Eram 21 horas. Estávamos em frente a um barzinho com uma decoração bem moderna, com a frente toda de vidros enormes e vazados. Dentro havia um mapa enorme cobrindo toda a parede. Na frente havia uma moça arrumando as mesas e recolhendo as cadeiras. Estava meio escuro e era uma rua com uns prédios bem antigos, muitos mal cuidados, alguns até cheios de lixo ou entulho intercalados por inesperados comércios muito bem decorados. Um ventinho levemente frio,fiquei parado com a minha bebê na backpacker, bem rente a guia no encontro entre várias ruazinhas. O silêncio era apenas quebrado por badaladas fortes de um sino com distância de difícil identificação. A July estava lá dentro do bar, conversando com a simpática garçonete, tentando entender se o cardápio atendia suas exigências de mãe. Senti nesse momento um movimento atrás de mim que me gelou a espinha. Diversas pessoas caminhando em passos silenciosos, com velas nas mãos, seguindo um percurso disciplinado, sem chegar a subir nas calçadas. Daí fui entender: era uma procissão. E essa era a procissão da igreja cristã Grega. E ela seguiu pelas ruas escuras do centro antigo de Atenas. Enquanto ela passava, me fez lembrar uma missa que estivemos em Haia, na Holanda, semana passada. O padre comentou que se o Cristão tivesse apenas três dias para se dedicar a sua prática religiosa por ano, esses seriam os dias da Páscoa. O grego parece ser bastante religioso. Desde que chegamos aqui, ontem pela tarde, temos vistos as igrejas cheias por aqui assim como televisores transmitindo eventos ligados a igreja. A Grécia é um dos poucos países da Europa que tem a religião formalmente ligada ao Estado. E as pessoas parecem realmente serem devotas. Na sexta-feira santa, os adultos não bebem álcool e as crianças não bebem leite. Ficamos surpresos quando a mocinha da sorveteria disse que daria um potinho de sorvete para nossa bebê e que deveríamos ficar despreocupados porque não continha leite. A hospitalidade do grego te surpreende a cada interação. Eles adoram crianças e adoram estar em família. E tem uma padaria melhor que a outra em cada esquina.
Estávamos planejando tomar nosso café da manhã em uma delas, mas fomos surpreendidos pelo café da manhã servido em nosso hotel meia estrela. O café é servido no último andar e tem uma vista privilegiada para Acrópoles(essa mesma, a cidade de Atenas criada no século de Péricles, época dos grande filósofos). E lá foi nossa primeira parada. Felizmente estávamos usando a backpacker para carregar nossa menina. Subir a colina era uma verdadeira escalada sob um sol razoavelmente forte. Lá tivemos mais uma bela surpresa. O ingresso para toda a área da Acrópole era excepcionalmente gratuito hoje. O passeio ficou ainda mais legal. Outro benefício: pensávamos que o objetivo maior era apenas ver o berço da democracia, o Paternon, e o primeiro teatro da terra, mas na verdade o bacana mesmo foi ter a vista de toda a cidade, inclusive o mar mediterrâneo. É claro que para outras pessoas o mais importante pode ser as construções antigas já que elas influenciaram todo o mundo. Mas o fato é as pessoas em geral ficam mais tempo olhando a cidade do que propriamente as obras que influenciaram o mundo. Almoçamos no pé da colina, experimentando a comida grega com seus temperos regados de azeite. Outra vantagem. A comida é barata e convidativa. E eles não vivem só de mussaca. Dalí seguimos para Plaka, um bairro cheio de bares bem agradáveis e mesas nas calçadas e lojinhas de artesanatos e design fino. O percurso seguiu até o templo do Deus do Olímpio, lugar que havíamos visitado na noite anterior, e o Parlamento da Grécia e o estádio olímpico.





















