Expedição Yellow Submarine – Santiago de Compostela, Espanha

Santiago de Compostela obviamente nos remete ao caminho de Compostela. Em poucos minutos entrando na cidade já se vê peregrinos e seus tradicionais cajados circulando por lá.

   A paisagem pitoresca medieval de Santiago é o pano de fundo para aqueles que buscam uma viagem espiritual por esse caminho. A história conta que o corpo do Apóstolo Tiago fora encontrado naquele local. E no exato local foi construído uma imensa igreja em forma de cruz, para quem a observa por cima. O peregrino tem a oportunidade de passar embaixo do altar e ver o local onde se encontram os restos mortais de Tiago. É um momento muito especial para cada um. Logo que atravessamos por alí, cada um narrou uma sensação especial. Uma espécie de toque, uma espécie de energia.

As ruas de Santiago e o “vai e vem” de peregrinos “profissionais”(se trata de gente que realmente planejou fazer o percurso com os melhores tênis, roupas e acessórios especiais) exerce um convite para
andar, andar e andar.  A cidade não se limita apenas a imensa igreja de Santiago. No final da tarde, antes de partirmos para outra cidade, levamos um bom tempo procurando uma tal de “Pecados de Santiago”. Sabíamos que se tratava de uma doceria. Queríamos apenas terminar o dia com um pouquinho de açúcar fornecido por algum docinho especial da região. Foi uma decepção quando descobrimos que se tratava de uma loja muito moderna, fora da atmosfera medieval da cidade. Os doces? Eram aqueles docinhos coloridos vendidos nos quiosques de shopping: minhocas, dente de vampiro. Etc. Lamentavelmente todo essa modernidade  foi por água abaixo quando o dono da loja se demonstrou agressivo quando a minha mãe tirou uma foto inocente dos produtos.

Partimos de Santiago sem comer nenhum doce e seguimos para Pontevedra, capital da Galícia.

Passei a minha vida ouvindo sempre a mesma coisa sobre o avô da minha mãe: “ele veio da Galícia, região de Pontevedra”.

Fazer uma visita a essa cidade obviamente tinha um caráter especial. Era uma espécie de conquista. Em apenas uma volta pelo centro da cidade foi possível observar que tudo por alí é antigo o suficiente para que se ele(o avô) eventualmente tivesse passado por alí, com certeza teria visto exatamente o que vimos. Um exemplo é um convento onde abriga uma igreja fundada por nada menos que São Francisco,
bem no centro da cidade. A cidade está bem na foz do rio Lérez, que desemboca no oceano atlântico. É bem provável que a sua localização é que acabou lhe conferindo o status de capital, pois ela é bem menor que Vigo, uma cidade mais moderna e industrial.

Pela noite voltamos para Vigo, onde deveríamos devolver o carro e passar a noite. Logo cedo saímos  para o segundo dia de busca dos documentos em Tui. Em Vigo, por sorte, quando eu comentei com o recepcionista do hotel que estávamos indo para Tui ele me avisou que um taxista estava indo para um local muito próximo, e que poderia fazer o preço da corrida bem abaixo do normal. Se fossemos de ônibus teríamos chegado exatamente as 10 horas, mas acabamos chegando quase duas horas mais cedo. O motorista nos deixou na entrada da cidade, como um trato por conta do desconto. Isso foi ótimo porque tivemos a oportunidade de ver vários peregrinos chegando pela cidade, cortando as avenidas por baixo e subindo as ladeiras até a igreja de Tui, lá no alto. Apesar de estarmos carregando malas, seguimos seus passos pelas vielas, encontrando a igreja pelo caminho inverso que havíamos feito dois dias antes. Nos sentimos “peregrinos”  fazendo o Caminho de Compostela. É claro que isso não nos certifica como tal, mas foi um aperitivo interessante.

As 10 horas estávamos dentro da igreja, em frente a porta do arquivo. Enfim havia chegado o grande momento. Estávamos apreensivos. Quando Roberto apareceu  balançando a chave na mão e dizendo “buenos dias”, desaparecemos por um instante na tentativa de aumentar ainda mais a claridade de nossos pensamentos sobre aqueles documentos: realizamos uma prece no centro da igreja. Quando voltamos para a escadaria da torre, Roberto vinha descendo procurando pela gente. Ele sabia que estávamos ansiosos. Novamente subimos as escadarias da torre, sob os olhares de pessoas retratadas em quadros muito antigos, e entramos na pequena sala de arquivo. Cada um ganhou um posto de trabalho. Roberto desceu com os dois principais livros.

Tinha que estar alí o que procurávamos. Lemos minuciosamente, nome por nome. Enquanto a July checava cada certidão de batismo, eu checava a lista dos nomes envolvidos. Novamente observamos muitos nomes parecidos, mas nenhum com a combinação suficiente para dizer “sim, é esse”.  O tempo foi passando e nada. Era inevitável perder certa atenção naquela busca devido ao ambiente enigmático e sombrio. A imaginação voava constantemente para o passado, perguntando quem havia escrito tudo aquilo, como havia sido escrito, e que afinal onde estaria o tal documento…? Minha mãe e a Monique dispersaram por um instante. Estava ficando realmente cansativo. Cheguei a me sentir numa prova da FUVEST, louco para finalizar a prova e entregar logo. Dessa vez conseguimos terminar antes que a arquivo fechasse e concluímos que as buscas por alí estavam definitivamente encerradas. Se por um lado concluímos que não havíamos achado o documento, por outro tínhamos certeza de que deveríamos excluir aquele lugar e partir para outro. Logo, a busca deverá se seguir em alguma outra oportunidade por outra área, outra igreja, outra sei lá o que. Isso posto, recolhemos nossas coisas e só nos restou agradecer a grande acolhida do Roberto e a bela vista da torre para o rio que separa Espanha e Portugal.

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