Chegamos 3 da manhã em Pequim. Como já comentei, horário muito
ruim para se chegar em um lugar desconhecido. Novamente, só fomos
encontrar o albergue lá pelas 6 horas da manhã, depois que resolvemos
recorrer àqueles táxis-bicicleta. Ficamos mais de duas horas no mesmo
lugar procurando a rua e ele chegou lá em menos de 5 minutos. Achei até
que ele estava me enganando. É realmente difícil andar por Pequim sem
saber falar chines.
Nem chegamos a dormir, tamanha nossa ansiedade em conhecer a
cidade. O Albergue é bem localizado, está próximo da Praça da Paz
Celestial e Cidade proibida. Mas o negócio de proximidade aqui é muito
relativo, tudo é meio duplamente distante devido aos longos quarteirões e
a grande quantidade de túneis debaixo das vias. No mapa o percurso é
simples, mas no real, chegamos até desistir de alguns desvios de percurso
quando víamos algo interessante: demorava muito para chegar lá.
O número de pessoas pelas ruas é impressionante. Tem chinês em tudo
quanto é lugar e fazendo de tudo (haja emprego para tanta gente). Teve
uma vez que fui dar descarga, saiu um chinês de trás da porta com um
balde d’água…brincadeirinha.
É um mundaréu de gente, de bicicleta, de carros, táxi-bicicleta, de
camelôs. A impressão que estou tendo é de que Pequim é uma 25 de
março permanentemente na época de natal. E de fato é isso mesmo, aqui
é uma 25 de março do mundo, é o Brás do Mundo, é a José Paulino do
Mundo e também a Oscar Freire dos falsificados do Mundo. Aqui existe
um shopping legalizado só de produtos falsificados. Até Ice Tea vendido
nas ruas é falsificado.
Tudo pelas ruas é muito barato! Mas é necessário pechinchar e isso dá
trabalho. O preço começa com 100 reais e você tem que ter saliva para
virar 5 reais. E é uma choradeira dos dois lados que cansa, desestimula a
compra. Eles procuram não colocar preço, propositalmente. Nas ruas,
tudo é vendido com dois preços: para o chinês e para o turista, nada tem
preço marcado. Dá trabalho comprar quando não tem preço. Encontramos
por aqui um mercadinho Dia% do Carrefour que está nos servindo bem
com produtos tabelados super-baratos. O Mcdonalds é menos da metade
do preço do Brasil.
É impossível fugir das compras, elas estão em todos os lugares com os
Chineses. Mas também visitamos os pontos turísticos mais famosos, como
a Cidade Proibida (palácios incríveis, são 9 mil salas) o palácio de verão
Muralha, essa sim, um passeio realmente incrível, que fala por si só
(levou 2000 anos pra construí-la). O passeio leva um dia porque a
Muralha fica aproximadamente umas duas horas de Pequim. Ela é
dividida em vários trechos. Nós caminhamos um bom pedaço da
muralha na cidade de Badaling, algo como uns dois quilômetros. A
verdade é que ela é uma imensa escadaria, num sob desce bem
cansativo, mas a paisagem compensa e muito. Também é necessário
aumentar o depósito de paciência devido a grande quantidade de
chineses e ressaltar que 99% dos turistas são os próprios chineses de
outras regiões. O fato é que os chineses só começaram a ter dinheiro
para turismo depois que a China se tornou parcialmente uma economia
de mercado, no inicio dos anos 90. A China ainda é um país governado
pelos comunistas e bastante antidemocrático (só existe um partido no
país e existe censura), mas permite a abertura de empresa, propriedade
privada em certas regiões, herança, etc. Por outro lado, o governo
continua muito forte na economia, mantendo empresas e criando
outras, algo típico de governos socialista. A mão de obra chinesa é
muito barata, fácil entender: a população é 7 vezes maior que do Brasil.
Então as pessoas tentam vender de tudo em Pequim. E os ambulantes,
vendedores e tudo quanto é gente vivem falando “Hello” para tentar
atrair o turista. A rua do nosso albergue é bem interessante: é uma rua
estreita, com muita gente pelas ruas, com restaurante que fazem a
comida na calçada, alguns pequenos comércios com comidas bem
estranhas (escorpião no espeto, pato com cabeça, pé de galinha no
espeto, ovo dentro do balde, melão no espeto, e uma série de comidas
difíceis de descrever) com camelôs vendendo tranqueiras de tudo
quanto é tipo de barulho de brinquedo.
A Pequim vem perdendo sua arquitetura própria antiga para a
arquitetura ocidental. Vejo muitos ambulantes pelas ruas e pouca
meditação. A pobreza está misturada com a cidade sendo erguida. É
impressionante a quantidade de prédios sendo erguidos e a beleza do
centro olímpico (fizemos uma visita ao estádio conhecido como “grande
ninho”, maravilhoso!). Pequim está se preparando para as olimpíadas do
ano que vem treinando todo mundo com inglês (ainda não está dando
resultado) e investindo pesado. Fico imaginando que se nesse verão já
está sendo bem difícil andar pela cidade (e ela não é bem servida de
Amanhã será nosso último dia por aqui. Vamos visitar um templo budista pois queremos ter um dia mais calmo para nos prepararmos para
nossa próxima etapa, Xangai. Partiremos para a capital financeira da China amanhã pela noite. Nossa meta por lá será visitarmos uma fábrica de
produtos falsificados e entendermos de perto a lógica dessa economia.