Enfim, Sydney – Austrália

 

Depois de 14 horas de viagem e mais 8 horas de fuso horário, chegamos em Sydney. É nossa primeira vez na Oceania. Achamos o aeroporto meio apertado, levando em consideração o tamanho do País. Ele é o sexto maior do mundo, o Brasil o quinto. Pegamos um trem entre o aeroporto até a estação central de Sydney. Era horário de pico, 8:30 da manhã. Sobre a Austrália eu tinha duas coisas que ecoavam na minha cabeça há anos: A Austrália é um Brasil que deu “certo”; e a segunda é que tudo é meio parecido com a Inglaterra. Estou realmente tentando andar por aqui sem ser afetado por ambas as frases. É bem difícil. Quando chegamos na estação de trem central, percebemos que isso sim parece a Inglaterra. A estação parecia qualquer outra em Londres. Mas quando vimos que Sydney é bastante dependente de ônibus e com pouquíssimas linhas de metrô, isso nos fez lembrar do Brasil. Saímos andando da estação central pois não estávamos certos de qual ônibus pegar para o nosso destino. “Vamos andando”. Cortamos a China Town, subimos ladeiras e chegamos em frente ao Hotel , ponto de encontro. Até ali tudo parecia muito São Paulo. Depois de um SMS, tão logo, a Suzan veio nos encontrar. Não andamos nem 5 minutos já estávamos em seu apartamento, primeiro andar, em frente a um jardim com papagaios soltos, voando livremente. Suzan era jornalista da BBC quando morava em Londres. Ela havia decidido voltar para Austrália para ajudar uma irmã que havia tido um filho. Atualmente trabalha em casa, editando filmes e fotos, como free lancer para grandes midias. Estávamos exaustos. Era próximo da hora do almoço, mas resolvemos dormir um pouco. Na parte da tarde uma chuva “brasileira” que não víamos há tempo. Mesmo assim decidimos sair. Suzan havia me alertado várias vezes para ver os horários dos ônibus. Somente quando estávamos no ponto é que fomos entender que eles demoram para passar. Dois pontos de ônibus depois, já estávamos no centro da cidade. O primeiro prédio que visitamos era o da Rainha Vitoria, um dos mais antigos da cidade. E saímos andando até a orla, onde pudemos ver o Opera House. Sydney ficou muito famosa internacionalmente depois das Olimpíadas de 2000. O Opera House era imagem constante nas vinhetas das olimpíadas. Sua arquitetura é arrojada e sua localização que é bem na baia de Sydney, ao lado da imensa ponte, ajuda Sydney a tirar o seu ar pesado de cidade concreto, até digamos assim meio sem graça, apesar do pequeno aglomerado de prédios modernos. Tirando o Opera House e a baia, tudo é bem semelhante à São Paulo.

No dia seguinte, seguimos novamente para o centro da cidade para conhecermos o outro lado, o dos parques. Demos uma passada rápida pelo Hyde Park e depois nos perdemos no Jardim Botânico. De lá, você tem uma outra vista do Opera House. Almoçamos no pé do teatro com a vista para a Ponte. Nem era nossa intenção, mas fomos forçados quando vimos que nossa filha estava prestes a dormir. Depois do almoço, antes de pegar um ferry, ficamos assistindo aqueles shows de rua onde no final o cara passa a sacolinha. O processo de persuasão de recolher dinheiro está cada vez mais sofisticado. Antes do número final, o artista faz um belo discurso dizendo que aquele show custaria facilmente uns 15 dólares em um teatro e que o mínimo que ele espera de cada um alí é uns 10 dólares. “Se você quiser dar 5, ok. Dá para comprar um café”. “Agora, se quiser dar moedas, nem me dá”.

O ferry cortou a baia, dando uma vista privilegiada da moderna arquitetura do Opera House. Uns 20 minutos depois estávamos numa praia chamada de Manly. Nossa tarde foi na praia, o dia estava com cara de chuva, o sol ameno, perfeito para nossa pequena brincar bastante de castelo de areia. Enquanto isso a July fez amizade com uma senhora da Malásia. Ela é chefe de produção de uma fábrica de roupas. Trabalha 7 dias por semana e fala 5 línguas. “Se não souber falar tais línguas, não consigo falar com as funcionárias”. “Tirar férias é uma benção.’’ “Vim aqui para visitar minha filha, o trabalho é uma pressão constante”. “Ocorrem muitos acidentes; apesar do treinamento, o cansaço é tanto que as pessoas se distraem”.

Voltamos para a casa e em um bate papo com a Suzan, comentei o quanto estou chocado de como a Austrália é quase do tamanho do Brasil, mas tem uma população tão baixa, de 25 milhões de habitantes”. Como hobbie, ou como ela mesma prefere dizer, “como causa”, ela produz filmes independentes sobre a falta de representatividade na mídia das minorias australianas. Ela adorou minha pergunta e já foi logo dizendo que “inclusive existe uma meta de que ela não passe de 30 milhões, nunca.” “Tudo isso começou em 1900, no nascimento do País. La atrás a idéia era criar uma utopia, um País para poucos e brancos”. A Austrália chegou a colocar em lei que somente brancos, Europeus, poderiam viver aqui”. E isso determinou muitas coisas, a deportação de muita gente, a redução drástica dos locais – aborígenes – a exclusão social dos que já estavam aqui e que não eram brancos. Isso afetou inclusive a relação da Austrália com os países da Ásia, principalmente com o Japão. Diz-se até o Japão, ofendido com a lei da Austrália, e não retaliação das Nações Unidas, foi um dos causadores do Japão ter se militarizado e ido à segunda Guerra.

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