Expedição Yellow Submarine – Portugal

Na praça principal de Tui tomamos um taxi para Valença, cidade do outro lado do rio, portanto, Portugal. Nosso ônibus para Porto sairia em duas horas, tempo suficiente para um almoço português numa bela padaria. Parecia um achado. Estamos muito familiarizados com padaria no Brasil, mas tivemos a oportunidade de conhecer uma senhora padaria em Valença, com tratamento de primeira classe. O dono comentou que boa parte de sua família se mudou para o Brasil e é dona de diversas padarias em São Paulo. Faz sentido, ora pois. Nesse assunto os portugueses são craques e esbanjam talento. O atendimento também è impecável, amigável e com preço honesto. Eu não conhecia Portugal, protelei ao máximos essa visita. O fato é que é mais impressionante do que eu imaginava: o Brasil é idêntico a Portugal.

Claro, claro. Portugal nasceu primeiro, então merece um respeito diferenciado. Afinal, deixando de lado toda a polêmica relacionada a questão “descobrimento”, o fato é que os portugueses tiveram o mérito de colonizar uma vasta extensão de terras nas Américas, refiro-me ao Brasil. Talvez não tiveram o beneficio proporcional a essa conquista, fato mais intrigante nos dias de hoje: Portugal é hoje uma economia fraca, modesta quando comparada com as potências européias, apesar de toda a agitada história de navegação e conquistas.  E essa pergunta inevitavelmente te persegue quando se visita Portugal, depois de você já ter como referencia a qualidade de vida de outros países, tais como França e Inglaterra.

Estávamos ansiosos para chegar em Lisboa. Mas uma parada rápida por Porto nos serviu de aperitivo do que Portugal tem para oferecer. Sim, suas ruas, padarias e sua gente nos transportam ao Brasil com certa facilidade. Mas praças bem conservadas, pontes de ferros imensas cruzando imensos vales e igrejas por toda a parte, faz-nos lembrar que estamos em outras terras. Porto merece uma nova visita, com certeza. Mas dessa vez só tínhamos um dia e decidimos que exploraríamos Lisboa. Em Lisboa nos hospedamos num albergue. Segundo uma pesquisa global recente, os albergues de Portugal são os melhores do mundo. Faz sentido. Quartos impecáveis, bom café da manhã e o atendente até fala a sua língua. Um luxo.

Nosso passeio começou pelo Elevador Santa Justa(idêntico ao elevador Lacerda em Salvador) onde pudemos ter uma vista geral do Baixo Chiado. Chiado é o bairro mais tradicional, localizado no centro da cidade. Cortamos o Chiado, cruzamos a estação de trem central do Rossio, e pegamos o bonde 28 na praça Martins Moniz, que nos levou até Olinda em Pernambuco. Brincadeira. Ele noslevou até o Miradouro de Santa Luzia, no alto de um morro, bairro que guarda sua semelhança com Olinda, com vista para o mar e tudo. Alem disso, também passamos pelo Castelo, e isso sim não temos em Olinda. Descemos ladeiras e ladeiras. Nesse percurso ficamos encantados com a diversidade dos azulejos portugueses, algo que nunca vimos em outros países que já passamos.  No fim domorro, chegamos na praça do Comercio, em frente ao rio Tejo. Na própria praça do comercio, seguimos de tram para Belém. Trata-se de um bairro mais afastado de Lisboa, onde se encontra oMosteiro dos Jerônimos e o monumento do descobrimento. Há muito o que se ver em Belém. O monumento do Descobrimento por exemplo, fica bem em frente ao rio Tejo, com uma vista agradável para Lisboa. O mosteiro dos Jerônimos guarda os restos mortais de Camões e Vasco da Gama. A suntuosa arquitetura do Mosteiro e a belíssima Praça do Império logo em frente, servem de boalembrança de que você realmente está na Europa. Em um dia de passeio não è possível ver com detalhes os museus e entender melhor a história de Portugal e a origem da nossa história. Mas saímos com impressão necessária do que Portugal é hoje – não em sua essência – mas em sua superficialidade. Ah, claro, saímos também com o gosto agradável dos pasteis de Belém, feito por quem entende.

Antes de pegarmos nosso vôo, não podíamos deixar de dar uma passadinha para cumprimentar o Fernando Pessoa, em frente ao Café A Brasileira, uma cafeteria tradicional e imperdível.

E ele gentilmente declamou o seguinte poema, os quais dedico as nossas honrosas companhias de viagem, minha mãe e Monique, nossa sobrinha.

Ao longe, ao luar

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
 
Serena a passar,
 
Que é que me revela ?
 
Não sei, mas meu ser
 
Tornou-se-me estranho,
 
E eu sonho sem ver
 
Os sonhos que tenho.
 
 
Que angústia me enlaça ?
 
Que amor não se explica ?
 
É a vela que passa
 
Na noite que fica.
 

 Fernando Pessoa

No final do dia, pegamos nosso vôo de volta para Londres.

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