Sábado. Acordamos cedo. Dia de partir de Myanmar. Aproveitamos que teríamos que pagar um transfer até o aeroporto e pedimos ao motorista parar em dois lugares no caminho. Não poderíamos deixar Mandalay sem passar pela U bridge e pelo monastério. Chegamos tarde para ver o nascer do sol, mas a vista ainda era inspiradora. A ponte é feita de madeira, cobre um lago e um campo de produção de milho e arroz. Os monges trafegam muito por ali, quando querem ir do mosteiro para a cidade. O mosteiro estava todo aberto e caminhamos pelos quatro cantos. Parece uma universidade, mas muito mais simples, rústica e até certo ponto, insalubre. Os banheiros são rudimentares, não tem acento sanitário e cada estudante tem uma bacia com seus pertences básico sobre os muros do banheiro. É um lugar bem silencioso. Achei que nossa presença pudesse chamar atenção e distrai-los. Pelo contrário, nos sentimos transparentes. Alguns estudantes andavam de um lado para o outro lendo algo em voz alta. Encontramos a escola primária de budismo. As salas de aulas eram fechadas em três paredes. Uma parede aberta dava a impressão que aquilo era um cenário de programa de televisão. Você, ali, parece literalmente um telespectador assistindo o que acontece na sala. Algumas vezes um longe mais velho entrega no meio da aula e dizia alguma coisa. Em uma dessas intervenções, ele pegou minha filha no colo e levou até a sala de aula. E conversou com ela, com as crianças. A língua era local, não pude entender. Nesse momento pude observar algumas placas espalhadas pelo pátio, umas escritas “Honestidade”, outra “oportunidades iguais”. Era o que todas aqueles minis monges, todos vestidos de vermelho vinho, estavam aprendendo. Essa foi uma experiência e tanto. Me senti num ambiente onde todos ali estavam, a meu ver, justamente vivendo uma vida oposta da minha. Sem nenhum apego material, sem qualquer preocupação na cabeça. Foi quando me lembrei da conversa com o monge em São Paulo. O monastério com seu clima inspirador de aprendizagem foi um ápice nessa viagem.
Voltei mais leve para o carro e seguimos para o aeroporto. Era hora de partirmos. Nossa próxima parada era Vietnam.