Expedição Yellow Submarine – Lucca, Pisa, Cinque Terre e Gênova



Chegamos em Lucca quase meia noite. O nosso hotel ficava localizado dentro da cidade medieval. A Lucca antiga é uma mini cidade medieval, dentro de uma muralha construida entre 1500 e 1600, ainda preservada, que oferece uma atmosfera arquitetônica e um modo de vida totalmente fora da correria da vida moderna.  Quando ainda estávamos na cidade moderna prestes a entrar na cidade antiga, chegamos a comentar que parecia se tratar de um condomínio fechado “medieval”, não muito diferente de um Alphaville. Nosso hotel estava instalado numa área bem privilegiada, próximo a praça principal, do lado de dentro das muralhas. Naturalmente era um hotel num prédio antigo – difícil prever o ano de sua construção – mas devido ao seu tamanho, quantidade de salas imensas,  lugares escuros e ambientes silenciosos foram suficientes para despertar a imaginação.  Isso foi uma espécie de diferencial. Giovanni, o recepcionista, ascensorista, guardador de malas e vigia do hotel, foi muito atencioso em seus serviços, o que incluiu indicar lugares maravilhosos pela cidade para tomarmos café da manhã. Infelizmente não seguimos sua dica, e acabamos tomando café numa ala anexa ao hotel. O café da manhã foi mediano, cumpriu parcialmente seu papel. Mas quando saímos pela cidade, vendo as ruas estreitas, os italianos andando naquelas bicicletas antigas carregando bengalas e pão doce, o cheiro das maravilhosas padarias em pequenas portinholas, ecoaram como uma brutal decepção quando comparamos com o café da manhã que havíamos tomado.

Felizmente, toda essa sensação amarga se foi logo após nos enveredarmos pelos becos da cidade. Lucca foi como um brinde especial. Um lugar conquistado pelos romanos  e por muitos povos que passaram por alí. Uma cidade fechada ainda em funcionamento.

 

 




Seguimos viagem até Pisa. O percurso de 30 minutos foi muito agradável devido aos belos campos cheios de flores e árvores do mediterrâneo pelo caminho. O sol também contribuía. Não demorou muito estávamos de cara com a torre de Pisa, o acesso mais fácil que imaginávamos. Normalmente as pessoas passam por Pisa apenas para tirar foto da famosa torre torta. Daí normalmente fica apenas aquela imagem da torre ao fundo. Mas o lugar tem muito mais que a torre. Mesmo em volta da torre, tem um gramado verdinho, um convite a um “pique-nique” ou ao simples “sentar e contemplar” outros três monumentos renascentistas(o que inclui o Duomo ou Catedral de Pisa) e uma muralha medieval cercando a cidade antiga.  A brincadeira fica por conta de quem tira a melhor foto da torre. Uns ficam segurando ela pelo ar, outros abraçam,. Etc. Para quem não sabe, a torre foi calcada por baixo e não vai inclinar mais dó que  já está.


Pisa finalizou nosso passeio pela região da Toscana. Dalí seguimos viagem  pela costa do mar da Ligúria, fazendo o caminho de volta para Milão. Mas propositalmente ainda passaríamos por belezas preservadas pelo patrimônio. A primeira parada nesse percurso foi em La Spezia. Essa è uma cidade portuária. Em seu porto é exportado um produto que praticamente vale ouro. No percurso entre Pisa e La Spezia já era possível ver a extração e estoque desse ”ouro”: trata-se do mármore carrara. Sim, o mármore carrara vem dessa região e era possível ver imensos estoques das placas vindas das montanhas de carrara da Itália. Ficou fácil entender porque nesse percurso víamos mansões espalhadas pelas montanhas, em lugares que pareciam ter difícil acesso. Mas tratam-se de montanhas de carrara.

Em La Spezia demos uma voltinha rápida pelo píer, no centro da cidade. Mas logo fomos buscar um lugar para comer. Tivemos sorte. Aleatoriamente resolvemos entrar por um restaurante familiar bastante aconchegante bem em frente ao mercado a céu aberto no centro da cidade. Saímos com a sensação de que realmente havíamos provado o sabor da Itália, feita pelas mãos de uma família italiana, em cozinha caseira. Com as energias renovadas, paramos logo em seguida no alto de uma montanha onde podíamos avistar toda a cidade. Foi uma parada para tomar café, sem cafeteria. Daí seguimos para a estrada estreita ziguezague, beirando o penhasco,  margeando o belíssimo mar da Ligúria para chegarmos nas graciosas vilas de Cinque Terre.  A primeira vila era a de Riomagiore.  Paramos na estrada, numa parte alta que podíamos avistar a vila, as montanhas e o mar ao fundo. São vilas de pescadores de difícil acesso, feitas de casas ou predinhos de três andares coloridos, com  varandas e janelas enormes de madeira, com roupas ou toalhas de mesa estendidas. As casas são aconchegadas na montanhas. Puxa, eu não queria dizer isso, eu não queria dizer, eu não queria dizer isso, mas realmente parecem “favelas de luxo”. Desculpe-me, eu falei. Não estou depreciando, mas essa também é uma constatação. Mas não estou dizendo isso negativamente, pelo contrário. Realmente é muito bonito. Normalmente as pessoas chegam de trem, diretamente dentro da vila, sem ter a oportunidade , as vezes, de ver a vila de longe. Também fazem caminhadas entre as vilas, cortando as montanhas. Como não tínhamos tempo, continuamos nosso percurso, até Vernazza, outra vila. Dessa vez resolvemos descer a pé até o mar. Trata-se de um percurso muito agradável, onde é possível ver as plantações de olivas pelo caminho até chegar na Vila.  Depois de chegarmos pertinho do mar e sentir a “agitação” do lugar, bastante movimentado pelos turistas que chegavam e saíam de trem, passamos por um café de um italiano casado com uma brasileira, logo na saída da vila.



Fizemos todos os ziguezagues necessários e voltamos para a auto estrada. Nosso objetivo era chegar antes do anoitecer em Gênova. Visitar Gênova era um sonho desde o ginásio. Tenho certeza que tem alguma lição do Ginásio que você não esquece. Mas a que eu não esqueço é que “antes do descobrimento da América, todos os navios mercantis que queriam ir da Europa até as Índias, precisavam passar por Gênova e Veneza”. Bem, Veneza eu já conhecia. Mas faltava Gênova.  E eu ficava intrigado porque Gênova parecia ter menos importância histórica que Veneza. Ledo engano meu. Talvez não seja tão divulgado como destino turístico, mas definitivamente Gênova foi uma surpresa para mim.

Gênova é a capital da região da Ligúria, na Itália. O encanto por Gênova começou logo na entrada da cidade, quando era necessário atravessar extensos túneis, cortando imensas montanhas, com uma vista aérea da cidade, com o porto ao fundo. Nossa caminhada pela cidade começou pela Via Balbi, uma rua repleta de palácios, da mesma família, todos considerados patrimônio da humanidade. Gênova foi uma cidade repleta de mercadores e banqueiros muito ricos durante a idade média. Não é só a Via Balbi que preserva diversos palácios, mas também uma outra via muito conhecida é a Garibaldi, provavelmente a rua mais importante de Gênova. Os palácios de 1500, todos minuciosamente restaurados,  a rua estreita, consegue fornecer a dimensão da riqueza vivida por aquele lugar durante aquele período.  Alí viviam os mercadores do mundo. Aqueles que se beneficiavam com o comércio internacional. Eles bancaram grandes navegações, guerras e o desenvolvimento das artes em geral. Nosso percurso passou pelo porto, onde vimos um veleiro preservado, e pelo centro da cidade, passando pela praça Ferrari, palácio Ducalle e chegamos ao Portão Medieval, local onde, segundo consta, Cristóvão Colombo brincava quando era criança.


Depois de quatro horas de caminha por Gênova, pegamos estrada e seguimos de volta à Milão, onde jantamos no restaurante preferido da Alessandra e da Sinara. O garçom era um senhorzinho simpatia que não gostava de papo. O negócio dele era “aponta aqui o prato e eu pego para vocês”. Uma figura, mas sem perder a elegância.





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