Expedição Yellow Submarine – Luxemburgo, Remis e Paris

Luxemburgo. Bem, quantas piadinhas tive que ouvir quando comentei que ia para Luxemburgo. Claro, as pessoas se referiam ao técnico de futebol. Injusta referência, pois reduz esse peculiar país a uma estéril conversa. Luxemburgo, o país, tem um belo endereço no mapa: está entre a Alemanha, Bélgica e França. É um dos menores países do mundo. Se não estivesse na Europa, não creio que seria possível manter sua existência como país. Não digo isso pela representatividade de cultura e pela característica de seu povo, mas muito mais pela organização política do mundo. Dificilmente um Estado desse tamanho se estabeleceria como tal fora da estrutura desenvolvida da Europa. Na segunda guerra foi invadido pela Alemanha – praticamente sem resistência – já que o país estava proibido de investir em armamento por conta de um tratado assinado anos antes justamente garantindo sua autonomia.

Para chegarmos a Luxemburgo, pegamos o trem Eurostar de Londres para Paris. Essa foi a primeira vez que usamos o Eurostar. Indescritível. Cada um tem uma experiência diferente com o Eurostar. Acho que vale cada centavo. É muito mais do que uma simples viagem de trem ligando duas grandes cidades: atravessa-se por baixo do Canal da Mancha (vinte minutos embaixo do mar), uma imensa obra de engenharia, cruza-se boa parte da França, partindo e chegando ao centro das duas cidades. Fiquei bastante surpreso em ver que logo que o trem saiu da estação em Londres, entra-se em um túnel que coloca o trem praticamente fora da região central. Num percurso bastante confortável de 2 horas e quinze minutos, chegamos em Paris e alugamos um carro. Seguimos para Luxemburgo, três a quatros horas dalí. No caminho, paramos em Remis, cidade no meio da região de Champagne. Isso mesmo. Lugar de onde vêm as champagnes. Largamos o carro no centro da cidade e saímos caminhando. O primeiro prédio antigo que encontramos pensávamos ser a catedral da cidade. Tiramos várias fotos da fachada, vimos até um grupo de convidados de um casamento sair, entramos no prédio e descobrimos que na verdade era um hotel. Cidade bastante silenciosa, um pouco cenográfica. Andamos mais um pouco e enfim encontramos a verdadeira catedral. Uma das mais impressionantes que já vimos. Não é a toa que era nessa catedral que ocorriam as coroações do reis da França. A Revolução Francesa, como se sabe, extinguiu a monarquia na França mas o franceses lucram ainda e muito com a história deles(dos Reis) e dos castelos que eles deixaram. Fora a catedral, Remis guarda um ar bem interiorano.

Seguimos viagem cruzando o vale Champanhe-Ardenas, plantações extensas e divisões de terras geométricas e arborizadas. Confesso que eu esperava paisagens de “parar o carro”, mas sinceramente passaram bastante discretas. No começo da noite entramos na cidade destino.

Logo que nos acomodamos no Albergue em Luxemburgo, saímos rapidamente para tentarmos aproveitar alguma coisa pela noite. O recepcionista do albergue, um português, recomendou que fôssemos a uma quermesse. Soou bem estranho. “Quermesse?”. Mas pagamos para ver. Na verdade tratava-se de um parque de diversão,  com cara de “permanente”,  não de “temporário”, o que a palavra “quermesse” levaria a crer. Praticamente toda a cidade estava lá. Vaga para parar o carro era impossível. Uma cidade de ruas com direções bastante confusas nos impedia de encontrar vagas próximas ao parque. Não deu para conhecer o parque com nossos pés, mas o lado positivo é que de carro pudemos entrar em ruas bastante interessantes. E deu para perceber que realmente o parque salva a noite por ali: Luxemburgo não parece ser muito agitado; o parque, bastante animado, e com brinquedos radicais, cria uma alegria que neutraliza a arquitetura antiga e intocável. Depois da região do parque, arriscamos seguir uma recomendação de internet sobre um restaurante do outro lado da cidade. Tratava-se de um restaurante no saguão de um hotel. Vazio e pouco expressivo. “A comida deve valer, vamos ver”. “Lamento senhor, mas a esta hora já não temos diversos pratos do cardápio”. Perdemos tempo com essa “dica de internet”. Voltamos para o albergue.

No dia seguinte logo cedo começava o tour tradicional pela cidade. Havíamos escolhido ficar naquele albergue justamente pela posição estratégica para começar esse tour. Mas para quem só tinha um dia como nós, fizemos o que queríamos na medida certa. A nossa caminhada começou às 9 horas da manhã, com um roteiro especial desenhado por nosso amigo português.  Luxemburgo começou com uma cidade construída dentro de um vale. Com o tempo, a cidade foi crescendo e a parte de construções antigas (de 900dc) e a cidade mais nova (não tão nova, mas não tão velho quando a época do Império Romano) foram se misturando produzindo verdadeiras obras de arte. Mas o que particularmente me chamou a atenção foram as imensas paredes de pedras, as encostas das montanhas cercando a cidade baixa, passando a impressão que essas colunas estão invadindo a cidade, como se fosse algo recente. Obviamente é o contrário.Mas a minha sensação, como disse, foi inversa.

Esse tour pela cidade foi, sem sombra de dúvida, umdois mais bonitos e agradáveis que já fizemos. É muito pessoal. É um passeio encantador de um dia contemplando a história, a arquitetura encravada nas rochas, pontes de tirar o fôlego,
imensos muros, e os jardins exuberantes. No final do dia, pegamos o carro e fomos visitar o afastado museu de memória ao soldado americano. Não imaginávamos o que iríamos encontrar. Mas também foi um passeio que valeu a pena. Não somente pelo desenho sincronizado das cruzes representando cada soldado desaparecido, mas pelas paredes com a descrição e mapa dos movimentos das tropas durante a guerra.  O fato é que os alemães ocuparam Luxemburgo por um bom tempo. No final da guerra, os americanos libertaram o país, devolvendo a soberania ao governo de Luxemburgo, refugiado em Londres. Os americanos são definitivamente adorados por ali. Qual enfim a economia de Luxemburgo? Serviços: bancos, bancos e bancos. Grandes bancos, bancos internacionais. Trata-se de alguma maneira de um lugar, assim como a Suíça, que oferece incentivos para grandes bancos.

Depois de um dia corrido em Luxemburgo, voltamos à Paris. Dessa vez sem paradas. Foi bem divertido dirigir a beira do Rio Sena, primeira avenida que entramos logo que acabava a rodovia. Dessa vez em Paris, tínhamos uma reserva. Queríamos fazer um passeio tranqüilo e com menos aventura. Ficamos num hotel bem localizado. Isso nos permitiu sair pela noite e visitar com facilidade a região do Moulin Rouge. Foi coincidência visitarmos a frente do teatro. Estávamos na verdade procurando um restaurante bem próximo a ele.

Tratava-se do restaurante onde havia sido filmado o “O fabuloso destino de Amelie Poulain”. Bem agradável e ainda guarda realmente a configuração do filme. Isso também nos ajudou a andar pela região e ver uma Paris que ainda não conhecíamos.E não conhecíamos muito coisa. No dia seguinte pela manhã procuramos percorrer por ruas que ainda não conhecíamos. Daí nos permitiu conhecer o Centro George Pompidou. Trata-se de um prédio “centro cultural” sem dono. Livre para se criar e circular. Um marco da arquitetura pós-moderna. Existe algo que lhe configura como um prédio democracia cultural, algo que orgulha os franceses. Depois passamos Notre Dame e pela ilha de São Luis, onde procuramos em vão por uma sorveteria “famosa”. Seguimos caminhando até as Galerias Lafayette, provavelmente o maior templo capitalista da terra. Um shopping de altíssimo luxo. Não só pelas lojas que são altamente atrativas, olfativas e visuais, mas também pelo desenho das paredes, lustres, vitrais, que transmite uma conotação de templo, igreja, catedral… do consumo. Não combina muito, mas esse é o fato. O capitalismo acentuado em “templo”. Seguimos pela Av. da Opera cruzando a Opera de Paris, ou o Opera Garnier, uma obra prima a céu aberto e deparamos também com a Igreja de Madeleine, uma suntuosa catedral que começou ser construída em 1764. Daí seguimos pela Rue Du Faubourg-Saint-Honore, onde além de ser a residência oficial do presidente da França, também estão localizadas as famosas lojas de perfume, roupas de luxo, embaixada e obras de arte. Esbarramos com o Louvre, mas dessa vez aproveitamos para explorar o jardim externo. Seguimos por outras ruas desconhecidas até desembocar, no final da tarde, deslumbrantemente, por uma vista que nunca imaginaríamos existir, da lateral da Torre Eiffel. Trata-se de uma ruazinha de bairro, discreta e perdida no mundo (se não fosse ali, claro), uma ligação entre a Av de La Bourdonnais e a torre, uma ruazinha desemboca discretamente num jardim embaixo do monumento. Ficamos de boca aberta. Isso porque normalmente chega-se a torre pela frente ou por trás, ambos seguindo grandes fluxos turísticos.

Mas esse percurso que fizemos tinha um ar de exclusividade. Valeu por todo o passeio. Prometemos voltar ali, apesar de termos curtido a paisagem por um bom tempo… Depois seguimos para parte de trás da torre, cortando o jardim do trocadero e paramos para tomar café da tarde no Carette, lugar tradicional. Curtimos a paisagem de Paris mais uma vez, na velocidade do café e seguimos de metro até o Gari Du Nordi, onde pegamos o trem de volta a Londres.

•Remis, França

•Luxemburgo, Luxemburgo

•Paris, França

Um comentário em “Expedição Yellow Submarine – Luxemburgo, Remis e Paris

  1. Que lugar lindo! EStou sempre acompanhando as publicações no blog!
    Vcs tinham ido a França já se eu não me engano né?
    Espero que esteja bem com vcs 3!
    Saudades imensas!
    Grande beijo

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