Frankfurt – Primeira Parada

..enfim, depois de 12 horas de vôo no primeiro trecho e mais 3 horas no segundo, chegamos a terra do Lênin, Moscou, e onde ainda pousa seu corpo embalsamado. Tudo até aqui, desde que partimos foi muito cansativo(são 8 horas de diferença). Está fazendo muito calor e eles não tem ar condicionado (naturalmente porque estão preparados para o frio). Apesar de ficarmos muito cansados com a viagem de São Paulo a Frankfourt, tínhamos um dia para curtir essa cidade, conhecida como a capital financeira da Alemanha. Além disso, pretendia cortar o cabelo, algo que não havia conseguido fazer no Brasil porque não tive tempo. Desembarcamos 6 horas da manhã, deixamos as malas no guarda-volumes do aeroporto e saímos com mapa na mão. Estávamos esperando encontrar atrações turísticas mirabolantes, mas entendemos logo que não era a vocação dessa cidade. Encontramos uma cidade extremamente organizada (claro, Alemanha), prédios modernos, com um trânsito silencioso, poucas pessoas pelas ruas, uma cidade muito charmosa. Visitar os museus foi muito acessível e rápido: praticamente todos estão localizados na mesma rua. Mas passeamos num cansaço que nos puxava para o chão, para dormir, para cochilar, rrrrrrshiiiiiii. Encontrávamos um gramadinho, uma dormidinha; um banco do ano 1310 exposto no museu, uma cochiladinha, uma cadeira no meio do calçadão, uma fechadinha nos olhos (o garçom do Burger King nos acordou abruptamente: “não pode dormir aqui!”). Eu nem sonhava com o lanche mesmo! A Juliana ficou duplamente cansada: estava com tênis novo, ainda não amaciado. Já dá para entender o que isso significa andando o dia inteiro pela primeira vez.

O passeio por Frankfourt terminou com a finalização de um dos meus objetivos: cortar o cabelo. Vi mais de 1000 alemães andando pelas ruas com o corte que eu queria. Bastava encontrar o cabeleireiro (barbeiro, na verdade, senão ia ficar muito caro) e pedir o mesmo corte, apontando com as mãos (não sei falar alemão). Bem, encontramos um lugar baratinho. Quando chegou a minha vez de cortar não havia ninguém com o corte que eu queria, somente um senhor que havia acabado de cortar o cabelo, mas não exatamente com o mesmo corte. Havia algumas revistas, mas nenhuma com o tal modelo. Então a Juliana me convenceu a apontar para o homem que saia e – imaginei – depois eu poderia pedir para acertar se não ficasse do meu gosto. O alemão carrancudo me fez sentar, colocou uma “espuma” higiênica no meu colarinho e, em volta, foi prendendo a capa para proteger minhas roupas dos pelos.

Muito bem, vai começar, estou sentado numa cadeira de barbeiro como em qualquer barbearia: mas o barbeiro coloca a mão na minha nuca e empurra minha cabeça abruptamente contra uma pia entre eu e o espelho. Minha cabeça desavisada, já dentro da pia, é “lavada como se lava um perro”(cachorro em espanhol). Eu me senti naqueles filmes que o guarda, torturando o bandido, coloca a cabeça do sujeito dentro da privada, deixando ele sem respirar…

Só pude rir comigo mesmo mas a Juliana riu sem precisar pagar o ingresso. Ok, não tem problema, esse cabelo vai ficar “alemão”. Mas quando percebi que o bigodudo já estava terminando e que somente as laterais estavam de acordo, fui logo sinalizando com as mãos as mechas que ficaram em cima. Ele sinalizou um “não se preocupe” (pelo menos foi isso que entendi). Novamente cabeça na pia! Sem aviso, de novo. Estava parecendo programa de torta na cara! Bem, logo ele foi me secando com uma toalha de “perro” e passando uma espuminha, uns pompons com talquinho e tirando a capa. – “Ei”, já fui logo com o dedo em negativa, com cara de “lembra?, dá para tirar mais um pouquinho?”. “NO, NO, GOOD, VERY GOOD!” – ele disse -tentando se comunicar comigo). E foi me tirando da cadeira com tapinhas fortes nas costas, dando por acabado, sem negociação… e é claro: a Juliana rindo sem pagar ingresso!!!!!! E eu ainda tive que pagar pelo corte e por um adicional pela espuminha.

Meu cabelo ficou, ou melhor, está…ridículo. Vou corrigir com um russo e contar essa história para ele só para ele ficar falando mal dos alemães…

Bem, depois desse episódio, como não havia tempo para correção e eu havia estourado o orçamento, fomos para o aeroporto pegar o vôo para Moscou. Viajamos de Aeroflot, empresa conhecida por utilizar o antigo Antonov. Apesar de ainda serem estatal da Russia, viajamos de AirBus, com espaço entre as cadeiras maiores que do Brasil. Nesse percurso, só presenciamos um incidente. No momento da partida, aproximadamente 11 horas da noite, um rapaz do nosso lado foi retirado do avião pela policia alemã, numa discussão interminável. Achei muito estranho que somente eu que não fala alemão, estava observando atentamente toda a discussão. Havia vários policiais e mesmo assim todos os passageiros agiam como se nada estivesse acontecendo: comendo, conversando ou dormindo. Ou 

todos tinham culpa no cartório ou a discussão entre o policial e o rapaz era a mais fútil possível. Ou então, o que eu tenho a ver com a vida dos outros, não é mesmo? Afinal, dezenas de policiais discutindo dentro do avião, com passageiro com cara de carregador de bomba, deve ser encarado com discrição.

Bem, importante é que chegamos a Moscou essa manhã, estamos bem, num excelente hotel (só para compensar o que vem pela frente, nas próximas paradas). Lembrando que estamos a 8horas na frente do Brasil. Amanhã escreverei sobre os dois dias dessa cidade interessante e semi-capitalista. Enviarei também a foto da minha cabeça dentro da pia.

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