Acabamos, por fim, tendo uma boa noite de sono em Vlodrop. Mas acordamos atrasados e não podíamos perder o ônibus. Quando já estávamos colocando o pé dentro do ônibus percebemos que havíamos esquecido de deixar a chave( e é claro… o rapaz havia desaparecido e não havia ninguém na recepção). Sem mais tempo, resolvemos então deixar a chave na recepção, escondidinha. Seguimos paraVlodrop, num lugar no meio da floresta. Está localizada exatamente entre a fronteira da Holanda e Alemanha. Quando o nosso traslado estacionou dentro do MERU, tive duas sensações: a primeira era de que eu estava no filme “A Vila”, no meio da floresta, numa civilizacao isolada. Depois que eu estava no seriado Lost, realmente perdido, e dentro de uma organizacao Dharma. Os funcionários, também bastante confusos com nossa presença, seguiram para o refeitório. Como ficamos meio sem saber o que fazer, já que não havia uma recepção, entramos no refeitório e ficamos por ali rodeando os movimentos, sem compromisso. Aproveitei para dar uma olhadinha no que estava servindo. A única coisa que reconheci foi uma banana. O resto parecia comida do filme Matrix, algo com cara de arroz doce, com cheiro salgado. Quando eu pensei em experimentar apareceu um rapaz dizendo “eu estava esperando por voces…”. Ele disse que eu havia conversado com ele dias antes e que eu havia meio que demonstrado interesse em algumas massagens relaxantes. É verdade, eu realmente havia perguntado mesmo. Não me lembrava mais disso. O meu interesse na verdade era em conhecer o campus de Vlodrop e como não havia visita regular, um tour propriamente dito, perguntei se não havia algum outro serviço, dai ter surgido as tais massagens. “Ah, é verdade, eu queria saber um pouco mais sobre as massagens…”. Nem bem terminei a frase aparece um homem de roupa branca, bastante confiante, se apresentando como o presidente do campus. O rapaz da massagem cochicha algo no seu ouvido, o presidente nos cumprimenta e sai conversando com alguns funcionários. O rapaz da massagem se empolga e começa a explicar todos os tipos de massagens disponíveis. No meio da conversa, com o salão ainda cheio, entra o rapaz que nos recepcionou lá na hospedaria. Tive um susto em vê-lo por ali. “Você deixou a chave no quarto como eu havia pedido?”. “Na verdade eu a deixei na recepção, escondida..”. O rapaz ficou furioso, saiu batendo a porta. O refeitório ficou em silêncio. Nisso passou um faxineiro e disse. Não se preocupe, ele vai ficar bem. Ficamos meio intrigado com tal reação, afinal o local deveria ensinar todos a serem calmos. Depois de ouvir uma série de opções de massagens resolvi escolher uma, a mais barata do cardápio. Como queríamos propositalmente passar o dia inteiro por ali, combinamos que a tal massagem seria as 15horas, duas horas antes da kombi sair do campus. O rapaz saiu contente achando ótimo ser mais tarde pois ele precisava realizar toda uma preparação com antecedência. Aproveitamos então para andar pelo campus, sem guia, sem nada. Saímos como se tivéssemos passe livre para ir onde quiséssemos, mas o fato é que fomos barrados em vários lugares. Dentro do campos tem umas mansões enormes, suntuosos palácios. Também chegamos muito perto de um templo onde são gravados os vídeos que são transmitidos ao vivo diariamente. Chegamos a assistir uma das gravações. O campus é um lugar muito calmo, alguns prédios abandonados, uma floresta fechada em volta e um clima de vila Dharma do Lost. Mas era um lugar jus a própria causa: calmo, místico, rodeado de natureza.
Durante o almoço no refeitório, o Presidente da instituição veio sentar em nossa mesa. Puxou conversa, assuntos sem compromissos. A conversa foi se estendendo, estendendo, quando vimos estávamos somente nós no refeitório. Ai o presidente parecendo ter incorporado outra pessoa, disse: “pronto, estou aqui a disposição para qualquer pergunta de vocês”. Eu e a July olhamos um para o outro, sem entender inicialmente. Dai percebemos que ele poderia responder qualquer pergunta sobre a instituição. “Um…vejamos…bem…(tentando puxar uma pergunta na cabeça)…vocês cobram para ensinar as pessoas meditarem…para onde vai o dinheiro?. O presidente parecia ter uma resposta pronta e bem convincente. Depois fizemos outra pergunta sobre se havia algum projeto deles no Brasil…ele novamente respondeu como se estivesse numa entrevista coletiva, bem diplomaticamente. Ficamos nesse ping-pong mais ou menos meia hora, até que um funcionário o chamou para tratrar de assuntos internos. Tivemos um tempinho a mais par curtir a calmaria do local até chegar a hora da tal massagem. Quando cheguei no corredor onde ficava a sala da massagem, segui as instruções, fiquei parado do lado de fora sem bater na porta. O rapaz apareceu e demonstrou estar surpreso em me ver. Estava me esperando mas tive a impressão que achou que eu não iria. Abriu um sorriso e me pediu para entrar. O local parecia um laboratório de química de escola com uma cama alta, de massagem, no meio. Dai comecei a lembrar que ele realmente havia comentado que era uma massagem complexa, com óleos diversos preparados quimicamente em laboratório, horas antes da massagem. Pediu para que eu trocasse de roupa e vestisse uma roupa especial. Quando eu estava no banheiro é que percebi a roupa especial na verdade era uma tanguinha fio dental minúscula. Tente não rir, tal como não se deve rir quando as calças de um senhor bem idoso cai sem que ele perceba. Deve-se respeitar. Entrei só de tanguinha na sala e senti por duas horas os benefícios relaxantes dos tais óleos. Para ser bem honesto eu meio que dormi de olhos abertos. Quando a massagem terminou e meu corpo estava lotado de óleo, passei a sentir um stress danado por que percebi que a kombi estava prestes a sair. Tive que tomar banho e colocar a roupa ao mesmo tempo. Sai em disparada elogiando ao máximo a tal massagem. O rapaz se sentia extasiado. Tive a impressão que eu era um raro cliente. Infelizmente os efeitos relaxantes haviam ficado para trás e sai correndo para pegar a kombi. Na entrada, a July : “O que aconteceu? Tanto tempo lá nessa massagem…já não podia segurar mais a kombi”. Ali mesmo tiramos nossa única foto do local.
A kombi nos deixou novamente na vila do “Show de Truman” e conseguimos nos desvencilhar do grupo. Procurarmos um ponto de ônibus qualquer e pegamos o primeiro ônibus que passou. Voltamos para a estação de trem e seguimos para Naardem, uma cidade à beira de um imenso canal, pouco depois de Amsterdam. Passamos a noite por ali, e saímos pela manhã para conhecer a grande atração do local: trata-se uma ilha enorme em forma de forte de cinco pontas. Lamentavelmente só é possível ver o tal formato por uma visão aérea. Mas um passeio pela ilha é um passeio extremamente agradável, cercado de igrejinhas, casas holandesas e comidinhas especiais. Passeamos pela estrela ilha pela manhã e pagamos um trem até Amsterdam.
Como já conhecíamos Amsterdam de viagens anteriores, dessa vez fizemos um passeio mais relax. Tentamos curtir a cidade mais calmamente, andando mais devagar (obviamente pois a July estava grávida) e passeando por lugares que não havíamos conhecido ainda. Visitamos a Biblioteca de Amsterdan, que tem uma vista bem agradável para toda a cidade(e um almoço barato e variado) e curtimos os cafés sem pressa. Um dia e meio em Amsterdam, seguimos viagem para Bruxelas. Revisitamos A Grand Place e tomamos o Eurostar de volta à Londres. Essa foi a segunda grande viagem de nossa filha.
Holanda – Amsterdam









