Expedição ao Oriente Médio-Damasco e Malula, Siria

Salam,

 A Síria é um país classificado pelos EUA como “Estado patrocinador do Terrorismo”. A alegação é que a Síria  patrocina e acolhe o Hizbollah, o Hamas e a Jihad Islâmica(aposto que voce ja ouviu falar). Em tudo quanto é lugar (frente das casas, comércios, prédios e até mesmo no vidro traseiro dos carros) vemos os retratos da família Al-Assad , que controla o país há quase 40 anos. A Síria não esconde seu ódio a Israel, país que eles não reconhecem mas já perderam parte do território. Apesar dessa “ditadura”, vemos bem menos militares pelas ruas do que imaginávamos. Segundo consta, existem vários espiões espalhados pelas ruas…

Saímos de Alepo meia noite. A malha ferroviária da Síria cobre os quatro cantos do país, pelo menos a principais cidades. A maior parte do país é dominado por vegetação desértica e o seu tamanho equivale ao estado do Ceará. O trem é bem antigo, sujo, e a primeira classe, nosso bilhete, dava direito a uma poltrona larga, dura e que escorregávamos facilmente durante o primeiro minuto de sono. Não conseguimos ver as demais classes, se é que havia algo pior. Nossos companheiros de viagem eram pessoas de todo o tipo, a maioria muito simples, uma mini-representação da desigualdade do país. Felizmente esse tipo de viagem, 7 horas com bastante sacrifício, é compensado pela paisagem matinal: o nascer do sol numa moldura desértica de planícies e morros.

Nem bem chegamos em Damasco (foi o tempo apenas de encontrar um abrigo), partimos para conhecer Malula, uma cidade cerca de 60 kilometros dali. Malula é praticamente um povoado, um dos raros lugares no mundo que ainda fala o aramaico, língua falada na época de Jesus Cristo. É uma volta total ao passado, ainda intacto. Dada sua localização difícil, entre colinas enormes. É surpreendente ver as casas, uma sobre a outra, cobrindo um morro e as imensas colinas rodeando o povoado (as casas utilizam as colinas como parede ao fundo, ou seja, são coladas na colina) afinal a cidade tem um motivo religioso especial: ali aconteceu o milagre da Santa Tecla. Tecla era discípula de São Paulo, e a história relata que ela vivia na Turquia e fugiu para a Síria por causa de seu cristianismo, e quando estava em Malula, entre as colinas, já sem saída, Tecla rezou e Deus abriu uma fenda no meio do colosso de pedra para que ela passasse. A fenda é hoje um cannon de 30 metros de altura no fundo do convento. Atravessá-la dura cerca de uns 20 min, um verdadeiro banho de pureza espiritual, regado ao barulhinho das águas de um córrego quase secando. O corpo da Santa está sepultado numa gruta e também integrado ao convento. Fizemos uma longo caminhada em torno da cidade, conhecendo seus encantos. Fácil entender porque os primitivos resolveram escolher esse lugar para viver: é visível algumas casas feitas na pedra, como minis-cavernas. Voltamos para Damasco.

 

Uma de nossas paradas foi visitar o recém inaugurado instituto que visa preservar o aramaico. Conversamos um bom tempo com a diretora, que falou várias mensagens na língua antiga, a nosso pedido, já que não conseguíamos decifrar o que falam pelas ruas. A cidade toda tem como primeira língua o aramaico, mas a escola local ensina o árabe, língua oficial da Síria.

Damasco é a capital, com uma vasta riqueza arquitetônica, merecendo um dia em cada bairro. O mais impressionante bairro é a velha Damasco, representando em alguns quarteirões irregulares os ícones do oriente: bazares (como já havia comentado, bazar aqui é como um mercado municipal estilo São Paulo, mas de rua e becos), praças, fontes, becos, casas de café e uma imensa mesquita, a Umayyad: trata-se de uma mesquita construída em 700 d.C. no lugar de uma igreja bizantina e que já foi lugar onde já ficou sepultado por algum tempo o São João Batista e agora sepulta o Saladino, guerreiro curdo que tomou Jerusalém nos anos 1100. Ao redor da mesquita encontramos de tudo, desde colares de ouro até bares de narguilé.

Damasco já foi dominada por tudo quanto é povo: já passaram por aqui os babilônios, persas, gregos, romanos, otomanos e mais recentemente, os franceses.

Depois de um longo passeio pela cidade, se deliciando com os cheiros de narguilé, pelas belas paisagens e os quitutes sírios, nos preparamos para pegar um ônibus para Beirute, Líbano. A viagem vai levar umas 4 horas, mas o onibus tem aspecto de transporte urbano, de duas portas e as malas ficam amontadas nos ultimos bancos.

Salam

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