Rishikesh, India

Encontramos o taxista no estacionamento. A chuva havia parado, compramos os dois guarda chuvas para uma chuva de menos de 15 minutos. Depois eles ficaram no carro apenas para atrapalhar o caminho. O taxista comenta que agora ele ia começar o caminho de volta a Delhi. A última parada seria em Haridwar. Eu pedi a ele se ele podia parar na próxima ponte sobre o Ganges, a Janki Bridge. Eu pretendia atravessa-lá o mais rápido, tirar uma foto do outro lado e voltar para o carros. As meninas teriam que ir comigo. 

Ele seguiu com o carro num estacionamento bem próximo à ponte. Havia muita gente, a própria travessia levou uns 10 minutos. Pessoas passando pelo meo, motos pelas laterais. Do outro lado primeiro viramos para a esquerda. Daí percebi que levaria mais tempo, uma volta maior, ameaçava voltar a chover. Seguimos pela direita, rente ao Gangis. Daí virou rua de barro, quase zona rural. Vacas pelas ruas. Dribles de caca de vacas, poças de lamas. Mas seguimos por uns 15 minutos de caminhada. Subimos uma rua onde um córrego de aparente água limpa descia pela própria rua. Subimos ziguezagueando o córrego e chegamos em frente ao local. Parecia entrada de um parque abandonado. Pergunte pelos “Beatles”. O guarda apontou para uma cabine logo acima, era uma bilheteria. Comprei os ingressos. Subimos ofegantes as escadas. Era um local bem abandonado. Alguns chalés de pedras nas laterais. No alto da escadaria, vários prédios abandonados. Uma placa dizia parque dos tigres. Havia um casal tirando fotos de um  chafariz abandonado. Dava a impressão de que era um local turístico. Depois que passamos pelo casal não havia mais miguem. Uns 50 metros dali, um prédio bem abandonado abrigava uma exposição de fotografias. Eram os Beatles e o Maharishi. E numa sala uma exposição de fotos de animais do parque dos tigres. E havia um cartaz dizendo “aqui vivem 34 tigres”. Aqui? Aqui onde? Na minha cabeça não era ali. Na cabeça da July era por ali. 

Saímos do prédio e voltamos para a calçada que levava até o fundo do parque.  Encontramos um guarda. Era bem jovem, perguntei onde ficava o tal mural dos Beatles. Ele apontou para o caminho que levava ao fundo do parque. Continuamos a caminhada, o guarda ficou para trás. July começa a dizer. “Não deveríamos ir”. Deveríamos voltar. “E se encontramos com um Tigre?”. Eu disse, “não tem, vamos seguir”. Não passou nem um minuto e ela já estava voltando com a Lori. Fiquei sozinho na caminhada. Tudo abandonado. E eu la de longe dizia “não tem tigre”. E ela de longe “e se houver, não podemos arriscar”. 

Quando havíamos chegado em Rishikesh pela manhã, nosso motorista nos deixou num estacionamento perto da ponte Ram jhula. Disse que se quiséssemos, poderíamos contratar um guia para nos contar um pouco sobre a região. Como tínhamos pouco tempo por ali, aproveitamos a oportunidade. Valeu a pena. O guia era muito simpático, nos levou a um templo de meditação, cruzamos a ponte e seguimos pelo vilarejo até uma comunidade de idosos. Segundo ele, muitos aposentados simplesmente se mudam para Rishikesh e vivem nesses abrigos gratuitos. São prédios que parecem habitações populares. São gratuitos e se houver vaga, basta entrar em um. Se houver uma cama, basta adota-la. 

Nesse caminho, vimos muitas vacas e muita sujeira de vaca. Mas o Rio Ganges foi uma grande surpresa. Era imenso, a correnteza estava bem forte. Tempo de grandes chuvas, as monções. E a agua do Ganges vem do Himalaia. Pessoas na beira do rio tomando um banho de Ganges para se curar, sentir melhor. Dizem que a agua dele é sagrada. Coloquei minha mão no rio, agua bem gelada, cor meio branca, leitosa. O rio é bem limpo e puro.

Rishikesh é um local  de visita de quem quer meditar, fazer yoga, ter um momento para desacelerar. E estando lá dá mesmo para sentir que está em outro mundo. 

E numa dessas caminhadas, o nosso guia comenta que durante o auge da pandemia, no primeiro mês em que ninguém podia sair de casa, alguns tigres desceram na floresta e andaram pela cidade. Posso imaginar o espanto. Ninguém foi atacado. Mas como ele comentou isso antes de nós termos ido ao “retiro” dos Beatles, no meio da mata, onde aparentemente os 34 tigres vivem e aqui na India você pode encontrar de tudo. Mesmo que o guarda do parque dos “Beatles” tenha nos dado a segurança de tudo bem andarmos por ali, achamos melhor não arriscar. Ainda estamos em tempos de COVID. Então, se na minha cabeça havia uma “vitoria” pessoal de tirar a tal foto do muro, pelo menos, como bem disse a July, eu sai vivo dali.

Atravessamos a ponte de volta para o lado de Rishikesh. Na base do rio esta ocorrendo uma cremação. Passamos por ali exatamente no momento que atearam fogo. Não achamos apropriado ficar muito tempo por ali vendo algo que poderia ser intimo de uma família. Seguimos a caça de nosso motorista. Nossa próxima parada era Haridwar. 

Estava muito sol. Sol bem forte. Nosso motorista nos deixou na beira da estrada, onde os peregrinos vinham do Ganges, carregando galões de agua, amarrados em um bambu. Usam a mesma roupa, algo que parece tradicional. Os praticantes do Hinduísmo vem de todos os lugares do pais para tomar um banho sagrado nessa parte do Ganges. E muitos vem de regiões relativamente próximas, a pé. Andam quilômetros e quilômetros. 

Combinamos que ele nos pegaria depois do almoço. Estávamos com muita fome. Atravessamos a ponte, do outro lado muita gente de tudo quanto é lado no meio do grande calçadão. Pessoas muito diferentes, vestimentas diferentes, cabeço, barba, pintura no rosto. Alguns pedintes, vacas, macaco. Seguimos a sugestão do motorista e fomos ate um restaurante local, bem antigo. Era no andar de cima, pela entrada não parecia muito confiável. Mas a família dona do restaurante nos recebeu muito bem. Escolhemos o frango menos apimentado e tudo foi uma delicia. Ah os pães da India! Como sao deliciosos. 

Depois do almoço andamos pela margem do rio, vendo as pessoas, o que faziam, as rezas e as crianças mergulhando nas águas para pegar pedras. Quando formos atravessar a ponte de volta, resolvemos convidar um fotógrafo para tirar uma foto de família. 

A viagem de volta a Nova Délhi foi bastante tranquila e relativamente rápida. Não pegamos transito e nosso motorista não teve que fazer muito zig-zag para driblar os carros pelo caminho. Mas tomei um grande susto quando havia uma carro em alta velocidade, numa rodovia de três pistas para cada lado, e um cara vindo na contramão. Ele desviou rapidamente e me disse: “aqui na Índia, quando você aprende a dirigir, o instrutor diz que você tem que assumir que todo mundo é cego quando está dirigindo, dessa maneira você tem que estar preparado toda hora”.

E nessa volta deu até para dar uma parada no meio do caminho – algo que parecia um oásis no meio do deserto – para tomar café numa Starbucks. 

Akshardhan

 16:30. Correria para visitar um templo Hindu dos mais importantes: Akshardhan. Uns 30 minutos de carro do hotel. Para nossa surpresa, não se pode levar nada de eletrônicos para a área cercada do Templo. Você tem que deixar todos pertences, inclusive bolsa, num guarda volumes. O templo é impressionante. Parece competir com o Taj Mahal em imponência. É local de peregrinação; parece uma visita a Aparecida do Norte. Como não é possível levar câmera ou celulares para tirar foto, você pode pagar por uma foto tirada por um profissional. 

Foi um local bem inesperado, mas que valeu muito o passeio. É trabalhoso entrar e sair, mas muito limpo e organizado dentro. Estava muito calor e estávamos derretendo. 

Delhi, Terceiro dia

Começo da noite, fomos então visitar o India Gate. Uma especie de cópia do Arco do Triunfo. Levamos um bom tempo para conseguir atravessar a rua. Nova Delhi não tem muitos semáforos. O transito é sem parar e o pedestre sofre um pouco. Com a ajuda de um policial, cruzamos finalmente a pista e demos de cara com o India Gate fechado. Mas um guarda vendo nossa decepção , abre a porta e deixa a gente entrar para tirar umas fotos. Havia um jogo de luzes sobre o monumento. Comentamos com ele que queríamos tirar a todo com o jogo de luzes da bandeira da India. Ele prontamente ligou la na central e pediu para colocar. No final, curtimos muito, foi uma visita muito especial criada por aquele guarda. 

Do India Gate fomos visitar um shopping. Intenção era fazer compras de mercado, mas o mercado era daqueles requintados, bem caro. No final não compramos nada, mas jantamos por ali. 

Delhi, Connaught

Curtimos o hotel pela manha e saímos para almoçar na Connaught Place. Trata-se de um conjunto de ruas circulares, no centro de New Delhi. Fomos direto a um restaurante( que parecia uma padaria), onde todo mundo parecia comer o mesmo prato. Dois pães enormes e uma vasilha de carne. Peguei um para experimentar. Uma delicia, mas bem apimentado. Lori pegou noodles, também apimentado. Quando caminhamos pela ruas circulares, éramos abordados de todas as maneiras possíveis. Ora pedintes, ora guias de turismo. Eles apareciam “do nada, de todos os lugares. Era simplesmente impossível andar por ali sem que por 10 metros não fosse abordado. 

Entramos num shopping para tentar descansar dos abordadores. Na saída, pegamos um tuk-tuk para o Red Fort. Infelizmente só pudemos curtir o Red Fort por fora. Estava se aproximando o dia da independência da India, e ele estava fechado para preparativos de festa de comemoração. 

Como o Red Fort estava fechado, voltamos para o hotel e curtimos a piscina…

A piscina era sensacional. Curioso era ouvir o barulho das buzinas permanentes de Delhi, no lado de fora, parecendo uma permanente final de copa do mundo.

Delhi, Agra

Até que não acordamos tão cedo. Eram 6 horas. Deu tempo de tomar um cafe bem caprichado e pegar a estrada para Agra. Como era sábado, o transito não estava tão ruim. O transito de Delhi é uma selva. Carros cruzamos para todos os lados, não  se firmam em uma faixa, os tuk-tuk vão de um lado para outro e quando tudo parece levar a deixar o transito totalmente parado…a coisa flui. E tudo se move, mas também tudo é a base de buzina. Isso é um barulho constante. 

Na estrada, mesma coisa. Muitos carros em certos trechos, mas na estrada que liga diretamente a Agra, é mais organizada, exige que os carros andem na faixa. Mesmo assim, eles deslizam de um lado para o outro. Exige atenção constante.

Nossa primeira parada: Taj Mahal. Havíamos contratado um guia. Sem um guia, o passeio fica muito comprometido. Seríamos abordados a todo momento por pessoas oferecendo algo para vender. Estava muito calor. Enquanto eu esperava a July e nossa filha passarem pela inspeção, na porta de entrada, uma fila enorme, fiquei sobre uma mureta observando os visitantes. Bem, certamente quase que 100% eram os próprios indianos visitando o local. Estamos nessa época de quase “pós -covid”, os turistas do ocidente são ainda muito raros. 

E apenas 20 minutos de caminhada, estávamos ali em frente o majestoso Taj Mahal. Essa era minha segunda visita. Havia visitado ele coisa de 2016. Mas dessa vez o nosso guia foi bastante generoso. Ele tirou belas fotos de nós, como família. Eu e July numa especie de fotos de lua de mel. E também foi divertido todo o passeio por ali por conta das inúmeras pessoas pedindo para tirar foto com a gente. Somos exóticos. O fato que isso também era um momento muito agradável de aproximação. Uma pena não falamos a língua local e eles não poderem falar inglês. Eu adoraria entender a cultura, ouvir um pouco como vivem, como veem o mundo. Muitas vezes fantasiamos isso. Mas na India realmente a coisa parece ser muito diferente. A maneira que veem o mundo. Como tocam a própria vida. Quantos anos de historia a India carrega? Invasões, mongóis, Persas…Quantas religiões passaram e nasceram por ali. Um pais que fala tantas línguas. É um pais com uma bela experiencia. 

O Taj Mahal é um bom exemplo disso. Imaginar que esse monumental templo foi construído, simétrico, todo de mármore, legou anos e muito trabalho de arte, precisão. Uma obra eterna. 

Acho que passamos umas boas horas curtindo o parque. Depois paramos para almoçar num restaurante bem tradicional. Como sempre, comida apimentada. Como a ajuda de nosso guia, pudemos experimentar uma boa variedade de comidas locais. 

Como de praxe, o guia nos leva para essas lojas de souvenir. Ela vendia pecas muito bonitas feitas com a mesma técnica da construção do Taj Mahal. “Somos os únicos que preservam a mesma técnica, passada de geração a geração”. Depois nossa parada seria no Agra Fort. Depois de visitar o Taj Mahal dá aquela sensação de qualquer coisa que você vai visitar dali para frente se torna menos interessante. Não foi o caso do Agra Forte. Um forte imenso, construído no período de dominação mongol, que tem uma vista generosa para o Taj. Novamente nosso guia foi generoso em tirar belas fotos. E mais uma vez foi um passeio incrível com a variedade de roupas, adereços, maquiagem, dos mais variados indianos. Eles sao muito elegantes e inspiradores.

Quando pensávamos que do Agra Forte voltaríamos diretamente para Delhi, o guia nos leva para mais uma parada “souvenir”.  Entramos na loja e fomos levados diretamente a uma sala reservada. La um vendedor pede para nos sentar e começa uma longa historia. Era sobre um trabalho de arte, um quadro com pedras preciosas, técnica que veio da Persia. Depois de uma longa explicação, tudo se tratava de um artista local, segundo ele bem renomado, que vendia esses quadro ali por preço mais “acessível”. Um trabalho maravilhoso, sem duvida. Acho até que poderia valer o valor. Mas todo esse processo de historinha e “venda” é longo e cansativo. July e nossa filha gostaram das confecções e bolsas, usando a mesma técnica como enfeita. Elas acabaram ficando um pouco mais por ali.

No final da tarde, voltamos para Delhi. Pegamos uma chuva forte na estrada. Estamos no período das Monções, época que chove muito, sem parar, nessa região da Asia. Já é uma aventura o transito por aqui, com a chuva então…

Seoul, a muralha

Em nossa visita ao Museu Nacional, aprendemos que no período  da Dinastia Joseo(que terminou no final de 1800), a cidade era cercada por uma muralha, formando um citadel. E soubemos que alguns pedaços do muro ainda estão preservados.  Fomos então para o parque Naksam. Subimos as imensas escadarias e chegamos no topo, onde encontra-se a muralha. Um passeio bem agradável, caminhar pela muralha e seguir até o Ihwa-dong Village, seguindo as vielas pelos trabalhos de “street art”. No dia anterior eu havia assistido um filme sobre o “Banksy”, o famoso artista britânico; Eu estava me sentindo afiado na “crítica” e estava esperando realmente curtir os trabalhos. Eu tinha uma expectativa de ver um número maior de trabalhos. Mas eram bem poucos e espalhados…

Descemos o morro e pegamos um metrô para o Gyeongdong Market. Aí sim você vê um mundo bem diferente. Peixes exóticos, frutas exóticas, mas um mercado extremamente limpo e organizado. Cruzamos todo o mercado, dei uma parada para curtir comida de rua. Uma das que experimentei, pelo aspecto, parecia salgada, mas o negócio era muito doce. Essas descobertas de sabores são as partes mais legais da viagem. Mas não almoçamos no mercado. Fomos para num food court” de shopping, mas valeu a pena comer o “Chiken Katsu Curry”. A conversa do almoço foi dominada pelo fato de não termos vistos jovens naquela região da cidade. 

Pegamos um trem e fomos para o outro extremo: parte oeste, bairro Hongdae.

Lá era realmente oposto, só jovens! Por que? Área das universidades. Bairro bem movimentado, cult, cafés bem agradáveis; e foi lá que encontramos o café com os “meerkats”, aqueles animais simpáticos. No café haviam diversos tipos de animais: meerkat, Guaxinim, Wallaby, etc. E dar comida e pegar. Foi bem bacana o passeio. Sentir os meerkats subindo em sua cabeça!

E seguimos nosso passeio pelo bairro.

Seoul, Hanok Village

Saímos em caminhada, partindo do hotel, explorando o bairro Myeongdong. Passamos pela Myeongdong Catedral, curtindo as vitrines das lojinhas de souvernier da “Isadong”, e seguimos para a tal Bukchon Hanok Village.

Tudo indicava que seria um lugar pitoresco, com muitas pessoas andando com roupas típicas de época. O que vimos foram cafés e mais cafés( como o pessoal toma café, chá, smoothies, gelados! ) e muito funcionário de escritório da Hyundai andando por ali, se perdendo pelas vielas. Fizemos o mesmo. Andamos pelos becos e curtimos o sol dando uma trégua para frio gelado da sombra. Como havíamos sacrificado muito o passeio, andando pelas subidas e descidas, pegamos um ônibus e atravessamos toda a cidade para um tal “Parque das Crianças”. Valeu a pena. Eu e minha filha curtimos uma montanha russa radical e uma rodada no “Barco Viking”. Adoro a aflição do Barco Viking. Também pudemos curtir a “Cherry Blossom”. Muitas fotos em família. 

Final da tarde tínhamos que atravessar novamente a cidade para fazer o teste de COVID. Deveria ser feito até 48 horas antes. Depois disso, procuramos uma “Coffee Smith” para comermos “Wafffe”. 

Seoul, Museu Nacional

Conseguimos finalmente tomar café da manhã no Queen Bakery, próximo ao hotel. Não é nada coreano, mas deu para matar a saudades do estilo francês. Dali seguimos para o Museus de Artes de Seoul. 

Acho que já era a quarta vez que havíamos pego um ônibus, com destino ao Museu Nacional da Coreia, e por motivos aleatórios, não chegávamos lá. Na última tentativa, chegamos a descer uns 5 pontos de ônibus antes, pois havíamos visto um prédio informando sobre uma exposição do BTS. Descemos e fomos conferir. Nossa filha não podia entrar, deixamos de lado e entramos num restaurante de saladas. Muito bom. Saímos verde de lá. A rua toda estava enfeitada de aniversário de um famoso do K-pop. Retomamos a jornada ao Museu. 

Imenso. Essa foi a primeira impressão do Museus Nacional. Mesmo assim, começamos pela primeira sala, para aí descobrir sobre a dinastia que precedeu o império coreano. E fomos seguindo a passos largos pelos andarem. Era segunda feira, museu bem vazio. 

Quando estávamos prestes a sair, passamos pelo que eles chamam de Museu Digital. Eram algumas salas com experiência distintas. A primeira era interativa, bastava tocar nos desenhos e ele abria telas com mais detalhes sobre o assunto.

Já no andar de saída, despretensiosamente , entramos em mais uma sala digital. E ali foi algo bem inesperado. Havia uma sala pre-intermediária. E havia uma tela estilo de cinema, grande, com algumas imagens históricas. Ficamos ali por uns 5 minutos. E entramos na sala seguinte….e o muro que a cercava, imenso, haviam imagens de desenho históricos, animados, e uma música que lhe puxava a emoção. E fui entrando com minha filha, e sentamos juntos, num sofá em formato de pedra. E tudo foi nos envolvendo. As imagens tomavam toda a sala, já estava parecendo que estávamos num sonho. Eu me sentia sentado na guia de rua, em frente a minha casa, quando criança. Comecei a chorar e não parava. Eu me sentia uma criança, sentado ao lado da minha filha. Que sonho! Eu pensava. 

Havia ficado claro um bom uso da tecnologia digital. Uma apresentação interativa, lúdica, musical, despertando o interesse pela história. Tornando a história mais leve.

Mas para mim foi uma das experiências, pessoalmente falando, das mais transformadora. 

O museu era imenso. Um dos maiores da Ásia. Havia uma sessão bem interessante sobre porcelana. Hoje em dia falamos sobre como os chineses copiam o ocidente, mas digamos que à luz da história, também ocidente já copiou muito a China; um bom exemplo disso é a porcelana.

Estava chegando a hora de nossa parada para um café da tarde. Depois de caminharmos pelo tão desejado bairro dos ricos, Itaewon-ro, fomos parar num inesperado café com decoração de estantes de disco de vinil e cds. Música agradável.

Se tem uma coisa que Seul marcou minha vida foi a Olimpíadas de 88. Seoul é total 1988!. 

Havia um balcão, como de um bar. E tomamos nosso café ali, vendo nossa barista preparar as coisas. 

Renovados para uma nova jornada, pegamos um ônibus para o DDP, um centro cultural, digital e com a arquitetura assinada nada menos que Zaha Hadid. Nada é mais prazeroso que esbarrar com algo feito por ela sem ter planejado antes. Segunda vez que isso acontece e é ótimos explorar e admirar a arquitetura, O prédio em si já vale a visita, mas dentro do centro cultural outras interações com tecnologia e design fornece ainda mais uma sensação de estar em outra dimensão. 

Seoul, Torre e Memorial

Saímos em caminhada, partindo do hotel. Cruzamos o bairro Myeongdong, paramos para um café da manhã no Coffee Smith, um delicioso waffle. E seguimos subindo o morro até o bondinho que te leva até a Torre de Seoul. A vista em volta da torre é um passeio “romântico” pois lá os casais colocam os tais cadeados em tudo quanto é lugar. Fomos descendo e pegamos um ônibus que nos deixou na Biblioteca Nacional. Entramos, era domingo!, tinha gente estudando mas nada de mais. E seguimos pelas ruas procurando por restaurante. No final entramos num coreano que acabou criando uma comida que não estava no cardápio. Eles não sabiam o que fazer para nos agradar.

Ali já estava ficando claro que até aquele momento da viagem a gente parecia ser os únicos turistas no pais. O país está vazio, ainda em ressaca do Corona Vírus, turismo caiu ao extremo.

Depois do restaurante uma nova caminhada, a ideia era chegar no Museu Nacional Da Coreia. Vi no mapa que uma simples caminhada nos levaria ao memorial da Guerra da Coreia, não muito longe dali. Seguimos uma rua que nos levaria direto ao Memorial. Porém, no meio do caminho um portão. E lá dizia: propriedade dos Estados Unidos, passagem proibida. E a rua estava sem saída. Teríamos que votar a pé tudo de novo. Nem deu um minuto vem um carro da polícia. Logo vi que eu estava prestes a entrar numa encrenca. O policial sai do carro e se dirige ao portão. Lá ele deposita uma carta na caixa de correio. Eu então aborda-lo.” Você sabe como eu chego no Memorial”. Ele pega meu mapa, olha e diz para eu voltar tudo e dar a tal volta.  Mas daí eu mostro para ele que se passássemos pelo portão, chegaríamos em um minuto. O policial conversa um pouco com os demais companheiros e a gente começa a ver um movimento de arrumação dentro do furgão. Eles nos oferecem carona até lá. Claro que aceitamos.

O carro da polícia, cheio de armas, distintivos e fardas, nos deixa em frente ao Memorial. A Guerra da Coreia terminou em 1953, guardaram muitos dos equipamentos, carros, tanques, aviões e colocaram lá para as crianças brincarem. Um país que ainda esta tecnicamente em guerra, ainda precisa preservar a memória e se manter preparado. É comum ver armas de brinquedo e muitas máscaras de incêndio espalhadas pelo metro, em caso de incêndio. Vídeo também explicando como se abrigar. Não da para negar que isso tem a ver com a guerra, com certa preparação com Coreia Do norte. 

Dentro do memorial uma homenagem aos combatentes.

Já era tarde e não havia tempo para seguirmos para o Museu Nacional. Era hora de tentar encontrar algo de K-pop. Então fomos até o extremo da cidade. Pegamos um ônibus até a K-Pop Road. Tiramos umas fotos com alguns bonecos espalhadas ao da  calçada com o nome das bandas famosas do momento. É uma rua de lojas de luxo, então as vitrines também fazem parte do passeio. 

Depois dali fomos ver o quinto maior prédio do mundo, o Lotte World Tower. Imenso, mais curiosamente 300metros a menos que o primeiro do mundo. Ir até ali também era um pretexto para passear por uma livraria coreana, ver o que o coreanos está lendo. E observasse uma obsessão em aprender inglês( e sentirmos realmente essa limitação no dia a dia, no comércio. Sentimos o esforço enorme dos atendentes em nos entender e em falar palavras básicas.