Jerusalem, segundo dia

Já que tínhamos dois dias, e estávamos algumas horas a frente do Brasil, resolvi combinar passeio pela manhã e trabalho a tarde. Tel Avi é uma cidade muito agradável, moderna, já havíamos estado por ali, mas pouco tínhamos explorado a praia. Tomamos um belo café da manhã no lugar mais recomendado e seguimos novamente para Jerusalém. E novamente fomos, dessa vez, bem mais calmos que no dia anterior, para a Via Crucis e Igreja de Santo Sepulcro. E repetimos mais uma vez, muro das lamentações até o Monte das Oliveiras. E mais uma vez nossa pequena se beneficiando das histórias bíblicas contadas pela mamãe July. Do monte das Oliveiras, pegamos um ônibus passando pelo bairro da comunidade palestina. 

Não poderia ter sido mais oportuno termos parado aqui em Jerusalém. Era como se estivéssemos num lugar resumo de toda a viagem. Passar pelo bairro Armênio, era lembrar de onde a jornada havia começado, em Yerevan. Arménia, o primeiro país a se declarar cristão. E Jerusalém também tem o bairro muçulmano. Quando saímos do Monte das Oliveiras, pegamos um ônibus de volta à porta de entrada da cidade antiga, o portão de Herodes, e nos sentimos novamente no Azerbaijão ou Cazaquistão Em Jerusalém fomos dois dias seguidos ao Santo Sepulcro. Tivemos a sorte de andar pela igreja com poucas pessoas. Como é nossa segunda viagem por aqui, nós sentimos em casa. Nos sentimos íntimos. Ficamos bem mais à vontade para conversar e até ajudamos pessoas a se encontrarem por ali. Até para conversar com vendedores foi prazeroso. Sempre tive pé atrás para conversar com eles temendo que me empurrassem algum produto; dessa vez fiz pergunta sobre a vida deles, onde moram, como pararam ali, há quantas gerações eles têm aquele comércio. Me senti diferente. Jerusalém é um lugar mágico. Já na primeira vez que vim aqui eu havia sentido isso, dessa vez me senti outra pessoa. Meu corpo até estava estressado com pensamentos do trabalho. Mas a mente de alguma forma parece estar absorvendo algo diferente, sabedoria.

Nossa pequena queria saber de tudo. Perguntou de tudo. Ela teve a melhor guia que alguém poderia ter: a July, a mamãe dela. Se eu era quem estava guiando o caminho, a July eram quem contava a história. Geralmente a minha ansiedade para chegar nos lugares é tanta, que costumo andar mais na frente das meninas. E vou alertando pára o que vem pela frente, vou parando o ônibus para adiantar e vou abrindo caminho. E vou ouvindo a conversa delas. É a coisa mais linda. A Mamãe contando a história, sobre Jesus, a passagem bíblica e mostrando os lugares supostos dos acontecimentos e nossa pequena se demonstrando ainda mais curiosa.

Saímos de Jerusalém e eu carreguei comigo a temperatura da pedra do Santo Sepulcro. Diferentemente das vezes anteriores, aquele parecia ter sido uma extensão de viagem para que eu sentisse de verdade aquele momento. 

O dia estava anoitecendo mais cedo. Depois de fazer um home office aproveitando da boa internet do MC Donald, voltamos para Tel Aviv no final do dia e jantamos num restaurante típico local. E dormimos na aventura de guerra mais uma noite. Um paradoxo, local muito próximo a praia, muito bem localizado, mas com infraestrutura precária. 

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