Polonia – Cracóvia, Auschwitz e Varsóvia

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“ARBEIT MACHT FREI”, expressão em alemão no portão de entrada do campo de concentração que significa “O trabalho liberta”.

6 de Agosto 2015.

Faz 70 anos hoje que a primeira bomba atômica foi lançada no mundo. Isso foi em Hiroshima. No ano passado, quando fizemos nossa visita ao Japão, a experiência de passar por Hiroshima foi chocante. Saímos de lá com um gosto amargo, depois de passar horas no museu do epicentro. E exatamente hoje fizemos a visita a outro lugar tão ou mais chocante, se é que é possível fazer qualquer comparação: o campo de concentração de Auschwitz. Com o advento da internet, o mundo ficou bem mais democratizado. Basta escrever Auschwitz e já se obtém milhares de fotos do local, tanto antigas quanto novas. Esse é um daqueles lugares que sempre quis visitar mas sempre evitei dar uma olhadinha prévia. O que vier, tem que ser 100% sem saber o que virá.

E foi assim nossa visita. E foi apenas chegando na cidade de Auschwitz que fomos saber que se tratavam de três campos de concentração. O primeiro que visitamos era uma combinação de campo de concentração e de campo de extermínio. Estava em torno de 35 graus ou mais. Um sol de rachar. Nossa menina estava dormindo e tivemos que carregá-la no colo para entrar dentro do campo. Entramos nos dormitórios, aqueles que todo mundo tem em mente devido aos famosos filmes baseados no período da história. Mas os dormitórios são muito piores do que mostrados nos filmes. São apertados e bem escuros. Os filmes criam mais espaços para justamente permitir a atuação dos atores. Mas de resto, é tudo igual. Seguimos no sol escaldante carregando nossa pequena, rente a linha férrea por onde eles chegavam e onde acontecia o processo de separação de homens e mulheres, até chegar as camaras de gás e o crematório. Eu não parava de perguntar para mim mesmo como que aquilo tudo ainda estava tão intacto desde aquela época. Parte das câmaras de gases foram destruídas, mas ainda era possível ver o formato dos prédios. Os filmes muitas vezes ajudam a sociedade evoluir quando eles recriam o ambiente do fato histórico. Os filmes nos encorajam a visitar os lugares. Mas uma vez que você já tenha assistido um filme e esteja visitando o lugar, é impossível não se imaginar dentro dele. Por mais que o local tente passar a descrição do que aconteceu ali, você sempre será afetado pela imagem do filme que você assistiu. Dessa maneira, andar por Auschwitz é também resgatar imagens de filmes tais como A Lista de Schindler. O campo de concentração é tão imenso que você pode se perder e muitas vezes se pegar sozinho dentro de um dos barracões. A sensação de estar num macabro filme é muito ruim. E essa sensação te acompanha por todo a visita e em todos os cantos. Os prédios de Auschwitz 1 se tornaram museus com os pertences das pessoas que morreram no campo. São toneladas de cabelos, de sapatos, óculos, roupas de crianças e tudo quanto é tipo de objeto. É uma visita silenciosa pelos andares e este silêncio justamente provoca uma reflexão ou tentativa de lhe trazer a experiência histórica. Acima de tudo, e isso fica bem claro, a intenção é evitar que algo tão abominável aconteça novamente.

O tour pelas instalações acabou tarde. No caminho de volta a Cracóvia, nossa motorista nos presenteou com uma passada pela cidade Wadovice, onde o Papa João Paulo havia nascido. A cidade é pequena mas bastante aconchegante. Na praça central, havia um chafariz onde as crianças se refrescavam. Nossa pequena não quis ficar de fora. Apesar de ser 6 horas da tarde o sol ainda estava muito forte. Ao lado da igreja havia uma estátua do Papa, e ao lado direito dela, a casa onde ele nasceu. É uma casa grande, mas na verdade ele era muito pobre e vivia em apenas um ou dois cômodos. O local é de visitação obrigatória de peregrinos. Apesar disso, havia pouca gente no local o que tornava a visita especial. E vendo esta trajetória e a forca da devoção dos poloneses, essa visita começava a tirar um pouco do peso da visita ao campo de concentração.

O dia terminou numa padaria onde o Papa comentou que costumava comer uma torna bastante típica da Polônia, por sinal, uma delícia. Foi uma experiência e tanto. Estávamos cercados de homens com a mesma fisionomia do papa, seus olhos claros e mesma serenidade do olhar. E principalmente seu sorriso. Se alguma dessas pessoas dissessem que era parente do papa, você fatalmente acreditaria.

A noite, apesar da exaustão. Tivemos um jantar com amigos brasileiros no bairro Judeu. Era mais uma coincidência. Havíamos chegado de Amsterdam na noite anterior e parecia que já estávamos ali por alguns dias.

AUSCHWITZ 

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WADOVICE

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7 de Agosto 2015.

Na sexta-feira, fizemos todo o tour pela cidade a pé . Como não havíamos levado carrinho, tivemos que carregar nossa pequena no colo. O calor estava intenso. Tínhamos que buscar sombra de todas as maneiras. Depois de meia hora de caminhada, estávamos no centro antigo da Cracóvia. Essa área é cercada por uma muralha. Dentro desta muralha há um castelo. Para qualquer lado que a gente anda nessa região, encontram-se agradáveis cafés e lojas de suvenir com produtos bastante diferenciados e artesanato belíssimo. Músicos por toda a parte. Visitamos a igreja central, o Town hall e o escritório onde o Papa chegou a trabalhar ainda quando era bispo. Saímos da cidade antiga, descendo o morro por trás do castelo e seguimos para o bairro judeu. No meio do caminho paramos para almoçar num restaurante polonês. A comida é muito boa e relativamente barata comparada com os países do oeste da Europa. A Polônia, apesar de estar na união européia, ainda não adotou o Euro. Ainda é incerto quando e se adotará. O fato é que isso é um bom diferencial no processo de atrair turista, pagando mais barato. Desde que o Pais saiu do comunismo, ele vem crescendo a percentuais elevados. Apesar de estar na Europa, é considerado um pais emergente, tais como outros países do leste europeu. O consumo parece bastante efervescente, com lojas muito modernas e imensos supermercados. O povo parece bastante simpático, mas no comércio ou no serviço os funcionários não parecem transmitir tal felicidade, apesar de atenderem bem. Eles tem o rosto sério e muitas vezes, compenetrados. Talvez as coisas não estejam lá muito boas.

Quando os nazistas ocuparam a Cracóvia, eles transferiram os judeus de onde é conhecido de “bairro judeu” para os guetos. Era um bairro bem agradável e central. Os nazistas passaram a morar em seus prédios. Depois da guerra, ficou uma bairro degradável. Após a queda do comunismo e o interesse turístico, o lugar passou a acomodar excelentes restaurantes e lojas de design. Além disso, acomoda a antiga sinagoga e a igreja de Corpus Cristh. Do bairro judeu, atravessamos o rio Wisla e seguimos para onde ficava o gueto. O gueto era um bairro imenso, todo murado e com poucos portões. Apenas alguns pedaços de muros ainda podem ser vistos. A maior parte dos prédios foram reconstruídos durante o período comunista. Depois que atravessamos o gueto, fomos para o museu onde ficava a fábrica de Schindler. O prédio da fábrica ainda é o mesmo, mas tudo bem mais novo, já restaurado. Os judeus selecionados passavam o dia ali e `a noite no campo de concentração.

Novamente jantamos no bairro judeu. A indicação era de um primo da July que havia morado na Polônia. A descrição dele era precisa: comida boa, polonesa, barata e com uma decoração bem louca. Várias frutas e legumes decoravam as prateleiras entre vasos e outros ornamentos e por incrível que pareçam as frutas e os legumes não eram artificiais e estavam com aspecto de frescos. Difícil é saber de quando em quando eles trocam a decoração…

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8 de Agosto 2015.

 O sábado foi dedicado a uma visita a igreja da Santa Irmã Faustina. É um complexo novo e bem moderno. Fica um pouco afastado da cidade antiga, mas é um lugar muito agradável. A igreja foi construída ao lado do convento. As irmãs ainda vestem as mesmas roupas da época da Santa. Uma torre ao lado da igreja ajuda a visualizar todo os espaço e até mesmo a igreja dedicada ao Papa João Paulo II. As relíquias da Santa estão armazenadas em uma pequena igreja ao lado do prédio onde ela vivia. O local também preservou o seu quarto, que pode ser observado através de um imenso vidro. As irmãs, dentro de sua rotina, andam para lá e para cá, tornando a paisagem ainda calma e peculiar. Muitas delas vieram espontaneamente cumprimentar nossa menina, que estavam brincando no jardim entre as árvores.

Ficamos um bom tempo por ali e podíamos ter ficado o dia todo. Certamente não é um passeio somente para católicos. A igreja é moderna, mas tem uma arquitetura cuidadosamente desenhada para não ser suntuosa. É uma inspiração ímpar. O espaço em volta é cheio de caminhos agradáveis e te levam entre árvores e te inspiram ao autoconhecimento. A história da Santa é muito bonita e emociona pois ela teve várias visões de Jesus. Estas aparições foram registradas em seu Diário. De acordo com um dos relatos em seu diário ela havia previsto que o Papa um dia faria uma visita em seu túmulo. E já foram, pelo menos, dois Papas visitá-la. Os poloneses são bastante católicos. A igreja ainda tem bastante poder no Pais e isso ficou ainda mais forte depois que eles tiveram um papa.

Tentamos pegar um tram para voltar a cidade. Depois de descermos o morro até o ponto e ficarmos uma hora esperando, é que fomos saber que não estava funcionando. Havia uma corrida de bicicleta no centro da cidade e tudo estava fechado. Seguimos de taxi até o centro antigo. Ainda faltava fazer o outro lado da muralha. Mais uma veze curtimos a atmosfera agradável do centro antigo. Nesse passeio deparamos com um beco que levava até um café bem escondidinho. Ele estava instalado em um quintal. Nossa menina rapidamente se integrou, sem percebermos, a um grupo de crianças que participavam de uma festa de aniversário. Enquanto tomávamos nosso café da tarde, curtindo a decoração pitoresca do local, ela brincava na festa.

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9 de Agosto 2015.

Nosso domingo, dia dos pais no Brasil, ficou dividido entre Cracóvia e Varsóvia. Havia uma coisa na história da Polônia que eu queria muito visita. Fomos até lá. É uma cidade ao lado da Cracóvia. É uma cidade planejada, construída no período comunista. Sua arquitetura é a tradicional comunista. Prédios pesados, linhas retas e ruas simétricas. A praça central, que acomodava a estátua de Lenim, foi rebatizada de Ronald Reagan, presidente que ajudou a Polônia com ajuda humanitária, sob a influência do Papa. O sol escaldante limitou o nosso passeio, mas o pouco que andamos nos ajudou a ter uma idéia daquele período. Os prédios são os mesmos, mas o local acomoda lojas e cafés bem modernos podendo comprovar que o capitalismo parece ser um sistema que vai prevalecer por um bom tempo.

Na outra metade do dia, seguimos para Varsóvia. Era minha segunda vez na cidade, mas a primeira foi uma visita de negócios. Ficamos encantados com o centro antigo. A arquitetura é diferente da Cracóvia. A Cracóvia pertencia a Áustria e tem arquitetura emprestada daquela região. Varsóvia também tem uma muralha cercando o centro. É possível caminhar sobre o muro, namorando a paisagem tanto dentro quanto fora. A caminhada foi longa mas você nem sente porque a paisagem faz o tempo passar.

O semblante das pessoas dessa região pareciam mais alegres do que na Cracóvia e, apesar de ser a capital, parece que você está, na verdade, no interior. Isso também ficou em contraste quando passamos pelo Palácio Presidencial, último lugar de nossa visita na Polônia.

VARSÓVIA

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