Doha, Catar

Eram 15 horas de voo. Assistir filme é sempre a maneira mais prática de passar o tempo. Assisti uns dois mas gastei mais tempo com as séries. Geralmente aproveito para conhecer novas séries. Mas também aproveitei o tempo de outras maneira. O passageiro da frente era um flamenguista indo para Dora assistir a final do mundial de clubes. Eu estava curioso para entender quem era ele. Ele escrevia inversamente num MacBook. Mesmo atrás eu consegui ver algumas coisas escritas. Partes eram como “escrever ajuda a gente a pensar.” Mas quem escreveria isso? Pensei. Que frase mais amadora. Mas lendo ainda mais embaixo tive a impressão que era um frase dita por um personagem. Então será que ele é escritor? Deixei para encontrar um momento oportuno para perguntar.

Enquanto isso assisti o “Planeta dos Macacos”. Ficção científica. Mal feito! Mas história é boa e faz pensar. No planeta dos macacos, os homens são escravisados. Faz refletir sobre a relação de força versus inteligência. 

Passeando por Doha, no Qatar, nos deparamos com dois Museus: Um acabou sendo uma coincidência interessante. Era sobre a escravidão. Qatar teve um período sombrio desse abominável sistema de exploração do ser humano. Doha, por muitos anos, teve a exploração de pérolas como negócio principal e quem realiza a busca no mar eram o escravos, vindo de diversas áreas da África e Oriente Médio. Isso até a grande depressão de 1929, quando tudo ruiu. O Museu xx, que deparamos no centro reformado de Doha, conta uma boa história desse período, na tentativa de gerar conhecimento e evitar que escravidão aconteça. 

Não dá para andar pelo Qatar e não lembrar de Dubai. Tanto Qatar quanto Emirados Árabes Unidos estão tentando se firmar como destinos turísticos que nos sejam apenas paradas de troca de avisões. Também estão tentando perpetuar a renda, uma vez que dependência do petróleo pode ser um problema quando isso acabar. Também não dá para deixar de esquecer que  ambas estão no meo do deserto e que toda essa construção, tudo muito luxuoso e feito para durar, parece um pouco contra a sustentabilidade. Assim também como tudo parece ser um clube para pessoas com dinheiro. 

Mas essa bizarrice arquitetônica tem o seu valor. Da para entender como será quando Marte for povoada. 

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