Mandalay, Myanmar

Acordamos cedo. O Hotel ficava bem no centro da cidade. Um lugar bastante movimentado, sujo e caótico. Depois do café, bastante simples, subimos para a laje. Intenção era ter uma vista. O que vimos foi uma área suja e nada inspiradora. Correria para sair do hotel, pegar um transporte qualquer para chegar no pequeno porto e pegar uma balsa para Bingun. Nossa menina teve vontade de ir ao banheiro. Ficamos impressionados com a escassez de banheiros. Onde batíamos, comércio ou casa, pedindo para usar o banheiro, a resposta era sempre “no clean”. Foi somente num mercadinho, com uma foto da dona na parede e um monte de moças trabalhando que a acolhida foi diferente. Do mercado voltamos ao Porto. O percurso era o mercado de arroz. Haviam mesinhas com pequenas porções, onde o comprador pode fazer rapidamente sua escolha. Myanmar já foi um grande exportador de arroz. A colonização inglesa trouxe até estrada de ferro para Mandalay, que aliás funciona até hoje, para facilitar a escoação. 

O percurso do Porto até Mingun durou uma hora. A chegada é recepcionada por pedintes e ambulantes. Os vendedores são bastante simpáticos, mas atrapalham quem quer curtir as primeiras impressões de um lugar tão exótico. Nos sentimos chegando na ilha de Lost. Um imenso templo de pedra, todo rachado pelo tempo e terremotos. Dá a impressão de que as paredes estão prestes a cair. Entramos no templo e visitamos a imagem do Buda. Pelo tamanho daquele lugar por fora pensávamos que dentro seria um passeio mais longo. Pelo contrário, trata-se de um espaço relativamente pequeno. O passeio então é por fora e por cima, numa escalada que dá agonia pelos tijolos soltos e amontoados. O calor era forte. Uma vendedora local resolveu seguir a July por todo o percurso. Seguimos dali para outro templo. Seria fascinante se não houvesse tanto comércio turístico por ali. O outro templo é branco, parece neve, arquitetura propositalmente parece um labirinto. Muitas das mocinhas visitando pediam para tirar fotos com nossa filha. Ela aproveitava para dar umas estrelinhas acrobáticas entre uma porta e outra. Muito peculiar tal templo, tão elegante, no meio daquele lugar rústico. O sol estava muito forte e precisávamos voltar para o barco. Fizemos a volta com carro de boi. O dono do carro de boi estava me seguindo desde o momento que chegamos no Porto. Ele me via e me acenava. Uma simpatia de gente. Meu coração ia partir se não déssemos tal volta no carro de boi dele. Nossa filha adorou o jeito “Ratotui” dele conduzir as vacas: segurando no rabo delas. Não era nada ecológico isso, mas estávamos nessa situação meio difícil de sair. Voltamos para Mandalay, novamente uma hora de barco. Saímos andando do Porto em direção ao centro da cidade. No caminho entramos aleatoriamente num “ônibus” local: a caçamba de um caminhãozinho, todo mundo espremido, até mesmo os monges. O motorista do ônibus, mesmo sem saber onde íamos, pediu para que descemos em certo ponto. Estávamos no meio do mercado central de Mandalay. Vendiam de tudo. Muitas motos, muita gente e muita comida exótica. Carnes e carnes expostas. Galinhas inteiras enfileiradas, tudo ali a céu aberto. Cinco minutos andando por ali foi suficiente para a July dizer que não estava aguentando tanta mistura de cheiros. Eu não me importo, mas tenho que admitir que é difícil. Não foi fácil sair dali. No fim, andamos e chegamos em nosso hotel. Eu precisava encontrar um lugar para trocar dinheiro. O rapaz do hotel me indicou um lugar. Era uma rua insuspeita. Pequena. No final dela um homem, em frente à casa qualquer, pergunta o que eu estava procurado. Logo abriu o portão, foi entrando. Pensei ser uma casa qualquer, mas no fundo havia uma casa de câmbio, no meio do quintal. Na volta para o hotel parei numa livraria cheia de monges folheando os livros. Estamos na língua local. Fiquei muito curioso para ver o que liam. Vendo aquela imagem, a maneira que apreciavam os livros, passei a admirar o alfabeto local. A escrita é completamente diferente do que já vi. As letras parecem simples e foram um desenho bonito no seu conjunto. 

Na parte da tarde fomos para o Grande Palace, onde ficava a casa do último rei de Myanmar. Ela fica dentro de uma imensa fortificação. Alguns estudantes, recém formados, usando becas tirado fotos na entrada. Vimos o por do sol e assistimos a vida de Mandalay. Monges geralmente saem essa hora dos monastérios para fazer suas caminhadas. Interessante vê-los sentados na beira do rio observando os peixes. Eles apontavam, discutiam. E depois seguiam a caminhada. Quando caiu à noite procuramos o teatro de fantoches, algo bem tradicional por aqui. Nos perdemos. Andamos muito e não encontramos. Foi somente quando perguntamos num estabelecimento comercial que uma das atendentes resolve chamar um rapaz que supostamente falava inglês. Ele se enrolou todo para explicar. Não satisfeito com a sua habilidade de se comunicar, pediu para seguíssemos ele. Entramos em seu carro e nos levou até lá. Esse é o tipo de hospitalidade que encontramos por aqui. 

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