capital da Síria. A hospitalidade de Sírio tem sido bastante agradável e a segurança e submissão aos mandamentos tão leais quantos o iranianos. Sentimos-nos bastante seguros e confiamos muito no povo daqui. Um fato interessante aconteceu quando pegamos um táxi para a estação de trem. Nem mesmo levantamos a cabeça para pedir um táxi, já havia na esquina um rapaz fora do carro com a porta aberta, como se estivesse esperando pela gente. Dissemos que queríamos ir à estação (mostramos um papel escrito em árabe), ele guardou as malas, paguei adiantado e quando fomos entrar no carro os pinos das portas estavam abaixados, logo a porta não abria. Ele ligou o carro e já ia saindo. Ficamos desesperados, tentei segurar a porta e a July já ia ensaiar um grito (Pensamos: “Filho da mãe, vai roubar nossas malas”). O rapaz parou dois metros depois, minhas mãos ridiculamente tentando segurar o carro. Respiramos aliviados: ele apenas estava melhorando o espaço entre a porta e a guia, para facilitarmos o nosso acesso ao carro, um cavalheiro. Nos sentimos envergonhado por duvidar dele e rimos até a estação, relembrando a história, reflexo da nossa mente acostumada com o Brasil.

Salam

Expedição ao Oriente Médio-Maku- Partindo do Irã pelo oeste

Salam,

Sete horas depois, sexta-feira, dia que eles consideram “domingo”, estávamos de volta ao meia estrela em Teerã para resgatarmos nossas malas e partirmos. Nosso amigo Mussavi só chegaria 13 horas e chegamos 7 horas da manhã. Como precisávamos dele para definirmos passagens para nosso próximo passo, tomamos a manhã para recarregarmos a bateria. Quando ele chegou foi logo realizando suas ligações para definir como iríamos para a Síria. De avião era impossível, somente se alugássemos um. A grande dificuldade é que daqui alguns dias será comemorado o ano novo persa (No- Rooz) e é tradição que todos passem a virado do ano novo juntos com familiares e o primeiro dia do ano não podem ficar dentro de casa, devem sair, na calçada ou pela cidade, pelas ruas. Logo todos estão retornando ao Irã e os ônibus que ligam Irã e Síria não estão conseguindo somar o número de passageiros suficientes e, nem mesmo o trem entre Teerã e Damasco (na Síria) tem a confirmação de que sairá na próxima segunda. Mesmo assim, Mussavi acreditava que ainda poderia ter um ônibus direto (ele só não tinha certeza se ele iria por Bagdá ou pela Turquia). Como queríamos sair ainda nesse dia, Mussavi dividiu as tarefas. Fomos para a rodoviária procurar o suposto ônibus enquanto ele checava ônibus para as fronteiras. Depois de atravessarmos a cidade, vasculhamos toda a rodoviária. Foi uma confusão: tinha gente entendo que queríamos ir para Moscou (devido a pronúncia Damasco) e gente pensando que éramos Russos. Um rapaz fez de tudo para nos ajudar: nomeou um senhor de muletas, parecia um sobrevivente de guerra, para percorrer toda a rodoviária em busca de informação. Ficamos sem graça. Ele foi a quase todos os guichês por um bom tempo. Quando enfim encontramos a empresa que organizava a tal viagem, descobrimos que talvez saísse um ônibus no dia seguinte. Talvez? Uh, complicado. Além disso, informou que o percurso deveria ser pela Turquia porque a fronteira com o Iraque estava fechada. Que pena! Só passa jornalista, iraquiano com familiares e ajuda humanitária. Alertou que deveríamos ter visto para a Turquia (o fato é que o único país que não conseguimos visto foi para a Turquia, por falta de tempo. Mas confirmamos na embaixada no Brasil de que aceitariam brasileiros sem visto). Frio na barriga. O rapaz ligou para Mussavi explicando a situação e me deu o telefone em seguida. –Eduardo, esquece, você vai ter que ir até a fronteira da Turquia e lá você vê. Tínnhamos pouquíssimo tempo. O ônibus para a fronteira sairia às 18 horas. Foi apenas o tempo para pegar as malas e dar um abraço no pessoal do meia estrela. O hotel está localizado numa região de concentração de lojas de peças de automóveis, muito parecida com a Barão de Limeira em São Paulo. Agora tínhamos pela frente 12 horas de viagem até Maku, na fronteira com a Turquia, viagem percorrida num Mercedez. Felizmente havíamos dormido muito bem pela manhã.

Mal saímos do ônibus em Maku, já entramos num shared táxi para a fronteira. Por um lado temos sorte por conta do No-Rooz: só havíamos nós atravessando a fronteira, o que encurtaria em 1 hora algo que comumente leva seis. Quando o policial iraniano carimbou “saída” em nosso passaporte, ficamos gelados. Ali ia começar a prova dos 9 se entraríamos ou não na Turquia. A July com terço na mão. Essa foi a travessia de fronteira mais fúnebre de todas, somando a um frio congelante. Parecia que estávamos saindo de um presídio. Nos dirigimos a uma cabine, onde havia dois portões paralelos enormes separados por meio metro. O policial abriu o primeiro portão, ordenou que entrássemos e fechou em seguida. Ficamos ali confinados entre os portões, sem pátria, por 1 minuto. Adorei. A July com seu terço.

Estávamos deixando para trás um país de excelente hospitalidade, com pessoas que aparentemente seguem a risca os mandamentos, tem bom coração e disposição para ajudar a todo o momento. O atendimento no comércio é impecável, desde a borracharia da esquina quanto à loja de tapetes mais caro. A prática do “Tarof”, uma espécie de oferta em busca de estreitar relacionamento (para citar um exemplo, algumas vezes os taxistas oferecem a corrida de graça, isso mesmo, de graça! Mas o politicamente correto é você insistir em pagar. Somente um rapaz de Shiraz não aceitou de jeito nenhum. Ele ficou tão orgulhoso de estar transportando brasileiros que chegou a ligar pelo celular para duas pessoas. Quando íamos saindo do táxi, ele fazia o gesto de bater os dedos na testa, e ir fazendo voltinhas até na altura do queixo, assim como se fizesse reverência)… O Tarof é uma prática muito antiga entre os persas. É um país de rituais diários provocados pelo islamismo (Exemplo: rezar três vezes ao dia ou bater a meia, segurando ela com as mãos, dentro do banheiro antes de sair) e de rituais de fortalecimento de relacionamento que é uma delicia apreciar. Tivemos o prazer em observar o dono do meia estrela, na seu modesto negocio, recebendo vendedores e algumas amigos em sua sala de espera. Existe todo um ritual que compreende  conversa,  tomar chá, de valorização da família, dos costumes e de senso de familiaridade. O dono do hotel se sentia orgulhoso porque tem um amigo Libanês que mora no Brasil e também quando nos apresentava para os amigos dele. Amigo para eles é amigo mesmo. Vamos sentir saudade da boa sensação de fraternidade nas ruas. Era muito comum observar meninos andando abraçados, jovens de mãos dadas e chegamos a ver dois policiais de dedos mindinhos entrelaçados. Existe o lado radical, de fato o adultério é castigado com apedrejamento e o homossexualismo com morte ou apedrejamento, além das mulheres terem que pedir permissão ao marido para dirigir. Mas não vimos pelas ruas sinais de repressão, vimos poucos policiais. Vamos sentir falta da constante musica islâmica, nos bares, nas ruas, no metrô (teve um fato curioso um dia no metrô. Era tarde da noite e sem mais nem menos um senhor fala uma frase e o vagão inteiro repete outra frase, unissonamente, parecendo uma torcida de futebol. Isso se passou umas quatro vezes seguidas, com outras frases. Isso nos pareceu uns pais com mesmo pensamento e objetivo, seja ele qual for, certo ou errado, do nosso ponto de vista).

O minuto se passou.

O segundo portão se abriu, um rapaz nos aguardava. A primeira coisa foi checagem de mala. De onde vocês são? Brasile? Uma singela festividade. Fomos enfim direcionados para o policial de entrada. Olhou o passaporte…Brasile? Falou espantado. Ih, dançamos, pensamos! Mas só apenas disse. Moça, não estou reconhecendo você pela foto, você está na Turquia, por que você não tira esse negocio da sua cabeça? Carimbou e respiramos aliviados. Saímos da fúnebre fronteira o frio já próximo ao zero grau. A neve cobrindo todas as colinas em volta, numa paisagem de cartão postal. Estávamos literalmente num vale. Depois de negociarmos “turcamente” nosso transporte até a cidade mais próxima, partimos para uma sessão permanente de foto e filmagem, Não imaginávamos encontrar um lugar de paisagens naturais tão bonitas e românticas. 

Salam

Expedição ao Oriente Médio-Esfahan-“Centro do Irã”

Salam,

Shiraz. Deixamos para trás a cidade das flores, dos poetas e dos músicos, um lugar encantador entre as montanhas Alla-o-Akbar (também uma espécie de Cordilheira dos Andes) e a secura do largo rio khoshk. Cidade que quase foi completamente destruída pela invasão mongol liderada pelo Ghengis khan (pronuncia-se “renrishãn”). Deixamos para trás algumas histórias. Uma delas, numa intervenção solitária nesse texto, será narrada pela July: Na Mesquita Atiq, uma edificação construída em 1352, a única que guarda um alcorão no meio do páteo, logo depois que entramos em pouco tempo fomos abordados por um rapaz que passava pelo local.  O rapaz ficou interessado em treinar seu inglês e começou a conversar com o Eduardo. Logo nos primeiros minutos de conversa foi possível identificar que se tratava de um rapaz com cara de poucos amigos, solitário, talvez por isso sobrasse mais tempo para falar um inglês afiado. De pronto percebi que se tratava daquelas abordagens ciladas em que a pessoa gruda no pé e não larga mais. Fui distanciando-me, escondendo-me atrás da máquina fotográfica. O Eduardo parecia inicialmente interessado em conversar com o rapaz, eu não entendia o porquê, pois eu logo achei que ele tinha cara de louco. Abordei a dupla mais de uma vez para tentar tirar o Eduardo da enrascada, mas ele permaneceu enrolado…e assim a conversa prolongou-se por muito tempo. Quando finalmente o Eduardo resolveu despedir-se do rapaz, eis que ele o olha fixamente e diz: “Não, eu vou continuar com você!” O Eduardo: “Não, não, eu agora vou andar bastante para conhecer outros lugares…” Ele: “Não tem problema, eu quero continuar com você…”. Eu continuei como observadora apenas constatando a minha intuição feminina: com esta cara de louco, sabia que ia dar rolo. E deu! A cena era esta: Eduardo tenso de tanto tentar se desfazer do rapaz. Quando o rapaz viu que não mais lograria êxito na sua conquista de amizade ou sei lá o que (a sua expressão era de amor à primeira vista…), eis que ele estende a mão para cumprimentá-lo e, de mãos dadas, o rapaz aproxima-se dele em direção ao seu rosto… eu pensei: Meu Deus, ele vai dar um beijo na boca do Du !!!!! A reação foi imediata o Eduardo esquivou-se e disse que no Brasil os homens não se cumprimentavam assim. Mas ele ignorou, repetiu a cena e finalmente realizou seu desejo:  beijou-o, carinhosamente em suas duas bochechas… dois beijinhos… rsrsrs…eu não aguentei a cena….Ufa, não foi na boca! Mas a cara do Eduardo foi impagável… sabe aquela cara que o gato faz quando se prepara para a defesa?! Corpo esquivado, olhos esbugalhados, mas não teve jeito: colocou o rabinho de gato arisco entre as pernas e foi contemplado por dois derradeiros beijos…

Ta bom…Histórias…voltando. Saímos de Shiraz às 11 horas da noite rumo a Esfahan. Foram 7 horas de viagem mal dormidas. A qualidade dos ônibus daqui do Irã são divididos pelo nome das fabricantes. Um ônibus leito é conhecido como “Volvo”; o “Scania” é um executivo o “Mercedez” é mais simples e duro. Só conseguimos passagem no Mercedes. Aproveitamos então para descansar antes de sairmos de Shiraz, pois a viagem seria longa e cansativa. Logo no começo, colocaram um filme iraniano. Aqui vale um comentário especial. O cinema iraniano vem se tornando popular no mundo, participando e ganhando prêmios internacionais. O cinema é uma paixão para o persa. Depois da revolução islâmica de 1976, aumentou mais ainda a produção interna, já que desestimularam e até proibiram exibições de filmes ocidentais. Passamos por diversos cinemas, tanto em Teerã, quanto em Shiraz e nenhum filme internacional estava sendo exibido. Quem quer assistir o filme americano, por exemplo, pode comprar no camelô ou mesmo baixar na internet. O que se comenta aqui é que os melhores cineastas estão se dedicando as produções que visam ganhar prêmios internacionais e que nem sempre retratam fielmente a realidade local, e que ,curiosamente, não cai no gosto do público interno. Comentei sobre um filme chamado “Táxi”, que assistimos em São Paulo, e que mostrava um dia de trabalho de uma mulher que é motorista de táxi. O filme durou cerca de 1:30 hs e a câmera ficou fixada na parte da frente do táxi(igual ao táxi do Gugu), de maneira que mostrava os passageiros e um pouco da cidade. Nem preciso falar do comentário que ouvi aqui: basta dizer que não vimos nenhuma mulher motorista de táxi, o que nos surpreendeu muito.

Nossa primeira constatação em Esfahan é que havíamos perdido nosso principal guia de viagem. Ficamos cegos por algum tempo. Não tínhamos um mapa da cidade e tampouco uma central de atendimento turístico estilo Europa. O jeito foi ir pela intuição. Pegamos um ônibus, o mais lotado, imaginando que ele nos levaria ao centro da cidade. Era cedo, 6 horas da manhã. Fui muito bem recepcionado pelo motorista, não recebeu o pagamento e ainda achou um canto ao lado dele para ficar observando a cidade. Já a July, que estava na parte de trás, obrigatoriamente, se mistura num monte de mulher de roupas negras e apertadas. Nossa única comunicação era através dos gritos em português, o que facilitava a não mistura da musica islâmica permanente, os murmurinhos e barulhos dos carros. Descemos onde a maioria desceu. Tentamos vários contatos buscando pistas das melhores atrações, mas em vão. Continuamos andando e arriscamos entrar num mercado (mesmo estilo de Teerã, só as padarias estavam funcionando). E fomos andando pelos formigueiros arquitetônicos. Diferentemente de Teerã, os corredores desse mercado são interrompidos por passagens por bairros, mas bairros também formados por labirintos de formigueiro, com casas sempre amarelo-barrento. Como era muito cedo, foi um passeio delicioso pelos becos, os mesmos becos de Veneza mas com arquitetura islâmica. Tive vontade de voltar a esse lugar algum dia para realizar novamente essa caminhada, tão solitária, enriquecedora espiritualmente e encantadora. Felizmente o passeio inesquecível nos levou intuitivamente até o ponto principal da cidade: A praça do Iman (Iman significa líder. Só recebem o título de Iman os 12 profetas que tinham o direito de interpretar o alcorão. Khomeini, por exemplo, é um Iman, mas puramente honorário). Essa é uma das maiores praças do mundo (510metros por 165m), foi construída em 1612, foi tombada pela Unesco e apresenta uma das melhores harmonias urbanas (traços islâmicos, excelente jardinagem e palácios em volta). Não muito longe dali, conhecemos o Husseini, um simpático rapaz que nos mostrou a produção de tapetes e a pintura dos fios. Foi um passeio interessante pelo mundo escondido por trás dos bazares (também existe um formigueiro em Esfahan). O pai do Husseni realiza pinturas em miniaturas, um trabalho de maestria e paciência. Sua loja é umas das mais caras de Esfahan. Almoçamos num restaurante típico da cidade  e visitamos as duas maravilhosas pontes (hoje só atravessam de pedestres), símbolos da cidade, construídas em 1600, com trinta e três arcos. Encontramos pela cidade uma brasileira que vive nos EUA e é casada com um iraniano. O curioso é que ela sugeriu que experimentássemos o mesmo sorvete que ganhamos em Shiraz (segundo ela o nome é Faludê, o sorvete com lascas de não sei o que). O resto do dia tomamos um café (realmente café não é com eles) no cinco estrelas Abbasi Hotel, com um jardim interno que representa as maravilhas de Esfahan, construídos no século XVII. Partimos de Esfahan a meia noite. Tentamos sair no único trem, mas já não havia mais lugar. Pelo menos dessa vez pegamos um Volvo, um ônibus leito.

Salam

Expedição ao Oriente Médio-Shiraz&Persepolis

Salam khobi (outra expressao para oi)

Shiraz é uma das mais importantes cidades medievais islâmicas e foi capital da Pérsia durante a dinastia de Zand (aproximadamente no ano 1750 AC). Atualmente é uma espécie de capital da cultura, principalmente relacionada à poesia, educação e música. Também é considerada a cidade dos poetas. É uma cidade cheia de jardins e mesquitas de tudo quanto é tipo, além dos mesmos problemas de trânsito e caos de Teerã. Mas de fato mesmo, Shiraz é a base para a visitação de outra cidade histórica, cerca de 60 kilometros de distância, a impressionante Persépolis (as pessoas locais chamam de Pérsepolis).

Quando chegamos em Shiraz, sabíamos que o aeroporto era distante da cidade. Passamos pelas pessoas que recepcionam os familiares (daí pudemos confirmar o que pensávamos ser uma coincidência: eles recepcionam os familiares com flores). Fugindo dos taxistas, tentamos uma carona. Avistamos do outro lado da rua do aeroporto um grupo de pessoas eufóricas com a chegada de um casal e com alguns veículos estacionados. Ficamos ali um tempo observando. O grupo se reuniu para uma foto e fui convidado pelo noivo para registrar o momento. Novamente uma máquina mecânica, antiga e barulhenta. Logo depois da foto dele, pedi para eu fazer o meu registro. Ficaram felizes. As mulheres mais velhas tentavam esconder o rosto. Em seguida, uma festa de arroz. Vivam os noivos! Quando entraram nos carros, a família lotou todos os bancos, de forma que pedir carona só se fosse para ir no teto. Ficamos na mão. Vimos uma van. Deve ser um coletivo. De fato era, mas só havíamos nós como clientes. Negociamos o preço e fomos enfim para a cidade. Nosso “meia estrela” de Shiraz, muito bem localizado, é estrelado por um recepcionista que não sabia nem que seu hotel está catalogado num guia de viagem. Oposto do Mr Mussavi, com visual descuidado, uns 60 anos, barba por fazer, ele já é uma espécie de Forrest Gamp dos hotéis. Não consegui capturar seu nome. Ele falava um inglês “rabugento”(aquele personagem de desenho animado), ou parecia um inglês “bêbado” muito engracado. Para se ter uma idéia, perguntei onde ficava o lugar para pegar um tour até Pérsepolis. Ele: “Street, street(fazendo o sinal de onde ficava a rua”…dava uma parada, prolongando o som das palavras, como se tivera alcoolizado e emendava em persa. E  tudo era assim: uma palavra em inglês, soluços, parada e continua em persa. Moral da história: hotel lotado. Entendemos que o tour sairia às 8 horas da manhã. Acordamos bem cedo para um bom café, que não seria servido no “meia estrela”. Saímos pela cidade seguindo as instruções do recepcionista. Quando chegamos à agencia turística fomos informados que estávamos atrasados. Atrasados? Impossível! O mais estranho, o horário local estava 30 minutos a frente. Ainda não encontramos explicação. A outra única maneira de ir a Pérsepolis é um shared táxi. em 1 hora estávamos lá, com direito a tour por parte de Shiraz e uma vista pelos morros desérticos e casas feitas de barro amarelo escuro. Impressionante. Logo na entrada de Pérsepolis, um verdadeiro sítio arqueológico a céu aberto, encontramos o primeiro grupo turístico dessa viagem. Dou um doce para quem descobrir de qual país eles vieram(no final desse relato darei a resposta). Fotografar não era suficiente para documentar o que significa esse lugar, erguido aproximadamente 7 séculos antes de Cristo, onde tudo começou para esse país e um legado para outros povos da humanidade. A antiga sede do primeiro império Persa, destruído aproximadamente 300 anos depois pelos gregos. A cidade(o museu a céu aberto), no pé de um morro, no meio de um deserto, preserva o portal da cidade, o mausoléu do rei da Pérsia, imensas colunas, as ruas, as salas e o harém. No alto do morro, observando a cidade, o imenso jardim externo e a moldura do deserto criam uma paisagem facilita a imaginação de como seria viver ali, te levando a um túnel do tempo com passagem de ida e volta. Tivemos a mesma sensação quando havíamos visitado a muralha da China: como fizeram isso aqui?. Aliás, essa cidade é está sem duvida no mesmo nível de atratividade de um Coliseo de Roma ou até mesmo das pirâmides do Egito. Pela cidade, as caminhadas eram ofuscadas pelas constratantes roupas negras das mulheres, algumas até mesmo fazendo caminhadas pelos morros. Os iranianos atuais são os mesmos dessa Pérsepolis, a mesma língua a mesma descendência Ariana, mas com uma religiosidade totalmente diferente.

Na volta à Shiraz, pedimos ao taxista para nos deixar próximo ao Jardim. Quando mostramos no mapa onde queríamos ficar, creio que não entendeu bem o que estava escrito e nos deixou em outro lugar, próximo, mas bem diferente. Comparando com o mapa, parecia mesmo ser lá. Tocamos a campainha, apareceu um militar. Ele foi muito atencioso, sorridente, mas ninguém se entendia. O lugar que queríamos ir é conhecido como “Jardim do Paraíso”. Mostramos o mapa, o rapaz também não entendeu onde era. Pensamos: “deve ser aqui, mas deve estar fechado”. A muito custo, e um longo bate papo de conversa de louco, tentamos entrar e realmente vimos um jardim atrás da mansão sendo reformada. Mais militares apareceram para ver a atração, se juntaram na porta.O guia realmente comentava sobre um palácio de proibida visitação, mas o jardim estaria aberto.“É, está em reforma”- comentamos. Saímos desolados, mas convictos de que o que já vimos já havia valido a pena. Tiramos algumas fotos, pelo menos. Continuamos nossa caminha, rumo ao próxima atração. Atravessando um quarteiraão, lá estava o verdadeiro jardim. Maravilhoso, um jardim-parque, imenso e 100% bem cuidado, guardando as cores do inverso e o cheiro de montanha. De volta a cidade, no caminho, encontramos uma escola de música. Ligamos a câmera e fomos invadindo, de onde vinha a música de um suposto praticante. Cruzamos o saguao em que os estudantes aguardam o começo da aula, e chegamos numa sala onde havia um rapaz sozinho tocando um instrumento parecido com uma harpa, só que ela repousava em seu colo, sendo tocada com uma especie de colher em cada mao. Quando ele acabou o pequeno show, ja estavamos saindo quando ele foi ate outra sala e convidou outro musico para fazer uma apresentacoa. Os novos instrumentos era uma especie de violao, com a base pequena e cano longo, e o outro tocava um instrumento de percusao. Filmamos tudo e colocaremos para vender em DVD, um show a parte.  

Em Shiraz a principal atração é sem dúvida a fortaleza de Karim Khan, construída também na dinastia Zand para se proteger de seu rival de outra cidade, Esfahan. Ela tem 14 metros de altura nos seus quatro lados (com aproximadamente 100 metros de lado), com torres circulares de aproximadamente uns 20 metros de altura e 50 de círculos. É uma fortaleza impressionante. Não bastasse sua vista externa, intacta, somada a um belíssimo jardim, dentro um outro jardim imenso, cercado de limoeiros. Logo que entramos vimos um grupo de umas 50 estudantes (todas 100% de preto), espalhadas pelos quatro cantos se deliciando com algo que a primeira vista parecia ser uma canjica ou arroz doce. Ficamos com água na boca. Não nos contivemos: “por favor, onde você conseguiu isso?”. Elas apontaram para perto da entrada. Logo apareceu um senhor entregando “free” a delícia: tratava-se na verdade de um sorvete com gosto delicioso, que lembrava limão, com pedaços que parecia côco e o mais interessante, algumas raspas de alguma coisa branca, com gosto de limão. O passeio ficou ainda mais interessante. Um homem tentou explicar o que era, mas em persa ficou difícil.

Depois desse passeio, andamos pela cidade, até chegamos à rodoviária (nos perdemos diversas vezes,  velha confusao dos mapas), mas valeu pelas paisagens pitorescas e a observação dos costumes locais. Contamos mais de 10 padarias do estilo que já descrevi aqui. A única diferença é que os pães daqui (aquela massa de pizza fina e cheio de bolhas), logo que ficam prontos, ficam expostos na frente da padaria, ou seja, na calçada, em uma peça enorme de ferro que se parece os guarda lixo do Brasil. O cheiro é convidativo a uns “50 metros” de distância. As 11 horas da noite partimos para Esfahan, mais 7 horas de viagem.

Resposta do desafio: Japao

khodahafez (ate logo)

Expedição ao Oriente Médio-Teerã III

Salam khobi (outra expressao para oi)

Nosso terceiro dia foi dedicado ao monte Arborz. O monte Arborz é muito parecido com as cordilheiras dos Andes. Para se ter uma idéia, o cenário de Teerã é muito parecido com Santiago do Chile. A cidade fica na parte baixa e ao fundo, ao norte (uma espécie de serra da cantareira gigante) um conjunto de montanhas com as pontas cobertas de neve. Essas montanhas escondem o mar Cáspio, que olhando pelo mapa, para um leigo, parece significar 1 hora de viagem até lá, tal como São Paulo-Santos. Ledo engano: 6 horas de viagem, porque somam-se as subidas e descidas da montanha.

Depois de uma manhã de planejamento de passagens para os dias seguintes –liga pra cá, liga pra lá – para os próximos dias com o Mr Mussavi, mesmo termos acordado quase 5:30 da manhã, somando o café da manhã especial do hotel meia estrela – chá ou café (tipo Nescafé bem fraco), pão feito com uma massa densa com formato de dois pães de forma, um do lado do outro, com direito a dois para cada um. Os ovos, estalados ou cozido á vontade. O hotel tem dois ajudantes, além do coordenador Mussavi: um é bem carrancudo, faz o serviço mas está sempre mal humorado e é dono da cozinha (não gosta quando eu entro lá para bisbilhotar). O outro, é um rapaz, que anda sorrindo o tempo todo, mesmo nos momentos em que tem de levar malas pesadas nas costas pelas infinitas escadarias do hotel. Ambos andam de chinelo e meia. No saguão, sempre sentado lendo o jornal e resolvendo burocracias de gerenciamento, o dono do hotel e provavelmente “dono” do Mr Mussavi. Não posso imaginar que o Mussavi só trabalhe por dinheiro, levando em consideração que entra no trabalho às 8 horas e sai às 23hs, e tamanha sua atitude e prestatividade. Ele em si, já é uma atração turística.

Quando enfim saímos pela manhã com o roteiro em mente da missão de chegarmos ao Monte Arborz, somando diversas trocas de transportes e infinitos bilhetes em persa (ou farsi, como costumam classificar a língua local) escrito pelo nosso grande amigo, demos uma passadinha para trocar dinheiro. Algo que havíamos nos esquecido: o banco só aceita notas de dólar em excelente qualidade. Foi um martírio ficar provando que a nota estava boa, que o Tomas Jéferson estampado na nota estava bonitão, etc. Enfim, novamente ricos (com um monte de nota enchendo a pochete), atravessamos a cidade: 10 estações de metro, um shared táxi (você vai com outras pessoas) até o bairro norte (daí já começamos a ver os  “Jardins” e a “Oscar Freire” de Teerã), outro shared táxi, um ônibus e finalmente, finalmente um ESPETACULAR teleférico. Já no ponto de partida do teleférico era possível ver a cidade lá em embaixo. Teerã não tem prédios altos e, excluindo a poluição, a cor da cidade é predominantemente bege: a cor das baixos edifícios ou são brancos  ou  são beges; quase sempre são decorados com a geometria típica do islamismo, assumindo um colorido nos azulejos, ou ladrilhos que nos remetem a era medieval, a era do florescimento arquitetônico da alta idade média dessa região. Além disso, alternam-se na paisagem as diversas cúpulas  de variados tamanhos e cores que adornam as mesquitas .

Na parte mais próxima das montanhas era possível avistar as suntuosas casas dos mais endinheirados, já uma espécie de tentativa forçada de “construção”(talvez nem projetado por um arquiteto) misturando elementos da arquitetura medieval com elementos da arquitetura moderna, típico de uma sociedade de novos ricos. Mas luxo mesmo era a vista para a natureza: cada vez que o teleférico subia, a vista das montanhas (e o frio, claro!) ia subindo exponencialmente. Felizmente o teleférico é fechado, um bondinho para quatro pessoas. Não imaginávamos que o teleférico subiria tanto: a subida levou 30 minutos, com um cenário de tirar o fôlego. Infelizmente não consegui obter (ou entender) a altura que chegamos tampouco a altura que o teleférico atingia em relação ao chão. Mas era para ficar com gelo na barriga somando os barulhinhos quando passava por cada torre de sustentação.

No ponto mais alto, já totalmente coberto por neve, havia um abrigo e diversas estudantes em uma espécie de excursão. No momento em que elas descobriram que éramos estrangeiros, fomos assediados como celebridade. Elas cercavam a Juliana para tirar fotos e faziam um monte de perguntas impossíveis de entender ao mesmo tempo em que elas apreciavam sua aliança e faziam o entrelaçamentos dos dedos mindinhos. Suponho que se tratava de algo relacionado ao casamento. Elas ficaram ofegantes, alvoroçadas. Nos cercavam estéricas. Algumas tentavam praticar o inglês com as mesmas perguntas “step-by-step”. Quando falamos do Brasil, novamente os gritos de Káká, etc, Eu perguntei: “E o Lula?” Elas: “Lula? No. Káká, Ronaldo, etc”. Apesar da euforia, curtimos a vista e as velhas brincadeiras de neve. A volta foi tranqüila, mas cansativa. Antes de chegarmos ao hotel, passamos no Museu dos Mártires, onde eu supunha encontrar fotos e documentos da guerra Irã-Iraque, conforme haviam me informado. Não encontramos nada sobre isso, apenas um passeio sombrio, regado à música fúnebre islâmica, em três andares de histórias tristes de pessoas que morreram em guerra ou na revolução.  Importante frizar que esse museu fica em frente a antiga embaixada dos EUA (atualmente abriga o quartel general da revolução islâmica). A maior parte estava escrita em Persa, para facilitar. Essa parada exigiu que acelerássemos o passo. Corremos de volta ao hotel (estamos ficando craque nisso e posso dizer que vicia  – me faz lembrar da minha vida de office-boy quando eu tinha 14 anos, coisa que ninguém acredita, só o Renato, meu irmão, porque foi quem me arrumou o emprego) desviando das motos e muita gente (o Irã é considerado um país populoso com 70 milhões de habitantes e vem crescendo aceleradamente desproporcional ao seu tamanho. O metro, ônibus e ruas estão sempre cheias de gente. Fila é comum. As mulheres, apesar de ficarem separadas nos transportes, ao contrário do que se imagina, o que daria mais conforto, ficam na verdade comprimidas. A separação está desproporcional).

Enchemos nossas mochilas para nossa próxima etapa, deixando as malas pesadas no subsolo do “meia estrela”. Atravessamos o trânsito caótico e lento, somando ao pior mapa que já tivemos que interpretar (sem dúvida, o mapa de Teerã é péssimo, com uma escala mentirosa e desproporcional e o o farsí é muito difícil de decorar. Muitas ruas não existem no mapa e o que é pior: uma linha de metrô inteira não está ilustrada no mapa. Por outro lado, para ter uma idéia da qualidade do metrô, ele é muito parecido com o de São Paulo, inclusive relativo ao número de linhas e a modernidade das estações).

Às 19 horas pegamos um vôo para Shiraz, sul do Irã, cidade próxima ao Golfo pérsico e Kwait. A viagem levou 1:30hs, cruzando mil kilômetros, e logo na entrada do avião da companhia turca Mahan Air, modelo desconhecido (posso dizer que não era Boing, Airbus, Fokker e muito menos Embraer) pudermos perceber o que viria pela frente: uma ventania tão forte que quase fechou a porta do avião. A melhor maneira de se sentir calmo nessa hora é olhar para as pessoas ao lado: se elas estão tranqüilas é porque é sempre assim e sempre deu certo. Assim, chegamos em Shiraz.  Lamento nao ter enviado nenhuma foto. Infelizmente a internet e muito lenta(discada).

khodahafez (ate logo)

be omid didar (nos vemos)

Expedição ao Oriente Médio-Teerã II

Salam,

Pessoal, desculpem- nos pela demora de um novo relato e por algumas palavras sem acento(temos brigado com o teclado invertido daqui). O fato é que tem sido muito dificil encontrar internet. Encontramos agora, por exemplo, ainda discada…

Nosso segundo dia começou com um passeio pelo “Bazar Teerã”, um passeio estilo mercado municipal de São Paulo. Mas esse mercado é bem diferente: além de ser milenar, está arquitetado como um formigueiro(não só porque tem muita gente), mas porque existem diversos corredores longos e entrelaçados com curvas irregulares, subidas e descidas, tamanhos de lojas altas e baixas e curtas e largas, setorizado por especialidades de produtos, tais como cereais(os Iranianos adoram todos os tipos), especiarias, cobre, ouro, frutas, legumes e, é claro, os famosos tapetes persas. E que tapetes! Um mais bonito que o outro. Quando andávamos pelo corredor, fomos abordados por um vendedor dessas maravilhas que nos convidou para uma aula de tapetes em sua loja. Existe uma variedade imensa de formas de fabricação e tintura. A maior parte dos tapetes leva mais de seis meses para ficarem prontos. Continuando nosso passeio pelo mercado, passamos pela Mesquita do Líder Khomeini, que também fica dentro do mercado. Foi uma excelente oportunidade para ver o islamismo em ação. Simplesmente sentamos e ficamos observando por um bom tempo.

Ficamos a manhã e início da tarde dentro do mercado, um calor terrivel(a temperatura tem oscilado entre 7 graus durante a noite e uns 23 durante o dia. A July vem sofrendo triplamente com sua fantasia de Iraniana). O mercado é uma verdadeira cidade: apesar dos corredores mais estreitos que uma rua, diversas motos passeiam por lá (a revolução dos moto-boys, lembra?). Assim, tivemos de andar como se estivéssemos na rua, desviando dos carregadores de produtos(nas costas e nos carretos – uns senhorzinhos de dar pena) e dos transeuntes. O mais espetacular desse mercado: ninguém te oferece nada, ninguem te trata como turista.

Teerã, apesar de caótica por seu trânsito (é uma das cidades mais poluídas do mundo) e pela imensa quantidade de camelôs e comidas de rua, tenderia a ser uma cidade mal cheirosa. Por incrível que pareça, é uma cidade muito cheirosa. Acho que as pessoas levemente perfumadas e o cheiro de comida das casas levam para a cidade um neutralizador de cheiro. A simpatia do povo local é contagiante. Já comentei um pouco aqui, mas estamos muito impressionados. Nem vou falar aqui do Mr Mustavi, o recepcionista do hotel, uma pessoa de alma pura, prestativo, educado e extremamente atencioso, dá vontade de chorar…Mas as pessoas nas ruas – não encontramos nenhum turista estrangeiro até agora – nos tratam com muita hospitalidade. De fato, os persas têm isso no seu sangue, essa vontade de agradar quem é de fora, de mostrar que também sabe receber, etc. Quando paramos para perguntar uma rua ou lugar, a pessoa se desdobra: telefona, chama correndo um amigo, leva a gente até o local, oferece comida para gente experimentar (e sempre vem a palavra mágica de Aladim; “Brasil” e a festa começa…). Teve um senhor de moto (na calçada) que percebeu que nós não achávamos um lugar no mapa, parou, aproveitou para se orgulhar de seu inglês, e nos mostrou a direção; andamos mais ou menos uns 20 minutos, mas não é que aparece o senhor novamente de moto (pela calçada) e diz, “olha, não é na sexta à direita não, é na sétima”. Não podíamos deixar de tirar uma foto dele.

Apesar de sermos confundidos como iranianos (fico feliz, essa justamente era nossa idéia. Teve até um policial que me parou para perguntar pra gente onde ficava uma rua), quando abrimos a boca todo mundo logo fica maravilhado, temos aproveitado para tirar fotos por ai. Maquina fotográfica aqui é sonho de consumo. Raramente vemos alguém tirando foto e frequentemente me perguntam quanto paguei na minha. Quando acabei de tirar uma foto num parque, passa um rapaz de uns 20 anos e começa a me sabatinar: “What´s your name?”; Eu:”My name is Eduardo”; Ele, puxando a memória:”What´s your… surname?”; Eu: “Guimarães”; Ele:”Guimaroens..uh…and Where are you from?”; Eu: “Brasil”. Ele: “Iti siti?”; Eu: “Sorry?”Iti siti? Eu: “Sorry…” Ele: “After ´Where are you from´ is ´Wuiti siti” Ah! De qual cidade eu venho, ele queria saber…ele estava fazendo o que professora de inglês havia ensinado…todas as perguntinhas, na seqüência. Que bonzinho.

Quando estamos num ponto turístico e me ofereço para tirar uma “foto do casal” (eles ficam muito surpreso com isso),  pude perceber as maquinas fotográficas ainda mecânicas(com filme). O mercado de consumo da maioria da população, que é pobre, está no estágio da pirataria chinesa. Devido ao problema político que o Irã vem enfrentando com os EUA e que afeta indiretamente outras nações(Inglaterra, por exemplo), somando a centralização do governo islâmico, o boato de que o Irã está produzindo a bomba-atômica, o país tem promovido a substituição de importações, ou seja, estimulando que indústria local produza os bens de primeira necessidade, em substituição aos importados. Carros? Importados e uma frota antiga, com manutenção constante. Eletrodomésticos? Vimos pelas ruas uma ou duas propagadas, mas a maioria da população não tem dinheiro para comprar. Numa loja da Sony, a única da cidade, as pessoas ficam boquiabertas assistindo televisão. A cidade, economicamente falando, parece um filme do Mad Max, a única diferença é que a gasolina é abundante, coisa que no filme não era.

Por outro lado, tudo é subsidiado pelo petróleo e, segundo o depoimento de um professor que conhecemos na Universidade local – que se demonstrou bastante “mente aberta”- o ensino público é bem forte, violência e roubo não existe (o fato é que eles procuram praticar os mandamentos; veja bem, procuram…não posso afirmar). Perigo aparente aqui só de bala perdida…que poderia vir do Brasil (desculpe-me, é só indignação). Esse professor está otimista de que o governo vai começar a promover a instalação de empresas multinacionais (não existe aqui). Mc Donalds? Não existe fast food. O interessante aqui é que pirataria e vendido como se fosse original. Um exemplo são as lojas de tênis. A World Tênis (loja famosa em São Paulo) daqui é igual a do Brasil quanto ao seu layout e atendimento, só que tudo é pirata, com estoque de numeraçao e tudo.

O dia terminou no portal da cidade, depois de uma longa caminhada pela cidade, passando por ruas de bairros, metrô e uma universidade. O portal da cidade é famoso por ser uma espécie arquitetônica “arco do triunfo” estilo islâmico, chamada de Torre Azade, no meio de uma imensa e bela praça. No topo do arco situa-se um museu da cidade, com uma vista panoramica. Durante a noite o arco vai mudando de cor, na seqüência das cores da bandeira do Irã. Ele é o principal cartão postal da cidade. Na volta do portal, a caminho do hotel, atravessamos a periferia e pudemos ver a os garotos jogando futebol, constatar a importancia das padarias(o mesmo tipo que encontramos na mesquita do Khomeini) e dos bares dedicados a “fumar”(ou pitar?) narguile(ou narguile), tradicao local. No Ira bebida alcolica e proibida. No dia seguinte, nosso passeio sera no imenso monte Alborz ( que limita o norte da cidade, uma especie de cordilheira dos Andes).

Salam Aleikom (cumprimento local que significa a paz esteja com voce!)