“Se existe 1% de chance de você estar melhorando, vamos cancelar esse procedimento agora”. E foi assim que fui simplesmente dispensado do consultório médico naquela manhã. Já havia um tempo que aquela sinusite me incomodava. Meses? Acho que sim. E aquele era finalmente o dia, depois de varias consultas com o medico, apenas ouvindo dele “vai passar…não se preocupe, o seu corpo vai resolver isso sozinho”. Para um brasileiro acostumado a ir ao médico no Brasil, a receber prescrições e mais prescricoes, exames e mais exames, e um pulo rápido a procedimentos cirúrgicos, eu estava ali me adaptando à medicina holandesa. Convivi com o incomodo da sinusite por um bom tempo, seguindo suas instruções. Desde janeiro comentávamos sobre uma possível férias em Nova York. Uma semana, algo assim. “Vai ser em Outubro”. Duas semanas antes da viagem, eu finalmente ouvi do medico que ele ia realizar um tal procedimento para acabar de vez com a sinusite. Tudo indicava que uma limpeza por dentro da face resolveria. Mas ele só conseguiria encaixá-la para a tal semana da viagem. Abortamos Nova York. “Vou manter a semi-semaninha de férias, mas vamos priorizar o procedimento”. E assim foi.
No dia do procedimento, logo que entrei na sala, toda a equipe medica me esperando, o meu caro médico me pergunta:” Como você está? Alguma melhora?”. E eu fazendo um rápido julgamento, solto:” acho que da ultima vez que nos encontramos até agora, houve uma melhora de 1%.”. Senti um alivio na sala. Os medico relaxaram. O meu medico disse então, se meu corpo ainda realizando tal melhora, entao ele deveria abortar”.
Sai do consultório desolado. Tanto por não ter resolvido logo a questão quanto pelo fato que eu havia cancelado a viagem. Estava com os dias livres e nada planejado.
Ja no caminho liguei para a July e disse que iriamos viajar. Alugariamos um carro e cairíamos na estrada. Ja havíamos combinado que deveríamos ir para um lugar novo, que não haviamos visitado. Aluguei o carro, passei em casa para pegar ela e minha menina, agora com 4 anos.
Cinco horas depois de partimos de Roterdam, estávamos no coração da Alemanha, Wurzburg.
Nao era nossa primeira vez ali. havíamos passado na primeira vez no desespero de achar um lugar para dormir, em uma viagem longa de carro. Foi uma surpresa. Tem um imenso forte no alto de uma montanha e uma ponte de pedra, ambos compondo uma paisagem medieval. O melhor da cidade é andar margeando o rio A logística da cidade é confusa. De carro ou a pé, não é muito fácil a locomoção de um lado para outro. Passamos a noite por ali e partimos viagem pela manhã.
Três horas de estrada, estávamos entrando na Áustria. E uma hora depois começou uma sucessão de túneis que valeu a viagem toda. Eu que era um grande vendedor pelo mundo dos tuneis da Anchieta e Imigrantes em São Paulo, fiquei com vergonha quando vi os imensos tuneis cortando os Alpes na Austria. Éra um espetáculo da natureza com a engenharia. Antes de atravessar o túnel era preciso pagar o pedágio dele. E isso se sucedia por várias. Sem eles, a viagem deveria durar mais que o dobro de tempo, creio. Isso entretêm bastante a viagem. Criança adora tuneis…
Mais 4 horas, estávamos entrando na Croácia.
“Documentos do carro, por favor” . Entreguei tudo para a oficial,no controle de fronteira. Ela logo reconheceu que o carro não era meu. Ja imendei que o carro era alugado. “Você tem a autorizaçao da locadora pra sair da zona do Euro?”. Ops. Eu nao tinha. Apenas disse que estava vindo de Rotterdam e meu objetivo era passear pela Croácia e voltar para Rotterdam. Ela olhou dentro do carro, olhou novamente a papelada e disse: “Pode seguir”. Ufa. Seguimos viagem. Estávamos Pela primeira vez, na Croácia. Nossa primeira parada: Zagreb, a capital. Duas horas depois estávamos no centro da cidade, tentando encontrar um quarto alugado no Airbnb. Liguei par ao proprietário depois de ter tentado achar o endereço, sem sucesso. Resolvi estacionar o carro atrás da praça principal, isso ja era 10 da noite, e deixar July com nossa filha esperando, enquanto eu tentava desvendar o mistério do endereço. Troquei várias mensagens com proprietário, me passando referências. Nada. Andei, andei, nada. Ele resolveu me resgatar. Dado toda aquela dificuldade, disse que era melhor eu checar o apartamento antes de levar a minha esposa e filha. Nos encontramos na praça principal e seguimos ate o apartamento. Era um rapaz simpático, mas estava me levando para um lugar completamente diferente do original. Andamos por calçadões, o mesmo que andar pela rua São Bento, em Sao Paulo. Chegamos em frente a um prédio bem velho. Todo apagado. Ele tinha a chave, quando abriu a porta de ferro, um imenso corredor escuro. “Entro ou nao entro?”. Resolvi arriscar. No fim do corredor, um elevador velho, com aquelas portas de correr entrelaçadas. “Melhor nao usarmos o elevador”, disse. “Vamos de escadas”. Sao apenas 5 andares. Dai lembrei que a July estava la no carro me esperando e, dado toda aquela logística, com as malas que tínhamos, ia ficar muito difícil ficar por ali. Mas ja era mais de 11horas da noite. Subimos os 5 andares. Ele pediu silencio total, quando atravessássemos o corredor escuro, até chegarmos no quarto. Eu ja estava para desistir, quando ele abriu a porta do quarto. Era fantástico. Tudo oposto do que víamos ate ali. Era moderno, novo, muito espaçoso e um decoração estilo Hotel Boutique. E era um pechincha. ” Fico com ele”. Mas tinha que voltar ate o carro, convencer a July e ainda trazer na mão todas as malas, ja que nao era possível trazer o carro para o calcadao. No final,acabamos utilizando o elevador em doses homeopáticas para trazer as malas. O quarto em si valeu a pena.

