Expedição ao Oriente Médio – Israel – Jerusalém e Belém

Salam,  

Depois de uma noite muito bem dormida no silêncio sagrado da velha Jerusalém e de um café da manhã reforçado, atravessamos a muralha da velha cidade para visitamos o monte Sião. Nossa primeira parada foi a Igreja da Dormição, que marca o local do sono eterno de Maria, lugar que ela ficou logo depois da crucificação de Jesus. Ao lado da igreja, visitamos o local da última Ceia e a igreja St Peter in Gallicantu, como o nome já sugere, local do canto do galo quanto da negação de Pedro. Entre o Monte Sião e Monte das Oliveiras, uma caminhada de cerca de 1 hora, abriga diversos cemitérios Cristãos, Judeus e mulçumanos justamente por ali ter alguma áurea diferenciada. Nesse percurso também passamos pela cidade do Rei David, a parte mais antiga de Jerusalém (construída cerca de 20 séculos a.C.), pelo túmulo do Schindler (lembra do filme “A lista de Schindler”?) e por ruínas impressionantes. Atravessando todo um vale, vigiado pelo imenso muro da antiga Jerusalém, chegamos ao Jardim do Gethsemani, na base do monte das Oliveiras. A basílica da Agonia, também conhecida como Igreja de todas as nações (porque uns grupos de paises ajudaram a reconstruí-la),  marca o local do Jardim do Gethsemani, onde reserva parte de uma rocha, identificado como o local onde Jesus orou sozinho no jardim na noite em que foi aprisionado.

Em volta da igreja, maravilhosas oliveiras e uma visão espetacular de Jerusalém. Do outro lado da Igreja, visitamos o local onde Jesus pregava aos seus discípulos, e logo ao lado, o local onde Maria foi enterrada. Subindo mais ainda ao Monte, visitamos a “Dominus Flevit”, igreja que preserva a pedra em que Jesus contemplou a cidade e chorou prevendo sua destruição. O arquiteto dessa igreja, um italiano, foi muito inteligente. Dentro da igreja é possível ter uma vista maravilhosa de Jerusalém, provavelmente a mesma de Jesus, logo atrás do altar.  Ou seja, é possível assistir uma missa com uma pintura real colorindo sagradamente o ambiente. No alto do morro reserva a Igreja Pater Noster, local onde Jesus ensinou o Pai Nosso. Dentro é possível ler o Pai-nosso em 60 línguas. A vista de cima do Monte das Oliveiras é umas das mais belas que já vimos. Coincidentemente, logo que chegamos ao topo, começou a musica da mesquita da cidade velha, chamando os árabes para a reza diária. Essa música ao fundo, como clipe em tempo real, nos fez refletir sobre a complexidade de Jerusalém: é uma cidade impressionante, onde diversas religiões se entrelaçam nos fatos históricos e na arquitetura, misturados num espaço de terra tão pequeno, onde diversos sítios arqueológicos a céu aberto disputam espaço com os lugares sagrados de visitação, onde os milicianos (soldados que andam armados com metralhadora, circulam por toda a Jerusalém tentando garantir ordem e evitar qualquer ataque), a vida normal da cidade no que se refere ao comércio, a mistura de vestimentas entre os religiosos e árabes, etc. Sem dúvida, uma cidade de tirar o fôlego, mais do que uma Paris ou Roma.

Na parte da tarde, pegamos um ônibus para Belém. Descobrimos que o ônibus não entrava na cidade. Acho que já relatei que Israel está construindo um muro em torno da Cisjordânia. Belém fica no lado palestino, e tivemos que atravessar o imenso muro (lembra do Muro de Berlim? Então, é muito parecido. Já ouviu falar dos guetos judeus da Europa? Então, também é muito parecido com que os Judeus agora estão fazendo com os palestinos). A sensação de atravessar o muro não é muito boa. O clima é bem pesado e parecido com uma entrada de presídio, com muitos armamentos pesados e checagem de identificação. Somente palestinos e turistas podem passar. Logo que atravessamos já percebemos que o clima de primeiro mundo havia acabado. No centro de Belém visitamos a maravilhosa Igreja da Natividade, local comprovado arqueologicamente que Jesus nasceu (essa gruta foi descoberta 160 d.C), preservando a “Gruta da Natividade”. Lugar de conotação muito especial, realmente inspirador e que te atrai para ficar ali o dia inteiro. Ao lado da igreja, visitamos o local em que São Jerônimo traduziu a bíblia para o latim durante 30 anos por volta de 360 d.C. Ficamos muito contentes com o respeito que as pessoas têm nestes lugares sagrados. Um silêncio que torna o lugar muito mais aconchegante e seu contato com a reflexão muito maior. Vimos pessoas compenetradas, rezando, refletindo, uma áurea boa para o lugar. Não muito distante dali um lugar muito especial: onde Maria e José, também comprovado arqueologicamente, se esconderam da perseguição de Herodes. A gruta é um lugar acolhedor, tal como o seio familiar, chamado “Gruta do Leite”. Jesus começa ali a deixar o eterno legado da importância da família. Pessoalmente, com o silêncio dos antigos acontecimentos, sinto que é impossível, durante essa visita, na gruta de arquitetura natural, totalmente de pedra, não nos lembrarmos da nossa família, fazendo de Maria, ali amamentado seu menino, a imagem de nossa mãe, acolhedora, preocupada com nossos desejos de criança(das delicias que fazem para a gente, da palavra de confiança, da costura com as mãos, do leite quente,), algo único e inseparável por toda a nossa vida. Nesse momento, algo não muito científico, mas creio que o valor a família se multiplica.

Nossa volta para Jerusalém foi silenciosa.

Cruzamos novamente o muro, sentimos o sofrimento dos palestinos, percebemos que o muro, já bastante pichado com protestos é apenas o começo de uma separação. Difícil prever os próximos acontecimentos  sobre isso. Voltamos à pousada para nos preparamos para conhecermos o lugar onde Jesus passou a maior parte de sua vida, dos 7 aos 30 anos: Região da Galiléia. Nosso ônibus nos deixou às 23 horas em Afula, 15 minutos de Nazaré. Tão perto mas tão longe. Não havia ônibus até lá e começou uma chuva de alagar a cidade. Afula é uma cidade bem interiorana, quase ninguém fala o inglês. O único hotel que encontramos, fomos atendidos por um senhor muito mal humorado e que não negociava um preço mais baixo de jeito nenhum. O clima não estava bom, resolvemos tentar outro lugar. Andamos, a chuva atrapalhou muito. Numa pizzaria, o dono era um rapaz com cara de “quero realmente ficar rico com pizzarias”, disse que seu sonho era conhecer São Paulo, lugar que de fato se consome o maior numero de pizzas por habitantes no mundo. Como ele queria entender a fórmula do sucesso e São Paulo, tentei dar algumas pistas para ele, e ele nos retribuiu com uma oportuna sugestão: “vou pedir para levarem vocês para um lugar para vocês se hospedarem bem, e logo pela manhã vocês partem para Nazaré”. Foi o que fizemos.  

Salam

2 comentários em “Expedição ao Oriente Médio – Israel – Jerusalém e Belém

  1. Eduardo, voce fala do “muro” que Israel construiu para separar os territorios palestinos, so que esqueceu de dizer algo muitissimo importante: que gracas a essa muralha nao teve mais atentados terroristas que, em nome de Ala, tiraram a vida de milhares de inocentes.
    Nao e muito ” cristao” ver so um lado da moeda!

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