Expedição Yellow Submarine – Irlanda

Talvez você tenha ouvido falar que a Irlanda esteja em crise. A Irlanda é um daqueles países que está na lista dos que a dívida está maior do que a própria arrecadação, para manter uma linguagem simples. Então, para manter o costume: Irlanda? Terra do U2? Lugar onde foi criada a cerveja Guinness? Onde fica Dublin, uma cidade efervecente? País que sofreu nas mãos da Inglaterra? Enfim, o fato é que estávamos com bastante expectativa em relação a Irlanda. Para ser mais preciso estávamos com muita expectativa com Dublin. No feriado prolongado da Páscoa aproveitamos para conhecer a Irlanda. Um percurso Londres a Dublin leva um pouco menos de uma hora. Para aproveitar o passeio, preferimos ir de trem curtindo a paisagem. O trem saiu da Elston station em Londres as 9horas da manhã. Ao meio dia estávamos cruzando a costa norte do País de Gales, rente ao mar, até a pontinha da ilha da Gran Bretanha. O ponto final da linha é a cidade chamada Holyhead.A estação de trem está conectada com o terminal de Ferries. Ferries nada mais são do que navios de alta velocidade, com serviço de bordo com cara de cruzeiro, com lanchonetes, pubs, cinema, casa de jogos etc, dentro no barco para você curtir enquanto durar o percurso de duas horas, ligando Gran Bretanha e Dublin, na Irlanda. Ficamos com dó de Holyhead, isso porque por mais que seja uma cidade interessante, acaba sendo uma cidade de passagem: as pessoas apenas saem do trem e entram no navio. Não entram na cidade. Eu a batizei de “cidade dos pelados”. Todo mundo provavelmente já pensou em andar nu na tentativa de atrair os olhares dos visitantes de passagens. Ainda assim, creio que a cidade não consiga atrair atenção. As pessoas querem mesmo ir à Dublin. Atravessar o imenso canal é um percurso agradável. Se você não olha pela janela, quase não dá para perceber que está num barco em alta velocidade. No final da tarde, estávamos rodando com nossas malas por Dublin para encontramos um hotel. Já no percurso da rodoviária até o castelo ficamos impressionados com o tamanho da cidade, não muito grande. Digo, a cidade com certeza deve ser grande mas a cidade “turística” percebemos que era bastante compacta, tudo realmente muito próximo. E nosso tour começou naquela noite mesmo. Ficamos num hotel bem aconchegante em frente a catedral Christchurch. Largamos tudo no hotel, reforçamos as vestimentas de frio e começamos nosso tour pela igreja. Por coincidência estava acabando a missa e… começando a procissão de sexta-feira santa. “Vamos acompanhar?”. Valeu a pena. Seguimos a procissão e tivemos o benefício de passar pelos pontos turísticos da cidade num percurso diferenciado, protegido pela polícia, sentimos um pouco em casa, como se estivéssemos no Brasil. A Irlanda foi dividida em duas nos anos 20. A Irlanda independente é católica, uma das razões para sua independência. A Irlanda do Norte ainda pertence ao Reino Unido e segue a igreja Inglesa. As duas Irlandas estão na mesma ilha. O interessante é que tivemos a impressão de que apesar de as duas estarem separadas econômica e politicamente, em qualquer guia de viagem básico a Irlanda é apresentada como única. É uma estratégia interessante. Diferentemente dos anos 80, quando ocorriam os ataques terroristas pró separatistas do IRA, atualmente existe uma facilidade enorme de trânsito entre as duas Irlandas. O turismo é um setor chave para manter a economia estável. E manter uma boa imagem perante o exterior ajuda ambas as Irlandas. É muito fácil encontrar pacotes de um dia para Belfast, cidade na Irlanda do Norte, e assim como em Belfast para Dublin. Depois da procissão, nos preparamos para a efervescente noite de Dublin. Em vão. Foi até engraçado. Poucas pessoas pelas ruas. Lembre-se que tratava-se da Páscoa, sexta-feira santa, onde fica proibida a venda de bebidas alcólicas. Sem bebida, Dublin, o lugar dos Pubs, simplesmente não existe. Provavelmente vimos uma cidade em um raro momento. Será que isso pesou em nossa impressão de cidade compacta, e com atrações bem abaixo do que esperávamos? Talvez. Mas o charme da cidade tem um lado compensatório. O Irlandês é um fator compensatório. Povo agradável, simpático, receptivo. E afinal, é possível sentir alguma coisa de “crise”  econômica? Olha, difícil dizer. Não parece ser um país muito populoso. Tive um sensação de que está sob medida. Talvez porque estávamos num período atípico, então não sentimos a crise. As ruas pareceram limpas, não vimos cartazes de protestos ou coisas assim.

• Dublin

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