
Encontramos o João Carlos em um café em São Paulo, no bairro Alto de Pinheiros. Ele é um grande exemplo de descendente de armênio que vive no Brasil mas mantém, com muito orgulho, um laço com a cultura e com o desenvolvimento do país. Ele faz parte de uma organização internacionalmente conectada, que coleta dinheiro de doadores, e que envia ajuda ao Armênia, tanto em momentos emergenciais quanto obras pontuais, como a construção de um hospital. Me senti inspirado com sua conversa e bastante entusiasmado com a viagem. Nosso vôo de Doha para Yerevan chegou as duas horas da manhã. Houve um atraso de uma hora. Havia chegado finalmente o momento para desvendar esse país misterioso, que por muitos anos, por falta de puro conhecimento, se limitava a “Dona Armênia”, personagem da novela; e a estação “Armênia” do metrô. Pouco sabíamos sobre a geografia, sobre o que nos esperaria por lá.
E a primeira impressão foi boa logo de entrada: havia uma fila enorme no banco, antes do guichê do visto, para pagar o visto de entrada. Antes de pegar a fila, resolvi perguntar, e fui informado que sendo brasileiro eu apenas precisa do carimbo de entrada. Tudo não levou mais que um minuto e ja estávamos no saguão de malas, livre de tudo.
No saguão de chegada, uma disputa grande pelos taxistas para quem nos levaria ao hotel. Era uma situação curiosa. Mesmo que eu já havia fechado a corrida com um taxista, outro taxista ao lado ficava assediando pars irmos com ele. No fim, nosso taxista fez as malas caberem em seu pequeno carro e seguimos viagem.
Era de madrugada, mesmo assim alguns comércios parecem funcionar, mesmo na periferia. Abusa-se do neon; muitos piscam e iluminam muito as ruas. Comércios bem pequeno também abusam dessa iluminação. Praticamente não reconhecemos nenhuma marca nesse percurso. O comércio parece ser ainda muito local.
Armênia é uma ex República Da União Soviética. A arquitetura socialista teve grande influência na era moderna.
Acordamos às 8, abrimos a janela e lá estava a maravilhosa vista do pico do Ararat. O pico e seu entorno coberto de neve.

Ficamos num hotel mais afastado do centro da cidade, longe de onde as coisas realmente acontecem. Um Hotel bem requintado. A recepcionista não sabia explicar onde pegar transporte público para o centro da cidade. “Táxi?”. Eu disse “não”. Saímos pelas ruas a caça de um ônibus. O primeiro que passou, entramos e mostramos no mapa onde queríamos ir ao motorista. Ele parecia não entende o que estava escrito. Como era óbvio… estava em letras romanas e eles não sabem ler dessa maneira. No ônibus, ninguém falava inglês. Mesmo assim o motorista deu um sinal para sentarmos lá no fundo. O ônibus era pequeno, menos da metade de um ônibus de rua em São Paulo. É um entra em saí a cada ponto. Algum tempo depois, o motorista me chama lá na frente e me entrega um celular. Havia uma pessoa falando inglês do outro lado. Ele me pergunta onde vou e confirma que o ônibus está indo para lá. O motorista havia ligado para um amigo que falava inglês. Que gentileza! Aqui, mesmo dirigindo, parece normal falar ao celular. Sinto de segurança? Apenas um acessório.
Nosso passeio começou pelo Lover’s Park, passando pela assembleia Nacional e pela suntuoso monumento da Cascata Complex. É uma escadaria enorme. Estava 3 graus, a subida ia ajudar a esquentar. Nossa pequena menina estava energizada. Ela queria subir até o topo, apostando corrida quem subia mais rápido. Eu aproveitei um pouco para entrar no museu ao lado, ver algumas obras de design, e aproveitado a confortável escada rolante. Lá do alto, uma vista fantástica da cidade. O céu estava coberto, e já não dava mais para ver o Ararat, infelizmente. Mas foi uma boa nostalgia ver uma criançada soltando bombinha na rua, como se fazia antigamente em São Paulo.
Depois da Cascata, seguimos para escola de música ao lado do Opera House. Passeamos pelos dois andares de corredores, ouvindo os alunos praticaram os mais diversos instrumentos que compõem um suntuoso concerto. Era praticamente um show gratuito mas que não era possível ver os músico, pois estavam fechados em salas de aulas com acústica de uma sala de gravação.
Depois de cruzarmos o Opera House, passamos pelo Cinema Moscou, e chega-nos na praça da República. Depois, uma caminhada pela Feira de artes e artesanato local de Vernissage, pela Catedral de São Gregório, praça da República e pela Blue Mosque. Jantamos numa taverna ali por perto e curtimos a cidade efervescente de Sábado, toda enfeitada para o Natal. Mesmo bem tarde da noite, o comércio todo aberto e as famílias passeando pelas ruas. Ficamos encantados com Yerevan e com a esforço enorme dos Armênio em nos agradar. Muito se esforçam para falar inglês, mesmo poucas palavras. E não desistem facilmente. Mesmo aqueles que não falam buscam alguém que fale em algum lugar.
Tentamos voltar de ônibus pars o hotel. Esperamos por uma hora em um ponto de ônibus e nada. Desistimos e voltamos de táxi. Como o motorista não entendia onde era o hotel, por na saber ler em letras romanas, fui guiando ele até lá. Foi divertido explicar o caminho para um local.