Partimos sexta-feira à noite de Amsterdam, destino Dubai. Foi uma viagem de 6 horas pela Emirates Airlines. Todo mundo fala tanto nessa empresa, comentam que ela trata muito bem as crianças, etc, que resolvermos experimentar. Viajando pela Emirate, você sempre terá a oportunidade de parar em Dubai. Ao invés de ficarmos viajando 24horas entre Amsterdam e Sydney, resolvemos ficar uns dois dias na Capital dos Emirados. Os Emirados Árabes Unidos tem muitas empresas próprias conhecidas internacionalmente. Bem, por enquanto eu só conheço a Emirates. Chegamos na manhã de sábado. Saímos impressionados com a ostentação do aeroporto, já denotando o que veríamos pela frente. Elevadores duplos enormes, cachoeiras para todos os lados e a sensação de estar numa Disneylândia do deserto, muitas pessoas com vestimentas locais (sim isso é original), mas com arquitetura, ultramoderna, meio “forçada” com sotaque árabe. E também logo vimos que todas as lojas, cafés, farmácias de Londres podiam ser encontradas por lá. Dalí seguimos o mais rápido possível para o hotel. Dormimos por uma horinha e saímos. E começamos nosso passeio pela parte moderna. Locomover-se por Dubai por transporte público não parece ser tarefa fácil. Tudo é muito distante e o metrô ainda é limitado, pelo menos essa era minha impressão olhando para o mapa. Dubai é uma cidade planejada. Deu a impressão de não haver transporte público em abundância, provavelmente tem a ver com o fato de o petróleo ser muito barato. Tem carros para todos os lados. Os Emirados Árabes são um dos maiores produtores de petróleo do mundo. E taxi é relativamente barato. No percurso até a área dos arranha céus, vendo novos imensos prédios sendo construído, perguntei ao taxista, um paquistanês, de onde vinha a mão de obra: “Índia, Paquistão e Bangladesh”. Mão-de-obra barata. Andando pela cidade, pelo menos pela parte moderna, que já é de longe a maior área, você não vai encontrar esses operários andando por ai. Eles trabalham 12 horas por dia e 6 dias por semana. Pelo contrário, Dubai é uma cidade para uma elite do mundo bastante seleta. Ela é cara e bem cara. Não, não, melhor dizendo ela é extremamente cara. Andando por aqui percebe-se facialmente que é uma espécie de cidade turística para milionários do mundo árabe. E também um lugar para as mulheres ter onde gastar. Lembrando que homem pode ter mais de uma mulher. Quanto à arquitetura, ela impressiona. Todos os arranha céus tem desenho futurista, servem de espetáculo dia e noite. Passear de carro parece ser a melhor opção pra entender o que é essa cidade, o que é esse “projeto” Dubai. Esse projeto é polêmico. Impossível circular por aqui e não parar para pensar que para uns isso é um sonho, um “feito” da humanidade, transformando deserto em alguma coisa, mas por outro, um pesadelo quando se entende que para que esse esforço está sendo realizado. O país é um imenso deserto, mas o petróleo é mais do que suficiente para permitir a construção ilógica, a meu ver, de uma mega cidade, bastante ocidentalizada, utilizando largo recurso da natureza e mão-de-obra, para criar uma falsa atmosfera de prosperidade para milionários e turistas. No entanto, isso tudo se torna legítimo porque ele é baseado no argumento de que se eles tem dinheiro para fazer, o que os impediriam? A história desse local não segue a história de cidade tradicional. Ela nasceu no meio do deserto porque é financiada por mega investidores, na maioria os próprios magnatas e shakes do petróleo dessa região, perpetuando o dinheiro quando o petróleo acabar. Os investidores do ocidente também tem o seu pedaço aqui. Depois de almoçarmos e percorrermos a grande avenida desses arranha-céus, resolvemos arriscar tomarmos um ônibus. Entramos pela porta do meio, o ônibus partiu. Ficamos num embaraço pois não havia cobrador e as mulheres deveriam ficar na parte da frente do ônibus. Havia uma barra separando os dois lados. Fizemos cara de desentendidos e descemos no ponto seguinte, no meio do nada, numa imensa avenida. Resolvemos seguir andando até a praia mais próxima. Atravessamos uma avenida onde carros passavam em alta velocidade. Nossa filha estava cansada e não queria mais ficar no carrinho. Andamos o quanto podíamos. Era incrível como apenas dobrar a esquina atrás de um arranha céu poderia te levar a grandes quarteirões feito de deserto. Bairros com casas antigas, misturando casas imponentes com casas muito simples, um espaço enorme entre uma e outra. E tudo isso com uma vista para a “modernidade”, parecendo um oásis. Exaustos, não havia escolha senão pegar outro taxi. E resolvemos seguir para o local, a meu ver, o ponto mais famoso de Dubai, o hotel Burj al-Arab. Esse é um hotel bem famoso. É comum ver imagens em revistas de gente jogando golfe ou tênis no heliporto no topo do prédio. Marketing é tudo e Dubai faz esse trabalho muito bem. Não estávamos sozinhos na façanha de tentar tirar uma foto boa. Olhando para aquele hotel isso foi a primeira coisa que veio na minha cabeça. Marketing. Mas estávamos alí para curtirmos a praia. A tarde foi caindo e seguimos para o Jumeira resort. Lá tem praia pequena com uma vista privilegiada para a baia e para o famoso hotel. A praia parecia ter sido desenhada para criança. Nossa pequena brincou bastante por alí. Achei a água meio fria, mas o calor permanente de Dubai, geralmente entre 27 e 35 durante este período do ano, faz você não se preocupar muito com isso. O vento ajuda a refrescar bastante. Bem, estivémos em outra oportunidade no Golfo Persa (bastante famoso nos anos 90 devido a guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu o Kuwait). Do outro lado para praia onde estávamos, encontra-se o Irã, área onde já estivémos em outra viagem.
Depois seguimos para o Shopping Mall para ver o espetáculo das fontes. É um turismo clichê. Como ele fica no pé do maior arranha céu do mundo, resolver ir até lá. É bonito ver a dança das águas, colorida, ao som de música árabe. O shopping deve ser também o maior do mundo. Para quem gosta, é o paraíso das compras. Tudo é muito sofisticado e também muito caro. Muito caro. Mesmo coisas simples como um café, estão no preço de uma refeição inteira em qualquer lugar do mundo. O cansaço do jet leg começou a picar a gente. Depois do jantar, voltamos o mais rápido possível para o hotel. Não fosse pela maneira insegura que os taxistas dirigem por aqui, seria uma volta com uma paisagem bem agradável.
Domingo. Resolvemos pegar metrô. Bem novinho. Depois de duas estações, nos sentimos no Japão na hora do rush. Ah, domingo eu havia me esquecido…a July me lembrou que Domingo é um dia especial no mundo árabe. Deixa eu descrever na minha maneira, como percebo: é um dia da semana qualquer, mas que parece que as pessoas trabalham muito mais e até mais tarde. O comércio ferve até altas horas. Parece uma segunda-feira misturada com sábado ao quadrado. Enfim, andar com criança nessa multidão não foi fácil. Mas pelo menos passamos a entender onde andam os operários da cidade. Esse País sem os migrantes da Índia, Bangladesh, Indonésia simplesmente não existiria. E nem funcionaria. Eles estão em todos os lugares. São eles que servem nos restaurantes, são faxineiros, são vendedores nas lojas. Para você encontrá-los, basta ver aqueles que não usam aquela roupa branca com o véu na cabeça.
A cidade antiga de Dubai é bem pequena, eu diria. Digo, comparada com o que já vimos no Irã. Visitamos dois mercados, os da especiarias e o de ouro, e depois seguimos para o lado moderno novamente. Nossa intenção era passar a tarde em alguma praia pública mas quando chegamos lá descobrimos que estavam todas fechadas para reforma. Visitamos então o Náutico Clube de Dubai, onde havia uma pequena faixa de areia, mas suficiente para nossa menina brincar bastante.












