Expedição Yellow Submarine – Brighton


Mais uma vez nos deparávamos com a oportunidade de alugar um carro. A história desse aluguel é uma longa história. Havíamos resolvido trazer a nossa televisão do Brasil para Londres. Sabíamos que era um risco, incompatibilidade, etc. Mas como se tratava de uma Sony novinha, última geração, parecia que era um modelo universal. Balela. Meu objetivo com essa televisão era simples: apenas assistir a BBC, um canal aberto. Mas o tempo demonstrou que esta é a mais difícil das missões. O primeiro obstáculo foi a entrada da antena, modelo diferente do Brasil. O primeiro passo foi cassar um adaptador. Felizmente aqui em Londres tem uma loja que tem tudo quanto é adaptador que se possa imaginar e um serviço ótimo, explicando detalhadamente o funcionamento e tal. Adaptador na mão, volta para casa, teste e nada. Não funcionou. Ah, já sei: acho que a saída da antena da sala não está funcionando. Carregamos a TV pesada por toda a casa, testando de tudo quanto é jeito, em vão. A segunda tentativa foi a compra de uma antena pequena “ultrapoderosa”, segundo a caixa do produto, colocada atrás da TV.  Um passeio de domingo  foi uma pretexto para a compra. E mais uma vez testamos, e nada. A terceira tentativa foi a compra de um conversor digital. Compra feita, mais um passeio de domingo e nada. Conversor comprado em vão. Não posso deixar de comentar que liguei mais de uma vez para a Sony perguntado se essa TV funcionaria em Londres e recebi a confirmação tanto da Sony Europa quanto a Sony brasileira que sim. Então, o caso já não era mais financeiro, pois toda os gastos já estavam começando a compensar comprar uma TV nova e mais moderna. Era um problema pessoal entre a TV e eu. E ela tinha que funcionar na marra ou eu não me chamaria mais Eduardo. A July já havia me aconselhado a desistir dizendo vamos usar a TV apenas para assistir vídeo, etc. Mas esperei ela viajar para o Brasil nas férias e chamei um taxi para levar a televisão na autorizada da Sony, um lugarbem distante da cidade. O preço da rodada ficou salgado e sabia que ainda assim precisaria trazê-la de volta. Dias depois recebi a ligação do simpático indiano da autorizada me informado que meu sonho de assistir a BBC só seria realizado se eu  comprasse um outro aparelho adaptador, isso porque de fato o problema todo estava localizado no modelo de sinal digital do Brasil e Inglaterra, ambos extremamente diferentes. Mais investimento? Como o valor do aparelho era alto, desisti, pedi a TV de volta e faltava então  a parte mais chata: buscar a teimosa. Daí veio a oportunidade de alugarmos um carro novamente. Era mais barato o aluguel  do que pagarmos um taxi para pegar a TV. Saímos de manhã bem cedo, pegamos o carro, pegamos o GPS emprestado de um amigo, atravessamos toda a Londres até chegamos no norte e dar de cara com  a TV sem BBC. Dali mesmo saímos para nosso passeio, seguindo as instruções engraçadas do GPS falante do meu amigo, levando no banco de traz a nossa TV.  Mais ou menos 20 minutos depois atravessamos pela primeira vez o estádio onde será sediada as Olimpíadas de Londres de 2012. Todo o entorno do estádio está em construção, um shopping enorme na frente e estações de metro em fase final de acabamento. A verdade é que tudo nessa região está em construção. Tratava-se de uma área degradada, sendo agora reurbanizada e desenvolvida com tudo que há de mais moderno e charmoso. Aqui uma interessante consciência. Foi exatamente no lugar onde esta sendo construído o estádio onde tive um episódio anos antes não muito agradável. Esse episódio eu descrevi  no post https://geografianospes.wordpress.com/2004/07/21/expedicao-o-capital-6/

Episódio a parte, o fato é que o lado leste de Londres em geral é mais moderno,  e parece estar sempre em permanente construção e expansão. E nosso passeio seguiu  pelas auto estradas rumo a Brighton, cidade localizada na beira do Canal da

Mancha. Por um lado, cidade veraneio, com praias e tal, e também cidade dormitório. Esta cerca de 1 hora de trem de Londres.  Como cidade veraneio já da para imaginar que no frio ela tem outra cara. O vento gelado do mar serve como um animador de circo para quem está dentro dos cafés na beira da praia tomando chocolate quente. Para quem está lá fora buscando conhecer a cidade é necessário tentar esquecer o frio e sorrir para as fotos. Nossa primeira visita foi ao centro da cidade, onde a atração principal é o Píer, hoje abrigando um parque de diversão e uma feirinha bem simples e tradicional de qualquer praia do mundo. Depois do Píer, uma passadinha no Royal Pavilion, o palácio Real construído no século XIX, e uma visita ao museu de

Brighton. O Palácio Real, dentre todos os palácios da Inglaterra, guarda uma arquitetura surpreendente: tem uma influência forte dos indianos, principalmente na sua parte exterior. E, por outro lado, na parte interior remete a uma arquitetura e decoração da China e Mongólia. Já o Museu, além de preservar a história da cidade, partindo desde o seu começo como bairro de pescadores, passando por uma cidade para tratamento de saúde, e mais recentemente, cidade veraneio, o museu também preserva a arte moderna da região. Entre os dois eventos, o mais interessante é o

museu. Mas vale uma menção honrosa ao jardim separando as duas construções, uma com os fundos para o outra. O jardim guarda uma serenidade mesclada com o antigo que até merece um piquenique filosófico com duração de um dia. As árvores secas do inverno, o vento gelado, a suntuosidade do palácio e o silêncio dos transeuntes, te transporta para fora do cotidiano, como uma terceira dimensão.  Sim, não fosse o frio e a velocidade com que o dia caia, ficaríamos ali mais por um bom tempo.

E como a nossa maior missão era chegar ao local indicado pelo meu amigo brasileiro em Londres: “não deixe de ir a The Seven Sister”, lá fomos nós perguntando para todos os lados, onde ficava o tal lugar. Pegamos o carro e saímos para o norte, beirando a costa, correndo contra o por do sol. Nenhuma placa avisava sobre The Seven Sister. No caminho, garantimos uma passada na Marina de Brighton, um local onde são guardados os iates, mas tratava-se de um verdadeiro

bairro de luxo, com uma garagem de barco, ao invés de uma garagem de carro. Dali continuamos nossa jornada rumo ao norte. Meia hora depois uma pista das “Sisters”. Pegamos uma

estrada pitoresca, com passagem de um carro só, fazendas repletas de ovelhas, estradade terra e novamente encontramos o mar. Aí ficou

fácil entender a dica. Havíamos encontrado as sete irmãs. Maravilhoso.  Tratavam-se de sete imensas falésias, verdadeiras muralhas em frente ao mar. Entre os imensos barrancos, as areais de pedras grossas completam o charme dessa impressionante obra da natureza. Ver os castelos da Inglaterra, obra dos homens, são ótimas lembranças. Mas ver suntuosidade da natureza é outra coisa. O respeito é outro, a lembrança é outra.  Brincamos como crianças nas areias grossas e as pedras sobressalentes da beira do mar. Esquecemos o frio, o vento gelado da encosta. Aproveitamos as The Seven Sister nesse fim de inverno.  Já agendamos a volta no alto verão e no alto inverno. Deve ser inesquecível passar por ali coberto de neve bem como também com o sol escaldante….

 

 

5 comentários em “Expedição Yellow Submarine – Brighton

  1. Cada foto mais linda que a outra!!!!!! E a televisão hein! hahahah…Tá parecendo Iguatu, que na TV a cabo não existe nem Globo nem SBT !!!!!!!!! hahahahahaha
    Saudades de Vcs ! Bjos

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