Expedição ao Oriente Médio – Jordania – Monte Nebo e Rio Jordão

Salam,

 Quando chegamos ao terminal de saída de táxi em Beirute no horário combinado, meia noite, descobrimos que o táxi que eu havia negociado de manhã, imaginando ser exclusivo, na verdade, teria mais duas pessoas. “O que? Essa viagem já vai ser um martírio de passagens por duas fronteiras (entra novamente na Síria, cruzar todo o país pelo leste, depois entrar na Jordãnia) e quatro checagens de entrada e saída, levando lá umas 5 horas e ainda vamos viajar apertado?!”. Tive um bate-boca com o gerente da frota(eu mesmo me estranhei). Ele disse que o preço negociado teria que ter mais gente no táxi. O bate-boca foi meio desnecessário porque só chegou mais um passageiro, um senhor que foi sentado na frente rezando a todo momento porque estava com problemas intestinais. Estávamos planejando dormir, mas era impossível com a velocidade que o motorista chegava com um Mercedes semi-novo e ultra-macio.

Na Jordânia vai começar nossa fase “Terra Santa” dessa viagem. Até este momento temos visto apenas mesquitas e práticas mulçumanas. A Jordânia ou, o nome oficial, “Reino da Jordânia”(isso mesmo, tem um rei) é um país que se tornou independente em 1946, a maior parte de seu território é deserto, é um dos poucos países árabes que reconhece Israel como país(faz fronteira com ele), e que reserva alguns dos tesouros sagrados dos Cristãos, inclusive do velho testamento. Como todos sabem, o oriente médio é uma região de conflitos complexos tais como religiosos (mulçumanos, católicos e judeus), econômicos(principalmente devido ao petróleo), cultural(Curdos, Turcos, Xiitas, Armênios, Persas, Palestinos, ou seja, tudo quanto é tipo de língua e cultura), territorial(tem mais deserto que terra fértil) e de interesse internacional(os Estados Unidos ocupou o Iraque, por exemplo). Para agravar, nenhum dos países árabes que visitamos até agora (Irã, Turquia, Síria, Líbano) reconhece a existência de Israel; para eles, o território de Israel se chama Palestina. Para chegar a Jerusalém, que está em Israel, tivemos que dar uma volta enorme, já que não podemos entrar em Israel pelo Líbano.

Chegamos ao “meia estrela” em Aman, capital da Jordânia, às 5 horas da manhã. Dormimos até umas 8 horas da manhã para recarregarmos as baterias e já saímos em busca de um ônibus que nos levasse ao Monte Nebo, lugar em que Moises, segundo o Velho Testamento, avistou a Terra Prometida. Neste mesmo local ele morreu pouco depois, antes entregando a continuação da sua missão a Josué. Um ônibus de rua quase desmontando e outro ônibus de viagem quase parando nos levou até a cidade Madaba, cerca de 10 kilometros do monte, uma cidade conhecida pelos mosaicos construídos em igrejas nos idos dos século XVI, já no período em que os mulçumanos impuseram sua religião nessa região.  Em 20 minutos estávamos a 50 metros do pico, um vale com uma vista generosa, para não dizer “espetacular”, que é possível avistar Jerusalém, o Mar Morto, o Rio Jordão, mesmo há 100 kilometros de distância. Uma vista parecida com a que temos quando descemos a serra de Santos pela Rodovia Anchieta. No pico tem uma igreja muito pequena mas muito simpática e colorida internamente, um memorial á Moises e um santuário que foi construído 4 d.C.. A famosa cruz com uma cobra de cobre enrolada pousa na ponta mais extrema.

 

O Papa João Paulo II esteve ali em 2000 e declarou o lugar oficial para peregrinação para todos os católicos. A natureza parece intacta, somente modificada pelos beduínos que tocam suas ovelhas pelos campos. Logo após subirmos o monte, descemos a pequena serra até uma região próxima ao Rio Jordão, cruzando com diversos acampamentos de beduínos (beduíno significa “jogadores do deserto”, que vivem  como nômades, criando ovelhas, camelos e fabricando artesanato). O percurso a pé até o rio dura uns 45 minutos onde visitamos o lugar onde Jesus foi batizado por São João Batista. O rio Jordão divide a Jordânia e Israel e Jesus foi batizado do lado da Jordânia. Como se trata de uma região fronteiriça bastante delicada, o passeio é todo monitorado por vários militares, justamente para que ninguém atravesse para o outro lado nadando. Seria muito fácil essa travessia, uns 10 metros separam um rio de cor de caldo de cana (verde). O local que Jesus foi batizado é delimitado e ao lado existem ruínas da igreja de São João Batista, onde ele realizava os batismos. Em outra parte mais reservada tem uma pia batismal que sugere que o peregrino faça uma reflexão sobre as promessas do batismo. É importante lembrar que estamos na Jordânia, onde a maioria é mulçumana. Nosso taxista, um nativo, chegou a dizer que talvez esse passeio não fosse interessante, que deveríamos ganhar tempo e ir tomar banho no mar morto. Essa declaração dele retrata a sensação de que nessa região os habitantes não fazem idéia da importância do que está no território deles. Um lugar santo para nós! Na volta do rio, uma passadinha para visitar o Mar Morto, o lugar onde a sua planície em volta é o lugar seco mais baixo da terra. A “Aman Beach”, assim que eles a chamam, estava cheia. As famílias se reúnem para se banhar e fazer churrasco. Não entramos na água (o frio estava de rachar), mas colocando a mão já foi possível perceber a alta salinidade da água. Infelizmente, encontramos muita sujeira andando pelas pedras, o pessoal da Jordânia é muito simples e faz farofa mesmo, estão matando o Mar Morto. A volta para a Aman foi bastante cansativa. O nosso taxista falava muito, nossa cabeça até doía. Nesse momento já não estávamos mais com paciência de ouvir perguntas sobre Ronaldinho, Kaká, Flamengo e São Paulo, queríamos apenas curtir a paisagem, mas as pessoas daqui ficam ansiosas em agradar, em oferecer um passeio, etc. O Jordaniano é um povo bastante simpático e muito interessado em ajudar, mas quase sempre ajudam de forma errada: não sabem onde pegar um ônibus para ir ao mar morto, algo que deveria ser corriqueiro; informam a rua para um lado, mas é para o outro; o taxista não encontrou o hotel, indicado por um guia de viagem, e como ele não encontrou, tivemos que nos hospedar em outro; nos metemos em enroscadas por conta de informações erradas.

Salam

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