Expedição ao Oriente Médio – Israel – Nazaré e Galiléia

Salam,

Chegamos debaixo de muita chuva na pousada indicada pelo dono da pizzaria. Fomos transportados por um militar de folga, um rapaz de uns 18 anos orgulhoso de seu trabalho e com seu pagamento como soldado. Todos em Israel devem, de alguma maneira (pelo menos se preparam sobre conhecimentos militares), servir o exército. Os jovens militares estão por toda a parte, inclusive em trabalhos burocráticos em repartições de vistos de fronteira.  Quando estávamos no quarto, liguei para a recepção para saber quando o ônibus para Nazaré passaria pela manhã, quando descobri que estávamos hospedados, por pura coincidência, num famoso Kibutz. Kibutz é uma comunidade socialista, que ser organizam para plantar e dividir os ganhos. Essa forma organizada de comunidade foi decisiva para o desenvolvimento de Israel, principalmente após sua fundação, em1948. Um Kitutz carrega um conhecimento econômico que comprova a possibilidade de socialismo na prática, o oposto do ocorrido na Rússia. Atualmente, estudantes de agronomia, interessados em aprender Hebreu ou até mesmo economistas, procuram viver nessas comunidades por um certo tempo, além de aprender algum oficio.

Pela manhã conhecemos rapidamente a fazenda e partimos para Nazaré. No caminho passamos em frente ao monte Tabor, lugar em que ocorreu a transfiguração de Jesus e ele se revelou como Deus para 3 de seus apóstolos, fato que ocorreu 40 dias antes de sua crucificação. Em Nazaré consta um dos lugares mais importantes para os cristãos, a Igreja da Anunciação. Também é um local comprovado arquiologicamente. A igreja é muito bonita e possui dois níveis. O nível de baixo preserva a gruta onde o Anjo Gabriel apareceu para Maria pela primeira vez, para anunciar que ela seria mãe de Deus.

Pela tradição judaica (Jose e Maria eram Judeus), a festa de casamento dura uma semana (ainda é assim para judeus e mulçumanos), mas antes existe toda uma preparação para o casamento: uma pessoa é prometida para a outra, passa um tempo, o casal é apresentado, depois eles organizam o lar, etc. No caso de Maria e José, ainda muito jovens, já haviam passado alguma dessas fases quando o anjo Gabriel apareceu. Maria recebeu o Espírito Santo. José posteriormente recebeu a visita do anjo Gabriel, o que foi importante para confortá-lo diante da missão. O local que visitamos é justamente a gruta onde Maria recebeu o anjo Gabriel. Do ponto de vista antropológico, esse é o ponto que diferencia o cristianismo de todas as outras religiões: a de que Deus veio a terra como homem. A título de conhecimento, já que essa também é uma viagem pela história, como já havia escrito, Jesus é aceito pelos judeus e mulçumanos, mas como um profeta, não como Deus. Quando saímos da gruta, tivemos a feliz coincidência de encontrar uma brasileira católica (do Ceará) que mora em Israel há dois anos e cumpre a missão de preservar a gruta, ao lado dos franciscanos. Deixamos com ela três quilos de massa pré-preparada de pão de queijo, diretamente do Brasil. Ela quase desmaiou de alegria. Atrás da basílica, visitamos a carpintaria de José, também tomada por uma área de escavação arqueológica. Atravessando uma rua de mercado, encontramos uma sinagoga que preserva o lugar que Jesus costumava se reunir com os apóstolos. E a uns 300 metros, um monumento que marca a única fonte de água da região na época, indicando que Maria retirava água daquela fonte para a sagrada família. Atualmente é conhecida como a Fonte da Virgem. Deixamos Nazaré e partimos para Caná, mesmo carregando nossas malas e mochilas, subimos um morro para visitar o lugar do primeiro milagre. Trata-se da transformação da água em vinho, episódio que ocorreu numa festa de casamento. Um fato histórico para nós aconteceu nessa simples, mas aconchegante igreja: um franciscano, muito simpático, promoveu a renovação do nosso casamento. Ou seja, trocamos novamente as alianças, e repetimos todas as falas tradicionais do matrimônio em italiano, o que aumentou o clima de romantismo. Ganhamos certificados e tudo. Depois de renovados, partimos para fase final do percurso “Terra Santa”: o Mar da Galiléia. Quando o ônibus se aproximou do mar, na verdade um lago , ficamos impressionados com o verdadeiro oásis, um paraíso. Entramos na vila Tabga (atualmente bairro da cidade Tabga), lugar em que Jesus realizou alguns de  seus milagres, e visitamos o lugar do milagre da multiplicação dos peixes, hoje uma igreja. Ao lado, cerca de uns 100 metros, a igreja de Primazia de Pedro, construída exatamente em cima (consta a rocha lá e tudo) onde Jesus apareceu pela terceira vez aos seus apóstolos após sua ressurreição. Não houve tempo para visitarmos a igreja das Beatitudes, que foi construída no local do Sermão da Montanha. Mas houve tempo para contemplar o monte.

Mais uma vez voltamos em silêncio, com a cabeça cheia de informação em pouco espaço de tempo. Recebemos todo o tipo de informação, várias visões sobre o mesmo fato, várias interpretações, várias construções arquitetônicas (construídas, destruídas e reconstruídas). Estou deixando de relatar toda a obra arquitetônica dos lugares sagrados que passamos. Arquitetura influenciada pelos Bizantinos, pelas cruzadas, pelos romanos e pela arquitetura moderna. Estou deixando de narrar o entendimento histórico de outras igrejas, até mesmo dentro da católica. Para citar um exemplo, a igreja católica ortodoxa alega que existe outra igreja da Anunciação em Nazaré. Estou deixando de narrar a quantidade enorme de sítios arqueológico demonstrando que muitas coisas ainda estão por vir. Estou deixando de narrar que alguns lugares sagrados estão misturados e incorporados na vida cotidiana do mundo árabe ou judeu como um lugar qualquer, bem como outras estão devidamente destacadas e reservadas para visitação. A igreja da Primazia de Pedro está rente à margem do mar da Galiléia, um convite para molhar a mão, chutar levemente as pedras e sentir a brisa sonorizada. O som é o que te repete para o passado.

Partindo de Tiberíades, no final da noite, pegamos um micro-ônibus para Tel-Aviv.

Salam

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