Expedição ao Oriente Médio-Shiraz&Persepolis

Salam khobi (outra expressao para oi)

Shiraz é uma das mais importantes cidades medievais islâmicas e foi capital da Pérsia durante a dinastia de Zand (aproximadamente no ano 1750 AC). Atualmente é uma espécie de capital da cultura, principalmente relacionada à poesia, educação e música. Também é considerada a cidade dos poetas. É uma cidade cheia de jardins e mesquitas de tudo quanto é tipo, além dos mesmos problemas de trânsito e caos de Teerã. Mas de fato mesmo, Shiraz é a base para a visitação de outra cidade histórica, cerca de 60 kilometros de distância, a impressionante Persépolis (as pessoas locais chamam de Pérsepolis).

Quando chegamos em Shiraz, sabíamos que o aeroporto era distante da cidade. Passamos pelas pessoas que recepcionam os familiares (daí pudemos confirmar o que pensávamos ser uma coincidência: eles recepcionam os familiares com flores). Fugindo dos taxistas, tentamos uma carona. Avistamos do outro lado da rua do aeroporto um grupo de pessoas eufóricas com a chegada de um casal e com alguns veículos estacionados. Ficamos ali um tempo observando. O grupo se reuniu para uma foto e fui convidado pelo noivo para registrar o momento. Novamente uma máquina mecânica, antiga e barulhenta. Logo depois da foto dele, pedi para eu fazer o meu registro. Ficaram felizes. As mulheres mais velhas tentavam esconder o rosto. Em seguida, uma festa de arroz. Vivam os noivos! Quando entraram nos carros, a família lotou todos os bancos, de forma que pedir carona só se fosse para ir no teto. Ficamos na mão. Vimos uma van. Deve ser um coletivo. De fato era, mas só havíamos nós como clientes. Negociamos o preço e fomos enfim para a cidade. Nosso “meia estrela” de Shiraz, muito bem localizado, é estrelado por um recepcionista que não sabia nem que seu hotel está catalogado num guia de viagem. Oposto do Mr Mussavi, com visual descuidado, uns 60 anos, barba por fazer, ele já é uma espécie de Forrest Gamp dos hotéis. Não consegui capturar seu nome. Ele falava um inglês “rabugento”(aquele personagem de desenho animado), ou parecia um inglês “bêbado” muito engracado. Para se ter uma idéia, perguntei onde ficava o lugar para pegar um tour até Pérsepolis. Ele: “Street, street(fazendo o sinal de onde ficava a rua”…dava uma parada, prolongando o som das palavras, como se tivera alcoolizado e emendava em persa. E  tudo era assim: uma palavra em inglês, soluços, parada e continua em persa. Moral da história: hotel lotado. Entendemos que o tour sairia às 8 horas da manhã. Acordamos bem cedo para um bom café, que não seria servido no “meia estrela”. Saímos pela cidade seguindo as instruções do recepcionista. Quando chegamos à agencia turística fomos informados que estávamos atrasados. Atrasados? Impossível! O mais estranho, o horário local estava 30 minutos a frente. Ainda não encontramos explicação. A outra única maneira de ir a Pérsepolis é um shared táxi. em 1 hora estávamos lá, com direito a tour por parte de Shiraz e uma vista pelos morros desérticos e casas feitas de barro amarelo escuro. Impressionante. Logo na entrada de Pérsepolis, um verdadeiro sítio arqueológico a céu aberto, encontramos o primeiro grupo turístico dessa viagem. Dou um doce para quem descobrir de qual país eles vieram(no final desse relato darei a resposta). Fotografar não era suficiente para documentar o que significa esse lugar, erguido aproximadamente 7 séculos antes de Cristo, onde tudo começou para esse país e um legado para outros povos da humanidade. A antiga sede do primeiro império Persa, destruído aproximadamente 300 anos depois pelos gregos. A cidade(o museu a céu aberto), no pé de um morro, no meio de um deserto, preserva o portal da cidade, o mausoléu do rei da Pérsia, imensas colunas, as ruas, as salas e o harém. No alto do morro, observando a cidade, o imenso jardim externo e a moldura do deserto criam uma paisagem facilita a imaginação de como seria viver ali, te levando a um túnel do tempo com passagem de ida e volta. Tivemos a mesma sensação quando havíamos visitado a muralha da China: como fizeram isso aqui?. Aliás, essa cidade é está sem duvida no mesmo nível de atratividade de um Coliseo de Roma ou até mesmo das pirâmides do Egito. Pela cidade, as caminhadas eram ofuscadas pelas constratantes roupas negras das mulheres, algumas até mesmo fazendo caminhadas pelos morros. Os iranianos atuais são os mesmos dessa Pérsepolis, a mesma língua a mesma descendência Ariana, mas com uma religiosidade totalmente diferente.

Na volta à Shiraz, pedimos ao taxista para nos deixar próximo ao Jardim. Quando mostramos no mapa onde queríamos ficar, creio que não entendeu bem o que estava escrito e nos deixou em outro lugar, próximo, mas bem diferente. Comparando com o mapa, parecia mesmo ser lá. Tocamos a campainha, apareceu um militar. Ele foi muito atencioso, sorridente, mas ninguém se entendia. O lugar que queríamos ir é conhecido como “Jardim do Paraíso”. Mostramos o mapa, o rapaz também não entendeu onde era. Pensamos: “deve ser aqui, mas deve estar fechado”. A muito custo, e um longo bate papo de conversa de louco, tentamos entrar e realmente vimos um jardim atrás da mansão sendo reformada. Mais militares apareceram para ver a atração, se juntaram na porta.O guia realmente comentava sobre um palácio de proibida visitação, mas o jardim estaria aberto.“É, está em reforma”- comentamos. Saímos desolados, mas convictos de que o que já vimos já havia valido a pena. Tiramos algumas fotos, pelo menos. Continuamos nossa caminha, rumo ao próxima atração. Atravessando um quarteiraão, lá estava o verdadeiro jardim. Maravilhoso, um jardim-parque, imenso e 100% bem cuidado, guardando as cores do inverso e o cheiro de montanha. De volta a cidade, no caminho, encontramos uma escola de música. Ligamos a câmera e fomos invadindo, de onde vinha a música de um suposto praticante. Cruzamos o saguao em que os estudantes aguardam o começo da aula, e chegamos numa sala onde havia um rapaz sozinho tocando um instrumento parecido com uma harpa, só que ela repousava em seu colo, sendo tocada com uma especie de colher em cada mao. Quando ele acabou o pequeno show, ja estavamos saindo quando ele foi ate outra sala e convidou outro musico para fazer uma apresentacoa. Os novos instrumentos era uma especie de violao, com a base pequena e cano longo, e o outro tocava um instrumento de percusao. Filmamos tudo e colocaremos para vender em DVD, um show a parte.  

Em Shiraz a principal atração é sem dúvida a fortaleza de Karim Khan, construída também na dinastia Zand para se proteger de seu rival de outra cidade, Esfahan. Ela tem 14 metros de altura nos seus quatro lados (com aproximadamente 100 metros de lado), com torres circulares de aproximadamente uns 20 metros de altura e 50 de círculos. É uma fortaleza impressionante. Não bastasse sua vista externa, intacta, somada a um belíssimo jardim, dentro um outro jardim imenso, cercado de limoeiros. Logo que entramos vimos um grupo de umas 50 estudantes (todas 100% de preto), espalhadas pelos quatro cantos se deliciando com algo que a primeira vista parecia ser uma canjica ou arroz doce. Ficamos com água na boca. Não nos contivemos: “por favor, onde você conseguiu isso?”. Elas apontaram para perto da entrada. Logo apareceu um senhor entregando “free” a delícia: tratava-se na verdade de um sorvete com gosto delicioso, que lembrava limão, com pedaços que parecia côco e o mais interessante, algumas raspas de alguma coisa branca, com gosto de limão. O passeio ficou ainda mais interessante. Um homem tentou explicar o que era, mas em persa ficou difícil.

Depois desse passeio, andamos pela cidade, até chegamos à rodoviária (nos perdemos diversas vezes,  velha confusao dos mapas), mas valeu pelas paisagens pitorescas e a observação dos costumes locais. Contamos mais de 10 padarias do estilo que já descrevi aqui. A única diferença é que os pães daqui (aquela massa de pizza fina e cheio de bolhas), logo que ficam prontos, ficam expostos na frente da padaria, ou seja, na calçada, em uma peça enorme de ferro que se parece os guarda lixo do Brasil. O cheiro é convidativo a uns “50 metros” de distância. As 11 horas da noite partimos para Esfahan, mais 7 horas de viagem.

Resposta do desafio: Japao

khodahafez (ate logo)

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