Quarta feira. Dia de acordar bem cedo. Meu relógio misteriosamente despertou as 5:30, sendo que eu havia planejado as 5:30. Só depois fui entender que ele estava ainda no fuso da Tailândia, misteriosamente com meia hora de diferença. Enfim, acordamos cedo e saímos sem tomar café para ver o nascer do sol. Sair com criança não é um negócio rápido. Esse dia não foi diferente e saímos o mais rápido pilotando nossa moto. Minha filha foi comigo. Estava bem escuro, tudo muito sombrio transitando naqueles templos. Não dá para descrever. Lembro que dias antes eu havia dito a July que eu indo para Myanmar eu esperava estar indo para a Lua; ou seja, um lugar completamente diferente, um outro planeta. E era assim que estava me sentido. Em outro planeta. Paramos nossas motos novamente na beira do morro e logo fomos abordados por um home dizendo ser do governo e pedindo por um ticket. Não sabíamos nada de um tal de ticket. Ele queria então que pagássemos. Como não tinha ouvido falar nada disso, de ticket, resolvi sair dali e ir para ver o nascer do sol em algum templo. A July estava preocupada se daria tempo, pois o sol estava para nascer. Mesmo assim, insisti e seguimos pela estrada. Estaca escuro e um pouco mais acelerado. Numa curva a July derrapou na areia e caiu. Machucou a mão e o pé. Nada grave, mas precisou de uns band aid na mão. Mesmo assim tentamos subir num templo, mas fomos impedidos. E não tivemos escolha em pagar o tal ticket. Deixamos isso para trás e curtimos o nascer do sol e a quantidade imensa de balões cheias de turistas cobrindo o céu de Bagan. A nossa menininha ficou deslumbrada, sim. Adorou também a correria. Mas não deixou de pedir “podemos agora tomar café?”. Voltamos então para o hotel e tomamos café. O pessoal do hotel é um caso à parte. Nos faz se sentir em casa. Mas não é um sentir em casa estilo serviço “americano” ou artificial. Eles parecem família. Brincavam com nossa filha como se eles fossem primos. Mas a melhor invenção aqui de Myanmar são esses motos para circular pelos templos. Ficamos o dia todo circulando por onde queríamos, explorando todos os cantos, todos os principais templos, vilas, ruelas e lugares normalmente inacessíveis. Entrar numa pagoda, ou templo, tinha sempre o ritual de tirar os sapatos, mas era uma oportunidade de ver os locais interagindo com o budismo, as lojas de souvenir que, segundo a July, a maioria das coisas ela nunca tinha visto em nenhum lugar. E também era um momento para sermos celebridades, pessoas estrangeiras diferentes para eles. Principalmente para nossa menina. Muitos paravam ela para tirar uma foto. Até os monges, quem diria, com seus celulares, também pediam uma “fotinha” com ela.
Bagan, Myanmar