Bélgica: Bruges e Antuérpia

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Saímos de férias, July grávida de 6 meses. Nosso destino não poderia ser muito longe de Londres. E tinha que ser de trem. Dessa vez resolvemos pegar o Eurostar e explorar a sua segunda rota: Países Baixos. Em 3 horas, saindo no final da tarde, partindo de Londres, chegamos em Bruxelas. Com o próprio passe da Eurostar, sem nenhum acréscimo, entramos no trem às 21 horas de Bruxelas para Bruges. Havíamos planejado alugar um carro na cidade e movimentar-se entre as outras cidades, mas como percebemos que toda a Região dos Países Baixos é bem servida de trens, desistimos da nossa reserva. Passamos um dia em Bruges. Nossa única referência era de que tratava-se de uma “Veneza” Belga. Realizando nossa pesquisa sobre a cidade, muitas pessoas alegavam que ela era ainda mais bonita que Veneza. Apesar da July ter que andar mais devagar, consideramos que exploramos bem os quarto cantos da cidade. É…é uma Veneza… mas bem, mas bem compacta. Acho até que essa comparação é bem injusta com Bruges. Até mesmo desnecessária. Bruges tem um ar de “Florença”, medieval, com românticos canais e, mais interessante mesmo, com charmosos moinhos de vento cercando a cidade. Mas, o mais surpreendente mesmo foi o que descobrimos na Basílica do Sangue Sagrado. Segundo a história, ali é guardado uma relíquia do cristianismo, um recipiente de vidro que guarda o sangue de Cristo. Por coincidência, chegamos na igreja no momento em que estava começando um ritual anual de celebração à relíquia. Basicamente representantes da comunidade e da igreja, realizam uma espécie de missa, onde expõe-se o  recipiente muito próximo aos fiéis.

Ficamos num albergue bem no meio da cidade antiga. O que me chamou a atenção no Albergue é que havia aparelhos de televisão que não permitiam o acesso aos canais. Serviam apenas para assistir vídeos. E na recepção havia uma coletânea gratuita interessante. Resolvemos então passar a madrugada assistindo “Casablanca”. Como se sabe, ele é um clássico do cinema, sendo recomendado em qualquer época. De Bruges, capital de Flandres, tomamos um trem até Antuérpia. Também tínhamos previamente poucas informações sobre o que veríamos na nova parada. Quando chega-se em Antuérpia, você é recebido com pompa:  a estação de trem é uma das belezas arquitetônicas mais impressionantes que já vimos. Só depois fomos descobrir ser uma das 4 mais belas do mundo. Só pela estação, portanto, já valia a pena dar meia volta e sair da cidade. Felizmente tínhamos ainda muito o que explorar. E na mesma tarde preferimos conhecer a parte mais moderna da cidade, onde se encontram a região das lojas de roupas fashion, de última moda, e as região das lojas de diamantes. Isso mesmo, Antuérpia é conhecida como a capital mundial do diamante. No dia seguinte, seguindo para o centro antigo, nosso roteiro começou no agradável Stadpark, o maior parque da cidade. Depois seguimos para Grote Markt, uma espécie de praça central. Nossa primeira parada mesmo foi na Catedral de Nossa Senhora, praticamente um museus de obras de Peter Paul Rubens, o principal artista da Antuérpia. Depois seguimos pelo centro.

Nosso tour pelos países Baixos também incluía a visita ao MERU, Maharishi European Research University. Maharishi, para quem não sabe, foi guru dos Beatles, aquele que havia ensinado os Beatles a Meditar. Nos anos 70, com a expansão do estudo dos efeitos da meditação na mente, ele conseguiu apoio para construir centros de pesquisas. Dentre eles, um grande centro foi criado na Holanda, local onde ele trabalhou até morrer, em 2009.  Interessados no assunto, tínhamos a intenção de visitar a tal universidade. Mas pesquisando sobre eles percebemos que não era uma tarefa simples, bastando chegar lá sem aviso. Teríamos que criar algum motivo já que não pretendíamos fazer nenhum curso. Desde a Antuérpia eu vinha me comunicando por telefone com um funcionário do Meru, tentando convencê-lo em nos receber. Depois de várias idas e vindas…. eu disse que eu já tinha uma passagem de trem comprada para Vlodrop, então ele mudou de posição. “Ok, venha então para a estação de trem Roemond e me ligue de lá.”

Como Vlodrop fica bem no canto da Holanda, foi uma saga chegar até lá. Tomamos um trem até Bruxelas, de Bruxelas outro até Liege. De Liege até Maastrish(a cidade do famoso tratado) já na Holanda e, um último trem, até uma cidadezinha chamada Roemond. Quando chegamos em Roemond entrei em contato com o rapaz. O telefone não atendeu. Esperamos por uma hora, tentamos novamente e como não houve resposta decidimos ir diretamente até Vlodrop. Pensávamos que Vlodrop era uma cidade universitária. Na verdade, tratava-se de uma cidadezinha dormitório no meio do nada, estilo Cidade do Show de Truman. As casas bem característica da região no interior da Holanda. Mas o prédio que o taxista nos deixou, bem no centro era bem diferente. Parecia mais um prédio comunista russo. Não havia ninguém na recepção do prédio. Apenas um telefone, mas nenhum número ou mensagem. “E agora, quem devemos procurar?”. Meia hora depois chega uma kombi estilo “ilha de Lost” com alguns indianos com suas vestimentas típicas e apenas um ocidental. Quando o ocidental está esperando no elevador, nos vê e acha estranho estarmos alí sem mais nem menos. “Com quem vocês querem falar?”. E eu: “eu não sei”. “Vocês vieram fazer algum curso?”. “Não”. Tentando nos ajudar ele dá alguns telefonemas e uns quinze minutos depois aparece um rapazinho com várias chaves na mão e pede para seguí-lo. “Eu estava aguardando vocês”. O elevador era terrivelmente demorado. O rapaz nos conduz até nosso quarto e nisso já fomos observando que parecia que vários indianos moram por alí, notando isso pela vestimenta, mobiliário e o cheiro de incenso. Dentro do quarto o rapaz pede desculpas por não ter atendido o celular quando ligamos da estação pois ele havia esquecido ele no sofá. Além disso nos passa algumas instruções: “aqui tem água quente, não tem televisão, a kombi sai as 8 horas da manhã e aqui tem também uma cozinha coletiva. Antes de sair pela manhã deixe a chave dentro do quarto, em cima da mesa”. Queria saber onde era a tal cozinha. Me arrependi. Depois de levar até o local dentro daquele labirinto, o rapaz me largou lá e eu não achava de jeito nenhum o caminho de volta. Acordei quase todos os indianos, pensando ser alí o meu quarto.

Bélgica – Bruges

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Bélgica – Antuérpia

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