Quando deixamos a cidade de Hong Kong domingo à tarde, imaginávamos
ter terminado nosso passeio pela China. Havíamos esquecido, na verdade,
que o aeroporto também era um ponto turístico. Marco da arquitetura do
século 20, o aeroporto internacional de Hong Kong destaca-se pela escala
monumental, alta tecnologia e velocidade de construção. Tudo isso
construído em uma ilha artificial. Isso mesmo, uma ilha imensa aterrada
pelo homem. Chek Lap Kok, que tem 6 km de comprimento por 3,5 km de
largura. Apenas 25% dessa área existia antes da construção. Todo o
restante foi conquistado com aterros sobre o mar – o que exigiu 197
milhões de m3 de material. E o aeroporto é todo rodeado de vidro, é
possível ver as montanhas, o mar e os aviões levantando vôo. Nosso vôo
atrasou 2 horas e ganhamos vale refeição. Aproveitamos esse adicional
repentino no orçamento para desfrutarmos de quitutes de frivolidades com
vista para arquitetura moderna. Nos empaturramos de Starbucks!
A viagem de Hong Kong a Londres durou 14 horas, voltando 7 horas de
fuso horário. Passou muito rápido porque a tecnologia dentro da
companhia inglesa nos surpreendeu. Todos os assentos têm uma tela e
uma espécie de controle remoto(com uma infinidade de programas de
televisão, filmes e documentários)+joistick-de-videogame(isso mesmo, é
possível jogar videogame!)+telefone(isso mesmo, é possível ligar para casa
em qualquer lugar do mundo a preços salgados, claro! Ou até mesmo ligar
para alguém de outra poltrona). O serviço de bordo excepcional.
Chegamos em Londres pela manhã, aproveitamos para descansar mais
pela tardinha, para andar pela margem do Rio Tamisa, algo impagável.
Nos dois dias seguintes, aproveitamos para visitar o Museu da Guerra e
Museu Britânico (eu já havia dito isso quando vim pela primeira vez a
Londres, mas gosto de repetir: A Inglaterra tem o mundo nesse museu. Se
alguém vai á China, como nós fomos, tem de dar uma passadinha na volta
em Londres para completar a viagem, porque com certeza a maior parte da
China está no Museu Britânico). Além disso, passamos pelo Big Bang,
Londres é um espetáculo ao céu aberto, temos de admitir. Uma
cidade que encanta 24 horas, sempre com movimento e seu ônibus
e metro ultra-eficientes. Visitamos também a Harolds, tradicional
loja de departamento e pudemos experimentar umas das delicias de
sua confeitaria.
No final de nosso terceiro dia, a volta para Frankfurt, para daí sim,
voltarmos ao Brasil. Para esse percurso havíamos comprado um
bilhete aéreo de 1 dólar. Isso mesmo, 1 dólar. Explico: trata-se de
empresas aéreas que ganham o dinheiro com outros serviços, tais
como venda de produtos dentro do avião (elas não oferecem
alimentação dentro do vôo, só pagando), taxas de serviços
aeroportuário e excesso de bagagem (ai vem o grande problema: só
15 kilos por mala e uma bagagem de mão por pessoa, caso
contrário o pagamento por kilo adicional torna a viagem mais cara
do que a passagem mais cara de outra companhia aérea normal).
Bem, em relação a bagagem ficamos em situação complicada.
Nossas bagagens estavam pesando 23 e 21 quilos cada, sem contar
a bagagem de mão. Tínhamos que chegar em 15 quilos cada, sendo
que cada um deveria ter uma bagagem de mão com 10 quilos no
máximo e que deveria caber dentro de um padrão misero de
medidas. Outro detalhe, o aeroporto não fica em Londres, mas 2
horas de distância (tivemos que pegar um ônibus de viagem de
Londres até o aeroporto, mas isso já estava computado no
orçamento com parte da passagem). Nosso plano era tentar arrumar
a mala no aeroporto, para evitar o excesso. Para nossa surpresa, já
existe uma área toda reservada com balanças e informações para as
pessoas arrumarem malas. Ajudou muito. Ficamos lá mais de duas
horas tentando montar o quebra cabeça. Pesa calça, pesa camisa,
tudo e fomos retirando coisas da mala, de olho em nossas mochilas de
mão. Resultado: Fora do aeroporto estava frio, mas dentro estava
quente, bem quente e como não bastasse… tive que usar três camisas
(alguém já viu alguém ter três colarinhos? Era o meu caso), uma blusa,
com uma mochila, e uma jaqueta por cima para cobrir a mochila; duas
calças e uma bermuda; no bolso da jaqueta, duas camisas; cachecol e
ainda carregar um guarda-chuva (ué, vai que chove no avião? rsrsrs) e
dois guias de viagens (tenho que ler…). Tivemos que jogar fora nossas
toalhas, não colou a desculpa de que estavam molhadas e íamos
O clima de controle sobre o peso era total. Em todo momento olhavam
nossas coisas nas filas, nos embarques, dentro do avião. Natural, era o
ganha pão deles.
Bem, com todo o desconforto do mundo e um pouco irritado com tanta
intolerância sobre os pesos das malas, em duas horas de viagem
chegamos a Frankfurt. Claro que em aeroporto também distante. Foi
bom, pois tivemos que pegar outro ônibus de viagem e curtir a
agricultura alemã, extremamente desenvolvida. Nosso vôo estava
marcado para a parte da manhã, mas a Varig, com toda a naturalidade,
Aproveitamos para re-passearmos por Frankfurt, desta vez, com o cabelo maior, mas sem arriscar nenhum cabeleireiro alemão. Em Frankfurt
nos permitiu um dia para relembrarmos de toda a nossa trajetória até aqui, e que todo o cansaço que gerado pelos translados, carregamento
de malas, chegada e saída de aeroporto e trem, foram amplamente compensados pelas paisagens, pela oportunidade de viver outras culturas
e conhecer outras pessoas. Cruzamos a Rússia, a Mongólia, China e nos enveredamos por Londres e Frankfurt. De fato, foi um sair da rotina e
tanto. Prometo que na próxima viagem dividiremos mais com vocês nossas fotos, algo que ainda estamos aprendendo a lidar. O tempo para
o relato estava ficando apertado em detrimento de aproveitar cada novo momento.
Daqui, mais nenhuma novidade. Somente a volta para o Brasil, com escala em São Paulo , parada para troca de avião no Rio de Janeiro e com
outro vôo direto para Recife. Talvez não pareça, mas nem tudo nessa viagem foi tão planejado.